A “ditabranda” da Folha de S.Paulo, por Latuff

mar 24, 2009 by     16 Comentários    Postado em: Cultura, Política
ditabranda1

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O cartoon acima é de Carlos Latuff. A imagem remete à morte do jornalista Wladimir Herzog (“suicidaram” o jornalista em 1975), justapondo com o episódio recente em que a Folha de S.Paulo resolveu chamar de “ditaBRANDA” a DitaDURA brasileira.

Quem quiser conhecer mais o trabalho de Latuff, vale a pena conferir o blog dele:

http://tales-of-iraq-war.blogspot.com/

Caso queiram, conheçam também o Instituto Wladimir Herzog, clicando aqui.

16 Comentários + Add Comentário

  • “O que estamos fazendo interessa à revolução como exemplo, não como solução. O que estamos fazendo não resolve o problema da revolução. Revolução é questão de mentalidade. Se podemos dar o exemplo com pouca gente por que vamos encher as cadeias?” Marechal Arthur da Costa e Silva, 7 de fevereiro de 1969.
    Fiz um post com base nessa frase que está em sintonia com o ideario da Folha quando falou em ditabranda. É assim que eles pensam.

  • A dita foi branda apenas para aqueles alinhados ao regime; ou aos inertes.

  • Na realidade, meu caro Raboni, qual foi o legado deixado pelos anos de chumbo da “ditaDURA”?
    A democracia corrupta que vivenciamos?
    A representação popular contida nesse danoso parlamento que aí está?
    Os bilhões em indenizações pagas aos “heróis que empunharam a bandeira libertária?”
    Será que vivenciamos mesmo uma ditaDURA na essência da palavra?
    Será que não deveriamos estar debatendo que seria do Brasil sem a revolução de 64?
    Claro é que, ao longo dos vinte anos de revolução, ocorreram ERROS E EXCESSOS DE LADO A LADO, o que não invalida o grande esforço nacional e o que representou aquele movimento em beneficio do Brasil e do seu futuro.
    O fundamental é que as gerações atuais e futuras conheçam a realidade na sua forma integral, sem máscaras, e percebam que a revolução de 1964 foi uma SOLUÇÂO NECESSÀRIA diante dos riscos que corria a nação brasileira.
    Agora convenhamos, que foi uma ditaBRANDA não resta a menor dúvida.
    De concreto mesmo é que jamais poderemos questionar a “galeria de herois” da DITABRANDA, hoje exitosos entes, os famosos “anistiados politicos.

  • Hum… “excessos”, “movimento benéfico”, “solução necessária”?

  • Ultimamente me pergunto se o Francisco Filho fala sério ou se apenas encarna uma personagem.

    Hoje ele se superou…

  • BIZARRO!

  • Caros:

    O conceito de “ditabranda” no Brasil foi utilizado pela primeira vez por um juiz da Suprema Corte argentina no julgamento de Rafael Videla, ainda nos anos 90.

    Relativamente, nosso período de exceção foi, de fato, “brando”. Se tomarmos a própria Argentina e seu feroz grupo paramilitar CCC, Comando de Caça aos Comunistas (financiado pelos militares) e os homens de farda que enchiam de esquerdistas aviões e helicópteros e os empurravam no oceano ou no Rio de la Plata; ou o sequestro de inúmeros bebês de militantes – o que justifica a existência das Mães e Avós da Praça de Maio. E se falarmos do Chile de Pinochet? Da famigerada “Caravana da Morte”? Só no Estádio Nacional de Santiago foram fuzilados entre 1973-1986 30 mil chilenos(!) e quase 1 milhão deles fugiram para o exílio. Esses, sim, foram exemplos de ditaduras.

    Como tudo no universo é relativo, não poderia ser diferente na História. À família do Herzog, foi ditadura; para as famílias dos ex-militantes e suas vistosas indenizações, foi ditabranda ou melhor, foi “um ótimo investimento”, nas palavras corretas de Millôr Fernandes (que à despeito de todo o jornalismo combativo durante o regime militar, deverá ser chamado de reacionário o coisa que o valha, simplesmente por ser empregado da Revista Veja).

    Vivas à “Revolução Redentora” que diminuiu o risco real de uma sangrenta guerra fratricida no Brasil, durante o governo do Lumb Duck João Goulart. Francisco Filho há de concordar e saber que os presidentes militares Castelo Branco, Costa e Silva, Geisel e Figueiredo foram honestos com a coisa pública (não me referi ao Médici porque não sei se não caiu em corrupção) ao contrário dos civis que lhes foram posteriores. Um mais canalha que o outro.

  • Querer entender a corrupção e a violência atuais sem olhar sua origem na desestruturação do país com a ditadura é simplesmente insano. Foi essa mesma ditadura que acabou com a escola pública de qualidade, que fez com que vários milionários surgissem em suas roubalheiras. Os presidentes militares, em si, podem até não ter sido corruptos, mas permitiram diversos casos de corrupção, que se enraizaram até hoje no poder. Ou Sir Ney é fruto da democratização? Só para citar um exemplo. É claro que também não foram os ditadores que inventaram a corrupção, isso é preciso ser dito. Mas eles criaram mecanismos para isso.

  • Acho interessante como se percebeu realmente uma mudança no discursa da turma do espectro político mais conservador.

    Estão dizendo que houve excessos dos dois lados, que a “revolução” (leia-se golpe) foi necessária, etc.

    Está claro que o Brasil ainda não decidiu como enxergar este período da história. Iste não é ajudado pelo fato de os nossos governantes não abrirem logo as bostas dos arquivos e escancararem para todo mundo ver.

    Acho que a nossa jovem democracia é menos estável do que nos tentam convencer…

  • Meu Deus. Eu não acredito nos posts que vi. A turma reacionária quer relativizar até nossa ultra-nociva ditadura. Meu Deus

  • A frase de Costa e Silva diz tudo e da a chave de compreensão dos mecanismos adotados pelo regime ditatorial implantado no Brasil, em 1964.

    Uma ditadura passa as leis que quiser. Criminaliza o que quiser, até manifestações de opinião ao adesão a alguma posiçãopolítica. Estabelece o judiciário e o ministério público que quiser. Forja a polícia que quer.

    Pode dar aos seus oponentes o destino que quiser, portanto, dentro do sistema legal por si forjado. Mas, isso dá mais trabalho que deixar meia dúzia de subalternos livres para saciar seus desejos por sangue o sofrimento alheio.

    O marechal deixa evidente o pouco apreço a formalidades. Para quê processar e julgar, ainda que tenham cunhado leis para isso, se se podem torturar alguns e dar o exemplo?

    Esse é um delito do regime instalado em 1964. Podendo – e devendo – agir de acordo com suas próprias leis, optou pela ilegalidade de estado.

    A conclusão é inescapável. Além de infratores das leis – deles mesmos – foram desonestos. Podiam ter suprimido toda e qualquer lei, podiam ter legalizado a tortura, a prisão sem acusação e sem ordem judicial.

    Mas, não. Seguiram o escript habitual do divórcio entre as aparências e a realidade. Não é essa nossa inspiração real e subjacente?

    O padre é o pregador casto e moralista que vai ao cabaré à noite. O político trabalha pelo povo, pela moralidade, mas sua declaração de imposto de renda é uma piada.

    A dona de casa, base e esteio do belo retrato familiar, sonha com a cama do vizinho. O prototípico udenista seu marido, talvez sonhe com o mesmo vizinho, embora seja sócio de um clube que prega a homofobia.

    Assim, vive-se uma sociedade baseada nos sólidos alicerces da hipocrisia.

  • Parabens, caro PEDRO T.
    Sua sintese foi brilhante.
    Assino em baixo.

  • Obrigado, Francisco, muito gentil.

    Pedro

  • A pergunta que não cala: será que o Pedro T é “brilhante” como Daniel Dantas, e o Francisco F “gentil” como a ditaBRANDA?

  • Caieiro, de certa forma, era irmão de Reis. Mas isso é outra coisa.

  • Para início de conversa, quero deixar bem claro que sou contra a violência e a favor das soluções pacíficas. A Revolução de 64 se realizou sem que fosse disparado um único tiro. Apenas com a movimentação de tropas, mais uma demonstração de força do que uma operação militar propriamente dita, os militares fizeram com que caísse um governo fraco politicamente, que permitiu a infiltração comunista no Brasil. Quem duvida desta infiltração deve dar-se conta da expansão do Movimento Comunista Internacional – MCI, que havia dominado metade da Europa, grande parte da Ásia e Cuba. Havia militância comunista não só no Brasil mas na Argentina (Montoneros), Uruguai (Tupamaros), Colômbia (FARC) e no Chile. Cuba foi dominada em 59, o Muro de Berlim foi construído em 61. Devido à importância estratégica do Brasil na América do Sul, ele era um dos alvos principais do MCI. Seria ingenuidade pensar ou afirmar que não havia esta ameaça. Ao contrário do que ocorre nos países onde o comunismo se impõe, os militantes comunistas foram presos e/ou cassados e o país seguiu sua vida normal. Para estabelecer uma comparação, vejam que a dupla Fidel / Guevara fuzilou 15 mil dissidentes. Aqui, ninguém foi fuzilado. Mas aí ocorreu a reação dos derrotados e se estabeleceu a luta armada. Dizem que a luta armada derrotou a ditadura mas, ao contrário, além de ceifar vidas ela fez com que o regime militar se prolongasse. Deu o efeito contrário. Se não houvesse a reação violenta (assaltos, sequestros, homicídios, guerrilha) a situação teria voltado à normalidade muito antes. A luta armada foi um erro político e estratégico. Os militares não queriam perpetuar-se no poder. Sua atuação no governo era transitória. Os militares, por sua formação, são avessos aos conchavos que caracterizam a política e encaravam o poder como o cumprimento de uma missão. Sacrificaram sua vida familiar e sua saúde (Costa e Silva morreu no governo, Médici e Figueiredo logo depois). A anistia foi um clamor popular. Em minha carteira de estudante da UFRGS, em 79, estava impresso: Anistia Ampla, Geral e Irrrestrita. No Diretório não havia militares. Torço para que sejam abertos os arquivos para que se esclareçam todos os fatos daquele período. Mas isso não vai acontecer porque a esquerda formada pelos antigos militantes não quer que se abra. É mais conveniente que fiquem fechados porque poderão continuar posando de heróis e desfrutando de suas indenizações e pensões vitalícias.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).