Abraço dos afogados em Shameland

out 15, 2015 by     7 Comentários    Postado em: Política

A semana passada acabou com duas situações aparentemente inevitáveis: a queda de Eduardo Cunha e a de Dilma Rousseff.

Cunha acabou pego por contas milionárias na Suíça, depois de ter jurado de pés juntos que não tinha conta no exterior. Com as provas aparentemente fortes (ainda nas mãos do Ministério Público Federal), a perda de mandato parecia inevitável.

Parecia…

Dilma teve quatro derrotas em um período de dois dias. Perdeu no TSE, no TCU, no Congresso e no STF. Acabou a semana nas cordas e parecia pronta para o impeachment.

Parecia…

Enquanto isso, parte significativa da oposição esquecia completamente a vergonha e se confraternizava com Eduardo Cunha, como se fosse o baluarte do futuro da nação. Parecia que o fim estava próximo.

Parecia…

Apesar de aparentar tanta coisa, esqueceram uma das regras básicas da economia e da teoria dos jogos, especialmente quando todos os atores estão desprovidos de qualquer escrúpulo: os estímulos e recompensas individuais.

Partindo do princípio de que estamos em Shameland, lugar onde a vergonha não existe na cara de quase ninguém na hora de fazer alianças, a resposta para isso tudo se dará nos prováveis resultados.


São eles:

1 – Cunha e oposição se aliam: neste caso, tem-se início o processo de impeachment e Dilma perde o mandato e Cunha dependeria da oposição para se manter. Neste caso, a oposição pode simplesmente romper o compromisso e deixar Eduardo Cunha à deriva.

2 – Cunha e Dilma se aliam: neste caso o impeachment não tem início, Dilma mantém o cargo e a oposição fica falando sozinha. E Eduardo Cunha manteria o mandato, o que impediria o envio do seu processo ao Juiz Sergio Moro, que certamente faria com que o deputado assistisse ao nascimento do sol quadrado por algum tempo.

O que está por trás de tudo é a autodependência de Dilma e Eduardo Cunha. Com os votos petistas, Cunha se mantém no cargo. Já com Cunha no poder, Dilma não se vê ameaçada pelo pedido de impeachment, que teria que passar pela Presidência da Câmara.

Apesar de todo este arranjo, estão esquecendo de atores importantes nisso tudo: a patuleia, como eu e você, que estamos assistindo a este desavergonhado jogo de patifaria como se nada acontecesse. Assistimos a um cafuné vergonhoso da oposição ao Presidente da Câmara e agora somos obrigados a acompanhar este jogo de cena do Governo com Eduardo Cunha.

Como os fatos desmoralizam qualquer desmentido, a carta de desmentido enviada hoje pelo PT às redações tem o mesmo cheiro de enxofre da nota divulgada pela oposição no fim de semana. A verdade irá aparecer em alguns dias, bastando sabermos que nenhum pedido de impeachment passará pela Presidência da Câmara, ao mesmo tempo em que o pedido de cassação de Cunha não chegará ao plenário.

Como bem disse hoje a Carta Capital, PSDB e PT não têm mais lugar no protagonismo político do país. São apenas estruturas carcomidas e podres de poder que não merecem estar na Presidência da República.

É preciso trocar tudo, do contrário vamos continuar assistindo ao abraço dos afogados em Shameland, a Terra da Vergonha…ou da ausência dela.

Haja Coração Valente!!!

7 Comentários + Add Comentário

  • E ainda existem canalhas, isso mesmo, babacas que insistem que taxar de coxinhas aqueles que bradam contra o governo, como se o PSDB não buscasse aquilo que o PT possui no momento. Infelizmente, a estrutura política atual está falida. O CN e a presidência da república estão cobertos de parasitas ávidos pelo poder que, a todo momento, cometem toda sorte de crimes e imoralidades com a patuleia assistindo de camarote. Daí você se pergunta, e o judiciário? E o
    MP? Bem, esses, só estão interessados em seus vencimentos, auxílios, etc, se surge algum para tentar minimizar esse caos da corrupção, os tribunais superiores (com seus membros apadrinhados a certos partidos políticos) fazem questão de puxar o freio de mão. E o povo? Bem, depois que o governo instalou uma guerra de classes, só fazem bradar uns contra os outros, sem atentar para aquela velha máxima de que o poder deles emana. Quando não é isso, estão falando sobre futebol, compartilhando vídeos de sexo, esperando o carnaval ou vendo novela. A classe política agradece. Que situação desprezível essa nossa.

  • Está tudo muito nebuloso, difícil de se avaliar, a única certeza é que o PT vai fazer pacto com o Diabo (como sempre fez) pra se manter no poder.

    Se o PT cair agora leva as FARC, o PCC e o Foro de São Paulo junto. A queda do PT representa um duro golpe na tentativa de implantação do comunismo na América Latina.

    Pra completar o sonho da queda do PT, só falta o velho safado do Fidel Castro bater as botas.

    PT, FARC, Foro de São Paulo, Fidel Castro e a bosta do comunismo, todos juntos e de mãos dadas indo para o quinto dos infernos.

    • Tenho a impressão que você leu um post e comentou em outro.

      • Para bom entendedor, dá para saber claramente ao que o Roberto quis dizer pois é mais um indignado com a cara-de-pau dos petistas, como a maioria das pessoas honestas e trabalhadoras.

        No mais o pierre está certo pois a oposição é muito fraca e falta autoridade aos políticos, não existe uma liderança. E fora o pt e o psdb, quem??? Marina? Psol? Pmdb???

        Vamos trocar seis por meia dúzia, ainda assim, que a troca não demore.

        A Carta Capital é filial de facções petistas, publica o que interessa a esse grupo
        citá-la é como se embasar nos discursos do in fidel

  • OK , mas trocar só em 2018 ou com convocação de assembleia constituinte para refundar o Estado

  • Texto bom,MAS A CITAÇÃO A”CARTA CAPITAL” É DE CAIR O CU DA BUNDA!!! Essa revista é LIXO COMUNISTA PURO!!

  • Tentando colocar o atual momento numa perspectiva mais ampliada, fica claro que o modelo se esgotou. Essa geração que, de uma forma ou de outra, fez a política do País nos últimos 40 anos (ou mais) não tem mais o que oferecer. Não há ideias novas, as práticas não acompanham a sociedade. De certa forma isso é algo muito positivo. Significa que o sistema político terá que se reinventar, novas lideranças surgirão, um novo modelo terá que ser “inventado”.

    O triste (e preocupante) é que ainda não se vislumbra quem serão os líderes da próxima geração e quais ideias nortearão o debate na sociedade brasileira (e mundial, convenhamos) nas próximas décadas. Se a esquerda está hoje fragmentada, sem uma voz e sem uma agenda que a una, a direita está mais avançada nesse ponto, porém erra ao olhar pro passado e repetir o discurso dos anos 90, derrotado pelos fatos, sem falar do flerte com o conservadorismo puro e simples (antes uma direita liberal que conservadora).

    Esse período de transição será duro e deverá persistir por alguns anos. O risco é que esse vácuo de poder seja ocupado por algum oportunista (Collor reloaded) ou que a disputa pelo poder fuja do controle e se torne uma guerra aberta (estamos caminhando para isso, mas ainda há tempo de PT e PSDB evitarem o “apocalipse nuclear”). Que nossas instituições resistam ao que vem por aí.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).