do Estadão
Tomadas de contas especiais realizadas em convênios da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) desde 2005 – ano em que o PMDB assumiu o controle político do órgão – revelam um rombo nos cofres públicos de pelo menos R$ 75,7 milhões referentes a 176 convênios com prefeituras e organizações não-governamentais (ONGs) para obras de saneamento básico e serviços de atenção à saúde indígena.
São casos de obras não executadas, desvios de recursos, prestações de contas rejeitadas ou ausência de prestação de contas que foram levantados pela própria Funasa e que, após análise da Controladoria-Geral da União (CGU), foram encaminhados para o Tribunal de Contas da União (TCU) para julgamento.
Somente neste ano, até junho, a CGU concluiu que 47 convênios entre os analisados estão irregulares. O valor a ser restituído aos cofres da União nesses casos é de R$ 9,4 milhões (corrigidos).
Entre eles o convênio com maior desfalque foi o 341/00, assinado com a Prefeitura de Bequimão (MA), para serviços de saneamento básico. O município recebeu R$ 380 mil para as obras entre 2001 e 2002, mas, segundo a CGU, não prestou contas dos serviços realizados. Corrigidos, os R$ 380 mil transformaram-se em R$ 754 mil. A Prefeitura de Bequimão aparece com problemas em ainda outros dois convênios – um cuja dívida já é de R$ 941 mil e outro de R$ 124 mil.
Durante todo ano de 2006, o relatório da CGU encaminhado para julgamento listava 77 convênios com irregularidades, num total de R$ 40,1 milhões a serem devolvidos ao governo. O maior deles é um repasse para a Prefeitura de João Pessoa (PB), de um convênio que vigorou entre 2000 e 2004, para obras do sistema de esgoto. Segundo a CGU, a prefeitura tem a restituir R$ 16,4 milhões por conta do não cumprimento do objeto conveniado – o que torna o conveniado inadimplente.
As auditorias foram feitas em convênios que antecedem o comando político do PMDB no órgão, mas servem para mostrar que o problema da corrupção na Funasa é antigo.
Vinculada ao Ministério da Saúde, a Funasa tem um orçamento de R$ 1,5 bilhão para este ano e receberá R$ 4 bilhões até 2010 – recursos previstos no Projeto de Aceleração do Crescimento da Funasa. Por regulamentação, ela atua na área de saneamento básico em municípios com até 50 mil habitantes e em saúde indígena. A maior parte dos investimentos é feita por meio de repasses para prefeituras e ONGs que ficam responsáveis pela aplicação dos recursos e execução dos serviços – e onde ocorrem os desvios.
Emendas
Além dos recursos próprios, a Funasa recebe verbas oriundas de emendas parlamentares (individuais, de bancadas e de partidos) para repasses a municípios. Por isso, além de foco de corrupção, é um importante instrumento de poder político nas bases eleitorais para senadores, deputados e partidos. Ao todo, o órgão faz por ano 6 mil convênios com prefeituras espalhadas por todo o País.
Como os contratos de serviços são feitos pelos prefeitos ou pelos dirigentes de entidades e a fiscalização sobre a aplicação dos recursos é deficitária, o desvio de verbas é facilitado.
“Essas emendas são o grande problema. Quando ela é feita o autor já tem tudo acertado: para quem ela vai ser destinada, para qual projeto, quem vai ser contratado pela prefeitura e quanto vai ser executado e quanto vai ser desviado”, revela Sergio Ronaldo da Silva, servidor de carreira da Funasa e membro da Executiva da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).
O diretor administrativo da Funasa, Williames Pimentel de Oliveira, disse não ser possível especificar qual o total liberado para a Funasa por meio das emendas. Mas para se ter uma idéia, o PMDB, que comanda o órgão, colocou neste ano R$ 69 milhões em emendas ao Orçamento da União para engordar os investimentos em pequenas cidades por meio da Funasa. O dinheiro sairá dos cofres federais com destino certo.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) atribui a responsabilidade do problema da corrupção no órgão ao próprio governo. “A administração federal é muito frouxa e permite que se criem guetos que são administrados por grupos políticos”, atacou. “São esses sucessivos escândalos de desvios de verbas em setores da saúde que fazem eu votar contra a prorrogação da CPMF”, conclui.
Para Silva, “se 50% do dinheiro repassado pela Funasa aos municípios chegasse ao destino final já seria um grande avanço”.
Ponto comum
Nos dois últimos escândalos envolvendo a Funasa, o ponto em comum era o desvio de recursos da União por meio das emendas encaminhadas para redutos eleitorais de parlamentares.
O primeiro, denunciado pelo Estado e alvo de uma representação do PSOL, foi o envio de R$ 280 mil de uma emenda do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para o município de Murici, que é base política da família, e a contratação pela prefeitura de uma empresa fantasma de um ex-assessor seu. A operação casada entre senador, prefeitura e contratada para as obras segue o roteiro clássico da maior parte dos desvios de recursos dentro da Funasa.
O segundo e mais recente escândalo foi denunciado pela Operação Metástase, da Polícia Federal, que descobriu um esquema de fraudes em contratos feitos na Funasa de Roraima e que envolvia desvios de recursos de emendas parlamentares. Entre os 34 presos estava o diretor regional do órgão, Ramiro Teixeira, além de 16 funcionários do setor financeiro, de licitação e fiscalização de obras da instituição. Teixeira foi indicado ao cargo pelo líder do governo Lula no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Segundo a PF, todo o dinheiro desviado no esquema tinha como origem verbas federais provenientes de emendas parlamentares da bancada de Roraima no Congresso.
Com os sucessivos escândalos, a Funasa está na mira das autoridades federais e dos órgãos de controle do poder público que passaram a adotar maior rigor na análise das contas de repasses. A própria direção da Funasa, na figura do presidente, Danilo Forte, tem prometido uma limpeza geral que restabeleça a boa imagem da instituição e feche a maior parte desses ralos de escoamento do dinheiro público.




Todos podem falar e condenar corrupção. Menos o senador Heráclito Fortes -DEM(PFL)-PI.
O pessoal do PSDB E DEM(PFL) não tem moral para falar de corrupção neste país.
A não ser que respondam a algumas perguntinhas, que azucrinam a vida dos brasileiros:
1 – Senador Heráclito Fortes, não tendo o senhor emprego, não sendo funcionário público de carreira, um empresário bem sucedido, como comprou um jatinho?
2 – Onde estavam os membros do PSDB e DEM (PFL) quando Daniel Dantas começou a montar a maior quadrilha de corrupção do Brasil?
3 – Sendo os neoliberais tão honestos, por que deixaram prosperar essa quadrilha?
4 – Senador Heráclito Fortes, sendo a periculosidade de Daniel Dantas conhecida no mundo inteiro, como o senhor se avalia ao se considerar seu grande amigo?
5 – Diz-me com quem andas que eu te direi quem és ainda é uma frase válida?
6 – Vocês, neoliberais, quando votaram em Gilmar Mendes para ministro do STF, acreditavam que seria para dar mais moral as decisões do Supremo, ou já sabiam que faria o que está fazendo?
7 – Se o filho de Lula estivesse na mesma condição de Daniel Dantas; se Gilmar Mendes tivesse sido nomeado por Lula para o Supremo e ele, Gilmar, tivesse agido em favor do filho de Lula do mesmo modo que agiu em favor de Daniel Dantas, qual seria sua reação?
8 – E a dos neoliberais?
9 – Senador Heráclito Fortes avalie essa nota divulgada pela mídia há uns dois anos:
“O deputado Paulo Feijó (RJ) surpreendeu os próprios assessores com o discurso feito hoje no plenário da Câmara. Acusado de integrar a Máfia dos Sanguessugas, o deputado se desligou do PSDB para não sofrer processo de expulsão sumária. Agora, ataca o presidente do partido, Tasso Jereissati (CE).
- Que moral ele tem para pedir a minha expulsão. Abram uma CPI contra as empresas dele e vê se ele resiste. Eu pedi o meu desligamento do partido porque não ia dar o gosto a esses pilantras que queriam me expulsar.”
A pergunta é: se essa afirmação tivesse partido de um, e endereçada a outro político da base aliada do governo, que medida o senhor tomaria?
10 – Pediria a tal CPI?
Respostas aqui mesmo.