Clodovil é autor de projeto que reduz pela metade o número de deputados em Brasília. Hoje, são 513
O deputado federal Clodovil Hernandez (PR-SP) sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico, na madrugada de hoje, em Brasília. Ele foi encontrado por um assessor em seu apartamento funcional, caído no chão, ao lado da cama. Segundo os médicos, o ex-apresentador de TV, de 71 anos, tem poucas chances de sobreviver.
Em junho de 2007, ele já tinha sofrido um AVC isquêmico de leve intensidade. Passou apenas sete dias internados. Dessa vez, foi bem pior. Teve que ser submetido a uma drenagem no cérebro, por meio de um cateter. Semana passada, Clodovil passou por grande emoção quando foi absolvido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por 7 votos a 0 da acusação de infidelidade partidária (foi eleito pelo PTC e trocou pelo PR no meio do mandato).
Considero Clodovil uma das aberrações da política brasileira. Um sujeito que nunca teve qualquer militância política ou na sociedade civil foi eleito deputado em São Paulo com quase 500 mil votos (493.951 para ser exato). Tudo fruto de quatro décadas de exposição diária na TV.
Mas tenho que reconhecer que Clô é autor de uma das melhores propostas surgidas na atual legislatura: reduzir pela metade o número de deputados. Menos vagas significariam eleições mais disputadas e forçariam o eleitor a escolher melhor.
Reduzir o número de deputados pela metade junto com eleições distritais (cada microrregião do estado elegeria apenas um deputado) é o meu modelo de reforma política para o parlamento.



É, mas pelo jeito, o nobre véio deputado já deu o que tinha que dar.
Amigo Bahé, voce precisas urgentemente rever seus conceitos de “aberrações da politica brasileira”.
Se comparado a outras figuras, muitas delas “politicos profissionais”, Clô é uma sumidade parlamentar do baixo clero.
Francisco (Filho),
Acho que faltou eu acrescentar “uma das muitas aberrações”… De resto, concordo com você.
E aí, galera?!?
Depois de o Diario de Pernambuco procurar em vão o tal garçom de Brasília Teimosa que teria deixado de trabalhar por causa do Bolsa Família, desta vez foi a Carta Capital que tentou achar o misterioso personagem.
Novamente, sem sucesso.
Será que nosso nobre senador Jarbas não nos deve uma explicaçãozinha? Basta dizer o nome do garçom e em qual restaurante ele trabalhava. Simples.
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Garçom, procura-se
Urariano Mota, na Carta Capital
“Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família”.
Brasília Teimosa é um bairro do Recife que sempre lembrou paradoxos. Nascida na Zona Sul da cidade, em terras valorizadas, foi construída por invasões de pescadores, sem teto e demais pessoas pobres. Tendo o nome de Brasília, adaptou a sua arquitetura pelo adjetivo, Teimosa, porque jamais seus casebres foram as linhas curvas de Niemeyer. Eram, antes, linhas de fuga, para que os moradores fugissem das prisões da polícia. Hoje, a Brasília Teimosa está urbanizada, tem a praia repleta de beleza e restaurantes. Antigos moradores que moravam em palafitas, a realizar o ciclo de Josué de Castro, caranguejo comido pelo homem vira fezes que alimentam caranguejo, estão agora em conjuntos habitacionais. Mas Brasilia Teimosa continua a ser mãe e pátria de paradoxais caranguejos.
O último deles foi a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos ao semanário onde o Brasil é uma pauta. Nela, na entrevista, na revista e pauta, foi mencionado um garçom que de posse de duas Bolsas Família desistira de trabalhar. Isso porque, é claro, estaria em melhor situação, como se estivesse a cantar em redes ao balanço, “pois vivo na malandragem, e vida melhor não há”. Com o breque: não sei o que será. Então por isso fui. Fui a campo, ao mangue, à praia, a Brasília Teimosa, ao vizinho bairro do Pina, à procura dos bares frequentados pelo senador nos “últimos 30 anos”.
A lógica era primária. Antes do garçom, havia que localizar o restaurante em Brasília Teimosa, onde antes de se balançar em redes, a cantarolar sambas, ele trabalhava. Acreditem, no bairro e vizinhança fui aos seis maiores restaurantes, lugares de assento do senador. Insatisfeito, fui a mais dois médios, onde ele nos últimos tempos poderia ter passado. E a dois próximos de restaurantes médios, onde ele, talvez quem sabe, num lapso pudesse ter acenado de passagem. Não lhes posso dizer os nomes – não me autorizaram – mas bem posso lhes adiantar a experiência vivida em três horas da missão “procura-se o garçom de Jarbas Vasconcelos”.
Manda a experiência, que antes de chegar ao local do crime o repórter pesquise, pergunte às pessoas invisíveis, mas que tudo veem. Por isso antes de entrar no primeiro, perguntei a duas senhoras idosas, uma delas moradora do bairro há mais de 40 anos. Ou seja, 10 antes de Jarbas Vasconcelos começar a beber e comer nas redondezas.
- Boa tarde. Me diga por favor: esse restaurante aí é frequentado por Jarbas?
- Jarbas?!
- Jarbas Vasconcelos, o senador.
- (Com pena do repórter) Hen-hen… Só se ele vem escondido, de madrugada. Eu passo o dia todinho aqui, sentada, olhando o movimento. A não ser que ele vá em outro. Mas pergunte aos empregados, eles sabem. O senhor é pastor?
Como não é comum evangélico de barbas grisalhas, imagino que a bondosa senhora me confunde com algum fundador de igreja nova. Nego a honra, agradeço e continuo. O garçom é meu guia.
Pergunto ao flanelinha por Jarbas, que Jarbas?, nada. Entro no restaurante. E pergunto, como se uma resposta positiva fosse uma valorização, que me faria escolher o lugar para comer. É uma hora da tarde.
- Jarbas Vasconcelos vem sempre aqui?
- O senador?! Olhe, faz muito tempo que não. Eu trabalho aqui há mais de um ano.
Nem lhe pergunto pelo garçom. Pois o felizardo deve ser, ou ter sido do concorrente. Ao próximo. Pergunto ao flanelinha, nada. Pergunto ao colega do boa-vida, nada. Dirijo-me ao dono.
- Jarbas Vasconcelos vem sempre aqui?
- Antes ele vinha, há muito tempo. Quem veio agora foi Dilma.
- A ministra?
Confirma e manda me servir, sob protestos frágeis do repórter, um maravilhoso caldinho de peixe com uma cachaça curtida. Que peixe, que cana, que pena. Não posso viver na malandragem, e por isso tenho que ir até o próximo restaurante.
O próximo, onde se escondia o garçom, fica em local de acesso complicado, de caminho estreitíssimo, que exige bons pneus e perícia ao volante. Acredito que não fosse a esperteza de álcool acendida, eu teria voado sobre os arrecifes, rumo ao mar. Um caminhão de repente surgiu em uma curva sobre a pista estreita. Nós dois não poderíamos ali coexistir. Ora co, nem mesmo existir. Por isso joguei o carro à direita, para os lados da brisa do oceano. Mas o motorista súbito, com inesperada gentileza, desceu meio sobre uma encosta. Fui salvo. Para quê?
- Jarbas Vasconcelos vem sempre aqui?
O garçom que não procuro sorri. Ou ele duvida de minha sanidade, ou das barbas mal postas, ou de minha cara de susto, que guarda a nítida lembrança da pista. Por onde tenho que voltar, com redobrada cautela. Então eu volto, vou até o próximo lugar que o senador Jarbas Vasconcelos frequenta há mais de 30 anos. Pergunto ao flanelinha, “Jarbas, etc., etc.?”. Acreditem, o flanelinha tem pena do repórter. Ele não me faz perder a esperança. Não me cobra nada pela vaga e sugere, com enorme educação e solidariedade, que eu vá aos garçons. “Aos colegas do bon vivant”, eu me digo, a esta altura suado e escolado. Que lugar agradável ! Eu não acredito que um homem troque o trabalho aqui por qualquer paraíso do lar, doce lar. Música suave, mpb, gente bonita, cheiro bom de todas as coisas, de crustáceos, com vista do mar, e aquele ar de distinção nos clientes, que os garçons sabem ser anúncio de gorjeta boa. Ele jamais poderia ter deixado este lugar. Mas o dever obriga:
- Jarbas Vasconcelos vem sempre aqui?
O gerente me olha, complacente, piedoso, e responde com um ar que pode significar “por que você não pergunta se aqui vêm o presidente Lula, Hugo Chávez e Obama?”. Dá um toque na campainha para anunciar o prato pedido. Entendo. Por isso evito a visão das patas largas do guaiamum, abertas, convidativas, obscenas, e sigo até o próximo.
Devo dizer que a esta altura a raiva invadia o repórter. Estava começando a cansar dos restaurantes onde Jarbas ia há mais de 30 anos. Melhor dizendo: estava cansando de ir aos restaurantes de Brasília Teimosa onde Jarbas não punha os pés há mais de 10 anos. Perguntava a motoristas de táxi, a pedintes, a soldados da PM, a flanelinhas, a frentistas nos postos, a seguranças, a moradores vizinhos, a gerentes, até a mim mesmo, “Jarbas vem sempre etc.?”.
(Texto completo na revista Carta Capital nº 537)
“Um sujeito que nunca teve qualquer militância política ou na sociedade civil foi eleito deputado em São Paulo com quase 500 mil votos”
Discordo do Bahe.
Mauricio,
O que eu quis dizer é que acho que essas celebridades (apresentadores de TV, atores, cantores, jogadores de futebol, etc) sempre entram na política pelas portas dos fundos. Não se elegem por representar alguém ou por uma idéia. Conseguem votos simplesmente porque são famosos. E as pessoas votam neles por fetiche, não por convicção política.
Agora, há celebridades que têm militância social. Aí é outro caso.
Mauricio, pois Clodovil tem 10x mais valor do que muitos deputados que tem militância política. Militância política não diz nada sobre o valor moral da pessoa. E acho que no momento o que mais estamos precisando é de políticos sérios e honestos. Clodovil chegou onde chegou com o trabalho que construir no setor da comunicação, diferentemente de muitos políticos que lá estão à custas de muito roubo de dinheiro público e troca de favores para financiar suas campanhas e engordar a conta bancária.
Semana passada o Arnaldo Jabour, ao se referir a canalhice em Brasília, usou como referência os políticos nordestinos, deixando subentendido a velha tese facista de que nosso povo é o responsável pelo que existe de atraso no país. Este prototipo de Paulo Francis, tal como outros de menor categoria (Mainardi, Azevedo, etc) não reconhece em Clodovil, Maluf, Magri, SS, etc etc etc etc e tal, o dedo da ignorância do sul maravilha. São apenas políticos depreendidos de sua base local em sua canalhice. Clodovil, pelo menos, dava o seu sem muitas cerimônias. Aqui, por exemplo, existem similares que gostam de posar de paladinos da justiça.
Dileto aspone petista Martins.
De fato, voce está fazendo jus ao pro-labore mensal que recebe da erário.
Passar horas a fio, “divertindo-se” à base control “c” control “v”, é para quem tem tempo de sobra mesmo.
De toda sorte, fique tranquilo pois certamente os editores da Veja, Isto é, Carta Capital e até a Contigo, vão aproveitar essa sua “pesquisa”.
Como ser humano ele está passando por um momento difícil, entre a vida e a morte, independente do que ele seja, devemos ser solidário. Ele precisa das nossas orações.
Dileto aspone demo-tucano Francisco Filho.
Não me consta que eu seja mais presente na Internet do que você. Estamos juntos nesse debate virtual, amigo.
De qual gabinete oposicionista sai sua remuneração, a propósito? Aposto em Terezinha Nunes, viu?
Mas vamos voltar ao que interessa: o que você achou da palhaçada de Jarbas? Inventar um garçom fantasma só pra criticar o Bolsa-Família!
Eu tenho uma suspeita: acho que o misterioso garçom e o tal araponga com escrúpulos são a mesma pessoa……..
Mais uma vez a história se repete… basta morrer (agora só ficar com o pé na cova) p/ virar bonzinho…
Concordo com o Bahé, foi mais uma aberração política que apareceu no Brasil, quem pôde ouvir as declarações do deputado pode perceber isso…
Pelo menos fez um bom projeto, mas devido a outras aberrações como ele, não será aprovado nem tão cedo (talvez nunca), infelizmente.
Se preocupe não aspone Martins, esse aspone Francisco Filho é velho conhecido do blog de Jamildo, até elogiado por ele no aniversário do blog foi, pergunte ao Lyra. Ele as vezes cansa, como cansamos também dos petistas de plantão.