O aparelhamento do Estado e a formação da “militância playmobil”

out 23, 2011 by     59 Comentários    Postado em: Política

Os ataques da imprensa sobre o Ministério dos Esportes e o PCdoB podem até não dar em nada, mas algumas coisas começam a ficar muito claras.

A mídia se baseia em alguns fatos concretos, como a gravação da conversa de um ex-militante com um filiado ao partido, e outros nem tão razoáveis assim, como a aquisição de um terreno por parte do Ministro, que a princípio não parece possuir bens fora do padrão. Neste último caso é uma especulação descabida, mas que não invalida os outros fatos.

Mas o que ninguém está falando se relaciona ao que realmente está acontecendo e nem mesmo o Ministério faz questão de esconder: a absurda utilização do dinheiro público para aparelhamento de um partido.

São várias ONG´s organizadas por filiados do PCdoB espalhadas pelo Brasil sendo sustentadas com recursos públicos, em um aparelhamento descarado.

Vamos supor que não houvesse problemas com a prestação dos serviços, e que as acusações de que 20% estariam sendo desviados não existisse.

Se estiver tudo certo já estará tudo errado.

A justificativa de que é um procedimento legal não invalida o questionamento político do aparelhamento estatal com a finalidade de fazer política. Não dei (e muito menos milhões de pessoas) meu voto em Dilma (no segundo turno) nem em Lula para que fosse dado ao PCdoB o direito de distribuir centenas de milhões de reais entre ONG´s de partidários.

Outro pergunta completamente cabível é: suponhamos que o PM que denunciou Orlando seja um bandido, como é que o partido e o Ministério se envolvem política e administrativamente com um camarada deste quilate?

Quem precisa esclarecer isso é o próprio partido, e não a mídia.

Particularmente acho pouco provável o próprio Ministro ter se envolvido em negócios com o PM denunciante, mas que a máquina do Ministério, especialmente à época de Agnelo Queiroz, se envolveu, não resta dúvidas.

O pior é a cegueira que toma conta de uma parte da esquerda, que nem ao menos questiona o aparelhamento da estrutura estatal, como se isso fosse uma coisa normal.

Começa-se a partir do princípio de que mandar dinheiro para uma ONG amiga fazer um projeto ao invés de enviar a uma Prefeitura é algo absolutamente normal.


Militância “aguerrida” não questiona mais nada

Esperava-se certo comportamento republicano da esquerda, mas foi justamente o contrário.

Nem mesmo a direitona do Governo Collor e Sarney foi tão longe.

Como disse o Senador Cristovam Buarque hoje pelo Twitter: “Pior da corrupção é que está formando uma geração de militantes cínicos.”

Parece que estamos formando uma massa de playmobils. Não se questiona, não se envergonha, apenas defende, como se bonecos fossem.

Não importa se um deputado se junta ao que há de pior na política para aprovar uma nova lei ambiental, ou mesmo se o Governo esquece que utilizou um discurso terrorista em relação à privatização e logo depois parte para privatizar aeroportos. O que importa é que o “centralismo democrático” manda e a manada obedece.

E se alguém se coloca contra, rapidamente é classificado como direitoso ou de estar fazendo o jogo da direita. O maniqueísmo exarcebado conceitua um lado como “progressista” e outro como “atrasado”, como se fosse possível uma verdade absoluta.

O cidadão nem se dá o direito de colocar meia dúzia de neurônios críticos para funcionar, para avaliar se o que sai na mídia tem ou não fundamento. Se está contra meu partido, está errado.

No fundo são energúmenos em estado bruto.

Uma vergonha para todos os que sonham por um país decente.

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  • A militância cínica já existe há muito tempo. Inclusive neste blog e inclusive (também) antes da eleição da PostA FalANTA. Ah, mas ano passado o AC era “progressista”!!!

    • ALFiel que o diga.

    • Eles tinham um papel muito difícil.

      O PT lotou bem os seus filiados e até a oposição é fraca.

      Material para uma oposição forte há, mas a distribuição de renda vai a mil.

      E quando alguém aponta alguma corrupção? A militância diz que fulano fazia igual, que é invenção, que é a tentativa de um golpe.

      Temos que estar sempre atentos para nossas posições políticas e éticas. Não podemos aceitar ou justificar o erro, se erramos e sabemos disso é hora de concertar o erro e não fingir que não existe blindando e vendendo cargos.

      O Brasil precisa de uma mudança política extrema que passa pela educação.

      Mas a cada ano o que se vê é o Estado sendo cada vez mais babá… O criminoso sendo vítima da sociedade malvada.

      E dezenas de outras coisas já apontadas neste blog por pessoas como Alexsandro e tantos outros que militam em favor da sociedade.

      • Precisamos fazer o controle social, o silencio dos bons nao deve existir!

        Levantar este assunto e preciso.

        • Afaste o controle social daquele que o PT quer levantar a bandeira.

          Aquele tipo de controle social, feito pelos militantes, resta evidente que é uma tentativa de ditar.

          Temos que fazer, nós mesmos, o controle social dos nossos políticos e a internet vai ser de grande ajuda neste combate à corrupção.

    • A introdução feita pelo Nassif é impecável e concordo totalmente. Mas o texto do Pierre deixou a desejar. Volta e meia a grande imprensa aponta “aparelhamento” no governo federal, apontando presença de petistas em certos cargos de comando. Ué, e não era para ter petista? Por sinal, nos governos tucanos existem petistas? O termo aparelhamento só se aplica a partidos de esquerda? O termo “aparelhamento” precisa deveria ter sido melhor explicado no texto. Quando existe aparelhamento? O que sei é que, se qualquer ocupante de cargo público cometer qualquer irregularidade deve ser punido. Quem usa e abusa do termo “aparelhamento” para se referir ao outro não olha para os próprios pés, estou me referindo ao PSDB.

    • Entrevista completa com o jornalista pernambucano de Exu Raimundo Rodrigues Pereira sobre o caso Daniel DantasSATIAGRAHA FOI TRABALHO MALFEITO E DIRECIONADO

      Por Maurício Cardoso

      Perguntado se escreveu o livro O Escândalo Daniel Dantas – Duas Investigações em defesa do banqueiro mais acusado do Brasil, o jornalista Raimundo Pereira Rodrigues, autor da obra, diz que não, que escreveu o livro para defender uma tese.

      E sua tese é de que a transformação de Daniel Dantas em bode expiatório do processo de privatização das telecomunicações foi uma decisão política do governo Lula.

      Se era esse o objetivo, o governo teve êxito total: a telefonia privatizada vai muito bem, obrigado, e Daniel Dantas está fora do mercado de telecomunicações. Em seu livro, no entanto — e é isso que o torna indispensável para quem se interessa pela Justiça e pelo Direito —, Raimundo Pereira disseca a participação da polícia, do Ministério Público e da Justiça nessa campanha de demonização de um cidadão.

      Sobra também para os homens de negócio e de finanças e sobretudo para a imprensa. E em geral, pode-se aplicar a cada um deles o veredito que o autor faz do trabalho do delegado Protógenes Queiroz, o homem que assumiu de peito aberto a cruzada de destruir Daniel Dantas: “A opinião sobre o trabalho de Queiroz é a pior possível”.
      Em quase três horas de entrevista para a Consultor Jurídico, Raimundo Pereira discorreu sobre o conteúdo de O Escândalo Daniel Dantas. Jornalista consagrado, com mais de 40 anos de estrada, Raimundo Pereira surpreendeu ao relativizar um dos direitos considerados fundamentais para o jornalista: o sigilo da fonte. Segundo ele, o direito não pode servir para acobertar mentiras. E se o jornalista publica uma informação que não tem como ser comprovada por outros meios, ele tem de revelar quem foi que lhe contou, ou o caminho que o levou até lá. Seu ponto de vista pode ser surpreendente, mas faz todo sentido.

      Raimundo Pereira Rodrigues nasceu em Exu (PE), terra de Luiz Gonzaga, há 71 anos. Teria sido engenheiro se, em 1964, logo depois do golpe militar, não tivesse sido expulso da faculdade, junto com outros 20 colegas “subversivos”. Antes de completar o último ano do curso, Rodrigues foi obrigado a deixar o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o respeitado ITA. Por sinal, Raimundo é engenheiro, sim. Em 2008, recebeu o diploma que lhe foi negado em 1964. Mas o doutor nunca reclamou indenização da bolsa-ditadura.

      Ele ainda tentou escapar do seu destino, formando-se em Física pela USP, e chegou a dar aulas de Matemática. Mas em seguida se embrenhou pelas veredas do jornalismo, campo em que se tornaria um campeão. Começou trabalhando na revista Médico Moderno, mas depois haveria de ocupar lugar de destaque nas mais inteligentes redações do país: jornais Opinião e Movimento, revistas VEJA, IstoÉ e Carta Capital. Agora, é um dos donos da Editora Manifesto, que publica a revista Retratos do Brasil. Como mostra seu livro, continua em grande forma física e intelectual. É casado “há 45 anos com a mesma mulher”, como faz questão de salientar, e pai de quatro filhas.

      Participaram da entrevista os jornalistas Márcio Chaer e Alessandro Cristo.

      Leia os principais trechos:

      ConJur — Como surgiu a ideia de escrever o livro?

      Raimundo Pereira — Acumulei muito material sobre esse assunto, e estamos tentando iniciar uma nova fase no nosso projeto de revista. Vi as inúmeras capas que a Carta Capital fez sobre o tema, assim como também vi coisas da VEJA. Fui perceber o papel da VEJA depois, quando comecei a estudar o assunto mais a fundo. Mas tinha uma desconfiança de que algo estava errado, de que uma coisa assim não podia ser tão importante, que aquilo era meio descabido, desproporcional. Então, desde que eu fiz VEJA, depois Opinião, depois Movimento, e mesmo aqui, a partir dos fatos e de como a imprensa vê os fatos, tem-se uma certa noção de como as coisas estão andando. Então, a ideia de que Daniel Dantas é um bode expiatório é resultado de se olhar e dizer: “Isso não é possível, está sendo escolhido por outra razão”. Porque é desproporcional.

      ConJur — É possível que uma pessoa possa conciliar tanta maldade, como um demônio?

      Raimundo Pereira — Eu escrevi alguns artigos para a revista Retratos do Brasil. Neles, eu cito um monte de declarações que saíram na VEJA, na Carta Capital, declarações da [ex-senadora] Heloísa Helena, do [juiz federal Fausto Martin] De Sanctis, e outras, exatamente desse jeito: [Daniel Dantas é] o demônio. Então, eu tinha essa avaliação. E mais, nos últimos anos eu me interessei muito por finanças. Foi uma oportunidade para me aprofundar no assunto.

      ConJur — Quando o senhor entra de verdade no caso?

      Raimundo Pereira — Eu comecei de fato com a história do [ex-deputado federal pelo PT-SP e advogado] Luiz Eduardo Greenhalgh. Ele me ligou, quando foi deflagrada a Operação Satiagraha, e foi pedida a sua prisão. O Luiz é muito meu amigo, foi advogado do [jornal] Movimento, sempre tivemos boas relações. Eu tinha feito uma matéria com ele para a Carta Capital sobre o escândalo do Celso Daniel [prefeito de Santo André, assassinado em 2002], em que ele também foi apresentado como sendo elemento de ligação dos bandidos. Ele foi criminalizado. Mandamos uma carta para a Carta Capital desmontando essa tese, fizemos uma investigação de dois meses sobre essa tese de que o assassinato do Celso Daniel era um crime a mando do PT. Então, já tínhamos feito isso e ele me ligou e disse: “Olha, estou sendo acusado, difamado pelos jornais, e queria saber se você podia passar em casa.” Eu passei, conversamos algumas horas, e ele me deu o material do Protógenes para examinar. Eu fiquei no escritório dele durante uma semana, lendo.

      ConJur — Qual foi sua conclusão depois dessa análise?

      Raimundo Pereira — Dada a minha experiência de investigação jornalística, lendo o material do Protógenes, havia uma evidência brutal de que aquilo foi um trabalho muito mal feito. Começa pela transcrição dos grampos. Quem é jornalista, quem já entrevistou gente e deu a fita para alguém transcrever, sabe a quantidade de bobagens que vem na transcrição. Esse é um trabalho duro para ser bem feito, coisa de profissional. Então, você olha e diz: “Esse trabalho está mal feito.”

      ConJur — É só mal feito?

      Raimundo Pereira — Não. Minha avaliação ficou completa depois que o livro já estava escrito. Porque quando eu estava terminando o livro, eu aprendi algumas coisas novas que me iluminaram e me ajudaram a ver que não era só um trabalho mal feito, mas era um trabalho dirigido para um objetivo. Todo esse grampeamento foi editado, para tirar certas pessoas, certos fatos, e deixar o foco em cima daquilo que o delegado queria.

      ConJur — Como assim?

      Raimundo Pereira — Você pode falar qualquer coisa contra o Dantas que pega, porque ele é o demônio mesmo. Então, qualquer pessoa pode falar mal dele. E [o delegado] fez isso. Eu só fui perceber depois, por uma coincidência. Pedi para o Luiz Eduardo [Greenhalgh] que eu queria publicar no livro a transcrição do grampo de uma conversa dele com o [Humberto] Braz [ex-presidente da Brasil Telecom e assessor de Daniel Dantas]. Em vez de me mandar a transcrição, ele me mandou o próprio grampo.

      ConJur — Que diferença faz?

      Raimundo Pereira — A transcrição que está no relatório do [Protógenes] Queiroz é uma coisa curtinha, umas dez linhas. O grampo tem 12 minutos. Eu ouvi a transcrição — quando o livro já estava fechado — e vi que era uma edição absurda, má-fé evidente, completamente escrachada. Os dois conversam num episódio da negociação da venda da Brasil Telecom para a Telemar, fica absolutamente claro que é disso que se trata. Tem um bando de gente reunida, está lá o Otávio Azevedo [executivo do grupo Andrade Gutierrez], está lá o pessoal dos fundos, está o pessoal do Dantas, e a conversa está sendo acompanhada pelo Citi de Nova York. A gravação mostra as circunstâncias em que o grampo foi feito, mas essas circunstâncias foram ignoradas no relatório. E aí, na interpretação policial, vira o seguinte: o Braz e o Greenhalgh estão articulando uma comissão para eles de US$ 260 milhões, uma quantia totalmente desproporcional, um absurdo total. Depois dessa, penso que o bom trabalho de crítica seria pegar os grampos que estão guardados e ouvi-los direito, mandar fazer um trabalho de transcrição direito, comparar com o que o Protógenes fez e constatar a má-fé.

      ConJur — O Opportunity fica no Rio, o Daniel Dantas mora no Rio. Porque esse caso foi aberto em São Paulo?

      Raimundo Pereira — A minha impressão é que foi porque aqui estava o pessoal que queria fazer isso. Então, eles deram um jeito para passar o caso para cá. Mas evidentemente a jurisdição certa é o Rio de Janeiro.

      ConJur — Percebe-se um comprometimento nesse caso que vai além do delegado Protógenes. Tivemos procuradores envolvidos, sem qualquer distanciamento. O senhor não vê também uma responsabilidade grave no papel dos juízes?

      Raimundo Pereira — Eu não desenvolvo muito isso no livro. Queria fazer uma entrevista com o juiz Fausto De Sanctis, pedi, mas ele não me atendeu. Eu gostaria de conversar com ele, discutir, mostrar minha opinião. Mas eu escrevo, en passant, que eles viram uma coisa evidentemente mal feita e tocaram em frente.

      ConJur — Legitimaram?

      Raimundo Pereira — Legitimaram. No inquérito, o Protógenes falava em três quadrilhas: a gangue do Dantas, a gangue do Naji Nahas [operador de mercado financeiro] e uma gangue no Palácio do Planalto. E eu percebi, en passant, uma passagem do De Sanctis minimizando isso. Evidentemente, o Protógenes estava indo nessa direção e por isso ele fez o dossiê da Dilma [Rousseff] e do Zé Dirceu [José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil da Presidência e ex-deputado federal pelo PT]. Mas se ele continuasse, iria enfrentar grandes dificuldades. Então, o De Sanctis minimizou isso, para que o caso ficasse circunscrito à gangue do Dantas, do Nahas, e para pegar o [Celso] Pitta [ex-prefeito de São Paulo] etc e tal. Porque de qualquer jeito, o barulho ia ser só a favor dele. Imagine pegar Dilma, pegar o Palácio do Planalto, pegar a negociação da BrT e Telemar de frente! É nessas circunstâncias que aparece o nome do Otávio [Azevedo] nas transcrições dos grampos, o que vem a ser a chave para a condenação de Dantas por corrupção.

      ConJur — Explique essa história.

      Raimundo Pereira — Quando eu li o inquérito [da Satiagraha], fiz uma lista de questões para ir ao Opportunity investigar. Nas páginas 71 e 72 do relatório do Protógenes tem o trecho de uma transcrição, em letras maiúsculas, que é assim: “Já descobrimos que o cara é o Protógenes…” E, mais para o fim, tem: “Entrar em contato.” Então, peguei isso, peguei essas duas folhas e destaquei. Tinha mais umas oito coisas, que eu fui atrás de cada uma delas no Opportunity. Enfim, eu achava que essa era a principal, e que a maioria era besteira. Tinha a história de que o Opportunity tinha infiltrado um cara no Exército. Era um pobre de um aluno do IME [Instituto Militar de Engenharia] que fez estágio no Opportunity e teve seu e-mail grampeado. Só tinha conversa dele com a namorada, não tinha nada a ver. Mas eu cheguei lá e disse: “Olha, Dantas, eu acho que isso aqui é por onde o Protógenes vai pegar vocês por corrupção”. Aí ele me chamou na sala dele e disse: “Você já ouviu o grampo?” Eu falei: “Não.” Aí ele colocou no computador, ficamos ouvindo, ele chamou a Daniele [Silbergleid Ninio, diretora jurídica do Opportunity]. E daí eu vi que é uma transcrição propositadamente mal feita. No meio da gravação aparece esse Otávio. Entre a referência ao Protógenes e a recomendação de “entrar em contato”, tem o Otávio.

      ConJur — E quem é esse Otávio?

      Raimundo Pereira — É o Otávio Azevedo, que na época era presidente da Brasil Telecom e hoje é diretor da Andrade Gutierrez Telecom. Era o homem que estava chefiando, por parte da Andrade Gutierrez, a negociação para a compra da BrT pela Telemar. O Humberto Braz tinha trabalhado na Andrade Gutierrez, e eles eram amigos. Então, ele era a pessoa de ligação do Braz na negociação Brasil Telecom-Telemar, que transcorreu durante meses, desde 2007, e vai terminar com a venda, em abril de 2008. Então, deve existir vários grampos de conversas do Humberto Braz com o Otávio Azevedo, mas que não entraram no relatório do Protógenes, porque ele não foi atrás da negociação em que o Otávio era o pivô, e que tinha a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff como pivô por parte do governo federal. Ele só estava interessado em jogar merda no Braz, no Dantas e na sua astro-gangue.

      ConJur — Foi esse o trabalho de edição do delegado?

      Raimundo Pereira — Quando eu ouvi a conversa do Luiz Eduardo com o Braz, e vi uma conversa de 12 minutos com uma transcrição mínima e uma interpretação máxima, jogando fora todos os outros fatos que estão no grampo, percebi que o trabalho, além de malfeito, era mal intencionado. O Dantas mandou fazer uma perícia, mas não precisa de perícia para você ver que “Protógenes”, “Otávio” e “entrar em contato” são dois assuntos diferentes. “Entrar em contato” é o Braz entrar em contato com o Otávio Azevedo, porque eles tinham liquidado todas as suas pendências com um acordo. “Vamos parar com todas as brigas.” E dentro da Brasil Telecom estava o [procurador da República José Roberto] Santoro…

      ConJur — Procurador?

      Raimundo Pereira — Esse pessoal ia perder a boca. Porque, com o acordo, as ações todas foram para o vinagre. Então, o que o Dantas queria nessa conversa — aposto 95%, porque nunca você tem certeza absoluta — era isso: “Nós já não fizemos um acordo para parar com isso? Por que estão dizendo que vai haver uma prisão?” Tinha saído o artigo da Andrea Michael na Folha de S.Paulo. “Então, entre em contato com os advogados para ver como é que resolve.” E o Otávio, da parte dele — parece que ainda não estava no comando da BrT —, tinha ainda algumas resistências para fazer o negócio, e esse pessoal estava a fim de detonar. Tanto é que no inquérito do [delegado federal] Amaro Ferreira sobre o Protógenes foram detectados inúmeros telefonemas do Protógenes para o Santoro, na véspera da prisão [de Dantas]. Então, o Santoro estava ativo no grupo que tinha também a Abin [Agência Brasileira de Inteligência] e o [empresário Luiz Roberto] Demarco, para detonar a negociação.

      ConJur — Nesse exército, qual a patente do Demarco, ele é soldado, oficial, general?

      Raimundo Pereira — O Demarco logicamente não quis me receber. Eu insisti, mas ele não quis falar. Também o [ex-ministro das Comunicações de Lula, Luiz] Gushiken, que considero meu amigo, não quis falar. Mas o Demarco é uma pessoa que tirou proveito dessa briga. Se eu fosse fazer uma coisa popular sobre isso, eu escolheria como personagens principais o Dantas, óbvio, o [ex-presidente da Telecom Italia, Marco Tronchetti] Provera, óbvio, e para representar os grandes interesses econômicos, o Sérgio Andrade [um dos donos da Andrade Gutierrez], e alguém do CitiBank. O Demarco é um pequeno que faz os grandes brigarem e tira proveito.

      ConJur — Mas o Demarco foi muito importante na demonização do Daniel Dantas. Como ele usou a imprensa para isso?

      Raimundo Pereira — Nesse contexto, o governo Lula tem uma parcela de responsabilidade maior. Ele percebeu que o Daniel Dantas tinha o perfil para ser bode expiatório. Precisavam de um cara para demonizar para, pelo menos, parecer que o problema da privatização das teles estava sendo tratado. E o Dantas era amigo do ACM, baiano, próximo do PFL, ex-PSDB, o tipo certo. O episódio que mostra a posição do PT em relação a isso é o momento em que, no comitê de “Lula Presidente”, o Gushiken diz para o José Dirceu que tem uma ordem do Lula para não aceitar dinheiro do Dantas.

      ConJur — Porque não é “ético”.

      Raimundo Pereira — Porque não é ético. Então, esse é o momento. Isso cria dentro do governo Lula uma tese de que Daniel Dantas é inimigo do Lula. E daí [o delegado da Polícia Civil de São Paulo] Mauro Marcelo [chefe da Abin no primeiro governo Lula], e o próprio Paulo Lacerda [diretor-geral da Polícia Federal no primeiro governo Lula], esse pessoal adere à campanha. Quer dizer, não é uma legislação ou a organização do Estado que levam o agente público a tomar uma posição, mas a definição prévia de um determinado perfil.

      ConJur — E como Daniel Dantas entra no “mensalão”?

      Raimundo Pereira — O PT tem culpa em parte por isso também. Foi uma manobra no fim da CPI dos Correios. Não tendo conseguido enfiar dentro da CPI a ligação com o Dantas, eles apensam ao relatório da CPI uma observação a esse respeito. A Operação Satiagraha é um prolongamento da investigação da Parmalat, que virou Operação Chacal, que virou Dalien, que virou Satiagraha.

      ConJur — Todo mundo que se aproximou desse assunto saiu estropiado. O senhor não ficou com medo?

      Raimundo Pereira — Quando eu acabei de apurar, tive esse receio. Falei: “Eu tenho uma historia aqui, mas essa história vai ser essencialmente de defesa, vai ser interpretada nesse sentido porque é uma crítica ao processo.” Mas não faço a defesa do Dantas. O Dantas é uma figura, como muitos outros no Brasil, no sistema capitalista, que é especialista nesse processo, que para mim é um horror. Eu digo assim: o sistema do capital financeiro, impulsionado pelas regras do mercado, entrou agora em um buraco; se isso é um inferno, o Dantas não é o inferno; ele é um demônio como os outros.

      ConJur — Insistente.

      Raimundo Pereira — Como o Dantas, tem dezenas no Brasil. Ele é um pioneiro. Ele foi o homem no Brasil do Citibank, o banco que liderou a renegociação da dívida externa do país. O presidente do Comitê de Bancos era o William Rhodes, do Citi, que ficou com os papéis da dívida [externa brasileira] para aplicar. E aí viu no Dantas um cara que já tinha essa expertise, porque ele tinha um fundo. O Dantas representava o fundo do Citi, representava o fundo [Opportunity] do qual ele era gestor, e representava o FIA, o fundo dos fundos de pensão das estatais. Então, eu não defendia o Dantas por ser um homem do sistema financeiro. O que estava em jogo era um processo de mistificação desse processo financeiro.

      ConJur — Não é isso que diz o Protógenes?

      Raimundo Pereira — O Protógenes tenta defender o sistema financeiro. Ele diz que o Dantas está prejudicando o sistema financeiro em geral, e que o [Naji] Nahas está sacaneando o Banco Central americano. Entendeu? É uma pessoa que não entende nada de nada do sistema financeiro. Ele não entende o que são as reservas do Brasil. Ele é um presunçoso. Eu espero que o pessoal do PC do B o eduque [o delegado Protógenes foi eleito deputado federal pelo PC do B de São Paulo em outubro passado]. Porque eu, por exemplo, trabalhei com o pessoal do PC do B, fizemos coisas ótimas sobre essa questão do capital brasileiro.

      ConJur — Esse caso chegou a se multiplicar em pelo menos mil processos entre os Estados Unidos, Reino Unido, Itália. De repente, foram envolvidas organizações como Kroll, CIA, Citibank, Telecom Italia e os governos da Itália e do Brasil. O processo de Milão chega a dizer que foram comprados no Brasil políticos, autoridades, jornalistas, policiais. Tudo isso foi mesmo só para afastar um empresário da compra de uma operadora de telefonia?

      Raimundo Pereira — A disputa no setor das telecomunicações no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 adquiriu proporções gigantescas. A revista The Economist dizia que foram queimados créditos, transações incríveis envolvendo meio trilhão de dólares. O Dantas, inclusive, fez negócios incríveis. A quebra da TIW [empresa canadense de telecomunicações, ex-sócia de Daniel Dantas] foi sensacional. Então, isso foi um processo gigantesco.

      ConJur — E qual a participação da Telecom Italia nessa história?

      Raimundo Pereira — A Telecom Italia, que é a figura principal desse processo, realmente teve uma experiência insólita. Porque foi privatizada dentro de um esquema que era fantástico, como achava a social-democracia italiana que conduziu o processo. Essa estrutura não funcionou e rapidamente a empresa caiu nas mãos da Olivetti, e depois nas mãos da Pirelli. E se notabilizou por se meter em negócios ruins. O bote dela, no Brasil, era em cima da Telesp, junto com a [Rede] Globo, mas ela perdeu. Para tentar a compra da Telesp, ela teve de se colocar em posição secundária nos outros leilões. Porque, na regra dos leilões no Brasil, cada concorrente podia estar em apenas um dos consórcios no bloco de controle, com mais de 20%. A TI escolheu disputar a Telesp e perdeu. Na disputa pela Brasil Telecom, ficou com 38% no bloco do Dantas, mas sua participação só poderia aparecer daí a cinco anos. (…)

      ConJur — A Telecom Italia se deu mal.

      Raimundo Pereira — A TI era, então, uma das maiores do setor no mundo. Com relação à Telefonica da Espanha, ela era quatro vezes maior. Hoje, a Telefonica tem um pedaço dela e, se bobear, engole a Telecom Italia inteira. A TI enfiou 600 milhões de dólares no portal de internet da Globo. Com a crise das empresas “ponto.com”, o seu negócio passou a valer US$ 10 milhões. Perderam, ou aí tem uma jogada também, não entendo direito. Foi um momento de grande crise no sistema financeiro de telecomunicações em geral. Os Estados Unidos tinham quebrado. Se não fossem as duas guerras que o Bush moveu, a crise financeira internacional de 2008 teria acontecido em 2001, depois dos atentados. Os atentados foram, digamos, a tábua de salvação para o Bush, que estava desmoralizado e puxou o capitalismo americano para uma sororoca, como dizem. Nesse contexto tinha um personagem com problemas graves. Os documentos estão aí, a TI pôs R$ 3 milhões por mês, por vários meses, na mão do Nahas, em cash. Estamos justo no período da transição do governo Lula e os italianos vêm aqui e declaram apoio a ele. Um deles, acho que foi o [ex-primeiro-ministro Massimo] D’Alema, vem aqui, reúne os representantes italianos e diz: “Olha, o homem é o Lula.”

      (…)

      ConJur — Esses R$ 3 milhões por mês que Naji Nahas recebia, sabe-se o destino desse dinheiro?

      Raimundo Pereira — Não. O que eu publico no livro é que há várias referências no inquérito italiano das quantias dadas, por exemplo, ao Demarco. Há inúmeras referencias ao Demarco, ao Nahas, a delegados.

      ConJur — O delegado da PF Élzio Vicente da Silva, que comandou as investigações da Chacal, é citado?

      Raimundo Pereira — Eu não vi referência a ele. (…) Mas essa é também uma figura com quem eu não conversei, seria interessante conversar. A uma certa altura, no começo de 2007, ele pede para acabar com o acompanhamento das investigações de internet do Opportunity, porque não está encontrando nada. E logo em seguida o Protógenes entra.

      ConJur — A procuradora Adriana Scordamaglia também diz que o delegado Protógenes não encontrou nada.

      Raimundo Pereira — Isso. Ela disse: “Você tem que provar.” E o Protógenes responde: “Você não entende nada.” Ela responde: “Não é isso. Tem que ter pelo menos alguns indícios para encaminhar o processo. Não basta você dizer que o sujeito é um bandido.”

      ConJur — De quê o Protógenes acusa o Dantas?

      Raimundo Pereira — Ele não conseguiu, na investigação, a parte essencial, que é a comprovação dos negócios escusos, a começar pelas aplicações de investidores residentes no Brasil no fundo do Opportunity nas Ilhas Cayman.

      ConJur — Esse foi o motivo inicial da investigação, não é?

      Raimundo Pereira — A Operação Satiagraha foi feita para ver a ligação entre esses fundos ilícitos e o “mensalão”. O delegado recebeu instrução de procurar o nome do Zé Dirceu nas listas de investidores do Opportunity. Ele investigou o Dirceu, que teve seu escritório invadido. O telefone da namorada dele no Palácio foi grampeado. Porque ele era o “chefe” do mensalão.

      ConJur — O delegado Protógenes consegue provar alguma coisa?

      Raimundo Pereira — Ele tinha que fazer isso, e então constrói aquela coisa delirante: no grampo, transforma “ele” em Zé Dirceu. “Giba”, ele transforma em Gilberto Carvalho [secretário do gabinete da Presidência da República]; a “secretária” vira a jornalista Andrea Michael; e “Ponta do Curral”, um local na Bahia, vira “conta curral”. Realmente é um delírio. Ele fracassou totalmente, não provou nada. A Satiagraha foi um gasto de dinheiro público inútil, mal administrado, malfeita.

      ConJur — Outro episódio nebuloso na conta do delegado Protógenes é a ação controlada que resultou na condenação de Daniel Dantas por corrupção ativa. O que o senhor apurou sobre esse caso?

      Raimundo Pereira — Quando vi o [repórter] César Tralli no Jornal Nacional apresentando a prisão do Braz, eu estava muito bem informado, porque estava investigando todos os detalhes da prisão. Eu mesmo já dissera que aquilo era uma armação. Na revista, a frase que nós usamos foi a seguinte: “Agora a gente está certo, é uma armação. Mas da Polícia Federal ou da Globo?” Foi premonitório, porque depois, vimos que foi das duas. Quando vi que tinha um domínio melhor dos dados, fiz um resumo que começava assim: nem a polícia e nem o jornalista têm autorização para mentir. O sigilo da fonte se aplica tanto ao jornalista como ao policial. O policial não pode fajutar o que ele foi controlar. E o jornalista não pode participar disso. O sigilo da fonte não é uma licença para mentir. O jornalista não pode mentir, como o Protógenes também não pode, dizendo que aquele filme foi feito pela Polícia Federal. É fraude processual, e ele foi condenado por isso.

      ConJur — Passou-se por cima da lei a pretexto de combater o crime?

      Raimundo Pereira — Digamos o seguinte, há circunstâncias em que é bobagem falar de devido processo legal. No regime militar, não tinha devido processo legal nenhum. Num processo revolucionário, às vezes o povo sai por aí cortando cabeça, e se você ficar discutindo o devido processo legal daqui a pouco estão cortando a sua também. Mas não estamos em nenhuma dessas situações hoje. Vale qualquer coisa para pegar o Dantas, já que ele é um bandido? Estão querendo transformar a Justiça em um circo. E vai lá o [ministro do Supremo Tribunal Federal] Joaquim Barbosa e diz para o [também ministro] Eros Grau: “Como é que você vai dar habeas corpus, sendo que a Globo está contra isso?”

      ConJur — A publicação de notícias erradas, deliberadamente ou não, foi uma característica desse processo todo. Por que se errou tanto?

      Raimundo Pereira — Nessa área de finanças, os jornais especializados escrevem sempre com conhecimento da matéria. O Valor Econômico, por exemplo, é um jornal que entende e fala para empresário. Por isso, não participa do circo. Agora, a grande imprensa, de modo geral, acha que para falar para o povo, que não entende de finanças, é preciso transformar tudo em escândalo, em uma briga de bandido e mocinho.

      ConJur — Como é possível que qualquer jornalista que tenha lido o relatório final de Protógenes Queiroz leve o que ele disse a sério?

      Raimundo Pereira — Eu li o relatório do Protógenes, a versão resumida, e li extensamente. É um monte de repetições. (…) Li noticias em italiano, e todo o arquivo que está disponível no processo. Li os nove volumes do relatório do Amaro [Vieira Ferreira, delegado da PF que conduziu o inquérito contra Protógenes por fraude processual e quebra de sigilo]. Estou muito tranquilo. Nós publicamos a opinião do Sérgio Rosa [ex-presidente da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil], dizendo que nosso artigo é uma defesa do Dantas. Eu não disse que não é. Eu disse que, no meu texto, eu ponho uma tese sobre o caso. Porque, no fundo, eu acho que a cobertura estava errada. Coloquei a cara para bater.

      ConJur — Com as informações que levantou, como o senhor analisa o papel do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal?

      Raimundo Pereira — Acredito que os dois habeas corpus [em favor de Daniel Dantas] foram absolutamente legítimos. Com base em um processo como esse, não tem a menor necessidade de se prender um conjunto de gente sem a menor razão.

      ConJur — Você tentou entrevistar César Tralli?

      Raimundo Pereira — Eu entrevistei o Tralli para uma matéria lá atrás. Para esta aqui, nem tentei. Fiz mais uma análise do trabalho feito em confronto com os fatos. Tem uma dezena de erros factuais grosseiros na apresentação dele. Ele diz que o negócio [suposto suborno oferecido por ditos emissários de Daniel Dantas a um delegado da Polícia Federal, para tirá-lo do inquérito] se deu em um almoço. Não foi almoço, foi um jantar. Como é que foi filmado o que o Tralli mostra sendo o dinheiro jogado em cima de uma mesa? Quem jogou? Em que mesa é? Onde é aquilo? Isso é um mistério. A imagem [do encontro] é uma coisa, e o áudio é outro. No áudio, não tem o Braz dizendo em nenhum momento: “Está aqui, te ofereço tanto.”

      ConJur — Como é possível o juiz De Sanctis não ter chegado à mesma conclusão?

      Raimundo Pereira — Se tiver a oportunidade de conversar com ele, eu direi para ele assim: “Li sua interpretação sobre quem é o Dantas. Tenho a impressão de que conheço Dantas melhor do que o senhor, porque acompanho a atividade financeira dele há uns 20 anos. E diria também que avaliar uma pessoa é uma coisa extremamente difícil. Li o perfil que o senhor fez do Dantas e acho aquilo ali, me desculpe a expressão, uma bobagem.” O que o [juiz] De Sanctis diz sobre o Dantas é um conjunto de frases. Está em uma linguagem jurídica, mas o conteúdo é o mesmo que a Heloísa Helena defende. É um conjunto de clichês, não é a observação do concreto. Um juiz tem que ser muito objetivo, existe inclusive perícia para se constatar isso. Chame um psicólogo, e peça para ele fazer o perfil psicológico. Parece-me inclusive que o De Sanctis é uma pessoa de pouca cultura.

      ConJur — O senhor não considera extremamente grave a acusação vinda da Itália de que houve suborno nos mais altos escalões da República, no Congresso, na polícia, na imprensa?

      Raimundo Pereira — O escândalo escondeu esses interesses. Como as pessoas estavam convencidas de que o Dantas é culpado, é o dono desse escândalo, então não se foi atrás disso. Mas estou convencido de que o governo Lula teve um papel muito importante nisso. A responsabilidade maior é a política. Votei no Lula todas as vezes, e votei na Dilma agora. Mas acho que essa situação é ruim, porque foi uma manobra que impediu a discussão. Parecia que se estava discutindo telecomunicações, expulsando esse demônio, mas isso não estava acontecendo.

      Conjur – Falhas como as que se registraram na Satiagraha são comuns também em outras operações da polícia?

      Raimundo Pereira — Tenho um amigo que trabalhou com o [governador do Distrito Federal, que renunciou após ser denunciado por corrupção, José Roberto] Arruda. Conversei com ele porque tive a impressão de que aquilo foi uma armação. Você fazer uma prisão preventiva, uma prisão em flagrante de um governador, do jeito que foi feita, pareceu-me uma coisa meio absurda: dois sujeitos de reputação duvidosa se reúnem em um local público, e da conversa entre os dois sai a prisão preventiva do governador. Eu achei aquilo estapafúrdio. Não entendi até agora. Falei para o meu amigo que achava que era óbvio que havia um esquema de corrupção, e um quarto bandido que ficou gravando aquilo. Mas não é tarefa nem do promotor, nem do policial definir, como ouvi de uma procuradora, que disse: “Nós temos que limpar a administração pública dos bandidos.” Não é assim. Isso é uma coisa socialmente relevante, mas existe o chamado devido processo legal. Você não pode extrapolar e ficar plantando mentiras, fazendo operação controlada. Estou querendo entender por que prenderam o Arruda pelo encontro dessas duas figuras.

      ConJur — Nesse clima em que os justiceiros fazem tanto sucesso, está vigorando o que o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello explica como “Direito Penal de autor”. Ou seja, a pessoa é condenada e presa, não porque ela fez, mas pelo que ela é. Houve épocas em que a perseguição era contra os negros, contra os judeus, contra os comunistas. Agora é contra os ricos, contra os políticos?

      Raimundo Pereira — É mais contra os políticos. Fui ver Tropa de Elite II e fiquei revoltado. É um filme tecnicamente bem feito, você vai sendo levado, aí chega no fim, ele vai espancar o deputado. A VEJA está dizendo que pelo Brasil afora 8,5 milhões de pessoas já viram o filme, e que essa cena é sempre aplaudida. Na sessão em que assisti, não houve aplausos nesse momento, mas houve aplausos no fim do filme. Até me senti obrigado a falar mal do filme em voz alta. Porque é uma coisa muito grave você achar que a política é a culpada de tudo. É claro que a política está contaminada pela corrupção. Mas qual é o caminho? Existe algum fora da política? A revolução pode ser uma saída, mas você tem que ter bala para fazer a revolução. Senão, não é politicamente correto, para usar o termo. Você tem que ver que, seja por um lado ou por outro, a política é o caminho para você fazer as coisas. Como é que você vai achar que espancar deputado tem algum significado? O Congresso é o espelho da sociedade brasileira.

  • Essa massa de playmobil já existia faz muito tempo Pierre. A diferença é que era baseada na fome e no poder de manipulação que um pedaço de pão ou um saco de cimento era capaz de criar.

    Sabe quem é o principal responsável por essa nova massa de playmobil? Parte da sociedade apolítica aliada a nova era da informação. A credibilidade das grandes mídias andam baixa. O cidadão lê uma Veja hoje e amanhã encontra um blog que desmente parte da matéria por A + B. Ele nem procura se aprofundar no que a Veja diz nem procura saber se tudo que o blog falou é verdade. Como a internet mostra que de inparcial a grande mídia não tem nada, ele generaliza tudo e não da crédito ao que a matéria diz. Cria-se então o playmobil do Pierre.

    • claro que a mídia não é imparcial pq o ser humano não o é

      • Prezado, o ser humano é parcial, podemos ver nitidamente neste e em outros blogs, porem a noticia não, a noticia não tem lado, a noticia ela tem obrigação de ser verdadeira! e os enfoques que a mídia da, também tem que ser iguais, para posição e oposição e em ambos os casos os ofendidos tem que ter direito a resposta na mesma proporção do enfoque da noticia.
        O resto é pau nos bandidos, afinal bandido é bandido e temos eles espalhados por todas as classes, principalmente na politica.

        • nem mesmo a notícia é imparcial, já que ela é divulgada pelos mesmo humanos parciais que já mencionei…. por mais verdadeira que seja a história noticiada, nossa PARCIALIDADE pode muito bem detoná-la… basta que a pessoa que a noticia de um forte tom de ceticismo ou de ironia/sarcasmo

        • Boa Utopia!

        • Elderson, a noticia imparcial, tendenciosa a qual se refere não é noticia, é opinião.
          Sendo assim essas pessoas tem que ser punidas e de maneira severa.
          Devemos nos indignar com essa situação. E que nossa indignação reflita no aprimoramento do sistema miodiastático de nosso país.

        • mediático (rs)

    • A educação anda tão falida que o povo não sabe distinguir ficção de realidade.

      Imagina quando dois canais se dizem isentos? Aí é apelar para chamar quem contrariar meus ideais com fatos de GOLPISTA…

    • O problema é que a grande mídia tem seus interesses e lados polticos e fingem que não tem. E não é pq questões ideologicas e sim pq são pagas pra isso. Se a Veja esta pegando pesado com o Ministerio dos Sport se cala quanto a questão de vendas de emendas do governo Paulista. Pq? Este governo, comprar para cada aluno da rede estuaal o manual da Abril do Estudante. Jornalista de esquerda sempre foram José Arbex e Bob Fernandes, e os veiculos Carta Capital e Caros Amigos. agora Luiz Nassif e Paulo Henrique Amorim se converteram, assim como a TV Record do Edir MAcedo.Isso claro, bancado pelo patrocinio das estatais. O que tá acontecendo é uma mídia Tucana e outra Petista, e o cidadão no meio sendo manipulado, no meio desse circo. E isso é que chamamos de DEMOCRACIA

      • Muito boa.

  • Pois é Pierre, essa dicotomização entre esquerda x direita é um pé no saco… a esquerda critica qualquer coisa vinda da Veja, mas se fossem feitas as mesmas denúncias em um Jornal dito de “respeito”, ou seja, “imparcial” (esquecem que a mídia é conduzida por ser humanos, os quais são PARCIAIS)…. falam como se ser de direita te tornasse a pior escória do planeta (capaz de alguém associar com Hitler ou coisa pior) e ser de esquerda é ser “iluminado”, possuidor do conhecimento e da inteligência, alguém a ser admirado única e exclusivamente por ser de esquerda

    • Mas essa dicotomia ainda prende muita gente. Inclusive pessoas tidas como “intelectuais”.

      O ser humano não é binário, política não é preto e branco.

      O que podemos ser binários é: somos a favor ou contra a corrupção.

      Se somos a favor, mantemos as coisas do jeito que tão.

      Se somos contra, sem demagogia, seja o partido A,B,C ou Z, que sejam expulsos do cenário político. Só porque Caim matou Abel isso não dá direito de ninguém matar ninguém. O partido não pode ser tão forte a dar salvo conduto para qualquer filiado.

      Mas Maluf foi eleito, Sarney e Collor. Aonde anda a cabeça do povo? Ainda na dicotomia, se o “Sacrossanto” aponta, é o iluminado, é 99% de aprovação, tem que estar certo.

      Para mim Lula perdeu toda a credibilidade quando disse que não sabia o que seu braço direito fazia. E só fez perder mais e mais, mas o discurso de vítima dizendo que sofria um golpe da mídia funcionou para mais da metade da população…

      Hoje você vê muita gente com ranço da Globo e da Veja idolatrando as mentiras da Record e da Carta Capital, os folhetins da esquerda.

      Eu achava que a globo era péssima até conhecer a record…

      Agora, Elderson, fique atento, esse povo gosta de se achar o iluminado e dono da verdade, é a ditadura do pensamento único, mas o discurso é velado e simulam que querem o bem do “povo”…

      • Eu achava que a globo era péssima até conhecer a record… [2]

        A Record não consegue nem disfarçar que é tendenciosa. Além de panfletária da esquerda, aborda certos temas da forma mais simplista e carregada de posicionamentos religiosos míopes.

        • Isso se chama pluralidade. É a melhor coisa do mundo se você souber usar.

        • Prezada, a Record de pensamento religioso não tem nada!

        • O dono/financiador tem que passar que tem hehe…

  • Exemplo: Vamos considerar que tudo que o PM falou é verdade. A Veja levantou a bola e a Globo chutou a gol.

    O PM disse que entregou tudo a Veja inclusive a gravação.

    1 semana depois, nova edição da Veja. Cadê as provas? Cadê a gravação ?

    A falta de credibilidade da mídia é a maior responsável por isso.

    • Hoje a midia e da direita?

      A ong’s quem controla, sao membros do pc do b!

      E uma forma correta ou dentro da lei para desviar recursos publicos?

      O judiciario que acabar com o CNJ, ou esta trocando a extincao do mesmo para poder julgar da forma que quiser, trocando em aumento de salarios e aumento do corporativismo?

      Porque nao aumenta os assessores ou servidores publicos para os juizes?
      Recebem menos e trabalham mais! Nao estou fora do assunto, eles estao interligados, porque e o stf que julga em ultima estancia, os reus dos desvios na esfera federal (ONG’S).

      Ainda nao conseguiram fechar a VEJA! Imagine se fecharem, qual seria a revista que existe que tem coragem para denunciar?

      Recebem anuncios do governo federal e se calam, nao vivem de vender revista corpo a corpo nas bancas!

      Os blog`s ainda nao sobrevivem das noticias!

      Investigar custa caro, ja que corregedoria ou controle interno ou externo dos governos, sao bancados pelo proprio investigado! Brincadeira os tce`s da vida e tcu, Qual a estatistica(combate a corrupcao) em cima da corrupcao brasileira?

      Vejam a entrevista de Gilmar mendes na band, nunca assumem a culpa. e a maquina que nao funciona e pronto, continua do jeito que estar e o contribuinte engole a SECO!

  • Exemplo 2: Saiu no Estadão de ontem: 150 mil pra não ter denúncia na Veja.

    “Geraldo Nascimento contou à Polícia Civil que na reunião foi debatida uma forma de arrecadar R$ 150 mil para tentar evitar a publicação da matéria pela revista Veja, baseadas nas acusações feitas por Michael. A matéria foi publicada em abril de 2008. Discutiriam também o que fazer com o delator.”

    http://www.estadao.com.br/noticias/geral,motorista-reafirma-reuniao-entre-agnelo-e-ongs,788930,0.htm

  • Pierre, o PCdoB publicou nota oficial esclarecendo que o PM não era da executiva do partido e que só esteve filiado no período das eleições, como manda a lei (por que é militar, se não me engano).

    • Eu sei, por isso coloquei ex-militante

      • mas qual o sentido então de dizer “se envolvem política e administrativamente”?

        a menos que ele fosse uma figura pública reconhecida, o partido não teria como fazer uma avaliação rigorosa das condições dele de poder fazer parte do partido ou de se candidatar. nenhum partido faz isso (ou tem condição para tal), pelo menos na proporcional.

        • Ué…mandar R$ 3 milhões de reais para um cara desses não é se envolver administrativamente? Dar uma leganda a ele para se candidatar não é se envolver politicamente?

        • o que eu acabei de dizer foi que dar legenda para ele não pode ser algo condenável porque não há um ‘exame de probidade’ que se possa fazer antes de lançar os candidatos da proporcional.
          os partidos sempre buscam pessoas que queiram se candidatar, se só lançassem pessoas com longo histórico de honestidade, teriam quase ninguém.
          ele fez alguma merda amplamente conhecida antes da candidatura?

          o mesmo vale para o repasse para a ONG. o problema aí é o repasse em si, para um filiado. um ministério não tem condições de fazer avaliação do naipe da criatura antes de um caso desses vir a tona.

        • Igor
          Esse cara é alma sebosa conhecida. Responde a mais de uma dezena de crimes, inclusive homicídio. Agnelo Queiroz o conhecia bem.

        • tá, fato novo, não sabia realmente que a criatura respondia por homicídio!

          mas os partidos pedem algum tipo de nada consta antes da filiação?

        • “mas os partidos pedem algum tipo de nada consta antes da filiação?”

          Claro que não!!!!!

          Se pedissem, não existiriam!!!!

        • hahahaha, é verdade

  • O problema de certos veículos da mídia reside em dar preferência a alguns partidos na hora de mostrar ou ignorar casos de corrupção. Todos (DEM, PSBD, PT, PMDB e etc.) devem ser escancarados.
    O governo do PT está longe de ser santo (anos luz, essa é a verdade), mas é um fato que veículos como a Veja dão destaque a escândalos envolvendo esse partido em detrimento de tucanos, democratas e outros. São farinha do mesmo saco, e como tal precisam ser denunciados.

    • *PSDB

  • Cadê Martins??

  • E pensar que ainda tem ingênuo que acha que o parlamentarismo seria a solução para todos os males do sistema político no Brasil.

    Partindo do princípio que no parlamentarismo os partidos assumem uma função ainda mais central e importante, quase vital, na arena política, se esses partidos tivessem mais poder e, consequentemente, mais dinheiro, o que seria deste país?

    Será que algum partido concentraria tanto poder e influência, cooptando e comprando outros menores, que viraríamos uma China da vida onde um partido manda e desmanda em tudo e diz até qual a cor da roupa que você tem que usar?

  • Crônica perfeita! Como alguém escreveu, acima: É necessário levantar este tema. Parabéns, ótimo texto!

  • É assim que a esquerdopatia se comporta…

  • Parabéns Pierre! Muito bem escrito, mas tenho que citar Reinaldo Azevedo: “Queriam o que?Um recibo com o nome do ministro?”

    Quais foram os motivos das quedas dos outros ministros?

    Desvios? O TCU já estava investigando algumas ONG.

    Desmando? Já está comprovado o envolvimento de acessores.

    Outros ministros já teriam caído, mas para o Orlando Silva, os comunas lutam por uma boa causa, aí tudo bem….

  • Vamos para a seguinte hipótese.

    Digamos que o presidente da República fosse Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o Ministro dos Esportes fosse Carlos Melles (DEM).

    Surgisse a denúncia de que o Ministério comandado pelo DEM estivesse cobrando 20% de propina e fosse responsável por um volume de R$ 25 bilhões.

    Digamos que a denúncia fosse feita através da Carta Capital.

    O que aconteceria com Carlos Melles e Fernando Henrique?

    Protestos. Jogariam ovos, vaiariam, acusavam-nos de corruptos e queriam não só a prisão do Ministro como também o impeachment de Fernando Henrique.

    A UNE e a UJS, braços do PCdoB, iriam às ruas protestar indignados com a corrupção. Fernando Henrique e Carlos Melles não poderiam sequer aparecer de público.

    Mas como o governo é do PT e o ministro é do PCdoB, o silêncio se torna ensurdecedor. Isso mostra o compromisso da União Nacional dos Estudantes para com o Brasil.

    Na verdade, eles nunca foram a favor do país. Eles eram e são a favor do aparelhamento do país por um partido que eles são ligados.

    Cadeia para corruptos, sejam eles do PCdoB, do PT, do DEM, do PSDB.

    Lugar de corrupto é atrás das grades, jamais na posição de Ministro dos Esportes.

    • Precisei do Google para saber que é o tal do Carlos Melles.

  • Texto perfeito, Pierre, que complementa este outro http://t.co/rObs7lbW do Zé Roberto Toledo.

  • Gato escaldado tem medo da água fria, veio do pig não acredito, geralmente as fontes são falhas. E são inúmeros os casos que indicam que a miltância agiu corretamente ao não acreditar, desde o factóide Lina Vieira aos falsos gampos contra Gilmar Mendes, difícil relacionar aqui pq isso é repetitivo, de forma que temos sim, que reagir, claro, apontando falhas como temos feito, pois neste caso do Orlando Silva nunca vi nenhum militante dizer que concordo desvio de dinheiro por parte de convênio. O que discordamos foi de terem acusado o ministro de ter recebido uma mala de dinheiro dentro de uma garagem. Sem nenhuma prova!

  • Lembrete, vendo essa massificação do pig para derrubar um ministro, com suas opinões amplamente compartilhadas, vale isso: ” O fato de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de fato, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata.” Bertrand Russell

    • Pig é o que mesmo? Partido da imprensa governista? Eu sempre esqueço. É tanto repórter de aluguel lambendo os sapatitos de príncipe/princesa do governo que eu acho que é tudo pig mesmo, pig para cá, pig para lá…

      Betrand Russell era ateu, anti-religião, e provavelmente estava falando sobre a crença em Deus ao proferir a frase a ele atribuída. Aliás, complementando, outra frase do mesmo filósofo:

      Quem como eu acredita que o intelecto livre é o motor principal do progresso humano só pode se opor, fundamentalmente, tanto ao Bolshevismo quanto à Igreja de Roma. As esperanças que inspiram o comunismo são, em seu núcleo, tão admiráveis quanto aquelas levantandas pelo Sermão da Montanha, uma (ideologia) é assumida tão fanaticamente quanto a outra, e pode causar tanto estrago quanto. (vide http://simplesmente.com/2008/01/19/russell/ )

  • Concordo com o Pierre a militância playmobil patrocinada pelo aparelhamento do estado esta provada nos números, vejamos, quantas ONG’s deste ministério possui tucanos como patronos? E quantos existem nas ONG’s e O. S.’s com patronos de esquerda em governos tucanos, que também são faceiros e useiros neste tipo de governança. Mas a o aparelhamento só ocorre entre os esquerdistas? Ou os mais de 9 milhões pagos as grandes mídias sem licitação influenciam a existência de militância playmobil de um lado e de indignados do outro? Pierre, neste cozido que preparaste falta tempero.

    • A velha “estratégia” de usar o erro alheio para justificar o próprio. Militante playmobil detectado!!

  • Para contraponto a opinião, digamos míope do Pierre, segue a do Eduardo Guimarães do blog cidadania: http://www.blogcidadania.com.br/2011/10/todos-perderam-com-o-caso-orlando-silva/

  • Aparelhamento SEMPRE foi prática do PCdoB. A UNE está sob o controle do partido faz muito tempo e no movimento estudantl é coisa comum a aparelhagem a partir dos diretórios acadêmicos. Ocorre que o aprendizado serviu para expandir o procedimento para as instâncias do governo. Não fico espantado com isso.

    • Concordo… a prática de aparelhamento da UNE se expandiu pro Gov. Federal… #foraorlando

  • Isso tudo começa nos movimentos Estudantis, tá tudo errado desde o começo,
    UJS(UMES)(UBES), UJR(UESPE)(FENET).

    Quero ter vida pra ver tudo isso mudar.

  • Difícil mesmo é lidar com o estagiário de mídias sociais playmobil, percebam que os argumentos contrarios ao texto de Pierre, tem a mesma fundamentação e até as mesmas palavras, ou seja, até resposta de blog/fórum contra o governo é monitorada, atacada e desacreditada, pelo GRUPO PLAYMOBIL DE CONTROLE DE MÍDIA.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).