É Hora de pensar o pós-Dilma

jul 6, 2015 by     18 Comentários    Postado em: Política
Por Artur Brito
Mais uma vez o processo de impeachment da presidente Dilma vem sendo discutido, aos gritos, na sociedade (gritos de “golpistas” de um lado e “PeTralhas” do outro certamente vão voltar a ser ouvidos nas ruas e vistos na nossa timeline do facebook). A grande novidade é que esse processo passou a ser discutido, à boca miúda, em Brasília. Até o PT começou a abandonar a presidente. Lula a defende um dia e critica no outro, e mesmo entre a militância petista Dilma já é considerada história. Os canhões virtuais já estão impulsionando o “Lula 2018” como forma de salvar o PT de um fim tão melancólico quanto o da sua presidente. Se ela vai cair ou não é outra conversa, mas seu governo já faz parte do passado.

A medida que a defesa da presidente vai ficando cada vez mais difícil, até as teses-tapetão que o PT se acostumou a usar vão perdendo força. A mais nova é a tentativa de associar a má avaliação da presidentA ao machismo. Essa tática diversionista tem algum efeito de manada: pipocam alguns textos com reflexões sinceras sobre o papel da mulher, repugnam-se atos execráveis como adesivos pornográficos de Dilma mas, politicamente, o efeito não se sustenta.

O problema, nesse momento, é que o Brasil já deveria estar discutindo o pós-Dilma. Um país grande e complexo como o nosso não tem outra alternativa para conquistar desenvolvimento sustentável e fincar, de uma vez por todas, bases sociais para que isso aconteça a não ser que elabore grandes pactos sociais. Estamos tão acostumados a encarar acordos como coisas expúrias no Brasil que esquecemos que sem eles não há um modelo democrático aceitável.

O Brasil não é prodigioso em pactos. Não os fazemos com frequência, nem com maestria. Mas, tivemos alguns exitosos. O mais recente deles foi o pacto que deu origem ao plano real e o controle da inflação. Apesar de algumas vozes discordantes, naquela época, líderes políticos de várias inclinações ideológicas e representantes da sociedade civil se sentaram à mesa e traçaram um plano. Os últimos passos do governo atual demosntram, inclusive, que ESTE pacto (o controle da inflação) se mantém até hoje, deixou de ser um pacto político e passou a ser uma exigência social.

O Brasil se acostumou, nos últimos tempos, a rechaçar os entendimentos e apostar na discórdia. Não discutimos, seja no congresso, seja nas ruas, sequer um tema de real relevância.

Quando se fala de segurança, ao invés de discutirmos nosso sistema carcerário de forma global, nossa incapacidade de investigar e esclarecer homicídios (no Brasil, apenas 5% dos inquéritos sobre homicídios são concluídos) ou nosso judiciário que não tem capacidade de julgar sequer os presos que já temos (dos 600.000 presos, 30% estão em prisão preventiva) preferimos discutir maioridade penal.

Quando falamos em educação, esquecemos o fato de que o Brasil figura nas piores posições de qualquer ranking internacional de educação em leitura e ciências, esquecemos nossos escandalosos 8,5% de analfabetos (14,5% no nordeste) e travamos discussões intermináveis sobre se o ensino de gênero deve ou não fazer parte do nosso plano nacional de educação (talvez, caso acontecesse, os alunos ao menos aprenderiam análise combinatória tentando decorar todas as intersecções entre os/as “cis”, “trans”, “homos” e “heteros”).

Quando falamos em infra-estrutura, nos engalfinhamos sobre se o PT está privatizando aeroportos ou os está concedendo em um país onde menos de 40% dos seus lares possuem saneamento básico (Jaboatão dos Guararapes, uma cidade com mais de 700 mil habitantes, despeja 94% do seu esgoto em rios e mares).

Após os movimentos que tomaram o país em 2013, ficou claro que mudanças viriam. E estão vindo. Uma parte importante da classe média bradou sua insatisfação com a classe política brasileira, de maneira geral.

Está surgindo e ganhando voz uma direita liberal, como nunca tivemos. No processo, uma direita conservadora, que sempre fez parte da população brasileira mas andava calada desde o fim da ditadura militar, voltou a se posicionar. A esquerda foi pega de surpresa por tudo isso e começou um processo de revisão, também com o surgimento de grupos mais radicais, que não encontravam eco nos tempos de hegemonia do PT. Para esses grupos, restava a sina de serem correntes minoritárias do partido de Lula e Zé dirceu.

Essas são transformações interessantes na política brasileira. Muitos desses grupos sequer estão inseridos em partidos. Acho que, com seu fortalecimento e depuração, a democracia brasileira só tem a ganhar. Mas, essas são agendas em formação, que irão disputar espaços de poder no futuro. Não agora.

Agora, precisamos que os líderes que temos, mesmo que dialogando com essa nova realidade, sentem à mesa e discutam o pós-Dilma. Enquanto isso não acontecer, vão se multiplicar os Bolsonaros de um lado e os Jean Willys do outro. Idiotas e radicais sempre existiram. A questão não é calá-los. É deixá-los falando sozinhos. Precisamos que os moderados retomem o controle do debate público.

Somos um país sem agenda. Sem governo. Não podemos nos tornar uma país sem saída.
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Artur Brito é médico.

18 Comentários + Add Comentário

  • O risco é o PT aceitar entregar Dilma para se salvar. Dilma é uma apenas uma velha esquizofrênica inútil, mais cedo ou mais tarde o Brasil vai se livrar dessa coitada.

    O nosso problema não é Dilma, nem é o PT. O grande problema do Brasil encontra-se fora do Brasil e atende pelo nome de Foro de São Paulo (que controla as FARC, o PCC e todo o narcotráfico na América Latina). O esquerdismo tem que ser erradicado da América Latina. A morte de crápulas como Fidel Castro e Lula (dois velhos caindo aos pedaços) vai ajudar muito no processo de extermínio desse câncer chamado socialismo.

    • Dizer que o GRANDE PROBLEMA do Brasil é o Foro de São Paulo só pode ser conversa de Olavo de Carvalho. Não que isso não seja um problema, mas esse não é o grande problema do Brasil. O Brasil é uma Cleptocracia e que temos que transformar em uma democracia com uma super transparência fiscal+super fiscalização+super punição. Acabar com reeleição no legislativo. Acabar com comissionados sem concurso. Acabar com a excessiva estabilidade no setor público(essa excessiva estabilidade é a causa da péssima qualidade dos serviços públicos como mostra Nicholas Bloom, professor da Universidade de Stanford). Após apresentadas acusações e as provas forem verificadas o imediato afastamento do cargo.

      • Jh, o PT é uma das criações do Foro de São Paulo.

        Não seria exagero dizer que essa praga socialista que se instalou no Brasil teve origem no Foro de São Paulo. O esquerdismo na América Latina está intimamente ligado com o narcotráfico e com as FARC e o Foro comanda essa bagaceira toda.

        Tem que exterminar o nascedouro desse lixo todo que é o Foro de SP. Quanto a Lula e Fidel Castro, não vai demorar muito pra irem fazer companhia ao Satanás. Quanto a Dilma, um asilo para incapazes seria o melhor lugar para ela.

        • Roberto, se não fosse o PT outro grupo tinha feito algo parecido. Já que estamos em um governo de ladrões, a Cleptocracia.
          Temos que tirar todos que fizeram coisas erradas do cargo. Acredito que você seja filiado a algum partido e é fã do Olavo de Carvalho pelo seu comentário. Temos que pensar o que devemos fazer para acabar com isso tudo e que se isso voltar a repetir que tenhamos uma resposta rápida e à altura. Temos que usar a pressão do povo e parar de esperar pela Cleptocracia.

        • JH, antes do Olavo de Carvalho já se falava no Foro de São Paulo. O próprio Olavo de Carvalho reconhece que não foi ele quem descobriu o Foro, ele apenas tornou público o conhecimento sobre o Foro.

          Acredito que essa onda esquerdista não existiria na América Latina se não fosse o Foro.

          O Foro é o grande culpado pelo pesadelo que estamos vivendo com esse socialismo vagabundo que o PT implantou no Brasil.

        • Cara, eu entendo que você não gosta do Foro de São Paulo, da FARC, mas pensar que essa é a origem de todos os problemas é demais. Problemas de falta saneamento básico, falta de boas estradas, de boas escolas, de um bom transporte público tem qual relação com a esquerda ou com a direita? Problemas existem em qualquer lugar. Existe um certo exagero de alguns em pensar sobre a direita e sobre a esquerda. Os dois lados quando pensam no lado do outro exageram em suas análises e tem como desculpa que o problema são os outros!

        • Tem gente que é crente mesmo. Acredita que existe uma unica fonte do mal: o demônio petista. De tal forma que basta excomungá-lo que estaremos no paraíso sagrado. Ou seria, o paraíso da Olivetes. ehehehehe

          Nós temos vários problemas, como disse Jh. Precisamos de procedimentos contra o vírus. Exterminar alguns pacientes, os vermelhos, que contraíram a doença não resolve. Temos que ter um antídoto contra todos que contraírem a doença. Ah, o vírus se proliferou nos três poderes, sobretudo no judiciário e nas três esferas de poder.

  • #ForaDilma

  • O Brasil virou um puteiro, é a terra do “cada um por si”. Políticos só querem roubar, o PT só pensa em se eternizar no poder, o poder judiciário e o serviço público em geral só pensam em aumento de salário, férias intermináveis e mordomias, a juventude só quer saber de vagabundagem e por aí vai.

    Esse país tá cada dia mais complicado. O Brasil é um carro desgovernado ladeira abaixo, cada um só se preocupa consigo mesmo e a lista de problemas só faz crescer.

    Como se não bastasse a violência crescente e a educação um lixo, agora o PT vai detonar a economia também.

  • Eu espero que o Brasil se cure dessa grave doença que é o petismo e no futuro quando as coisas voltarem à normalidade, o PT seja lembrado apenas como uma triste lembrança na história desse país, um erro que nunca mais deve ser cometido, assim como o nazismo é para a Alemanha e o stalinismo é para a Rússia.

  • Só uma pergunta. Quando a Dilma cair pelo impeachment quem vai substituí-la?

    • Procura no google!

    • Pela ordem de sucessão, se Dilma cair quem assume é o Fernandinho Beira-mar.

      Se o Beira-mar cair, quem assume é o terceiro na linha de sucessão, Cesare Battisti.

      Se o Battisti cair, haverá reunião dos principais traficantes de drogas e armas do Brasil, sob o comando direto de Zé Dirceu direto do presídio para decidirem quem será o presidente. A prioridade será para terroristas com notável conhecimento de tráfico, milícias, assalto de bancos, sequestros e extorsão, preferencialmente, cubanos, venezuelanos e norte-coreanos.

  • O Brasil deveria possuir Forças Armadas sérias e comprometidas com os interesses do povo, pois no caso de uma dominação comunista, o Exército expulsaria os marginais comunistas na bala. O problema é que o PT aparelhou as Forças Armadas, o Exército virou um braço do PT, assim como o STF que virou um escritório de advocacia do PT.

    Se tivéssemos generais sérios, esses bandidos vermelhos já estariam no quinto dos infernos há tempos.

    • Ao invés de usar as forças armadas, nós temos que usar o povo.

  • Se o povo colocar uma coisa na cabeça e fazer pressão, não tem quem faça parar! Falta o povo e falta uma liderança forte na oposição! A oposição só quer saber de um dia assumir o poder e não faz projeto nenhum para acabar com as mazelas.

  • Excelente texto. Livre daquela chatice de focar no problema. Nós, como disse o autor, precisamos de lideranças de verdade. Não essa bisonha dicotomia midiática chamada: pastozada versus movimento LGBT.

    Junto a pastozada temos personalidades bisonhas como Bolsonaro e Olavo de Carvalho. Do lado dos LGBT, o PSOL, Edilson Silva e Jean Wyls. Deixar que esses dois grupos bisonhos pautem o debate nacional é um suicídio. Precisamos deixá-los falando sozinhos. Não podemos dar palco para esses legítimos representantes do atraso civilizatório.

    Portanto, faz falta uma direita liberal de políticos como Cláudio Lembo (DEM-SP), assim como gente de esquerda consciente como era Dudu Campos. Nós precisamos de lideranças sérias que tenham um projeto de país. Não importam se são de esquerda ou de direita.

  • Abriram as portas do manicômio?

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).