Entenda aqui o que é a margem de erro de uma pesquisa e porque o Instituto pode errar.

ago 16, 2008 by     20 Comentários    Postado em: Política

pesquisas

Ontem a Rede Globo divulgou uma pesquisa do Ibope, onde foram entrevistadas 805 pessoas, e o apresentador falou que a margem de erro era de 3%.

Não está correto. A margem de erro é de 3,5%, pois a pesquisa foi com 805 questionários aplicados.

Já a Pesquisa do Diário, apresentou Cadoca com 13%, bem distante dos 20% das pesquisas Vox Populi e Ibope.

Muito se fala da margem de erro de uma pesquisa, mas outra informação, tão importante quanto esta, nunca é divulgada: o intervalo de confiança.

Este semestre eu resolvi oferecer a disciplina de Pesquisa Quantitativa na UFPE, tanto na graduação como no mestrado/doutorado, e fiquei surpreso com a quantidade de interessados, e nas dúvidas que tiveram sobre a divulgação de pesquisas, nestas duas primeiras semanas de aula.

Acredito ser útil explicar aqui.

Este tipo de pesquisa (intenção de votos), é o que chamamos de “inferência sobre a proporção de uma população”, já que queremos tirar conclusões sobre o percentual de pessoas disposta a apontar aquela determinada resposta.

O tamanho da amostra, para uma população infinita (com mais de 100.000 pessoas), é dado por:

image

onde Z é o valor crítico da distribuição normal (vou explicar abaixo), p é a proporção que determinada resposta terá na população, e E a margem de erro.

Veja que como ainda vamos saber a pesquisa, não sabemos p, já que p é a proporção de respostas na população. (1-p) é o percentual de outras respostas, e p vai variar entre 0 e 1. Neste caso, o pior resultado possível (que vai resultar na maior amostra possível), é p=0,50, que fará com que p x (1-p) seja igual a 0,25.

Z é o valor crítico da distribuição normal (o Teorema do Limite Central é a base da Teoria de Amostragem), sendo na prática a determinação do intervalo de confiança. Para 90% de confiança, Z=1,645, para 95%, Z é igual a 1,96.

A margem de erro é determinada por quem contrata a pesquisa. É um indicador amplamente conhecido.

O que pouca gente conhece é o intervalo de confiança, que é um valor tão importante quanto a margem de erro.

Quando falamos em 95% de confiança, dizemos que, por exemplo, há uma probabilidade do candidato estar situado dentro da margem de erro. Mas existe 5% de chance dele estar fora. Na verdade 2,5% de chances dele ter mais do que o que atribui (mais a margem de erro), e 2,5% de chances de ser menos.

Por exemplo, na Pesquisa JC/Vox Populi, João da Costa está com 31% (com margem de erro de 4%). Diz-se que ele pode estar entre 27% e 35%, dentro da margem de erro. Mas na verdade ele tem 2,5% de chances de ter mais do que 35%, e 2,5% de chance dele ter menos de 27%. São resultados fora da margem de erro.

95% de confiança é o padrão das pesquisas eleitorais. Dessa forma, espera-se que em cada 20 pesquisas divulgadas, 1 (que é 5%) esteja errada (infelizmente é assim). Mas espera-se que 19 (95%) estejam corretas. Como os eventos (pesquisas) são independentes, isso irá variar.

Esta é a razão pela qual uma pesquisa pode ter um resultado diferente, mesmo com a amostragem sendo bem feita, com estratos bem definidos. Ela pode errar, isso é fato. Mesmo sendo bem feita, que nem sempre é o caso.

Então, se fizermos os cálculos para a fórmula acima, e como 95% de confiança é o padrão, as margens de erro, para o tamanho da amostra, são:

  1. 2% de margem de erro – 2401 questionários
  2. 3% de margem de erro – 1068 questionários
  3. 3,5% de margem de erro – 784 questionários
  4. 4% de margem de erro – 601 questionários

Neste caso, uma pesquisa como a do IBOPE, feita para a Rede Globo, está mais para 3,5% de margem de erro, e não 3%, conforme divulgado.

20 Comentários + Add Comentário

  • [...] Acredito ser útil explicar aqui. [...]

  • Pierre. Logico que toda atividade humana é suscetivel ao erro. Mas os erros de nossas pesquisas são muito estranhos. As primeiras pesquisas sempre erram, eu disse sempre, a favor dos candidatos da direita e contra os da esquerda. Com a aproximação da eleição esses erros vão sendo “reduzidos” e na vespera do pleito se chega a algo perto da realidade. É algo tão repetido que me impressiona ninguem ter tocado nesse assunto antes. Quem tiver duvidando acompanhe as series historicas.

  • Pierre, muito didático, como sempre. Parabéns!

  • Pierre, os erros de pesquisas, também são frutos deprofissionais não muito éticos. Em pernambuco Lavareda, dá assessoria a determinados candidatos e ainda faz pesquisas eleitorais que sempre beneficia os seus contratantes. nas urnas o resultados as contradizem e os orgãos de imprensa publicam como se merecesse confiança. André Régis passa anos comentando política, sempre contra os partidos do governo,depois se candidata pelo PSDB. Como essas pessoas encontram espaço nos meios de comunicaçãocomo isentos.

  • Pierre, gostei da explicação sobre metodologia quantitativa. Me fez lembrar Triola e o curso da UFMG.
    Ivanildo, André Regis sempre criticou os partidos que atualmente estão no poder (PT, PSB e Cia Ltda.). Seus comentários são muito pertinentes e sempre apontam falhas. A sua candidatura pelo PSDB tem muito o que contribuir para o Recife. Estamos fartos de vereadores assistencialistas/clientelistas e um Legislativo Municipal sem um corpo técnico concursado com expertise para assessorar os legisladores. Sou entusiasta da campanha de André. É utopia, para não falar em romantismo, acreditar em isenção. Não existe isso. Quem vai à imprensa, vai apresentar uma visão sobre o problema. Por isso os programas sempre chamam mais de um profissional para comentar o cotidiano da política e da economia. Querer alguem isento é querer alguem sem comprometimento, sem compromisso, sem lado, e isso eu vejo como algo negativo. Por isso sou leitor assíduo desse blog, pois tanto Pierre como Marco, dão sua opinião logo no início das matérias. Você sabe o que os autores pensam. Agora se você é vermelinho, não venha me dizer que o Le Monde Diplomatique é um jornal isento, pois um de seus conselheiros faz parte da direção do PT nacional, e isso fez com que eu NUNCA MAIS comprasse um exemplar daquele jornal!

  • gostei da reportagem po[rém moro em bh gostaria de saber sé temos algum parentesco

  • Olá, gostei muito da sua matéria.
    Preciso de ajuda para responder esta questão:
    Um procedimento didatico para ilustrar aos alunos do Ensino Médio o conceito de margem de erro, utilizando exemplos reais do cotidiano e incluindo a percepção do uso das probabilidades.

  • [...] da Folha é astrológico. Como escreveu Pierre Lucena, no Acerto de Contas: Eu expliquei aqui algumas vezes, que existe uma chance de 5% da pesquisa estar errada, pois os candidatos estariam na margem de [...]

  • As infamações abordadas no texto foram muito escurecedoras, e importantes para que as pessoas como menos informações possam entender quando as pesquisa são divulgadas na TV. E os apresentadores divulgam a margem de erro para mais ou para menos.
    muito bom sou professor irei utilizar essas informações para abordar esse tema em sala.

  • Muito bom seu comentário!
    Me ajudou um pouco com a minha monongrafia que apresenta uma pesquisa de campo… mas.. como não entendo muito sobre o assunto.. não consegui calcular minha margem de erro e indice de confiança!! Não sei se tem haver com o tamanho da população!!
    Seu texto estava otimo.. me ajudou bastante!

  • eu quero aprender ?:?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????::::??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????;::://////////////////////////////////////////////////////////?///////////////////////?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

  • não entendi nada meu caro, vc nao foi nada claro. e olha que eu sou boa em contas

  • Amigo Pierre, num eleitorado de 67.000,eleitores, qual o quantitativo exato de eleitores que deverão ser pesquisados?
    o percentual é de acordo com o numero de eleitores? abraços. aguardo resposta

  • Gostaria de saber como calcular a margem de erro em uma pesquisa de pouco mais de 8000 eletores?

  • Parabens! Bastante elucidativo. Veio reforçar o que eu já tinha em mente. Obrigado! Mande-me sempre que puder novidades, pois trabalho em um Instituto de Pesquisa Aplicada,aqui em Macapá. Ah, sim, gostaria também que vc me indicasse quais os software utilizados em pesquisas eleitorais.

  • gostária de saber qual a margem de erro de 220 e 320 questinários?

    ATT

  • me resumi isso

  • me resume isso

  • me resume essa porra

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).