Ano de 1999
Um amigo meu, Oficial da PM, ao ser parado em uma blitz, verificaram que o extintor estaria fora da validade. O soldado olhou na cara dele e disse: Você sabe, está irregular, mas podemos dar um jeitinho aqui se me ajudar com alguma contribuição.
Ele saiu do carro, deu um grito perguntando quem era o responsável pela operação, se identificou, e deu voz de prisão ao soldado.
Algumas semanas depois, ligaram da Polícia para ele, avisando que o cidadão tinha sido punido com uma advertência.
Ano de 2009
Um procurador do MPF denuncia o Delegado Protógenes Queiroz por este ter articulado com a Rede Globo um flagrante ao suborno que Daniel Dantas tentava dar em um delegado da Polícia Federal. E também porque os cinegrafistas da Globo cortaram a imagem deles do espelho, provavelmente para se protegerem (o segundo crime).
E para terminar, o pior dos crimes, a filmagem de Celso Pitta de cuecas sendo preso.
Veja a diferença de tratamento dado pelas polícias nos dois episódios.
Esse é um país maravilhoso. Escaramuçam o trabalho de um delegado por ele ter prendido um banqueiro poderoso, mas se esquecem de investigar a denúncia de tortura do seu chefe, o Diretor da PF.
Por que não aparece a denúncia que consta no Habeas Corpus solicitado à 6a. Vara Federal do Rio de Janeiro, onde o querido deputado Marcelo Itagiba é acusado de receber uma mesada de R$ 50 mil mensais, à época que era Superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro?
Imaginem se dessem esse mesmo tratamento a todos os policiais do Brasil. Imaginem se o Ministério Público e a Justiça oferecesse 10% do rigor dado a Protógenes. Não sobraria um policial na ativa.
Veja só, o cidadão pediu um “toco” a um Oficial da PM, e levou uma advertência, estando liberado para pedir mais por aí.
Protógenes armou um flagrante para prender um bandido que tentava subornar um outro delegado, com US$ 5 milhões, e vai responder criminalmente por isso, e será com certeza condenado, já que o juiz do caso, Ali Mazloum já mostrou toda má vontade com ele.
Este país é um espetáculo.



Aí vem a pergunta:
Será que ha esperança de um dia tudo isto mudar, e o BRASIL realmente ser um País sério nas suas ações pela maioria das autoridades ?
Será ???
Ficar dizendo “viva o brasil” não muda nada.
[...] tantos vazamentos que já houve no Brasil esse deve ser o primeiro que ressulta em denúncia. Pior, post do Acerto de Contas mostra uma pequena comparação: pedir e receber suborno vale uma advertência, vazar informação sigilosa uma denúncia de [...]
Já há questionamentos se foi realmente Protógenes quem vazou. Veja este post de Nassif.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/09/a-denuncia-contra-protogenes/#comment-653613
Ainda, eu só para questionar, pergunto: e esse tal de sigilo da fonte, tão defendido pela Globo, vale quando há eminência (hipotética) de se condenar um inocente, já que ela sabe quem vazou?
http://olhosdonorte.wordpress.com/2009/05/09/pelo-sigilo-da-fonte-globo-se-cala/
Caro Pierre
Seus comentários são muito ingênuos. Coisa de estudante da UNE. Não se concebe num cara maduro como você achar que o protozoário e companhia vão salvar o País. A intenção pode ser boa – o fim da corrupção – mas a ação é ridícula. A escolha de um salvador da pátria é coisa de novela. Vê se acorda Pierre. Você já teve sacadas melhores.
O foco na lei e no fim da impunidade pode ser um bom caminho. Para tanto, o país tem uma Justiça bem estruturada. Vamos dar força à Constituição e à Justiça.
Sr. Dagoberto,
Então sua opinião é de que funcionário público não deve cumprir sua obrigação só para não dar uma de herói? E se o caso não tivesse chegado à imprensa, fosse uma coisa da rotina de trabalho de um servidor, deveria ser ignorado? Então para que serve a estabilidade no serviço público?
Me desculpe, mas ingenuidade é a sua de de achar que dar mais força ao judiciário brasileiro (aqui não há justiça) vai resolver. Este já tem força demais e resultados de menos.
O cerne dos ataques a Protógenes – a colaboração PF/Abin – foi considerada legal pelo MP. Se tudo o que se tem contra o delegado é ter articulado o flagrante com a Globo, ele está limpo.
Da Agência Brasil:
–
Ministério Público não vê irregularidades na operação
O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo não viu irregularidades na participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. As conclusões do Ministério Público foram apresentadas hoje à 7ª Vara Federal de São Paulo, que investigou supostas irregularidades cometidas durante a Operação Satiagraha.
Segundo nota do MPF, os procuradores Fábio Elizeu Gaspar, Roberto Antonio Dassié Diana, Ana Carolina Previtalli e Cristiane Bacha Canzian Casagrande concluíram que não houve crime na participação da Abin na Satiagraha, já que isso estaria previsto na lei do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin).
No entanto, os procuradores fizeram uma ressalva sobre essa participação. Para eles, caso a cessão de servidores da Abin não tenha sido formalizada no comando da agência, isso “pode, em tese, ser objeto de investigações de improbidade administrativa”.
Para os procuradores, as provas colhidas durante as investigações da Operação Satiagraha não foram maculadas, já que elas “nunca saíram do comando da Polícia Federal e toda a atividade desenvolvida pela Abin era supervisionada pelo delegado [Protógenes Queiroz, responsável pelas investigações iniciais] e sua equipe”.
A atuação do delegado Protógenes Queiroz, entretanto, foi alvo de denúncia pelos procuradores. Para eles, o delegado cometeu três crimes durante as investigações da Satiagraha: duas violações de sigilo funcional (vazamento da operação) e uma fraude processual.
O primeiro vazamento teria ocorrido quando o delegado convidou um produtor da Rede Globo para fazer a gravação em vídeo de um dos encontros ocorridos em São Paulo durante ação controlada judicialmente. Nesta ação controlada foram registradas as ofertas de suborno de dois emissários – o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz e o professor Hugo Chicaroni – do banqueiro Daniel Dantas a um delegado da Polícia Federal, que atuava no caso. Pela tentativa de suborno, Dantas e os dois emissários foram condenados em primeira instância pelo juiz Fausto De Sanctis.
“O delegado incorreu em crime, pois apesar de confiar no jornalista, colocou a operação em risco porque o jornalista não era obrigado a aguardar a deflagração da operação antes de tornar públicas as imagens”, diz nota do MPF.
O segundo vazamento seria o fato do delegado ter feito contatos com um jornalista da Rede Globo durante as investigações e tê-lo comunicado com antecedência sobre o momento da prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Na imagem que a Rede Globo mostrou, Pitta foi preso de pijamas o que teria resultado, na visão dos procuradores, em “dano à imagem” do investigado.
Já a fraude processual teria ocorrido no tratamento feito pela Polícia Federal à fita das imagens, que teriam sido editadas, suprimindo os trechos em que os produtores e cinegrafistas da Rede Globo apareciam na gravação. “O MPF entende que a prova foi alterada para que não se soubesse que a filmagem foi feita pela Rede Globo”, afirma a nota. Os jornalistas da Globo, segundo os procuradores, não cometeram crimes.
Para o Ministério Público, Protógenes Queiroz deveria ter requisitado os equipamentos para o flagrante do suborno pelas vias formais, ou seja, na própria Polícia Federal.
O Blog Quanto Tempo Dura pergunta aos amigos leitores qual seria a música de protesto, no Brasil, dos tempos atuais
http://quantotempodura.wordpress.com/2009/05/10/qtd-pergunta-qual-seria-a-musica-brasileira-de-protesto-dos-tempos-atuais/
Se já estamos na rua pedindo o fora Gilmar, pode ter certeza que daqui a pouco tenhamos que ir pedir o Free Protógenes
Porque ficar dizendo “viva o brasil” com uma cara feia não vai mudar nada.
Falta um post sobre as passagens aéreas de Heloísa Helena,a paladina da ética.
Ou o blog vai tomar as dores também,como tem feito com o Protó?
Dona Arthemísia
Acho que a senhora é uma das proto girls. Que acha que a Justiça deve ser feita com as próprias mãos. No meu tempo de adolescente eu fazia justiça com as mãos. Mas cresci e acho que a Justiça deve ser feita pelos juízes com base na Constituição.
Cresça!
Gostaria de chamar a atenção do blog para as matérias de hoje na FSP sobre o consumo de alimentos trangênicos sem rotulagem.
Segundo a reportagem, o milho Bt da Monsanto, sob a condescendência da CTnBIO e do Ministério da Agricultura, está sendo misturado com a lavoura tradicional, com risco iminente de se tornar impossível, na prática, uma posterior separação.
Moro na Alemanha, e aqui o mesmo milho foi proibido, porque algumas pesquisas realizadas na baviera aparentemente comprovaram que poderia haver prejuízos à saúde causados pelas toxinas produzidas pelo milho geneticamente modificado contra certas lagartas. Ainda assim, os argumentos mais fortes davam conta de que as consequências ambientais do cultivo eram por demais imprevisíveis para serem toleradas.
O brasil é um grande exportador de grãos, a alemanha não produz nem o suficiente pra si próprio. Nós exportamos milho, soja e ferro, e eles máquinas, químicos e automóveis (também exportamos automóveis, mas as máquinas que os produzem compramos de alemanha e EUA). Eles são em certa medida independentes da economia de comodities, enquanto produtores, não como consumidores. Por outro lado, certamente que, com a área cultivável que temos e diante as demandas do mercado mundial, podemos variar a produção, atendendo a diferentes mercados e incrementando a produtividade. Desde com segurança: para o futuro das novas gerações como consumidores de alimento e para o futuro da nossa economia.
Esse é o exato ponto para o qual a reportagem chama a atenção. O milho pode ser cultivado, desde que em lavouras separadas do milho não-transgênico e desde que os produtos resultados de seu beneficiamento informem que eles foram produzidos com transgênicos. Isso tenta resguardar a segurança econômica da produçao de alimentos no longo prazo e a saúde dos consumidores. Há riscos enormes, mesmo assim, tanto para produtores quanto para consumidores. Primeiro, há uma tendência entre os maiores países consumidores-importadores de alimentos do mundo de simplesmente banir esse tipo de alimentos: na europa, Alemanha, frança, hungria, áustria e luxemburgo já baniram o milho, por ex. Segundo, por mais que a CTNbio afirme que essas sementes são seguras como alimentos, é parte da própria dinâmica da ciência a revisão daquilo que é tido como verdade, sobretudo em campos de pesquisa novos, e ainda mais quando boa parte das pesquisas são realizadas em institutos financiados por grandes desenvolvedores de tecnologia genética. Como dizia Niklas Luhmann, ciência é objeto de teorias feitas por cientistas. Se ciência é feita por agentes políticos ou por agentes econômicos ela pode vir a se tornar propaganda ou publicidade, deixando de ser necessariamente ciência. E aqui não podemos confundir ciência com técnica nem duas perguntas distintas: “são os trangênicos nocivos à saúde?” e “como modificamos o genoma de um grão?”. Bem, mesmo que sem estudos definitivos, se há imperativos econômicos fortes (e economia aqui entendida como sistema de carências e administraçao de escassez) e outros interesses sociais como a demanda por alimentos em uma sociedade mundial em que a fome ainda é sentida como um problema, podemos compreender a adoçao desse tipo de cultivo. Mais uma vez, com garantias mínimas para segurança, e algo ainda mais importante: a garantia aos indivíduos (diante de suas possibilidades também econômicas) do direito de escolher entre consumir ou não um alimento geneticamente modificado. E é nesse ponto que reside o centro da polêmica, na minha opinião.
A CTnBio, na pessoa de um secretário executivo de nome Jairon do Nascimento, afirma que o rotulamento de alimentos transgênicos (previsto na legislação brasileira) é um luxo desnecessário. Ora, com essa afirmação ele não quer menos do que decidir, em nosso lugar, o que comemos? Isso é um ataque frontal à nossa liberdade, sobretudo econômica, de consumirmos aquilo que escolhemos. O que acho mais curioso é que o raciocínio implícito nessa afirmação é: melhor que eles não saibam o que estão comendo. O que nos leva à também curiosa conclusão de que, se soubéssemos no que eles consistem, não consumiríamos tais produtos. A vocação anti-democrática desse Sr. se junta à suspeita de que, como cientista, ele comete o maior erro metodológico possível: ignora os limites de seu próprio campo de saber. Como demonstram as pesquisas recentes na alemanha, o que levou a CTNbio a autorizar o cultivo não é um conhecimento tão seguro assim.
É lamentável como o nível dos comentários neste blog tem caído assustadoramente. As pessoas (em sua maioria – é sempre bom lembrar que há ainda número razoável de exceções) tem inicialmente partido para a desqualificação do outro do que para o argumento da razão. Tudo isso sem contar os inúmeros comentaristas que se servem do anonimato.
Agora, refiro-me diretamente ao Sr. Dagoberto Melo: o senhor consegue compreender a linha de raciocínio das opiniões contrárias às suas? O senhor se considera bem crescido, para dizer aos outros que cresçam, não é verdade? O senhor sabe dizer em que direção o senhor cresceu?
Entrando diretamente no mérito da questão: qual foi, de forma fundamentada (com base em evidências defensáveis) e não por ouvir dizer, o crime cometido pelo delegado Protógenes Queiroz capaz de anular a Satiagraha? O juiz Fausto De Sanctis é um magistrado despreparado por ter condenado o sr. Daniel Dantas a 10 anos de prisão?
Publiquem esse vídeo, o tema ainda é atual
http://www.youtube.com/watch?v=8-gfYN61WRM
José Policarpo Jr., tu é dos bons, rapá!
Também quero saber da direita mongoloide de plantão: qual foi, de forma fundamentada (com base em evidências defensáveis) e não por ouvir dizer, o crime cometido pelo delegado Protógenes Queiroz capaz de anular a Satiagraha?
Poli Jr, será que seu nome é esse mesmo? O nível dos comentários etá na sua essência e não só nas acusações, coisa que vocês petralhas são muito bons, principalmente em denegrir e constranger quem não pensa do mesmo modo.
A referência minha e dos sensatos democratas é a lei, a Constituição. Fora disso qualquer autoridade ou cidadão estará na ilegalidade, no crime.
NÃO PRECISAMOS DE SALVADORES DA PÁTRIA. E MUITO MENOS DOS ESCOLHIDOS POR ESTE BLOG!
Já já aparecerão as mazelas de outro super-mídia: Joaquim Barbosa.
Não estou criticando Protógenes, tampouco Joaquim Barbosa, se bem que, para mim, um é lunático e o outro é intragável (NÃO ESTOU JULGANDO SEUS ATOS OU A CAUSA QUE DIZEM DEFENDER, OK?). Apenas ressaltando que não adianta se fiar em alguns nomes para tentar mudar algo. A casa sempre cairá, ainda que de forma exagerada ou mentirosa, para que nada mude.
E duvido que haja alguém no mundo com 100% de integridade.
Veja, por exemplo, Heloísa Helena. Ela pode ter viajado legalmente, PORÉM já deu asas para ser desqualificada.
Se quisermos mudar algo, temos de esquecer heróis (como dito num dos primeiros comentários desse artigo).
Mas tudo bem, vale apontar o absurdo.
Caro Pierre…
Você pegou pesado com a frase:
“Não sobraria um policial na ativa”…
Sou policial militar em MG e não me enquadro
nessa sua frase generalizada. O policial, assim como
um político, um repórter e outros segmentos corruptos, vem da sociedade. Não de marte.
Para seu conhecimento
a corrupção tem dois lados:
o ativo e o passivo. Um policial pode
ser corrupto porque ele solicita algo indevido
e muitas vezes alguém lhe concede. Ou pode ser
que algo lhe é oferecido em troca de “fazer vistas grossas” para certas infrações.
Um erro não justifica outro mas,
dizer que todo policial no Brasil é corrupto
é uma grande ignorância e falta de respeito.
É menosprezar a inteligência dos seus leitores. Defendo que todo bandido deve sofrer os rigores da lei.
Para seu conhecimento, no meu Estado, os indivíduos
que mais são presos por tentar subornar autoridades policiais, são caminhoneiros do nordeste e principalmente Pernambuco.
Mas não posso dizer que todo pernambucano é corrupto.
Devair
Não estou falando de corrupção, estou falando do rigor dado a Protógenes.
Imagine por exemplo, que você esteja perseguindo um bandido, e que este começa a atirar em você.
Pelo rigor, afastariam você do caso (como fizeram com ele) apenas por estar perseguindo o bandido.
Abs
Sr. Dagoberto,
O seu problema é congnitivo ou má fé?
Se for cognitivo, venho a lhe explicar: para existir um processo judicial criminal é preciso que o MP faça a denúncia e a denúncia só será feita após a investigação policial. O Delegado Protógenes fez a investigação, fazendo jus ao ótimo salário que recebe e o MP fez a denúncia. O Juiz Fausto de Sanctis julgou e condenou os réus (atitude quse inesperada por parte do judiciário). Qual parte o sr. não entendeu? Qual parte dessa história correu por fora do sistema judiciário?
Agora, se seu caso é má fé, problema seu. Se não quiser mais ouvir falar do delegado, do juiz ou dos acusados, não acesse a mídia ou vá embora do país. Pra quase tudo tem solução, exceto para afalta de educação.
Erratas:
1) O primeiro “cognitivo” saiu “congnitivo”;
2) “afalta”, leia-se: a falta.