O mundo também é feito de simbolismo

jun 27, 2015 by     5 Comentários    Postado em: Política

Ontem foi um dia histórico nos Estados Unidos. A aprovação do casamento homoafetivo parece ter colocado uma pá de cal (pelo menos momentaneamente) no conservadorismo mais retrógrado que alguns estados ainda insistiam em manter.

O Presidente Obama assumiu a liderança política do processo, mesmo não tendo sido dele a decisão e tampouco a iniciativa jurídica.

Dois anos atrás Obama parece ter caído na real e visto que seu Governo estava acabando sem uma marca sequer. Assumiu o país aos cacos após a crise de 2008 e visivelmente tentou arrumar o que podia.

Mas isso era pouco.

Resolveu mostrar ao mundo que mais importante do que obras e empregos era deixar uma mensagem e honrar o Prêmio Nobel da Paz que recebeu sem sentido algum, no seu primeiro ano de mandato.

Primeiro tirou as tropas do Iraque (enviadas pelo seu antecessor), obviamente com um grande rastro de desgraça por trás.

Depois buscou a conciliação rápida com Cuba, surpreendendo todos pela velocidade com que isto está acontecendo.

E ontem resolveu assumir de vez a sua veia liberal, defendendo a decisão da Suprema Corte em legalizar o casamento homoafetivo. Seu discurso é uma obra prima da política.

Obama errou muito estes anos? Sem dúvida. Os Estados Unidos ainda são arrogantes na sua ânsia imperial? Claro. Mas ao invés de ser lembrado pelas guerra ou por viadutos construídos, Obama fez uma opção: a de ser lembrado pela tolerância e pela busca da conciliação.

A mesma opção que Abraham Lincoln fez ao receber um país em guerra e apoiar a luta pelo fim da escravidão.

Já no país há uma vergonha declarada de uma parte da política, ou uma opção desavergonhada de posar para fotos ao lado de bispos sinistros em cultos quando as eleições se aproximam.

Essa opção pela aliança com o que há de mais forte no conservadorismo, apenas para formar maioria, deveria ser evitada a todo custo, mas a vergonha na cara por aqui acabou há tempos, apenas para ganhar a eleição.

Esquecem que podemos até perder a eleição, mas nunca a vergonha e a credibilidade.

Enquanto a Casa Branca se pintou nas cores do arco-íris, por aqui o Planalto fica sempre cinza.

O mundo também é feito de simbolismos.

No fim o Presidente escolhe como quer ser lembrado.

Obama fez a opção dele.

5 Comentários + Add Comentário

  • Moro nos EUA, votei no Obama, mas apesar dele ter um legado histórico enorme (nem falo do casamento homoafetivo, que nada teve a ver com seu governo, mas sim da reforma dos planos de saúde), ele ainda deixa muito a desejar na política externa e no militarismo. Sim, ele tirou tropas do Iraque, mas aquele país agora encontra-se na penumbra do ISIS. Os EUA continuam torturando prisioneiros e continuam usando drones para atacar alvos terroristas (e matando muitos civis).

  • O cara passar 8 anos no governo dos EUA e ter como marca a aprovação do casamento gay, é de uma mediocridade ímpar.

    Melhor teria sido protagonizar um novo Watergate ou praticar um harakiri baiano.

  • O problema do texto e da paixão por Haddad em geral é o apego a ideias fixas. O sujeito é bom porque faz ciclofaixas. Ora, há uma diferença entre ciclofaixas e ciclovias, em primeiro lugar. Além disso, as críticas à “ciclofaixização” de SP não partem apenas de “coxinhas”, mas, sobretudo, de especialistas, que questionam os critérios usados para determinar a localização da muitas ciclovias/faixas. Como já foi dito aqui, algumas ciclovias/faixas, situadas à margem de estabelecimentos comerciais e residências, suprimem espaços de locomoção de pedestres e geram prejuízos ao comércio e serviços… Por fim, não só coxinhas que gostam de carro, hoje em dia até porteiros e motoboys estão financiando seus carrinhos… Não por acaso, enquanto o transporte público não for descente, todos que puderem comprarão carros e os usarão; não é culpa deles e satanizá-los, chamando-os de “coxinhas”, não mudará a situação.

    Conclusão: não basta um slogan, tipo “ciclovias já”, para qualificar uma gestão.

    • VIge… rsrs postei no lugar errado… kkkkk Apaga isso aí, Piere… rs

  • Tem gente que acha que pintar a imagem com as cores do arco iris é lutar ou defender uma causa.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).