O preço da teimosia

jan 25, 2007 by     1 Comentário     Postado em: Política

O Palácio das Princesas já mandou um aviso aos navegantes. E a mensagem é claríssima: encurralar o governador tem um preço.

Eduardo Campos (PSB) está abismado com a situação difícil em que foi colocado pelos deputados Guilherme Uchôa, José Queiroz (ambos do PDT) e João Fernando Coutinho (PSB), que teimam em disputar a presidência da Assembléia Legislativa.

Nas poucas vezes em que foi obrigado a falar sobre o processo, em conversas com assessores mais próximos, deu a entender que isso vai ter conseqüências para eles. Não tenham dúvidas. ?

Eduardo ainda tem quatro anos de gestão pela frente. E deputado precisa muito do governo para atender suas bases…

Governo sem opção

Na avaliação do Palácio, o governo está completamente sem opção para a presidência do Legislativo. Nenhum dos três parlamentares da base tem perfil para o cargo. “Se juntassem os três num só, talvez desse um candidato bom”, afirmou um alto membro do governo.

Nos bastidores do Palácio, a avaliação é a seguinte:

Coutinho é jovem e inexperiente demais para o posto. Poderia até ser preparado para a disputada daqui a dois anos. O PSB, partido do governador e dono da maior bancada na Assembléia, não tem outro quadro.

Mais experiente e confiável, Queiroz até tem estatura para a presidência, mas soma pouco na casa, quase não circula com os colegas. Não é parlamentar dos mais populares, apesar de respeitado.

Uchôa, bastante ligado a Eduardo, é instável, explosivo, mais voltado para os interesses corporativos da Assembléia e poderia levar o governo a negociações penosas, voltadas a atender demandas individuais.

Sem contar que mantém relações fortes com líderes políticos enrolados na Justiça.

Guerra de nervos

O governador estabeleceu então que tem as seguintes opções:

1) Optar por um dos candidatos, escolhendo a quem irá desagradar;

2) Não agradar ninguém e escolher outro nome;

3) Deixar que os três disputarem, sem interferir no processo.

São todas alternativas ruins, que desagradam e muito o governo.

Mas Eduardo pretende jogar esse jogo sem emoção e até o último minuto. Ele acumulou experiência com isso no Congresso Nacional, onde a guerra tem sido parecida nesta e noutras eleições da Mesa Diretora.

Eduardo só vai se movimentar com força nas vésperas da eleição, marcada para o dia 1º. Até lá continua aguardando que Uchôa, Queiroz e Coutinho se comportem como base e aliados do governo.

Romário não é tão ruim

A briga entre os três aliados vem alimentando entre os deputados o sentimento de que o atual presidente da Casa, Romário Dias (PFL), pode até acabar sendo beneficiado com mais uma reeleição.

E isso, para o governo, não seria tão ruim assim, segundo fontes do Palácio.

No último governo Arraes, Romário era um dos líderes do governo na oposição. Mantinha uma relação pra lá de ótima com a gestão dos adversários.

“Eduardo já deixou claro que não tem dificuldade de conviver com quem quer que seja na presidência da Assembléia”, afirmou agora há pouco outro membro do governo, dizendo, na verdade, o seguinte (em outras palavras):

“O governador não tem medo do desafio de ter até um adversário na presidência, caso este seja o preço a pagar para enquadrar os aliados que o encurralaram.”

Nada de tratoragem

No final das contas, o governo avalia que não valerá a pena passar o trator por cima de um dos aliados – por exemplo, Guilherme Uchôa -, caso este chegue muito forte no dia da eleição.

Também não vale pagar o preço que cada um deles cobra para deixar a disputa.

Se for Uchôa, tentará colocar Queiroz na liderança do governo e João Fernando Coutinho na presidência da Comissão de Justiça.

Mas, nesse caso, terá que encontrar outro bom lugar para Isaltino Nascimento (PT), hoje cotado para a liderança.

E precisará de talento para conviver com Uchoa.

1 Comentário + Add Comentário

  • César, não é pecado ser redundante: Governo é Governo. E quando se trata de uma pessoa que tem os olhos enxergando bem longe (um montão de eleições pela frente, inclusive a reeleição) e uma jamanta carregada de aliados na Assembléia (fora os que estão doidos para cair nos braços do poder) há de se convir que de última hora Eduardo vai dizer (mesmo que não fale de público): o presidente é fulano.
    É natural, democrático e até salutar (cabe um comentário como esse que você faz) que o processo tome corpo até certo momento e se chege até em imaginar numa (quase) possível tentativa de reeleição do atual presidente. Mas o freio de arrumação virá, com certeza.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).