Quando Roberto Magalhães invadiu armado a redação do JC

out 23, 2007 by     23 Comentários    Postado em: Política

Em virtude da morte do jornalista Orismar Rodrigues, a equipe do Acerto de Contas está buscando resgatar algumas passagens “esquecidas” ou não-contadas do episódio ocorrido em 1999, no qual o então candidato à prefeitura do Recife, Roberto Magalhães (PFL, atual DEM), invadiu com arma na cintura a redação do Jornal do Commercio, ameaçando o jornalista Orismar.

O acontecimento se deu em virtude de uma nota publicada pelo jornalista em sua coluna no JC. A nota tratava de uma polêmica na qual a prefeitura do Recife teria vetado a instalação da obra do artista plástico Francisco Brennand (a famosa “pitoca” de Brennand) em frente ao Marco Zero, no Bairro do Recife. (ver foto abaixo)

brennand_obra-falica.jpg

Naquela semana, a revista Veja publicou matéria sobre a polêmica. Na matéria, do dia 18/08/1999, escrita por Dina Duarte e Angelica Tasso e intitulada Um dia de Coronel (clique aqui para ler a matéria na íntegra), o texto explica que

De revólver na cintura, [Roberto Magalhães] invadiu a redação do Jornal do Commercio e postou-se diante do colunista social Orismar Rodrigues. “Quantos anos você tem e quantos mais quer viver?”, intimou-o. “Ainda muitos, senhor”, balbuciou o jornalista. “Pois então trate de me respeitar”, retrucou o prefeito, com o coldre à mostra. “Eu mato aquele que me desonrar.” Diante da rápida intervenção de outros jornalistas, Magalhães foi embora. Orismar respirou aliviado. “Levei o maior susto”, conta ele. “Pensei que tinha voltado à época do cangaço.

Há pouco conversei com o presidente do Sindicato dos Jornalistas à época, Rossini Barreira, que contou alguns acontecimentos do dia.

Segundo Rossini, no momento fatídico ele estava na sede do Sindicato quando recebeu um telefonema de algum funcionário do JC, anunciando que o prefeito Roberto Magalhães estava armado na redação, ameaçando o colunista social Orismar.

Rossini, então, se dirigiu imediatamente à redação do jornal, entrecortando velozmente os automóveis do caótico trânsito da cidade para chegar o mais rápido possível ao local.

Ao descer do seu carro, o presidente do sindicato, assombrado com o episódio, e ansioso por obter quaisquer informações à respeito, avistou o prefeito saindo da redação acompanhado por seu secretário de imprensa à época, José Tomás.

Ao entrar na redação, Rossini se deparou com um clima de choque entre os funcionários, que não sabiam direito como agir.

O gesto que se decidiu, em tempo, foi a publicação de uma nota de repúdio conjunta de vários jornalistas. A nota foi publicada no próprio Jornal do Commercio.

23 Comentários + Add Comentário

  • Apenas uma pequena prova do que esses “representantes do povo” são capazes em nome de uma “honra” que não é maior que a minha ou de qualquer cidadão que age de acordo com os limites colocados “pela lei”.
    Mostra o grau de sanidade mental e de senso de democracia que têm muitos de nossos politiqueiros.

  • Boa lembrança, seria bom colocar na integra nota que deu esse rolo…

  • Gente, cuidado aí!
    O mínimo que pode acontecer ao reviver este pastelão é o nobre dePUTAdo lhes enviar um vírus mortal, capaz de deletar vosso espaço até os finais da era da informática.
    Com Coroné não se brinca!

  • Bahé e Pierre,

    grande sacada essa de recordar o episódio mais “marcante” da vida profissional do bom Orismar. Além de jornalismo de qualidade, vale como uma homenagem ao colunista social bem mais siginficativa que elogios vazios ou frases feitas.

    Inácio

  • Homens sérios e honrados, que não se envolvem em mensalão e outras maracutaias presente na situação atual do Brasil, não adimitem certas molecagens. O Deputado e Jurista Roberto Magalhães é um homem respeitado em todo País, até por seus adversários políticos. Respeito muito a classe dos Jornalistas, porém como toda profissão, existe profissionais quem tem ética e outros não. Ass: Rafael Pereira Carvalho Oliveira.

  • Não entendi o comentário de Reci em 23.10. às 20:33! Algum problema com P-U-T-A? Qual o propósito? Ademais, não acredito que devamos invocar o cargo (Prefeito, Deputado), nem uma atividade secular (prostituição) para descrever uma atitude que já mereceu e merece o nosso repúdio. Principalmente se tratando o autor, de pessoa que com serviços prestados em defesa do estado democrático de direito, que deveria se pautar pela coerência, sensatez e proporcionalidade nas suas ações e respostas!

  • Reafael, a molecagem foi a nota no jornal certo?
    Então… Coagir um cidadão portando uma arma é ilegal certo?
    Então o que difere um ato de coação de receber um mensalão?
    Pra mim é tudo igual.

  • Em nenhum momento o então Prefeito Roberto Magalhães chegou a dizer “Eu mato aquele que me desonrar.”.
    Tendo em vista a seriedade que acredito ter esse blog, sugiro que antes de divulgarem qualquer tipo de acusação procurem conhecer a sua fonte.

  • Aproveitem e resgatem (investiguem) por que o referido jornalista teve sua casa metralhada, após o caso com o prefeito.
    Alguns coleguinhas relacionaram este atentado com um box que o jornalista publivava em sua coluna, se não me engano entitulado “veneno”.

  • Complementando o comentário, o box “veneno” na coluna diária era do tipo ” o que fazia a esposa de um importante usineiro em tal lugar…”.
    Corroborando minhas lembranças, vejam parte da matéria de Veja sobre o caso do prefeito: “…Dois dias depois, Orismar Rodrigues insinuou em sua coluna social que o veto ao monumento de Brennand tinha partido de alguém que nada entendia de arte. Orismar não citou nomes nem fez referência direta à mulher do prefeito. Mas, segundo a versão corrente no Recife, foi exatamente isso que o prefeito entendeu nas entrelinhas. E decidiu tirar satisfações de revólver na cintura…”

  • “O Brasil é uma nação de espertos, que juntos, formam uma multidão de idiotas”, Gilberto Dimenstein.

    Gilberto, permita-me um aproveitamento da sua frase do dia:

    O Brasil é uma nação de espertos, que juntos, transformam a multidão em idiotas.

  • O Brasil é dos “coroné”; não importa se do mato ou do asfalto, rural ou industrial; no caso dos políticos, somos nós que os elegemos, tanto o “coroné” sério, quanto os “coronés” renans. No dia em que aprender-m0s a votar, isto é, só votando no político uma única vêz, provavelmente diminuiremos os “coronés” de todas as espécies; isso por que, as outras espécies são simbióticas dos primeiros.
    Tomo a liberdade de dizer que, se as PUTAS se organizarem, com certeza será uma categoria respeitada; por que milenarmente atende as nossas necessidades sem exirem nada como reconhecimento. Pensemos todos a esse respeito.
    Sindicato para as profissionais do amor, já!

  • É incrível como, num Estado de Direito, as pessoas sabem exatamente os significados de presunção de inocência quando assim desejam e o que, pode levar homens, como o indiscutivelmente respeitado Político, jurista, como há muito não nasce, Dr. Roberto Magalhães. Que bom que todos que, quando em seu dia/momento de fúria, pudessem ter suas histórias contadas e suas garantias constitucionais respeitadas. Mas e se um roberto/josé qualquer, com problemas bem mais sérios, cuja honra já se foi desde a primeira vez em que levou uma bofetada de um PM diante de seus filhos, adentrasse o Gabinete do Prefeito ou GOvernador? COITADO certamente já estaria morto ou condenado a tantos anos que morto também estaria.
    PAREMOS COM ESTA HIPOCRISIA DE AVALIAR OS CASOS DE FORMA DIFERENTE, DEPENDENDO DE QUEM OS EXECUTA. SE FOSSE UM QUALQUER E NÃO UMA AUTORIDADE, O COITADO ESTARIA JUNTO À TODA SORTE DE MARGINAIS. O FINADO ORISMAR GOSTOU DO OCORRIDO SIM.
    EXPERIMENTEM PROCURAR SABER QUANTOS ESTÃO NO PRESÍDIO POR HAVER AMEAÇADO OUTRA PESSOA, OU, DEPENDENDO DE QUEM, TENHA ATENTADO CONTRA A HONRA DE OUTRO.

    como bem dizia um saudoso político cujo nome me foge da memória: “AOS MEUS AMIGOS TUDO, AOS INIMIGOS, APENAS OS RIGORES DA LEI”.

  • Eu sempre tive um grande respeito pelo politico Dr Roberto Magalhaes, porem, no dia do ocorrido perdi toda aquela simpatia, pelo ato de vandalismo praticado por um homen do povo, que tantos cargos importantes ocupou e ocupa na vida publica deste Pais. ameaçando um jornalista em seu proprio local de trabalho e de arma á cinta, a mostra, realmente uma atitude impensada e não condizente com um homen publico de tamanha relevancia. lamentável a atitude do nobre advogado Dr Roberto Magalhaes, que deveria ter se reportado aos rigores da LEI.

  • Alguém aqui afirmou que o DOUTOR-CORONÉ Roberto tem grandes serviços prestados ao estado de direito no Brasil, qué isso?
    O sujeito começa a carreira em plena ditadura, escala cargos e começa a benzer nesta litúrgia e é o paladino da democracia?
    É por isso que ele tende a escapar de execração pública, pois essas inocentes uteis existem para isso!

  • Caros Leitores,

    Conheço Dr. Roberto Magalhães, e a ele todo povo brasileiro e sobretudo pernambucano o conhecem e sabem de sua trajetória como Professor, Advogado, Secretário de Educação, Vice-Governador, Governador de Pernambuco, Prefeito do Recife e Deputado Federal por várias legislaturas.
    Neste episódio em particular e em respeito ao Jornalista que seguiu o seu destino final, e não podendo se pronunciar, esse caso já foi totalmente esclarecido.
    Quem conhece a historia sabe perfeitamente que foi um somatório de casos que culminaram com apenas um desabafo face a vários comentários feitos e não escrito em colunas jornalisticas.
    Niguém tem o direito de atacar a moral do homem e da família, seja ele quem for. Não é preciso estar escrito, pois existe várias testemunhas de comentários em rodas sociais que anteciparam esse lamentável episódio.
    Concordo que em vista a seriedade que acredito ter esse blog, sugiro que antes de divulgarem qualquer tipo de acusação procurem conhecer a sua fonte.

  • Não sou fã de Roberto Magalhes, muito menos do (DEM), não votei e tenho afinadade politica com esse ou qualquer outro grupo político. Tenho convicção de que o (DEM), antigo PFL, é um partido sem ética, moral ou qualquer outros atributos.
    Contudo, esse fato isolado,(apesar de não defender a violência) deve ter algo motivador. Roberto Magalhaes é advogado, político e representante do povo ( na forma da Lei) não iria invadir a sede de um importante meio de comunicação à toa.
    Como disse: não defendo o ato, mas é preciso analisa-lo com mais cautela.

  • Deixando os aspectos políticos e estruturais de lado – um prefeito de uma cidade do porte de REcife invadir uma redação de jornal armado e ameaçando um jornalista por ter expressado suas idéias… é um prato cheio! em um país recém saído da didatura… (porque 20 anos nada são, afinal), fico pensando… sentada, fumando o meu cachimbo imaginário, em conversas intermináveis com o caro sr. Bionics, deitado em meu divã hipotético, dizendo-me o que aquela “escultura” lhe faz sentir… Ah, e então, súbito, lembro-me que o fato se deu pela revolta da Sr.a Bionics, escandalizada com, aquela coisa tão, mas Tão GRANDE…

    Ai, adoro os puritanos…

  • Esse bem-lembrado episódio põe de relevo a postura politica de toda a classe de politicos de direita – presunçosos com os que consideram inferiores, os que nao têm poder, a ponto de arvorar-se em donos de seu direito de viver.
    Bom lembrar também sua trajetória política: político servil à ditadura e que foi governador bionico – um apoio voluntario ao regime ditatorial, criminoso e violento, imposto ao povo.
    Politicos como ele nunca me enganaram, e é bom lembrar esses episódios para os avaliarmos sem propaganda politica.

  • EITA CABRA-SAFADO!

  • [...] (clique aqui para ver post sobre o caso) [...]

  • Diante de tantos comentários, não só neste site, mas na vida, no dia a dia, não há como se saber o certo?! “o que se passou naquele momento?” Sabemos de relatos, de desabafos, de revolta com aquele que na época era nosso representante, escolhidos pela a maioria, não importa saber nesta altura, quem votou ou não? Agora, o que se não pode deixar de levar em conta, que ninguém “ouvir dizer..ao seu respeito…” E com isso querer intimidar com o pode que é lhe atribuído! Não existe no nosso Código Penal Brasileiro, “a legítima defesa”, excludentes de ilicitudes, nestes casos.
    Será que em razão de uma ofensa no trânsito ou grosseria de um chefe, tenho eu o direito de intimidar, ameaçar, qualquer que seja ?

  • Esta história quase causou a morte de um jornalista, um tal de Orismar de Andrade. Na época, o Prefeito Roberto Magalhães, foi de arma na cintura tomar satisfação a respeito de um nota publicada no diário de PE, atacando a honra do Prefeito e de sua Esposa, no caso da “pica de Brenand”…….Naquela época, era assim que pessoas sérias e honradas, que não se envolvem em maracutaias, corrupção, roubos e desvios de verbas, resolviam as coisas.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).