The Dark Side of The Paulo Renato

jun 29, 2011 by     58 Comentários    Postado em: Política

O professor, crítico literário e blogueiro Idelber Avelar escreveu o mais esclarecedor texto que li sobre o ex-ministro da Educação do governo FHC, Paulo Renato Souza – falecido há alguns dias. Ele escreveu o que nenhum veículo da grande mídia escreveu. Vale muito a leitura do texto, que esclarece algumas formas “peculiares” de se fazer política no Brasil: na base do toma lá dá cá, dos favorecimentos a este ou aquele setor e empresas, das gentilezas que geram gentilezas, das coincidências nem tão coincidentes como parecem…

Curioso é como a ala mafiosa do PT executa ações de “consultorias” lobísticas muito semelhantes aos modelos praticados pelo ex-ministro e um dos fundadores do PSDB. Essa ala mafiosa do PT parece ter aprendido direitinho as lições do tucanato mafioso, e atualmente seus representantes estão gordos e nadando em grana, de uma tal forma que nem mesmo Pink Freud explica…

O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)

por Idelber Avelar
no blog Outro Olhar

Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.

Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.

Ainda na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein lamentou que o tucanato não tenha seguido a sugestão de Paulo Renato Souza de “lançar uma campanha publicitária falando dos programas de complementação de renda”. Dimenstein pareceu desconsolado com o fato de que “o PSDB perdeu a chance de garantir uma marca social”, atribuindo essa ausência a uma mera falha na campanha publicitária. O leitor talvez possa compreender melhor o lamento de Dimenstein ao saber que a sua Associação Cidade Escola Aprendiz recebeu de São Paulo a bagatela de três milhões, setecentos e vinte e cinco mil, duzentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos, só no período 2006-2008.

Não surpreende que a Folha seja tão generosa com Paulo Renato. Gentileza gera gentileza, como dizemos na internet. A diferença é que a gentileza de Paulo Renato com o Grupo Folha foi sempre feita com dinheiro público. Numa canetada sem licitação, no dia 08 de junho de 2010, a FDE da Secretaria de Educação de São Paulo transfere para os cofres da Empresa Folha da Manhã S.A. a bagatela de R$ 2.581.280,00, referentes a assinaturas da Folha para escolas paulistas. Quatro anos antes, em 2006, a empresa Folha da Manhã havia doado a curiosa quantia–nas imortais palavras do Senhor Cloaca–de R$ 42.354,30 à campanha eleitoral de Paulo Renato. Foi a única doação feita pelo grupo Folha naquela eleição. Gentileza gera gentileza.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor do Grupo Folha. Os grupos Abril, Estado e Globo também receberam seus quinhões, sempre com dinheiro público. Numa única canetada do dia 28 de maio de 2010, a empresa S/A Estado de São Paulo recebeu dos cofres públicos paulistas–sempre sem licitação, claro, porque “sigilo” no fiofó dos outros é refresco–a módica quantia de R$ 2.568.800,00, referente a assinaturas do Estadão para escolas paulistas. No dia 11 de junho de 2010, a Editora Globo S.A. recebe sua parte no bolo, R$ 1.202.968,00, destinadas a pagar assinaturas da Revista Época. No caso do grupo Abril, a matemática é mais complicada. São 5.200 assinaturas da Revista Veja no dia 29 de maio de 2010, totalizando a módica quantia de R$1.202.968,00, logo depois acrescida, no dia 02 de abril, da bagatela de R$ 3.177.400, 00, por Guias do Estudante – Atualidades, material de preparação para o Vestibular de qualidade, digamos, duvidosíssima. O caso de amor entre Paulo Renato e o Grupo de Civita é uma longa história. De 2004 a 2010, a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo transfere dos cofres públicos para a mídia pelo menos duzentos e cinquenta milhões de reais, boa parte depois da entrada de Paulo Renato na Secretaria de Educação.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grandes grupos de mídia brasileiros. Ele também atuou diligentemente em favor de grupos estrangeiros, muito especialmente a Fundação Santillana, pertencente ao Grupo Prisa, dono do jornal espanhol El País. Trata-se de um jornal que, como sabemos, está disponível para leitura na internet. Isso não impediu que a Secretaria de Educação de São Paulo, sob Paulo Renato, no dia 28 de abril de 2010, transferisse mais dinheiro dos cofres públicos para o Grupo Prisa, referente a assinaturas do El País. O fato já seria curioso por si só, tratando-se de um jornal disponível gratuitamente na internet. Fica mais curioso ainda quando constatamos que o responsável pela compra, Paulo Renato, era Conselheiro Consultivo da própria Fundação Santillana! E as coincidências não param aí. Além de lobista da Santillana, Paulo Renato trabalhou, através de seu escritório PRS Consultores – cujo site misteriosamente desapareceu da internet depois de revelações dos blogs NaMaria NewsCloaca News–, prestando serviços ao … Grupo Santillana!, inclusive com curiosíssima vizinhança, no mesmo prédio. De fato, gentileza gera gentileza. E coincidência gera coincidência: ao mesmo tempo em que El País “denunciava”, junto com grupos de mídia brasileiros, supostos “erros” ou “doutrinações” nos livros didáticos da sua concorrente Geração Editorial, uma das poucas ainda em mãos do capital nacional, Paulo Renato repetia as “denúncias” no Congresso. O fato de a Santillana controlar a Editora Moderna e Paulo Renato ser consultor pago pelo Grupo Santillana deve ter sido, evidentemente, uma mera coincidência.

Mas que não se acuse Paulo Renato de parcialidade em favor dos grupos de mídia, brasileiros e estrangeiros. O ex-Ministro também teve destacada atuação na defesa dos interesses de cursinhos pré-vestibular, conglomerados editoriais e empresas de software. Como noticiado na época pelo Cloaca News, no mesmo dia em que a FDE e a Secretaria de Educação de São Paulo dispensaram de licitação uma compra de mais R$10 milhões da InfoEducacional, mais uma inexigibilidade licitatória era anunciada, para comprar … o mesmíssimo produto!, no caso o software “Tell me more pro”, do Colégio Bandeirantes, cujas doações em dinheiro irrigaram, em 2006, a campanha para Deputado Federal do candidato … Paulo Renato! Tudo isso para não falar, claro, do parque temático de $100 milhões de reais da Microsoft em São Paulo, feito sob os auspícios de Paulo Renato, ou a compra sem licitação, pelo Ministério da Educação de Paulo Renato, em 2001, de 233.000 cópias do sistema operacional Windows. Um dos advogados da Microsoft no Brasil era Marco Antonio Costa Souza, irmão de … Paulo Renato! A tramóia foi tão cabeluda que até a Abril noticiou.

Pelo menos uma vez, portanto, a Revista Fórum terá que concordar com Eliane Cantanhêde. Foi um “legado e tanto”. Que o digam os grupos Folha, Abril, Santillana, Globo, Estado e Microsoft.

58 Comentários + Add Comentário

  • Só nos resta desopilar com Pink Floyd, com “Dark Side Of The Moon” (http://www.youtube.com/watch?v=DLOth-BuCNY) e mais duas de lambuja.

    “Not Now John”
    http://www.youtube.com/watch?v=bI0eCzz_8ao

    “Summer 68′ ”
    http://www.youtube.com/watch%3Fv%3DSIQB1oAVbvQ

  • Não li o texto todo porque não tive saco, mas o autor parece achar que esse trecho

    Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.

    mostra que a gestão do homem foi uma b#$%@. Eu concordaria que a gestão do homem teria sido uma b#$%@ se me fossem mostrados indicadores de que as medidas tomadas pelo PR fizeram a qualidade dos serviços que a universidade brasileira tem que entregar (educação e pesquisa) caiu. Como o Senhor Idelber não se preocupa com isso (parece achar que o problema da educação brasileira é aumentar salário de professor e construir prédios novos), fiquei sem ter esses dados…

    • Grande André Raboni:

      Parabens!

      Muito oportuna a sua mensagem, pois bastante esclarecedora dos desmandos dos nossos políticos.
      Nunca os blogs foram tão importantes para desmascarar os interesses da grande imprensa.
      Este é um serviço educativo.

  • Pq chupar todo o texto de outro site se podes fazer um simples link apontando para lá?

    • Para trazer a discussão aqui para o blog?

    • Tá achando ruim?

      Para de ficar “obervando” e discorra a respeito do tema então.

      • *observando

  • Só tem viúva???

    O cara massacrou a educação desse país …

    O diabo que o carregue.

    • eu acho que um pouco por aí.

    • Nem o diabo quer aquela desgraça ‘ensinando’ os demônios!

      Infelizmente, é o segundo grande canalha do desgoverno THC que morre (talvez o próximo seja ele mesmo, atochado de maconha até as narinas) SEM PAGAR PELO QUE FEZ DE MAL AO PAÍS!!!

      Se não lembram, o primeiro foi Francisco Gros, o Chiquito Dedos Leves, como o ‘batizo’ agora – e não estou fazendo trocadilho com nenhum comentarista aqui no blog. Ninguém precisa se doer por isso, certo?
      ¬¬

    • Para direcionar melhor meu comentário anterior, estou atendo-me apenas aos ex-ministros, esses ao mesmo tempo capangas, lobistas e cúmplices de tudo o que THC patrocinou.

  • Só por ser um dos implantadores do nenem já foi tarde.

  • Para as Universidades a Gestão de Paulo Renato foi simplesmente um desastre. O sucateamento foi completo.
    Em relação à Educação Básica, não dá para negar que a engenharia financeira do Fundef foi eficiente. De certa forma praticamente se universalizou o acesso, ainda que de qualidade deplorável.

    • Dados? O problema da universidade brasileira é que o professor ganha mal e não tem infraestrutura? As universidades estavam fazendo pesquisa e ensino de alto nível e as medidas do PR atrapalharam? Caiam na real, a (de longe) maior universidade brasileira não está nem entre as 100 melhores do mundo. Os professores de federais têm a pachorra de dizer que não querem preparar alunos “para o mercado” (eles dizem isso aos alunos?). As federais estão cheias de nulidades emplumadas que ficam tentando adaptar a realidade aos seus clichês marxistas E o Ministério da Educação pós PR não fez nada para melhorar esse estado de coisas.

    • Pierre, acho q foi mais uma questão de ideologia dele mesmo. E partilho da ideologia. Estou pouco me importando pra as Universidades Publicas.

      Ja o ensino basico nao, 100% publico e de qualidade PRA TODOS. Meu filho estudando com o filho da empregada, por exemplo. Pq nao?

      Seria otimo, uma licao de civilidade e uma boa preparacao pra a vida que viria pela frente com pessoas de criancas de qualquer nivel social.

      As Uni Federais tem pessimo custo/beneficio e sao aproveitadas pela MINORIA (eu mesmo fiz parte dessa minoria e pq??)

      Abraços

      • —Estou pouco me importando pra as Universidades Publicas—-.

        Meu deus……

        • Eu colocaria o seguinte

          Estou pouco me importando com as Universidades Públicas porque não fará diferença significativa enquanto o problema não for resolvido na fonte, que é a falta de qualidade do ensino básico.

          Creio que foi isso que ele quis dizer, e não que fosse um “entreguista” nem que tivesse insinuado que a solução para as Universidades é vendê-las todas ao setor privado.

          Tira esses óculos de celofane vermelho, cara. Vai enxergar melhor sem eles.

        • Raphael, por favor leia o texto de Pablo Holmes.

      • Gostaria que alguém citasse um país do mundo sequer que cresce, em que não há universidade pública forte e de qualidade ou financiada pelo estado.

        Se alguém disser EUA, vai simplesmente confirmar a sua falta de informação. Sim, porque nos EUA há, de um lado, as universidades estaduais públicas (como a UCLA, NYU, PENN, Chicago e várias outras de ponta) e de outro algumas poucas fundações universitárias que recebem uma quantidade absurda de dinheiro público para fazer pesquisa. Harvard, Yale e Princeton dependem diretamente do financimanto direto e indireto que recebem do estado. Claro, há também universidades privadas para gente pobre e de classe média baixa, que se endivida para pagar uma universidade caríssima e de péssima qualidade, onde não há pesquisa nem nada. Esse é o modelo que vc quer? bem, esse é o modelo que temos já no brasil, com ainda pouco investimento nas públicas e nas fundações (podíamos citar FGV e PUCS)… Vc quer ser mais liberal que os EUA… vá lá… temos a opção do chile, um país com uma pobre ciência, em que todos os professores vão se formar nos EUA ou na europa (sem falar que o chile é um país de alta desigualdade social e de apenas 12 milhões de pessoas).

        Uma outra opção é a européia e asiática: em toda a europa, china, coréia e japão, as universidades são quase todas públicas (com raras exceções de ultra-elite, pra quem é filho de milionário ou ganha bolsas por mera sorte: aqui e trata de reprodução de elites para o management de interesses globais em órgaos internacionais como OMC, FMI, UE e Banco mundial, sobretudo. Trata-se de formar 30 pessoas por ano). Mas para o grosso do sistema, inclusive na inglaterra, o que vale são sistemas públicos, em que professores recebem salários pagos pelo estado e ainda têm que correr atrás de editais e financiamento públicos para pesquisa .

        Quem pensa que a universidade pública é algo inútil ficou definitivamente perdido em algum momento da década de 1990, quando um grupo de malandros, larápios e marginais se apossou do governo federal para transformar o brasil em um fornecedor barato de mão de obra desqualificada e de matéria prima para “investidores”. Claro, eles todos fizeram seu pé de meia, o que faz o espertocrata do Pallocci ser apenas um menino bobo com um apartamento caro. A maior parte dos bons tucanos enriqueceu de verdade e hoje trabalha para os bancos que ajudaram a ganhar centenas de bilhões de dólares com um real supervalorizado e uma dívida pública de títulos que cresceu algo em torno de 1000%. Bem, o resto é história…

        Se o brasil tem alguma possibilidade de se tornar competitivo, a receita é a mesma de sempre, como foi para todos os outros países do mundo. Ampliar o mercado interno, distribuir renda, investir de forma maciça em ciência e pesquisa e formar uma massa crítica capaz de produzir criativametne alternativas em forma de produtos, serviços e saber.

        Isso tem a ver também com impulsionar a democracia: tornar a classe média mais crítica em relação à sociedade em que vive, o que se faz também com pensamento social e pesquisa na área de ciências humanas (algo em que tb os EUA são hoje hegemônicos). Isso faria, por exemplo, com que tb a classe média passasse a se questionar por que ela ainda acha que existe alguma coisa que distingue “meu filho” do “filho da empregada” (meu caro, desculpa, mas só o fato de vc pensar em pronunciar essa frase já demonstra que vc supõe que essa frase é pronunciável… Eu diria que para um cidadão europeu, ela seria simplesmente “impensável”, ele não chegaria a pensar nela- não porque ele é melhor, mas porque cresceu e foi educado a partir de outros pontos de vista, digamos, mais igualitários).

        A verdade é que a falta de educação leva por exemplo a que nossa classe média critique o estado e a “carga tributária” quando na verdade o problema não está nela, senão na brutal concentração de renda que impede o surgimento de um mercado interno forte, que exclui do acesso à educação a grande maioria dos brasileiros e impede que o conjunto da sociedade seja integrada às dinâmicas criativas de um capitalismo em que privilégios são extintos em prol da criatividade individual, da concorrência, das liberdades.
        Nossa carga tributária é até baixa. O problema dela é que ela é muito mal distribuída.

        Só pra deixar um dado que li ontem, num artigo científico sobre desigualdade:

        Se medirmos a concentração de renda antes e depois da taxação (tributação) e distribuição por meio de serviços (transferências diretas de renda, educação, saúde etc), a suécia é um país tão desigual como o México. Seu índice GINI antes do “tax & transfer” é de 0,49 e o do méxico é de 0,49. Índices iguais.

        A diferença é que, depois de descontadas tributação e transferências, a desigualdade sueca cai para 0,23, a do méxico 0,45. Na alemanha esses números são, respectivamente, 0,44 e 0,28. Quer saber quanto é no Brasil? fácil: 0,56, depois das transferências (educação, bolsa família, saúde etc) 0,49. Ou seja, depois de taxar e distribuir ficamos tão desiguais como o méxico…

        Bem, olhe todos os dados sobre competitividade, produtividade, eficiência ou mesmo esses super discutíveis surveys sobre o “melhor lugar pra fazer negócios”. Há muito dado sobre isso que o Banco mundial ou a OECD divulgam… Vá lá na página: http://www.worldbank.com. Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega sempre estão no topo. muitas vezes acima dos EUA. Acho que economistas neoclássicos têm que se explicar.

        E tenho dito.

        • ah, sim… esses dados são de 1997, no que tange ao brasil. no que tange ao méxico 2010.

          A fonte é essa aqui: Giovani Andrea Cornia & Bruno Martorano, Policies for reducing income inequality: latin amrica during the last decade, UNICEF working paper. (vc pode pedir o artigo por meio do email: workingpapers@unicef.org

          Outro artigo interessante é : Göran Therborn, Inequalities and Latin America: From the Enligtenment to the 21st Century. Working paper 01/2011, DesiguALdades.net, also avaiable at: http://www.desigualdades.net.

        • É por ai mesmo.

        • Pablo Holmes:

          Parabens!

          Explicações lúcidas como sempre.

        • Muito bom, Pablo.

        • “Quem pensa que a universidade pública é algo inútil ficou definitivamente perdido em algum momento da década de 1990, quando um grupo de malandros, larápios e marginais se apossou do governo federal para transformar o brasil em um fornecedor barato de mão de obra desqualificada e de matéria prima para “investidores””.

          Informe-se. Ninguém quer mão de obra desqualificada, porque atrapalha: o cara não consegue entender as instruções que você dá ou não consegue resolver os problemas mais elementares que aparecem no dia-a-dia. Esse papo é da época que o Prebisch estava vivo.

          “Claro, eles todos fizeram seu pé de meia, o que faz o espertocrata do Pallocci ser apenas um menino bobo com um apartamento caro. A maior parte dos bons tucanos enriqueceu de verdade e hoje trabalha para os bancos que ajudaram a ganhar centenas de bilhões de dólares com um real supervalorizado e uma dívida pública de títulos que cresceu algo em torno de 1000%. Bem, o resto é história…”

          Faltou dizer que, no caminho, eles inventaram o software de gestão macroeconômica que o governo Lula ainda usa e resolveram um problema (inflação descontrolada) que assolava a economia brasileira havia 20 anos. Alguns já trabalhavam em bancos ANTES de ir pro governo, e outros tinham expertise pra vender: além de uma formação de primeira linha em economia, fizeram algo que NINGUÉM conseguiu fazer desde Delfim Netto no governo Figueiredo. Ah, se você souber como reduzir uma alta inflação, perder o imposto inflacionário, sofrer o impacto de demandas fiscais, esqueletos, de uma constituição demagógica e NÃO aumentar a dívida sugiro vender a receita. Você vai ganhar ainda mais dinheiro que o Palocci e os tucanos.

        • querido observador, vc quer dizer que foi por acaso que o real foi desvalorizado um mês depois das eleições de 1998? Acho que ninguém melhor que Bresser Pereira para testemunhar a completa ideologização neoliberal dos tempos do governo FHC. Em entrevista recente, Ele disse que tentava conversar com o então presidente sobre a insensatez da política cambial e do programa de privatizações que, segundo ele , não fazia diferença entre capital nacional e capital externo.

          Aliás, vc quer insistir mesmo que persio arida, um velho miltante de esquerda e professor universitário (depois sócio desse estranho banco chamado oportunity), André lara resende e gustavo franco ficaram milionários pela sua imensa competência…

          Pra um bom observador, vc devia abrir mais os olhos. No mais, teria sido bom vê-lo rebater o fato de que o governo FHC desenvolveu uma das políticas mais irresponsáveis de destruição das universidades públicas desse país… Chegou ao ponto de alguns cursos da UFPE terem 60% das horas-aula dadas por professores substitutos, a maioria sem nem ter mestrado, e ganhando um salário absurdo de 400 por 20horas semanais…

          Sinceramente, quem viveu esse tempo na universidade só pode desejar uma coisa: que esses irresponsáveis jamais voltem a governar o país.

        • ah, quanto à mão de obra desqualificada, isso depende muito. Depende do que vc chama qualificação. Eu parto do pressuposto que educação até o nível médio é um direito político. Acredito que para poder exercer direitos políticos e individuais básicos, o direito à educação média é indispensável.
          Bem, nossa renda per capita já permitiria sim um acesso mínimo à educação até o ensino médio… O problema é, mais uma vez, a brutal concentração de renda.

          Sob esse aspecto, mão de obra qualificada ganha uma nova luz. Cá pra nós, nossa mão de obra é desqualificada mesmo entre aqueles que estiveram em uma escola privada. É uma vergonha o nível de nosso ensino de inglês, por exemplo. Quantos por cento de nossa classe média fala inglês fluente? Isso tem a ver com todo o sistema, mas tem a ver tb com a formação desastrosa dos professores, nas nossas universidades abandonadas. Isso começou a mudar um pouco, mas apenas desde Lula. ainda assim falta muito.

          A verdade é que o projeto da era FH era fazer do brasil um grande méxico na américa do sul, um enorme parque de montagem para automóveis e geladeiras. Pra isso realmente é preciso apenas a 8a. série…

          Aliás, esse é um erro comum entre economistas. Achar que ter mão de obra até 8a série, com salários baratos, garante o crescimento. Não garante nada. existem vários papers criticando experiências como a da costa rica, por exemplo. E o grande exemplo dado de crescimento a partir da vantagem competitiva de uma mão de obra extremamente barata é a china. Bem, creditar o sucesso chinês à “mão de obra barata” não passa de um doce engano… A china já é hoje, em várias áreas, top na produção de ciência e tecnologia. Começaram a investir nisso muito cedo e tem universidades altamente equipadas, que recebem altíssimo investimento, há um bom tempo.

          Eles souberam usar seu mercado interno, sua mão mão de obra barata, e um altíssimo controle do investimento externo em função de seus próprios interesses. E, assim, desenvolveram um parque industrial próprio, com cada vez mais tecnologia própria. A próxima jogada deles vai ser no plano das marcas globais. Eles realmente ainda não tem marcas globais fortes… eu não esperaria nem 20 anos para ver eles serem líderes de mercado em vários setores…

        • “querido observador, vc quer dizer que foi por acaso que o real foi desvalorizado um mês depois das eleições de 1998? Acho que ninguém melhor que Bresser Pereira para testemunhar a completa ideologização neoliberal dos tempos do governo FHC. Em entrevista recente, Ele disse que tentava conversar com o então presidente sobre a insensatez da política cambial e do programa de privatizações que, segundo ele , não fazia diferença entre capital nacional e capital externo.”

          Vou conceder que o governo FHC manteve o real valorizado por tempo demais por motivos eleitorais (eu poderia dizer que isso aconteceu porque ninguém sabia se a desvalorização ia provocar inflação ou não, coisa que é fácil dizer a posteriori), mas NÃO vou conceder em aceitar as bobagens do Bresser, porque, primeiro, ele NÃO resolveu o problema da inflação quando teve oportunidade; e, que eu saiba, o programa de privatizações funcionou bem o bastante para que você tivesse acesso a internet…

          “Aliás, vc quer insistir mesmo que persio arida, um velho miltante de esquerda e professor universitário (depois sócio desse estranho banco chamado oportunity), André lara resende e gustavo franco ficaram milionários pela sua imensa competência…”

          Filho, como eu disse, os três têm uma formação de primeiríssima linha (MIT e Harvard). Se você conhece Economia, sabe que eles têm trabalhos canônicos na literatura acadêmica e pelo menos os dois primeiros JÁ ERAM banqueiros antes de ir pro governo. E mais, TODOS os meus amigos que foram para o mercado financeiro, a maioria com menos experiência de trabalho e menor bagagem acadêmica, estão muito bem de vida. Por que os outros não estariam milionários? Ah, nos países que têm universidades sérias, um professor universitário tem idéias pra vender ao setor privado e é valorizado por isso, porque se preocupa em entender a realidade para controlá-la, não em repetir chavões marxistas.

          “Pra um bom observador, vc devia abrir mais os olhos. No mais, teria sido bom vê-lo rebater o fato de que o governo FHC desenvolveu uma das políticas mais irresponsáveis de destruição das universidades públicas desse país… Chegou ao ponto de alguns cursos da UFPE terem 60% das horas-aula dadas por professores substitutos, a maioria sem nem ter mestrado, e ganhando um salário absurdo de 400 por 20 horas semanais…”

          Bom, se você acha que a função da universidade brasileira é pagar altos salários para professores que, vamos falar a verdade, não entregam muita coisa como pesquisa e ensino (qual a grande contribuição da UFPE pra ciência nacional?). O salário absurdo de 400 por 20 horas semanais, para um cara sem mestrado, era mais da metade de uma bolsa de mestrado. Não acho ruim. Eu vivi com uma bolsa de mestrado e não morri, muito pelo contrário.

          “Sinceramente, quem viveu esse tempo na universidade só pode desejar uma coisa: que esses irresponsáveis jamais voltem a governar o país.”

          Esses irresponsáveis puseram o Brasil no caminho correto. Se o Lulinha conseguiu enrolar a muitos por muito tempo, foi porque o governo FHC pegou a rebarba e consertou o país. Estuda um pouco, ou tira os óculos vermelhos, antes de emitir “opiniões”.

        • “ah, quanto à mão de obra desqualificada, isso depende muito. Depende do que vc chama qualificação. Eu parto do pressuposto que educação até o nível médio é um direito político. Acredito que para poder exercer direitos políticos e individuais básicos, o direito à educação média é indispensável.
          Bem, nossa renda per capita já permitiria sim um acesso mínimo à educação até o ensino médio… O problema é, mais uma vez, a brutal concentração de renda.

          Sob esse aspecto, mão de obra qualificada ganha uma nova luz. Cá pra nós, nossa mão de obra é desqualificada mesmo entre aqueles que estiveram em uma escola privada. É uma vergonha o nível de nosso ensino de inglês, por exemplo. Quantos por cento de nossa classe média fala inglês fluente? Isso tem a ver com todo o sistema, mas tem a ver tb com a formação desastrosa dos professores, nas nossas universidades abandonadas. Isso começou a mudar um pouco, mas apenas desde Lula. ainda assim falta muito.

          A verdade é que o projeto da era FH era fazer do brasil um grande méxico na américa do sul, um enorme parque de montagem para automóveis e geladeiras. Pra isso realmente é preciso apenas a 8a. série…

          Aliás, esse é um erro comum entre economistas. Achar que ter mão de obra até 8a série, com salários baratos, garante o crescimento. Não garante nada. existem vários papers criticando experiências como a da costa rica, por exemplo. E o grande exemplo dado de crescimento a partir da vantagem competitiva de uma mão de obra extremamente barata é a china. Bem, creditar o sucesso chinês à “mão de obra barata” não passa de um doce engano… A china já é hoje, em várias áreas, top na produção de ciência e tecnologia. Começaram a investir nisso muito cedo e tem universidades altamente equipadas, que recebem altíssimo investimento, há um bom tempo.

          Eles souberam usar seu mercado interno, sua mão mão de obra barata, e um altíssimo controle do investimento externo em função de seus próprios interesses. E, assim, desenvolveram um parque industrial próprio, com cada vez mais tecnologia própria. A próxima jogada deles vai ser no plano das marcas globais. Eles realmente ainda não tem marcas globais fortes… eu não esperaria nem 20 anos para ver eles serem líderes de mercado em vários setores…”

          Não entendi muito bem o seu discurso, achei que está meio sem pé nem cabeça (a educação de nível médio é um DIREITO básico. E, se você escrever isso no papel, amanhã vão surgir do nada escolas e professores qualificados?) Os economistas neoclássicos neoliberais malvados fdp acham que o problema da distribuição de renda no Brasil é explicado principalmente pela desigualdade de acesso à educação E que a educação é um dos fatores explicativos do crescimento econômico. Mas o fato da China ter virado a fábrica do mundo é evidentemente explicado pelos baixos salários que se pagam lá, aliado à qualificação da mão de obra. Por que você acha que os empresários levam a fábrica de um outro país para lá?

        • Por que industrias ocidentais levam as fábricas para a china? Vc acha realmente que é por conta da mão de obra barata… Pois eu teria uma resposta menos convencional que poderia ajudar melhor a entender o que acontece na china e no mundo.

          Se o que vc falou é verdade para a década de 1990, hoje isso já não mais se aplica. Indústrias, já algum tempo, vão à china, porque eles não podem entrar no mercado chinês sem produzir lá e sem agradar aos interesses chineses. Os chineses compram duas coisas do mundo: máquinas para fazer máquinas (sobretudo da alemaha) e matéria prima. De resto, para entrar de modo realmente forte no mercado deles (que já é gigante e comparável ao americano), vc tem que dançar conforme a sua música.

          Se mão de obra barata fosse a única explicação para esse movimento, as indústrias poderiam ter ido para porto rico e panamá… ou ainda para a costa rica, países com índices até razoáveis de “escolaridade” se comparados ao brasil. Aliás, porque não turquia, bulgária, romênia? O leste europeu seria o paraíso da industrialização moderna. Mas não me ocorre que isso aconteça agora mesmo. A indústria que recebem é de baixíssimo valor agregado (sobretudo téxtil) e ao mesmo tempo não representam nenhum movimento importante de industrialização.

          A verdade é que a indústria vai à china por um outro motivo fundamental: acesso a um mercado que é um universo a ser explorado e com possibilidades de crescimento que não estão mais disponíveis no mundo ocidental.

          Mais uma vez: Para entrar na china, um mercado gigante e que cresce, vc tem que dançar conforme a música dos chineses. Quem quer ficar fora dessa? Ou o brasil montou uma fábrica de aviões lá para se aproveitar da mão de obra barata? Sinceramente, ela é mais barata na bahia, e uns 2 mil funcionários vc acha sim no brasil. E mais, os chineses estão investindo em educação superior de ponta há mais de 20 anos e já começam a colher resultados em várias áreas. Ultimamente inclusive na área de direito e ciências sociais. Eu me interesso pela área de regulação transnacional e em summer schools e conferências na aleamnha e nos EUA, onde estive, vc vê uma quantidade grande de chineses com qualificação altíssima: seus trabalhos são realmente muito bons.

          Bem, quanto à produção universitária brasileira, sugiro que vc se informe melhor. Os indicadores da UFPE são até razoáveis, sobretudo em algumas áreas específicas, como física e informática. Uma boa produção de papers internacionais e avaliações de nivel 6 e 7 na capes, que indicam alto nível de cooperação internacional e produção em periódicos de impacto. Isso é resultado de investimentos públicos e da possibilidade de que essa áreas captem recursos privados. Essa era a idéia de paulo renato, acho… Bem, conhecemos o chile, onde a univesidade foi abadonada e vista como um player de mercado: universidades que não produzem qualquer pesquisa de qualidade, salvo raríssimas exceções (tb financiadas por dinheiro público!).

          Aliás, o que eu sempre achei meio ridículo nos neoclássicos brasileiros é que eles querem fazer no brasil o que nenhum país europeu, nem os EUA fazem. É aquela coisa: vc quer ser mais realista que o rei, mas não se pergunta porque o rei ignora o que ele mesmo diz… Nunca pararam pra pensar no fato de que EUA e europa são extremamente protecionistas, praticam fortes políticas fiscais keynesianas sempre que necessário, tem sistemas estatais de assistência social altamente robustos e investem uma nota de dinheiro público em educação universitária, pesquisa e bem estar? Será que eles são burros e não leram milton friedman? bem, a alemanha (o maior estado social do mundo) continua a crescer numa boa, enquanto lituania, chile, islândia e irlanda do norte, os paraísos do neoliberalismo da década de 1990, não sabem se pagam a conta de luz da casa de seus chefes de governo . E, mais uma vez, veja lá esses relatórios “doing business” não sei do que, vc vai ver que os maiores estados de bem-estar sempre estão na ponta: suécia, finlândia, noruega, dinamarca etc. Eu acho que tem algo de podre no reino de chicago…

          No mais, senti problemas sérios na sua capacidade de traçar relações de causa e efeito. vamos lá. Vejamos se entendi direito:

          Premissa maior: universidade deve produzir ciência.
          Premissa menor: A universidade brasileira produz pouca ciência.
          Conclusão: logo devemos dar menos dinheiro às universidades e deixar elas afundarem.

          Tem alguma coisa errada aí. A nao ser que haja uma outra premissa no seu raciocínio que não está explícita. Acho mesmo que se trata disso: Digamos que estamos diante de um raciocínio um entimemático. A premissa escondida diz: universidades não são importantes.

          Acho que isso faz sentido pra quem pensa como, por exemplo, o paulo renato. O raciocínio é o seguinte: Universidade é coisa de país rico, o brasil deve mesmo se contentar em produzir mão de obra (insisto!) desqualificada para investimentos diretos que representem produção com baixo poder de agregar valor e investimentos financeiros.
          Se com isso seremos capazes de vencer a pobreza, ou apenas seremos capazes de reproduzir os privilégios (um tanto incultos, é verdade) de uma classe média que pode se dar o luxo de, em suas férias, ir fazer papel ridículo na disneylandia, é outra questão.

          A experiência mexicana, de se tornar um parque industrial para a montagem de baixo valor agregado de produtos de alto valor agregado poderia valer um pouco para a reflexão. Eles montam carros caros, mas seu trabalho não agrega valor nenhum… Isso não é desenvolvimento. mas não é mesmo!

          Mas os tucanos pensaram realmente assim. Bem, as universidades são fracas, logo as destruímos. Bom! Quem pensa assim, poderia realmente pensar que a solução para a pobreza extrema é deixar o pobre morrer de fome. Com ele morto, não temos mais o problema, não?

          No caso da universidade, temos um problema mais sério… Porque aqui se trata do seguinte: para conseguirmos realmente ultrapassar a barreira da renda per capita média (na qual estamos somente agora entrando) temos que ser competitivos não como fornecedores de mão de obra barata (e desqualificada), mas como produtores de produtos competitivos. A china já faz isso faz tempo, e se ainda tem uma renda per capita baixa, isso se deve a diferenças regionais altas, que são seu próximo desafio. Mas shangai já é tem renda per capita semelhante a das regiões mais ricas da europa.

          Quanto aos ricos do PSDB, tenha dó. Estamos falando de gente que ficou bilionária com um programa escandaloso de privatizações, em que o controle de diversas companhias gigantes foi entregue (entregue!) a um banco desconhecido e minúsculo, sem nenhuma experiência, que pertencia a um cidadão que é conhecido por comprar delegados da polícia federal. Como vc explica que alguns dos homens mais ricos do brasil hoje eram duros antes do governo FHC. Porque eles estudaram em HArvard? cá pra nós, eu estive 3 semanas em harvard ano passado, não vi nenhuma fonte da sabedoria por lá… Aliás, harvard é até bem de esquerda… e as pessoas são iguaizinhas as que vc pode conhecer em qualquer lugar do mundo. Como diz um professor meu, “olhe meu filho, eu bebo leite todo dia, por que não posso ser tão sabido como esse povo”. Sinceramente, o que harvard dá é contato, é exatamente isso: reprodução de uma rede de privilégios que lhe possibilita conhecer aqueles que tem poder no mundo dos negócios (privados e públicos). É o velho jogo das elites, cria um simbolismo e quem não tem acesso acredita que aqueles são os donos do saber, os iluminados por deus. Isso já funcionava desde o egito antigo até a idade média: e permanece sob outras formas nos nossos dias. Essa crença nos “mais sábios” só faz reproduzir privilégios dos donos do saber. Quer saber: Eles não são donos do saber coisa nenhuma, são sim donos do dinheiro… E dinheiro sempre compra o direito de parecer sabido. Pra combater isso surgiu, no século XVII a idéia de que a constituição e estado devem ter a capacidade de construir formas democráticas de decisão em que ninguém é “o dono do saber”: senão tem apenas um voto igual a todos os outros “sem saber”. Parece que nos nossos dias estamos andando pra trás com essa crença pia “naqueles que sabiam de tudo e de repente não sabem mais nada” (para citar meu querido presidente lula).

          No mais, sinceramente, essa remuneração irracional dos “executivos do mercado” é a causa velada da crise de 2008. O mercado financeiro produz uma dinâmica própria de especulação que se baseia num feedback explosivo entre resultados de curto prazo e a remuneração daqueles que mostram melhores resultados. Isso gera a permanente fabricação de bolhas, se não houver uma regulação também dessas remunerações. É como se vc pagasse alto a alguém para enganar e alavancar o mercado financeiro a partir de uma expliva produção de riscos.

          Como sabemos, se depois da crise isso não foi de modo algum alterado (apesar de algumas propostas de Sarkozy e Obama para regular a remuneração desse povo), a próxima bolha é só uma questão de tempo.

          abraço, querido observador, seria mais legal se vc não fosse um observador anônimo. Como vc percebe, eu gosto do debate. ;)

        • Pois é, eu acho mais ou menos isso mesmo que você falou: a universidade deve produzir ensino e pesquisa de qualidade E a universidade brasileira não está fazendo isso (não estava à época e não está agora. Se você acha que os departamentos de Física e Informática da UFPE são grandes coisas por causa das avaliações 6 e 7 da CAPES você está simplesmente fora da realidade. Quantos alunos de Harvard vão estudar Física ou Informática na UFPE por causa da alta qualidade do que se faz lá?). A sua solução, parece-me, é gastar mais dinheiro público na universidade. A minha, e eu acho que era a do PR também, é dar um freio de arrumação e ver se faz sentido pôr mais grana num troço que não está funcionando muito bem, até porque o Estado brasileiro tem muitos outros lugares onde precisa pôr dinheiro (educação básica, o que ajudaria a atingir os seus tão decantados objetivos de melhoria de distribuição de renda, é um exemplo) E não tem muito dinheiro sobrando (aliás, o dinheiro está faltando: o Estado brasileiro gasta mais que arrecada). Esse é o dilema que as pessoas que não gostam da corrente principal da teoria econômica não conseguem entender, por algum motivo esotérico que me escapa: o Estado tem uma restrição orçamentária, e se tentar fugir dela vai gerar ou inflação ou dívida pública. E não faz muito sentido ter 25 universidades com pretensão a fazer pesquisa em alto nível se não se tem, por exemplo, saneamento básico. Sobre o desenvolvimento chinês, eu acho que o ponto é justamente saber o que iniciou o processo que permite aos chineses ditar regras HOJE. Eu acho que foi oferta de mão de obra barata e bem treinada, até porque a renda per capita deles já é baixa hoje, imagine então no começo dos anos 90…
          Sobre o enriquecimento dos neoliberais malvados fdp do PSDB com a privatização, faça-me o favor: isso é simplesmente idiota. A idéia de que se vendeu patrimônio público a preço de banana no Brasil não resiste a um exercício elementar de teoria econômica. SE o preço estava tão baixo, ENTÃO alguém deveria ter oferecido um preço um pouco maior e feito um excelente negócio. Ademais, mercado financeiro é um troço que paga muito bem, e se você é tão viajado quanto diz que é, deve conhecer gente que enriqueceu no mercado financeiro em outro países. Eu não sou tão sofisticado quanto você, e conheço.
          Sobre as ações de políticas que levaram ao desenvolvimento: isso depende bastante dos livros que se lê. Os esquerdistas como você acham que a corrente principal da teoria econômica não faz estudos históricos, aí lêem a história escrita pelos campineiros daqui e do resto do mundo e acham que aquilo é o que aconteceu. Outros livros dizem outras coisas (a diferença é que usam teorias logicamente consistente e buscam fundamentação empírica).
          Sobre meu anonimato: sou agente da CIA e trabalho infiltrado na internet, propagando idéias neoliberais malvadas fdp que farão com que o Brasil se sujeite à gloriosa América (do Norte, claro). Por motivos óbvios, não posso me revelar.
          p.s.: Fiquei curioso com seu professor que bebe leite todo dia… ele entrega, isto é, produz conhecimento do mesmo nível que as pessoas a quem ele se ombreia? Ou é só papo?

        • pois é… eu não acho que vc é um agente da cia. mas acho sinceramente que um bom liberal como vc devia respeitar a constituição, que, ao mesmo tempo que protege a livre manifestação de idéias, veda o anonimato. Mas bem, como não sou fiscal da lei, deixa pra lá.

          Eu continuaria insistindo em exemplos de países que conseguiram subir sua renda per capita. Temos o exemplo de países asiáticos e de alguns países escandinavos que tinham, a rigor, rendas per capitas muito baixas até meados no começo do século XX. Esses países tiveram alguma ajuda, externa ou da natureza, mas fizeram o dever de casa e investiram em ciência e tecnologia. Outros países como espanha, grécia e chile, (alguns deles os quais tiveram tb uma boa dose de ajuda externa) investiram na qualificação de mão de obra, mas esqueceram o investimento em tecnologia e inovação. qual o resultado? Hoje são economias extremamente frágeis, com alta exposição extrema dificuldade em lidar com crises externas. Além de terem altos índices de desemprego ou altíssima desigualdade (como é o caso do chile).

          Eu sinceramente gostaria que vc me explicasse como é que países que fazem tudo ao contrário do que diz o milton friedman, hoje, tem economias das mais estáveis, fortes e confiáveis. Falo em alemanha, dinamarca, suécia, finlândia e noruega. Enquanto isso, a crise espreita o reino unido tatcheriano (que se desindustrializou fortemente e hoje está para aprovar pacotes fortíssimos de cortes de gastos públicos que vão ter tremendas conseqüências para o bem-estar de sua população) e os estados unidos reageano, onde títulos já são mais arriscados que os brasileiros, porque eles tiveram que salvar os bancos que andaram brincando com fogo para gerar altíssimos bônus para seus “executivos do mercado financeiro”.

          A pergunta é, se o plano friedman é tão bom, porque a tendência é a de que a qualidade de vida na inglaterra caia e a qualidade de vida em outros países altamente keynesianos e intervencionistas tende a permanecer estável e melhorar? Bem-estar é uma coisa ruim para os neoclássicos?

          Pois é… eu andei viajando bastante sim nos últimos anos. Morei um ano na fronteira com a dinamarca. Vi poucos lugares na minha vida tão ricos e organizados, com um povo tão educado. Quando estive nos EUA, tive uma impressão diferente. há, de uma lado, uma riqueza absurda, e de outro uma qualidade de vida, sobretudo na periferia de cidades como boston, que não deixa nada a dever a nossas piores favelas. Isso leva inclusive a um alto sentimento de insegurança, algo que conhecemos bem em nossas cidades. Eu não sei… eu acho mais confortável morar na em um lugar seguro e onde as pessoas se respeitam. Mas essa é só a minha impressão. Quem sabe as pesquisas empíricas digam que é melhor para a economia que pessoas se matem e um percentual da população viva à beira da miséria… mas então fica a pergunta, pra que danado serve a economia?

        • Em um país onde o próprio STF desrespeita a Constituição (ver definição de casamento, onde estava escrito que era entre homem e mulher e que foi largamente reinterpretada pelos doutos), vou continuar anônimo…
          Bom, se você tem interesse em debater o assunto a sério, é bom abandonar a figura do “espantalho”. Você fez aí uma caricatura do economista-neoclássico-neoliberal-malvado-fdp, que você está chamando de Milton Friedman, e está argumentando com ele, não comigo ou com a comunidade de economistas que segue a corrente principal (os tais neoclássicos). Dentro dessa comunidade, Friedman está passé, principalmente no que diz respeito a desenvolvimento econômico. Eu diria mais: há, na profissão, a preocupação de discutir medidas concretas e não generalidades do tipo “o Estado é melhor que o mercado”, ou vice-versa. Não tem essa de “o que diz o Friedman”. Quer ver o atual estado da discussão sobre crescimento econômico (ou seja, o que diz a comunidade de economistas), dá uma olhada no Economic Growth, de Barro e Sala-i-Martin, ou no Introduction to Modern Economic Growth, do Acemoglu, ou no Handbook of Development Economics. Num nível básico, dá uma olhada num livro de macro de graduação, o Blanchard, o Mankiw ou o de crescimento de Jones. Ali estão os argumentos da profissão, não no espantalho inventado para melhor servir de objeto de ataque.
          Dois, você tem aí a sua versão da história que, se eu entendi bem, é: os países asiáticos e escandinavos que investiram em ciência e tecnologia se deram bem, e os paíse que seguiram a receita do Milton Friedman (qual é mesmo?) se deram mal. Eu acho que é um pouco mais complicado. Em primeiro lugar, eu diria que há uma influência da história e da geografia nas alternativas de desenvolvimento que se apresentam para cada país. O que serviu para a Suécia na Europa do século XX (segundo você) não é necessariamente o que serviu para os EUA no século XIX ou vai servir para o Brasil no século XXI (outro país, outro clima, outra história de formação, outro tamanho de população, outras condições da economia mundial etc. etc.). Em segundo lugar, essa sua história de Escandinávia e Alemanha dinâmicas e EUA/Inglaterra caindo pelas tabelas é coisa do pós-crise de 2008. Durante os anos 90, o panorama era EUA/Inglaterra crescendo e com desemprego baixo e Europa estagnada e com desemprego alto. Nos anos 80, Japão como caso de sucesso (depois flopou). O último World Economic Outlook traz dados de crescimento para 93-02 onde a Inglaterrra cresce mais que a Alemanha e a Suécia, e a Irlanda mais que todos (inclusive a Coréia). Em terceiro lugar, investir em ciência e tecnologia não quer dizer ter 25 universidades federais onde os professores ganham dez mil por mês e NENHUMA está entre as 100 melhores do mundo em qualquer critério que não seja o salário dos professores comparado ao da média da população. Isso num país que não tem saneamento básico e onde mais da metade da população é analfabeta funcional. Em quarto lugar, o Brasil fez mais ou menos isso aí que você está falando (substituição de importações, busca de industrialização e de desenvolvimento tecnológico autóctone) entre 1930 e 1994, e terminou do jeito que terminou: inflação, concentração de renda, concentração da atividade econômica e empresas ineficientes (o lado bom é que nossa taxa de crescimento, pelo menos até os anos 80, só foi menor que a do Japão). Em quinto lugar (você não disse isso, mas sinto o cheiro dessa crença nas suas postagens), desenvolver-se e industrializar-se não é sempre a mesma coisa: isso é um preconceito da CEPAL, cujas idéias, IMHO, foram rejeitadas pela realidade e pela China. Enquanto a CEPAL achava que o sujeito que exportava produtos agrícolas ia se dar mal vis-a vis o que exportava produtos industriais, porque a concorrência ia ser mais acirrada, os chineses mostraram que é muito mais fácil mudar de lugar a fábrica que a terra e o clima.
          Por fim, eu diria que a Economia serve para pensar sobre alguns problemas com o auxílio de um método que se revelou frutífero o suficiente para que ela invada outras áreas, como a Sociologia e a Ciência Política. Serve porque algumas noções básicas, como a de restrição orçamentária, apesar de parecerem óbvias a quem estuda a disciplina, parecem não ser de compreensão tão natural, porque ignoradas por muita gente boa (o principal problema da Saúde brasileira, por exemplo, é conceitual. Prometeu-se um sistema de cobertura universal para todos, coisa que os países ricos não conseguem fazer, sem se perguntar se isso cabe no PIB. O resultado é que o nosso sistema, perfeito no papel, tem um sistema de racionamento implacável na realidade: a fila).
          Vou encerrar minha participação com este post, tenho alguns problemas pra resolver. Um abraço, e foi um prazer.

        • Esqueci: que eu saiba, o Chile está pra entrar na OCDE (nós não…). Se eu pudesse escolher nascer de novo em um outro país, mas não pudesse escolher minha renda, entre o Chile e o Brasil eu escolhia o Chile. Você?

        • o chile já entrou para a OECD (está em período de testes). O méxico já entrou completamente. A turquia tb… O brasil já foi convidado, mas prefere não entrar, não quer ter a obrigação de compartilhar os dados exigidos pela organização. e tá certo em fazê-lo.
          Bem, o chile é um dos países mais desiguais do mundo.

          Mas no final, acho que vc não se dá conta de um fato simplório. Não sei de onde vc é… Mas certamente dependeu pra poder estar falando de modo tão comovente sobre os ganhos da teoria econômica neoclássica, desses professores vagabundos que vc acusa. Sabe o que é uma contradição performativa?

          O brasil tem hoje cientistas, sim, em condições de debater com qualquer outro do mundo. Esses rankings de que vc fala são a maior furada. A Alemanha é um país que tem uma renda per capita de 36,000 dólares (PPP). Um país que tem uma balança externa superavitária há décadas, um país com indústrias e serviços fortes etc, com um estado social forte que dá segurança e liberdade a seus cidadãos… (aliás, não queira comparar a dinâmica econômica do reino unido à da alemanha, é como comparar a economia do chile à economia do brasil, que com todos os problemas tem indústrias, empresas, algum capital e marcas). Bem, a Alemanha não tem praticamente nenhuma (uma ou duas) unviersidade bem colocadas nesses rankings (sejam eles esses rankings chineses ou americanos). A melhor fica lá atrás, no quinquagésimo lugar. Apesar disso, eles tem uma ótima universidade extremamente influente em quase todas as áreas. E continuam investindo fortunas na universidade, formam milhares de doutores todos os anos.

          Esse era exatamente o mal do povo do PSDB, foram estudar nos EUA e achavam que o mundo se resumia àquele país e ao reino unido. O reino unido é um país dependente dos americanos. E não entra na união européia para não ser engolido pela economia alemã. Alem disso, em londres vc vê surgir coisas que na alemanha por exemplo são impensáveis: pobreza, guetos, bairros violentos etc… Tudo isso porque o estado social vem sendo desmontado seguidamente nos últimos anos… E as perspectivas são as piores possíveis para o reino unido: mais cortes para serviços públicos, menos direitos… tudo isso que vc acha cool.

          No mais, a verdade é que esses rankings de universidades para os quais vc dá tanto valor são feitos pelos americanos para os americanos. Eu, sinceramente, até gosto dos gringos. eles são boa gente e tem muita gente boa por lá… mas, sinceramente, ficar deslumbrado com o modelo de universidade deles é uma bobagem: esses rankings são feitos para que gente como vc acredite que harvard é a melhor, isso gera exatamente um efeito de feedback (é a self-fullfilling prophecy), vc acredita, paga, eles, com seu dinheiro, preenchem os critérios, que eles mesmos criaram para o ranking em que vc acredita. O que os chineses fizeram? criaram seus própris rankings e vão com o tempo adequar os rankings a seus padrões de pesquisa. A piada é vc achar que esses rankings são a verdade entregue por deus.

          Aliás, com isso, voltamos à sua contradição performativa. Vc acha que a universidade não vale nada… mas como é que vc pode se achar tão sabido? Digamos que vc seja um garoto prodígio que lia em inglês, alemão e francês desde o colégio e não precisou da universidade… Ainda assim, no colégio vc tinha professores que foram formados em universidades, as mesmas que vc despreza… sabe qual é o furo no seu raciocínio? se vc diz que as universidades são caras e não prestam pra nada, vc começa por dizer que o que vc mesmo está dizendo é pouco crível… Vc afinal de contas é o resultado (direto ou indireto) de uma universidade ruim… Bem, então é melhor vc se satisfazer com o fato de que vem que de uma universidade medíocre e deixar esses debates para quem foi para uma boa universidade…

          Se vc diz que a economia é uma “ciência” cujo método é recebido por outras, eu diria que a economia, hoje, recebe novamente grande influência da sociologia e da teoria política. Há um claro renascimento de Polanyi também na teoria econômica. Eu já vi diversos papers tratando disso (inclusive em instituições de ponta, como vc gosta, tal qual o Max Planck…) Aliás, na law and economics, o próprio povo de chicago já está há algum tempo revisando todas as baboseiras que tinham feito sobre teoria do desenvolvimento. O banco mundial passa por uma forte crise de credibilidade metodológica. E, hoje, na teoria do direito, resta claro que “desenvolvimento” nacional não pode depender apenas de dinâmicas naiconais, senão tem uma relação direta com regulações transnacionais que possam enfrentar mecanismos estruturais de manutenção de assimetrias globais.

          As assimetrias aliás são difíceis de ser vencidas porque elas se materializam em uma retórica da “modernização” que se reflete bem em discursos feito o seu. Elas se baseiam em premissas que se demonstraram falsas a cada “giro metológico”: 1) existe um caminho para o desenvolvimento que passa pelo crescimento econômico com industrialização. 2) desregulamentação e garantia para os contratos privados geram atração de investimentos; 3) um ambiente de estabilidade econômica gera crescimento.
          Essas premissas se mostraram uma a uma falsa, porque elas não tocaram no principal: relações assimétricas que sempre se reproduzem de uma forma nova e não podem ser objeto de regulação nacional.

          Mas bem, para que isso possa se tornar objeto de reflexão, politização e enfrentamento, como hoje parece ser o caso, com um claro desafio às políticas do banco mundial, do FMI e dos economistas neoclássicos norte-americanos, foi preciso que houvesse a emergência de uma nova elite burocrática que não fosse programada para receber “sem-pensar” o pensamento dos grandes centros emanadores de saber do top de seus rankings…

          Sinceramente, acho que esse processo começou já na década de 1960, mas se generalizou nas últimas décadas. Isso é visível na forma como eram inseridos pesquisadores do “sul” nas universidades européias e americanas na década de 1980 e hoje. Há duas décadas, vinham para a europa e EUA cientistas com mais de 30 anos, quereno garantir um “lugar” na universidade quando voltasse. Eles vinham, decoravam um bocado de “conhecimento” e voltavam pra lá onde não mais produziriam nada, senão repetiriam o que aprenderam. Hoje existe clara transofmração nesse processo. Com a expanção das pós-graduações no brasil, eu não tenho garantia nenhuma que terei emprego. Eu vim muito mais novo pra europa do que se vinha no passado e para ter alguma chance “na ciência” tenho que me matar de publicar tanto no brasil como no exterior. fora isso, não vim pra cá pra “aprender o saber sagrado”, senão me adequei ao seu sistema “de rankings”, mas tenho claras condições de concorrer com os alemães: tenho chances de ficar aqui, de ir para outro país ou de voltar para o brasil, porque tenho produzido razoavelmente. Isso seria impossível no passado. eu devo isso completamente à universidade que vc diz que é ruim. Vc poderia achar que isso se deve ao indivíduo. Eu acho que isso é simplesmente uma bobagem, porque o indivíduo depende de estruturas até mesmo para aprender a ler, sobretudo pra ler e escrever em línguas estrangeiras e entender o mundo de modo parecido com o resto do sistema científico.

          Aliás, brasileiros produzem cada vez mais trabalhos de qualidade, o que era um fato raríssimo há 20 ou 30 anos. E diria que não só pesquisa de qualidade, senão pensamento que interesse a questões que NÃO são exatamente aquelas que interessam à europa e aos EUA.

          Aliás, o “pensamento pós-colonial” (com todas as críticas que possamos fazer) se torna fonte de reflexão em todas as áreas. E ele é apenas o resultado do fato de que, no main stream das ciências sociais (inclusive da economia, que é uma ciência social e nada mais), os padrões do atlântico norte já não são mais um “dado da natureza”. E justo agora vc acha que o brasil deve esquecer a universidade… Ou seja, seu erro é não só de economia e de método, seu erro é de estratégia geopolítica tb…

          Quanto à economia neoclássica, seu problema é que ela não leu críticas básicas ao positivismo, que a teoria do conhecimento já conhecia desde o final do século XIX. É incrível como ela se coloca agora questões que eram obviedades para qualquer filósofo mediano da ciência já no começo do século XX. Aliás, eu me divirto ao ler alguns papers em que se discute sobre embeddness, ou todas as discussões sobre o papel de externalidades na teoria da escolha racional… É como se a economia se desse conta, aos poucos, por seus próprios meios, que ideologia é algo próprio da comunicação, e que a verdade econômica sempre reproduz alguma coisa mais além do que “conhecimento científico”. Meu caro, a arrogância e ao mesmo tempo a burrice dos economistas reside exatamente em acreditarem que existe uma “verdade econômica” independente de interesses ou de estruturas que dão forma à própria “produção da verdade científica”. Essa lição que vem de Marx, mas que passa por toda a tradição ocidental, é tratada como conversa pra boi dormir… A crise surge quando os próprios economistas começam a colocar em xeque as próprias premissas. Tudo poderia ser evitado se lembrassem que economia parte de premissas bem concretas que não podem ser provadas matematicamente nem a pau e que se baseiam, em última análise, em formas morais e políticas de ver o mundo. O problema é que quando se esquece que todo o mecanismo de raciocínio depende dessas premissas e se deixa construir um aparato matemático como se economia fosse uma questão de verdade, o cálculo pode estar certo, mas ele vai enfrentar uma realidade que pode não ser exatamente aquela das premissas morais e políticas que foram compradas no início do raciocínio sem nenhuma capacidade de auto-crítica.

        • esqueci de dizer que não vou dizer nada sobre o seu comentário acerca da decisão do STF.

          Vc parece pensar como o juiz sabido lá de goiânia: existe uma constituição dada por deus, que cabe ao supremo interpretar…

          cabe a vc votar no bolsonaro pra presidente, pra que ele indique pastores e bispos para o supremo.

        • caríssimo observador…

          o que vc conta acima é bem chato… ainda mais chato, porque metade do seu texto é uma colagem do que eu disse. O que eu digo é chato. mas repetido, é ainda mais. sobretudo porque, ao ler sua resposta, eu tenho a impressão de que já conheço de algum lugar.

          Bem, sobre o que eu acho sobre a relação entre direito e desenvolvimento e o “law and economics” vc vai ter que ler minha tese. é mais fácil, do que eu ler a sua, dado que não sei nem seu nome… Ela tera o nome a seguir e será publicada em algum momento de 2012 ou 2013 na alemanha (em algum momento futuro irei traduzir para o portugues ou inglês): Demokratische Kausalität: Die Globalverfassung und das Politische der Weltgesellschaft. é só procurar, e se quiser comprar para estimular a má ciência nacional será um grande prazer.

          No mais, preciso dizer, vc não me convenceu da desimportância da universidade para o desenvolvimento de países pobres e periféricos como o brasil.

          Ainda muito menos estou convencido da importância de paulo renato, aquele marginal, para a história da educação brasileira. Posso sempre me convencer do contrário. Sou, sim, um cara bastante aberto para aprender e sempre muito disposto a ouvir. Mas, sinceramente, vc não conseguiu me convencer de que a universidade deve ser esquecida em prol de um desenvolvimento baseado na manutenção de privilégios daqueles que podem pagar por educação superior privada para seguir cagando regras nesse país.

          Vc certamente é mais uma dessas pessoas que desprezam lula por ele não ter estudado e falar errado. Bem… Eu gostaria de dizer que, embora eu possa falar e escrever, fluentemente, em 4 línguas estrangeiras, eu me acho uma pessoa infinitamente mais estúpida que meu querido ex-presidente luiz ignácio lula da silva… Ele é sem dúvida o melhor presidente que o brasil já teve e uma das pessoas mais inteligentes que já tive o prazer de ouvir e ler. Como todos nós sabemos, a historiografia brasileira já reconhece sua importância mesmo antes dele morrer e, cá pra nós, sabemos que sua importância só vai crescer com o tempo. A verdade é que Lula mudou a semântica brasileira. Hoje, ser brasileiro, mestiço, falar brasileiro e gostar de pagode e futebol (olhe que nem sou lá fã das duas coisas) se tornaram algo a ser bem visto e não uma coisa de gente pobre sem educação…

          Inclusão, meu caro, inclusive no nível da semântica, é a primeira coisa que um país, e o mundo!, precisam ter, para poder gerar mais crescimento. Porque apenas quando todos podem ser livres para fazer escolhas, podemos ter uma economia, um direito, uma ciência e uma educação livres.

          no mais, um grande abraço pra vc. embora vc seja pouco corajoso para dizer quem é, eu permaneço sempre disposto a um bom debate… Por ora, porém, bastou… ando bem ocupado nas próximas semanas.

          p.

      • Não força, doutor, e não recorra a espantalhos para debater (Bolsonaro e etc.). Isso é coisa de movimento estudantil, e já passamos dessa fase (eu, pelo menos…), não? Há uma constituição democraticamente votada e ela diz que união estável é entre homem e mulher. Se você não gosta disso e quer alterar a constituição, tudo bem, tem o meu apoio. Mas não dá pra “reinterpretar” com base no que você acha que a “vanguarda da sociedade” quer, CONTRA A LETRA DA CONSTITUIÇÃO, porque senão amanhã podem decidir contra a letra da constituição outras coisas, que você talvez não goste. É simples assim. A outra mensagem está muito grande e eu estou com preguiça de ler, mas eu sugeriria se preocupar mais com a qualidade do argumento e menos com a sua adjetivação (os caras realmente bons apontam o erro do seu argumento e não se preocupam em classificá-lo em “contradições performativas” e que tais). Dizer que a universidade brasileira deixa muito a desejar não significa que não possam sair dela pessoas capazes de trabalhar em alto nível. Se você, por exemplo, consegue publicar nos journals de primeira linha da sua área, parabéns pra você. Em economia, dois ou três departamentos no Brasil têm professores que fazem isso. Ah, manda uma referência dessa reavaliação do Polanyi e dessa clara influência de sociologia e ciência política em qualquer manual de teoria econômica, por favor. Que eu saiba, o que ocorre é o contrário: cientistas políticos usando teoria dos jogos e teoria da escolha racional e análise econômica de assuntos que estavam no âmbito da sociologia (crime, decisão de ter filhos, discriminação racial, etc. etc.)

        • corrigindo: têm uma maioria de professores que fazem isso.

        • Esqueci: até onde eu estou informado, o Chile é menos desigual que o Brasil.

        • Outra: se os rankings americanos não prestam, e os rankings chineses é que são bons, e Harvard não é lá essas coisas, quais são as melhores universidades do mundo nos rankings dos chineses?

        • Observador, vc levou uma surra intelectual nessa discussão.

        • Você acha? Vou me suicidar…

        • Sobre o Chile, é bom lembrar que o IDH do Chile é melhor que o do Brasil; aliás é o melhor da América Latina. É claro que você pode achar que as estatísticas não prestam quando não chancelam a sua opinião. De qualquer jeito, eu te perguntei e você não respondeu: se você pudesse nascer de novo e escolher em que país você ia nascer, mas não a renda dos seus pais, você preferiria nascer no Chile ou no Brasil? Eu escolheria o Chile. Acho que um garoto que nasce pobre no Chile tem mais chance de se dar bem do que um que nasce no Brasil. Que, até onde eu sei, é mais desigual que o Chile.
          Sobre a universidade brasileira, o Brasil tem cientistas em condições de debater com qualquer outro do mundo desde César Lattes. E daí? A(s) pergunta(s) é (são): a atual estrutura de ciência e tecnologia do Brasil, com suas (25? 30?) universidades federais, todas com professores ganhando seus dez mil reais por mês e aposentadoria integral, é a melhor possível em um país que não tem saneamento básico e tem alto nível de analfabetismo funcional? É o melhor jeito de gastar o dinheiro público que, repito, não está sobrando? Esse pessoal está entregando o quê? Cadê as patentes, as publicações em journals internacionais de bom nível, os prêmios Nobel (a Argentina tem…)? Será que é possível gastar menos com C & T e obter melhores resultados com outro arranjo?
          Sobre rankings, você realmente acha que tem um monte de estrangeiros fazendo doutorado em Harvard e nenhum na UFPE porque a propaganda dos americanos é melhor? Que todo mundo, à exceção de você, é otário e aceita o que quer que os americanos publiquem, sem considerar a metodologia? Você, por acaso, foi aceito em Harvard e declinou para ir à Alemanha? Aliás, você acha que conseguiria emprego mais fácil na sua universidade, vindo de Harvard, ou em Harvard, vindo de sua universidade? Em Economia, qualquer um que não seja esquizofrênico, tenha cegueira ideológica ou esteja fora da realidade na área escolheria Harvard (e Stanford, e Chicago, e o MIT, e a LSE), sobre QUALQUER universidade alemã (que dirá brasileira), se pudesse escolher entre elas, e não porque acreditem que estudar nesses lugares aumente o tamanho do pinto, mas porque lá estão os caras que estão desenvolvendo a ciência (comprovado pelos livros e papers publicados). Aliás, não entendi o que tem a renda per capita da Alemanha com o fato de a melhor universidade deles está em 50º lugar. Desde quando uma coisa exclui a outra? Ou você está dizendo que, porque VOCÊ acha que, para se desenvolver, um país tem que ter universidades fortes, o fato da Alemanha ser desenvolvida e ter universidades mal ranqueadas significa que os rankings estão errados? Ou que as pessoas devem considerar que sua opinião sobre a qualidade da universidade alemã é mais confiável que os rankings?
          Sobre Inglaterra e Alemanha: que eu saiba, a Inglaterra está mais perto da Alemanha que o Brasil da Inglaterra… os alemães têm renda per capita de 36000 dólares? A dos ingleses é um pouco menor, 34920 (numa tabela do FMI onde a dos alemães é 36033). O estado de bem-estar alemão assegura condições de vida melhores que as dos ingleses? Legal, mas isso é sustentável? Entre 93-02, a Inglaterra cresceu mais que a Alemanha, e entre 2003-10 também (World Economic Outlook, cálculos meus para o período 2003-10). Tenho certeza que seus estudos de Economia o familiarizaram com o argumento de que a concessão de benefícios sociais altera a dinâmica da economia de forma a, talvez, reduzir seu potencial de crescimento e, assim, a capacidade de fornecer benefícios sociais. Isso está correto e é o que vai acontecer na Alemanha? Não sei, mas parece que o governo lá acha que sim, porque estão dando uma apertada no Welfare State, não?
          Sobre a “contradição performativa”, desculpe, mas você está sofismando. O fato do sujeito estudar numa universidade ruim não impede que ele tenha uma boa formação e seja capaz de discutir em igualdade de condições com um sujeito que estudou numa universidade boa, porque a universidade (e a escola) não são os únicos meios de se adquirir conhecimento. Que a formação do estudante brasileiro é inferior à dos seus colegas da OCDE, basta ver em comparações internacionais como o PISA.
          Sobre economia: primeiro, estou esperando que você me dê referências do renascimento de Polany, o que eu conheço é o contrário. Segundo, eu achava que Law and economics tratava de… law and economics, não sobre economia do desenvolvimento. Para saber quais as opiniões da profissão sobre desenvolvimento econômico, procure os livros que eu citei antes. Mas fiquei curioso em saber quais são as baboseiras sobre desenvolvimento ditas pela turma de Law and economics de Chicago, se você puder citá-las e mostrar por que são baboseiras… já o que a teoria do direito tem a dizer sobre o desenvolvimento nacional é um tanto irrelevante, não? O que os teóricos do direito sabem desse assunto? É o que está nos parágrafos abaixo? Pra mim, é um exemplo de verborragia sem significado, o famoso “se espremer, não sai nada”.
          “E, hoje, na teoria do direito, resta claro que “desenvolvimento” nacional não pode depender apenas de dinâmicas naiconais, senão tem uma relação direta com regulações transnacionais que possam enfrentar mecanismos estruturais de manutenção de assimetrias globais.
          As assimetrias aliás são difíceis de ser vencidas porque elas se materializam em uma retórica da “modernização” que se reflete bem em discursos feito o seu. Elas se baseiam em premissas que se demonstraram falsas a cada “giro metológico”: 1) existe um caminho para o desenvolvimento que passa pelo crescimento econômico com industrialização. 2) desregulamentação e garantia para os contratos privados geram atração de investimentos; 3) um ambiente de estabilidade econômica gera crescimento.
          Essas premissas se mostraram uma a uma falsa, porque elas não tocaram no principal: relações assimétricas que sempre se reproduzem de uma forma nova e não podem ser objeto de regulação nacional.”

          Mas bem, para que isso possa se tornar objeto de reflexão, politização e enfrentamento, como hoje parece ser o caso, com um claro desafio às políticas do banco mundial, do FMI e dos economistas neoclássicos norte-americanos, foi preciso que houvesse a emergência de uma nova elite burocrática que não fosse programada para receber “sem-pensar” o pensamento dos grandes centros emanadores de saber do top de seus rankings…

          Sinceramente, acho que esse processo começou já na década de 1960, mas se generalizou nas últimas décadas. Isso é visível na forma como eram inseridos pesquisadores do “sul” nas universidades européias e americanas na década de 1980 e hoje. Há duas décadas, vinham para a europa e EUA cientistas com mais de 30 anos, quereno garantir um “lugar” na universidade quando voltasse. Eles vinham, decoravam um bocado de “conhecimento” e voltavam pra lá onde não mais produziriam nada, senão repetiriam o que aprenderam. Hoje existe clara transofmração nesse processo. Com a expanção das pós-graduações no brasil, eu não tenho garantia nenhuma que terei emprego. Eu vim muito mais novo pra europa do que se vinha no passado e para ter alguma chance “na ciência” tenho que me matar de publicar tanto no brasil como no exterior. fora isso, não vim pra cá pra “aprender o saber sagrado”, senão me adequei ao seu sistema “de rankings”, mas tenho claras condições de concorrer com os alemães: tenho chances de ficar aqui, de ir para outro país ou de voltar para o brasil, porque tenho produzido razoavelmente. Isso seria impossível no passado. eu devo isso completamente à universidade que vc diz que é ruim. Vc poderia achar que isso se deve ao indivíduo. Eu acho que isso é simplesmente uma bobagem, porque o indivíduo depende de estruturas até mesmo para aprender a ler, sobretudo pra ler e escrever em línguas estrangeiras e entender o mundo de modo parecido com o resto do sistema científico.
          Suas impressões sobre a transformação da vida universitária nacional significam, na minha opinião, que ela melhorou. Hoje em dia você tem que fazer doutorado ANTES de entrar na universidade, e está se instalando a cultura do “publique ou pereça”. Eu acho que essa era a idéia de quem estruturou o nosso sistema universitário (Eduardo Portela, acho). Valem as perguntas lá em cima: é o jeito mais eficiente de gastar dinheiro público escasso? Essa é a questão, e não a “estratégia geopolítica”.
          As suas críticas à economia são repetidas por pessoas que não estudam economia desde que eu entrei na faculdade (mais de vinte anos atrás…). O tratamento das externalidades pela teoria da escolha racional, por exemplo, está nos livros de graduação (ver livro do Varian). Eu diria que a profissão acredita que uma teoria não pode ser logicamente inconsistente e nem ser desmentida pelos fatos (testes a que Marx não sobreviveu…) e que grande parte da ideologia é destruída nesse processo e na conversa franca e aberta entre as pessoas que estão discutindo o assunto. Para saber mais sobre o assunto, ler Marcos Lisboa: A Miséria da Crítica Heterodoxa, partes 1 e 2. Está na Revista de Economia Contemporânea, da UFRJ.

    • Fui aluna da UFPE nesse período PR… meu Deus! mais da metade dos meus professores era substituto. Fazíamos nossos planejamentos de vida já contando com a greve… (e eu amarguei 300 dias não consecutivos de greve em todo curso). Os docentes que estavam por lá, ficavam muito mais preocupados com a aposentadoria ou com o Pós doc que iriram fazer fora do pais…. Foi um período negro!

  • TODOS os políticos tem um “DARK SIDE”.

    Ou vai dizer que essas belezas que estão no poder hoje em dia são santos?

    Se for cavar a vida (inclusive pessoal) dessa turma, não se salva um.

    Vide o exemplo do ex-vice-presidente. Um cara que era tido com um Deus acima do bem e do mal, um exemplo de ética, trabalho, seriedade e moralidade, e, de repente, até filho fora do casamento apareceu. E o cara ainda disse que um dia todo mundo já comeu uma puta.

    O que a vida nos ensina é o seguinte: TODO MUNDO tem alguma rasura na biografia. Grande ou pequena, TODOS tem. Eu tenho, você tem, ele tem, nós temos.

    É só procurar que acha. Pode estar muito bem escondida, mas termina aparecendo. Não adianta vir com essa história de “acima de qualquer suspeita”.

    E o pior: geralmente os mais metidos a “santos” e moralistas são os piores, por que usam o discurso moralista pra esconder o próprio “dark side”. É até uma forma de defesa. Defendem-se atacando.

    Não tem esse papo que rico e intelectual é bonzinho e pobre é ruim e sempre tem a ficha suja.

    Até professor de universidade federal com pós-pós-pós-pós-doutorado na lua que adora passar lição de moral nos alunos aparece envolvido em escândalos sexuais.

    Até o papa foi acusado de envolvimento com pedofilia e homossexualismo (que a igreja condena tanto). Do jeito que as coisas estão hoje, não me espantaria se aparecesse uma denúncia dizendo que, no passado, o papa foi proprietário de clube de orgia e financiava tráfico de drogas.

    Por que que os reles mortais não podem ter uma maculazinha na biografia?

    • existem máculas pessoais e máculas que fazem populações inteiras sofrerem, como a de Paulo renato…

    • Maculas pessoais, como filhos fora do casamento, pertencem somente à esfera privada (salvo se o cara ganha votos na base do moralismo). Máculas na Administracao Pública devem ser tornadas públicas.

      O cara pode ter serviços prestados (ENEM, FUNDEF), pode ter enfrentado corporativismos, mas tambem deve ser criticado, por todas as questoes levantadas no texto.

      Morreu, virou santo é? Engraçado como a midia favorecida pelo proprio PR o trata nesse momento.

  • Só falta o Martins entrar agora e dizer que é tudo mentira, que quem é PT é limpo feito bunda de bebê, afinal de contas, será que o Martins já fez 12 anos ? Pois ele utiliza colocações tão absurdamente infantis que eu me recuso a aceitar que ele seja realmente um adulto, deve ser auguma criança, filho de algum xiita do PT.

    • KKKKKK!!!!!!

  • É, meu caro contribuinte, seu dinheiro não será poupado!
    Esse texto descreve, de maneira um pouco branda, o politico brasileiro…

  • Tanto o PT quando o PSDB se lambuzaram com o poder. É verdade que o PT foi mais imoral, não pelo volume de corrupção, mas pela pregação de partido ético e puro.

    Sobre PR, não gosto de falar dos mortos. Que Deus o tenha!!

    • “Tanto o PT quando o PSDB se lambuzaram com o poder. É verdade que o PT foi mais imoral, não pelo volume de corrupção, mas pela pregação de partido ético e puro.

      Sobre PR, não gosto de falar dos mortos. Que Deus o tenha!!”

      • E se o morto fosse do PT?

  • Raboni, você está dizendo que tal e tal político é incompetente e corrupto? No Brasil? Minha nossa, que furo!

    • Na falta de outro “tema relevante”, vamos empurrar o bebado ladeira à baixo.
      O cara está morto mesmo né?

      Enquanto vivo nenhuma alma ousou “escrever o mais esclarecedor texto que li sobre………
      A hora é essa…..

      • Eliane Catanhede, escreveu elogiando Paulo Renato.

        Só faltou dizer ter sido ele o melhor Ministro da Educação do Brasil.

        Fora Catanhede, muitos escreveram antes dele morrer mostrando o mal que fez ao pais e as suas falcatruas. Só que informações não sairiam no PIG.

  • No Brasil é assim : Morreu virou santo!!!!!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).