Juiz nega ação de jogador e diz que futebol é para macho

ago 6, 2007 by     13 Comentários    Postado em: Sala de Justiça

Do Consultor Jurídico

Não bastasse fracassar na sua empreitada judicial, o jogador são-paulino Richarlyson ainda teve de ouvir que futebol não é coisa para gay. Foi assim que o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, 9ª Vara Criminal de São Paulo, fundamentou a decisão em que nega prosseguimento à queixa-crime de Richarlyson contra o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Júnior.

A brincadeira agora pode render uma punição administrativa para Junqueira. Ele já foi afastado do processo, segundo decisão do juízo da própria 9ª Vara Criminal, por não ser o juiz natural. “Exarou a decisão de rejeição de queixa-crime porque era o único juiz da vara naquele dia, na licença-saúde da magistrada auxiliar”, diz o despacho.

Além de ser afastado, o juiz responde a processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça. O advogado de Richarlyson, Renato Salge, informa que ingressou com Reclamação no CNJ pedindo a punição do juiz por homofobia e intolerância. “O que discutimos na queixa-crime era se houve injúria por parte do diretor palmeirense, e não se Richarlyson é homossexual ou não”, disse. “O juiz decidiu com base no pensamento dele, e não na lei.”

Não deixa de ser curioso, contudo, o fato de o jogador e seu advogado acusarem o juiz de homofobia, mas processarem o diretor do Palmeiras na esfera criminal porque ele insinuou que Richarlyson seria gay.

A polêmica “Richarlyson é gay ou não” começou quando o jornal Agora São Paulo noticiou que um jogador de futebol estava negociando com o Fantástico, programa da TV Globo, para revelar no ar a sua homossexualidade. Em junho, durante o programa Debate Bola, da TV Record, José Cyrillo Júnior foi questionado se o tal jogador homossexual era do Palmeiras. Cyrillo se saiu com essa: “O Richarlyson quase foi do Palmeiras”.

Richarlyson se sentiu ofendido e foi à Justiça. Em uma sentença muito bem humorada, mas politicamente incorreta, o juiz Junqueira Filho afirmou toda a masculinidade do futebol e mostrou ao jogador são-paulino que a Justiça, nesse caso, não é a melhor alternativa. “Quem é ou foi boleiro sabe muito bem que estas infelizes colocações exigem réplica imediata, instantânea, mas diretamente entre o ofensor e o ofendido, num ‘tête-à-tête’.”

O juiz sugeriu o que o jogador poderia fazer. Se não fosse homossexual, o melhor seria ir ao mesmo programa de televisão dizer que era heterossexual. “Se fosse homossexual, poderia admiti-lo, ou até omiti-lo, ou silenciar a respeito. Nesta hipótese, porém, melhor seria que abandonasse os gramados.”

Para o juiz Junqueira, gramado não é lugar de homossexual. “Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual.” Não há ídolos de futebol que são gays, diz. E mais. Demonstrou a virilidade do esporte com o hino do Internacional de Porto Alegre: “Olhos onde surge o amanhã, radioso de luz, varonil, segue sua senda de vitórias”.

Junqueira ironizou a manifestação de um grupo gay da Bahia de que o futebol deveria ser aberto aos homossexuais. “Ora bolas, se a moda pega, logo teremos o sistema de cotas.” E completou: “Não que um jogador não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas forme o seu time e inicie uma federação. Agende jogos com quem prefira pelejar conta si”.

Leia a decisão

Processo nº 936-07

Conclusão

Em 5 de julho de 2007. faço estes autos conclusos ao Dr. Manoel Maximiano Junqueira Filho, MM. Juiz de Direito Titular da Nona Vara Criminal da Comarca da Capital.

Eu, Ana Maria R. Goto, Escrevente, digitei e subscrevi.

A presente Queixa-Crime não reúne condições de prosseguir.

Vou evitar um exame perfunctório, mesmo porque, é vedado constitucionalmente, na esteira do artigo 93, inciso IX, da Carta Magna.

1. Não vejo nenhum ataque do querelado ao querelante.

2. Em nenhum momento o querelado apontou o querelante como homossexual.

3. Se o tivesse rotulado de homossexual, o querelante poderia optar pelos seguintes caminhos:

3. A – Não sendo homossexual, a imputação não o atingiria e bastaria que, também ele, o querelante, comparecesse no mesmo programa televisivo e declarasse ser heterossexual e ponto final;

3. B – se fosse homossexual, poderia admiti-lo, ou até omitir, ou silenciar a respeito. Nesta hipótese, porém, melhor seria que abandonasse os gramados…

Quem é, ou foi BOLEIRO, sabe muito bem que estas infelizes colocações exigem réplica imediata, instantânea, mas diretamente entre o ofensor e o ofendido, num TÈTE-À TÈTE”.

Trazer o episódio à Justiça, outra coisa não é senão dar dimensão exagerada a um fato insignificante, se comparado à grandeza do futebol brasileiro.

Em Juízo haveria audiência de retratação, exceção da verdade, interrogatório, prova oral, para se saber se o querelado disse mesmo… e para se aquilatar se o querelante é, ou não…

4. O querelante trouxe, em arrimo documental, suposta manifestação do “GRUPO GAY”, da Bahia (folha 10) em conforto à posição do jogador. E também suposto pronunciamento publicado na Folha de São Paulo, de autoria do colunista Juca Kfouri (folha 7), batendo-se pela abertura, nas canchas, de atletas com opção sexual não de todo aceita.

5. Já que foi colocado, como lastro, este Juízo responde: futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Há hinos que consagram esta condição: “OLHOS ONDE SURGE O AMANHÃ, RADIOSO DE LUZ, VARONIL, SEGUE SUA SENDA DE VITÓRIAS…”.

6. Esta situação, incomum, do mundo moderno, precisa ser rebatida…

7. Quem se recorda da “COPA DO MUNDO DE 1970”, quem viu o escrete de ouro jogando (FÉLIX, CARLOS ALBERTO, BRITO, EVERALDO E PIAZA; CLODOALDO E GÉRSON; JAIRZINHO, PELÉ, TOSTÃO E RIVELINO), jamais conceberia um ídolo seu homossexual.

8. Quem presenciou grandes orquestras futebolísticas formadas: SEJAS, CLODOALDO, PELÉ E EDU, no Peixe: MANGA, FIGUEROA, FALCÃO E CAÇAPAVA, no Colorado; CARLOS, OSCAR, VANDERLEI, MARCO AURELIO E DICÁ, na Macaca, dentre inúmeros craques, não poderia sonhar em vivenciar um homossexual jogando futebol.

9. Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas, forme o seu time e inicie uma Federação. Agende jogos com quem prefira pelejar contra si.

10. O que não se pode entender é que a Associação de Gays da Bahia e alguns colunistas (se é que realmente se pronunciaram neste sentido) teimem em projetar para os gramados, atletas homossexuais.

11. Ora, bolas, se a moda pega, logo teremos o “SISTEMA DE COTAS”, forçando o acesso de tantos por agremiação…

12. E não se diga que essa abertura será de idêntica proporção ao que se deu quando os negros passaram a compor as equipes. Nada menos exato. Também o negro, se homossexual, deve evitar fazer parte de equipes futebolísticas de héteros.

13. Mas o negro desvelou-se (e em várias atividades) importantíssimo para a história do Brasil: o mais completo atacante, jamais visto, chama-se EDSON ARANTES DO NASCIMENTO e é negro.

14. O que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro, porque prejudicariam a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal…

15. Para não se falar no desconforto do torcedor, que pretende ir ao estádio , por vezes com seu filho, avistar o time do coração se projetando na competição, ao invés de perder-se em análises do comportamento deste, ou daquele atleta, com evidente problema de personalidade, ou existencial; desconforto também dos colegas de equipe, do treinador, da comissão técnica e da direção do clube.

16. Precisa, a propósito, estrofe popular, que consagra:

“CADA UM NA SUA ÁREA, CADA MACACO EM SEU GALHO,

CADA GALO EM SEU TERREIRO,

CADA REI EM SEU BARALHO”.

17. É assim que eu penso… e porque penso assim, na condição de Magistrado, digo!

18. Rejeito a presente Queixa-Crime. Arquivem-se os autos. Na hipótese de eventual recurso em sentido estrito, dê-se ciência ao Ministério Público e intime-se o querelado, para contra-razões.

São Paulo, 5 de julho de 2007

MANOEL MAXIMIANO JUNQUEIRA FILHO

JUIZ DE DIREITO TITULAR

13 Comentários + Add Comentário

  • Tão quanto preconceituosa e homofóbica a sentença do juiz o mostra seu despreparo intelectual e falta de condições de exercer uma função tão importante como a magistratura.

  • Alguém sabe quanto é o salário deste funcionário do judiciário?

  • É este o nosso Judiciário, sempre tendencioso em sua plenitude, e de memória curta e pouco técnica, esquece de olhar a sua própria imagem e semelhança, antes de proferir juízo de valor, muito aquem do que a sociedade espera, proferindo sentenças e as contaminando com a constante falta de ética, a toda hora, ainda é preciso lembrar que magistrados por sua esmagadora maioria são corruptos, e ainda são protegidos pelo segredo de justiça quando estão sendo investigados pelo orgão de correição, o CNJ, quando a justiça de plano deveria sim, ser efetivamente voltada a satisfazer a sociedade, valorando o conteúdo do quadro fatíco-probatório do julgado, mas, efetivamente difere, mesmo sabendo ser mormente de um juízo de conveniência, quando ao proferir uma sentença, muitas vezes é por pedido ou por dinheiro, CÉZAR ASFOR ROCHA, aonde está Vossa Excelência ???

  • Esta é nossa elite.

    O judiciário está mostrando sua cara.

    Se este cidadão, que tem todo um preparo e conhecimento da lei, age dessa forma, o que esperar do cidadão comum?

    Alguém acredita que a justiça é cega??? Eu não!!

  • Seria melhor se nossa justiça fosse denfendida por nois reles mortais q naum intendemos nada de leis mais sabemos onde começa nosso direito e o direito do outro.Como confiar numa justiça tão pobre e tão apodrecida?A ponto d se negar o direito a um cidadao comum um pedido d desculpas?
    Como acreditar no nosso poder judiciário?
    Como acreditar em “Justiça”??

  • É mister ressaltar que, d mesma forma que o ESCATOLÓGICO magistrdo aduz que futebol é coisa pra macho, neste ato também expresso que JUDICIÁRIO É COISA PRA GENTE CULTA, CAPAZ E INTELIGENTE, nesta ceara, percebe-se a incompetência do magistrado que proferiu infelizes linhas, se é que realente foi ele quem digitou, visto que pelo seu perfiu, acredito que nem sabe usar computador.
    Tal repercussão é excelente para que o povo do nosso país possa perceber, o nível intelectual daqueles que possuem o poder de julgar.
    A mentaidade sub-humana do sentenciante, nos leva a crer, de forma límpida, que o mesmo é portador de sérios problemas mentais e psicológicos….
    A sua indignação, com certeza, como bem esclarece PIAGGET, TEM TUDO HAVER COM ALTO PROJEÇÃO, rezumindo em simples palavras, é, certeiramente o próprio magistrado que se sente um gay, impedido de jogar futebol pela sua própria ignorãncia!!!!
    Magistrado ESCATOLÓGICO, DESPREPARADO E INCOMPETENTE!!!!
    Enquanto do outro lado nos deparamos com um excelente jogador de futebol….. As preferências sexuais não servem de barreiras para a prática de nenhuma atividade, haja vistas que se, tais questionamentos virarem rotina, muitos magistrados serão questionados a cerca de sua sexualidade, daí virá a premissa máxima da situação: SERÁ QUE O JUDICIÁRIO É PRA VIADO….Porque fazer isso com um rapaz de carreira sólida como Querelante??? devassar sua vida apenas por meras insinuações… ESSE COMPORTAMENTO nojento DO ilustre e ridículo juíz nos faz sentir vergonha da magistratura!!!!! Esperamos SINCERAMENTE uma postura enérgica dos nossos tribunais!!!! Coloquem a constituição em prática, e punir de maneira exemplar esse palhaço que proferiu tão maldita decisão…….Aqui expresso o meu repúdio, e indignação ao fato em comento.

  • HAUAHUAHUAH
    to imaginando o “ricky”

    “AINNN SR JUIZ, ELE ME CHAMOU DE BIXINHAMMMMMM, VE SE PODE”

    AHUSAHUSHAS
    que otário

    Razão ao juiz.

  • Vitor, pode ver q tu sao PAUlino e gay e o ricky tb eh
    roskof em v6

  • [...] sentido, em relação ao jogador Richarlyson o Juiz de direito Manoel Maximiano Junqueira Filho da 9ª Vara Criminal de São Paulo, reverbera que ‘Futebol é esporte viril, não é coisa para [...]

  • Alguém já deu um tiro na cabeça desse juiz?

    • OLÁ QUERIDA !!!!!! SE É SEU NOME MESMO
      VC É FRACA DA CABEÇA POIS , ALGUEM QUE ESTAVA NESTA CADEIRA NÃO ESTÁ LÁ POR ACASO , SBE O QUE FALA E ESCREVE , VC JÁ VIU UM DOUTOR FALAR OU ESCREVER O QUE VC ESCREVEU , É UMA BARBARIDADE SUA IGNORANCIA , VC É MUITO BURRA PRA COMETER ESTE COMENTARIO

  • que coisa? não se pode falar a verdade nesse pais
    chamar negro de negro é crime?
    chamar viado de viado é crime?
    vão se danar, o juiz agiu corretamente.
    o car alem de ser viado, bixa louca, ainda entro com ação pra tentartirar um troco do diretor do palmeiras
    ainda bem que o juiz, dr junqueira não foi na dele
    mandou o bicharlison se fuder

    parabens dr junqueira

  • Completamente homofóbico.
    Um magistrado como este nunca deveria ter passado nem no exame de Ordem. Fico mt triste enquanto bacharelando.

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

XHTML: Você pdoe usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Enquetes

Qual o próximo tuitaço da campanha do Devolva?

  • #DevolvaHumberto (31%, 143 Votos)
  • #DevolvaJP (69%, 324 Votos)

Total de Votos: 467

Carregando ... Carregando ...

Frase do dia

  • O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes (2006)
    "Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim.",
    Millor Fernandes.

ARQUIVO

maio 2012
S T Q Q S S D
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).