Blog

  • Abono salarial 2026: quem tem direito, calendário e como consultar

    Abono salarial 2026: quem tem direito, calendário e como consultar

    O abono salarial 2026 é pago a trabalhadores que cumpriram os requisitos no ano-base 2024. Para ter direito, é preciso atender a quatro condições principais: remuneração média mensal de até R$ 2.766,00 em 2024, ao menos 30 dias trabalhados, cadastro no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos e vínculo com empregador que contribui para o programa.

    O calendário segue o mês de nascimento. O próximo grupo previsto é o de nascidos em novembro e dezembro, com pagamento a partir de 17 de agosto de 2026. Todos os valores do exercício ficam disponíveis até 30 de dezembro de 2026, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Mãos seguram um smartphone com tela de aplicativo financeiro, ilustrando a consulta de um benefício pelo celular.

    Quem tem direito ao abono salarial 2026

    O benefício do exercício 2026 considera o trabalho realizado entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2024. A inscrição ou o pedido não é feito pelo trabalhador: a identificação depende das informações enviadas pelo empregador ao eSocial e do cruzamento com as bases do governo.

    • ter recebido remuneração média mensal de até R$ 2.766,00 no ano-base 2024;
    • ter trabalhado pelo menos 30 dias, consecutivos ou não, em 2024;
    • ter trabalhado para empregador que contribui para o PIS ou o Pasep;
    • estar cadastrado no Fundo de Participação PIS-Pasep há pelo menos cinco anos, contados a partir do primeiro emprego com empregador contribuinte;
    • ter os dados do vínculo informados corretamente pelo empregador no eSocial dentro do prazo considerado para o calendário de 2026.

    O limite de R$ 2.766,00 é uma média mensal, não um teto aplicado isoladamente a cada contracheque. A remuneração considerada pode incluir parcelas pagas, devidas ou creditadas como retribuição pelo trabalho. Por isso, horas extras, adicionais e outras verbas podem afetar o cálculo da média.

    Calendário do PIS e do Pasep em 2026

    O calendário foi unificado pelo mês de nascimento. As datas abaixo são as divulgadas pelo MTE para o ano-base 2024:

    Nascidos emPagamento a partir deDisponível até
    Janeiro16 de fevereiro30 de dezembro
    Fevereiro16 de março30 de dezembro
    Março e abril15 de abril30 de dezembro
    Maio e junho15 de maio30 de dezembro
    Julho e agosto15 de junho30 de dezembro
    Setembro e outubro15 de julho30 de dezembro
    Novembro e dezembro17 de agosto30 de dezembro

    As datas são o início da disponibilidade. O valor pode entrar em conta, ser direcionado a uma conta digital ou exigir atendimento no banco pagador, conforme o vínculo do trabalhador e os dados disponíveis para o pagamento.

    Quanto é o abono salarial

    O valor máximo corresponde a um salário mínimo vigente na data do pagamento. Em 2026, a tabela oficial do MTE usa o salário mínimo de R$ 1.621,00 e calcula o benefício na proporção de 1/12 por mês trabalhado. Um período de 15 dias ou mais conta como mês completo.

    Meses trabalhados em 2024Valor do abono
    1R$ 136,00
    2R$ 271,00
    3R$ 406,00
    4R$ 541,00
    5R$ 675,00
    6R$ 811,00
    7R$ 946,00
    8R$ 1.081,00
    9R$ 1.216,00
    10R$ 1.351,00
    11R$ 1.486,00
    12R$ 1.621,00

    A tabela mostra o valor bruto do benefício. O trabalhador não deve tratar o valor máximo como automático: a quantidade de meses reconhecida e a validação dos dados do vínculo determinam o que aparece na consulta.

    Como consultar e receber

    A consulta do exercício 2026 está disponível desde 5 de fevereiro na Carteira de Trabalho Digital e no portal Gov.br. O caminho mais seguro é consultar o benefício nesses canais e conferir o ano-base, a situação, o valor e a instituição responsável pelo pagamento. A página oficial do MTE sobre o abono salarial reúne o calendário e os canais de atendimento.

    1. abra a Carteira de Trabalho Digital ou o portal Gov.br e faça o login;
    2. consulte a área do abono salarial do exercício 2026;
    3. confira se o ano-base é 2024, o valor e a data de pagamento;
    4. verifique se o pagamento será feito pela Caixa Econômica Federal, no caso do PIS, ou pelo Banco do Brasil, no caso do Pasep;
    5. se houver divergência, guarde os documentos do vínculo e procure o empregador para conferir as informações declaradas.

    Para o PIS, a Caixa pode creditar o valor em conta, no Caixa Tem ou disponibilizá-lo em canais de atendimento. Para o Pasep, o Banco do Brasil pode pagar por crédito em conta, TED, Pix ou atendimento no caixa, conforme a situação do trabalhador.

    O que fazer se o benefício não aparecer

    Primeiro, confira se o sistema está mostrando o ano-base 2024 e se o vínculo foi informado corretamente. Um erro no CPF, no CNPJ do empregador, na remuneração ou nas datas trabalhadas pode suspender o pagamento. A Resolução CODEFAT/MTE nº 1.032 também prevê validações nas bases governamentais.

    Se o problema estiver no vínculo ou na remuneração, solicite ao empregador a conferência da declaração do eSocial. Se a dúvida continuar, o trabalhador pode buscar o atendimento Alô Trabalho pelo telefone 158 ou uma unidade da Superintendência Regional do Trabalho. A correção não significa pagamento imediato: o benefício depende do processamento e do calendário aplicável.

    Quando houver notificação de suspensão por inconsistência, falsidade ou suspeita de fraude, a resolução prevê defesa em até 30 dias corridos pelos canais indicados. Esse prazo é diferente da data-limite geral para retirar o abono e deve ser observado na notificação recebida.

    Como usar o dinheiro sem perder o prazo

    O abono fica disponível por um período definido, mas esperar até o último dia aumenta o risco de esquecer a retirada ou descobrir tarde uma divergência cadastral. Depois de confirmar o crédito, uma ordem prática é separar o dinheiro por prioridade: contas vencidas e caras, despesas essenciais próximas e uma pequena reserva para imprevistos.

    Quem recebeu um valor maior pode aproveitar para organizar o orçamento mensal antes de decidir entre quitar dívida, cobrir despesas ou guardar parte do benefício. O melhor uso depende do custo da dívida e da urgência das contas; não existe uma aplicação obrigatória para esse dinheiro.

    Dúvidas rápidas

    O teto de R$ 2.766,00 vale para cada mês?

    Não. Para o calendário de 2026, o limite é a remuneração média mensal recebida no ano-base 2024. A soma das remunerações consideradas é relacionada ao período trabalhado para chegar à média.

    Quem recebe PIS deve procurar qual banco?

    O pagamento do PIS é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal. O Pasep é pago pelo Banco do Brasil, conforme o tipo de empregador contribuinte e os dados reconhecidos no sistema.

    Até quando posso receber o abono de 2026?

    O calendário oficial informa 30 de dezembro de 2026 como data-limite de disponibilidade para os pagamentos do exercício 2026.

    Quem trabalhou 15 dias recebe um mês no cálculo?

    Sim. A regra considera como mês integral a fração igual ou superior a 15 dias de trabalho. O valor final ainda depende da confirmação dos demais requisitos e do vínculo no sistema.

  • Focus reduz projeções de inflação e PIB para 2026; entenda o impacto

    Focus reduz projeções de inflação e PIB para 2026; entenda o impacto

    O mercado financeiro reduziu de 5,03% para 5,02% a projeção para o IPCA de 2026 e de 1,99% para 1,98% a estimativa de crescimento do PIB, segundo o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10). A previsão para a Selic no fim do ano ficou em 13,75%, enquanto o dólar foi mantido em R$ 5,20.

    Na prática, o boletim mostra uma melhora marginal na expectativa de inflação, mas ainda aponta juros elevados e crescimento econômico contido. Para famílias e empresas, isso significa que não há motivo para esperar uma queda imediata de preços ou uma redução automática do custo do crédito.

    O Relatório Focus de 7 de agosto reúne a mediana das expectativas coletadas até a sexta-feira anterior à divulgação. Por isso, os números refletem a visão das instituições consultadas naquele momento, e não uma decisão do Banco Central sobre o caminho futuro da economia.

    Prédio do Banco Central em Brasília (DF), em 26 de outubro de 2023.

    O que mudou nas projeções do Focus

    A principal revisão da edição foi a sexta queda consecutiva da estimativa para o IPCA de 2026. O mercado passou a esperar inflação de 5,02%, ante 5,03% na semana anterior. A previsão para o PIB deste ano recuou pela primeira vez depois de cinco semanas em 1,99% e chegou a 1,98%.

    Indicador202620272028
    IPCA5,02%4,22%3,80%
    PIB1,98%1,52%2,00%
    Selic no fim do ano13,75%12,00%10,50%
    Câmbio no fim do anoR$ 5,20R$ 5,28R$ 5,30

    Para 2027, a revisão mais expressiva foi no PIB: a mediana caiu de 1,57% para 1,52%. As projeções de IPCA, Selic e câmbio ficaram estáveis em relação à semana anterior. Para 2028, o mercado manteve IPCA de 3,80%, crescimento de 2%, dólar a R$ 5,30 e Selic de 10,50%.

    Inflação menor não significa preços menores

    O IPCA mede a variação dos preços. Quando a projeção cai de 5,03% para 5,02%, isso indica apenas uma expectativa de alta um pouco menor no conjunto de preços ao longo de 2026. Não significa que supermercado, aluguel, transporte ou serviços ficarão mais baratos.

    Para o orçamento, a diferença entre as duas projeções é pequena. O dado mais útil é a direção acompanhada por várias semanas: o mercado vem revisando a estimativa para baixo, mas ainda trabalha com inflação acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central. A melhora das expectativas, portanto, não elimina a necessidade de reajustar o orçamento e acompanhar despesas recorrentes.

    Também não se deve aplicar o percentual do IPCA diretamente a cada gasto. A inflação de uma família depende da composição do consumo. Quem gasta mais com aluguel, alimentação, plano de saúde ou mensalidades pode sentir uma variação diferente da média nacional.

    Juros continuam sendo o principal recado para o crédito

    A projeção de Selic de 13,75% no fim de 2026 permaneceu alta e inalterada nesta edição. Enquanto essa expectativa não mudar de forma consistente, empréstimos, financiamentos e compras parceladas tendem a continuar exigindo comparação cuidadosa entre taxa, prazo, tarifas e valor total pago.

    Quem já tem uma dívida não deve presumir que uma revisão marginal do Focus mudará sua parcela. O contrato pode usar taxa fixa, CDI, Selic, IPCA ou outro indexador, e cada modalidade reage de maneira diferente. Para comparar uma nova proposta, o caminho é olhar o Custo Efetivo Total, não apenas a taxa anunciada — veja o guia para comparar o CET do empréstimo.

    Para quem investe, juros ainda altos podem manter a renda fixa competitiva, mas a escolha depende do prazo e da necessidade de liquidez. A projeção do Focus não garante a rentabilidade de um CDB, título público ou fundo. Custos, impostos, risco de crédito e oscilação de preço continuam fazendo parte da decisão. O guia do Tesouro Direto explica esses pontos antes da comparação entre títulos.

    PIB menor: quem pode sentir o efeito

    A redução da projeção de crescimento de 1,99% para 1,98% é pequena, mas funciona como sinal de atividade econômica um pouco menos forte na margem. Uma economia que cresce menos pode afetar vendas, contratação, investimentos empresariais e negociações salariais, embora o efeito não seja igual para todos os setores.

    Para empresas, a combinação de crescimento mais fraco e juros altos aumenta a importância de controlar estoque, prazo de recebimento e custo de capital. Para trabalhadores e consumidores, o dado recomenda cautela com compromissos longos baseados na expectativa de renda maior ou de crédito mais barato.

    Isso não é uma previsão de recessão. O Focus ainda aponta crescimento positivo para 2026, 2027 e 2028. O ponto é que a expansão esperada está moderada, e as projeções podem mudar conforme inflação, juros, contas públicas, câmbio e atividade internacional evoluam.

    O que fazer com essa notícia

    • No orçamento: trate a inflação como pressão de alta sobre despesas, não como desconto futuro. Reavalie gastos que têm reajuste e deixe margem para emergências.
    • Antes de tomar crédito: compare o CET, o total pago e o impacto da parcela no orçamento. Não escolha apenas pela menor taxa mensal.
    • Nos investimentos: alinhe prazo e liquidez ao objetivo. Não troque toda a carteira por causa de uma única edição do Focus.
    • Para decisões empresariais: teste o fluxo de caixa com juros altos e vendas mais fracas antes de assumir uma dívida ou ampliar custos fixos.

    A leitura mais segura é usar o Focus como um termômetro, não como promessa. A próxima edição pode revisar novamente inflação, crescimento, juros e câmbio. O que muda de fato para cada pessoa depende do contrato que ela tem, da renda, dos gastos e do momento em que precisa tomar a decisão.

    Perguntas frequentes

    O que é o Relatório Focus?

    É um relatório do Banco Central que reúne a mediana das expectativas de instituições do mercado para inflação, PIB, câmbio, Selic e outros indicadores. Os dados são coletados até a sexta-feira anterior à divulgação.

    A queda do IPCA projetado reduz os preços imediatamente?

    Não. Ela indica uma expectativa de inflação um pouco menor, mas ainda positiva. Os preços podem continuar subindo, apenas em ritmo diferente do que era esperado.

    A projeção de Selic muda automaticamente a minha parcela?

    Não. A parcela depende do contrato, do indexador, da taxa negociada, do prazo e de outros encargos. Uma expectativa de juros não altera sozinha uma dívida já contratada.

    Devo mudar meus investimentos por causa do Focus?

    Não necessariamente. O relatório é uma referência para cenários, não uma recomendação. A decisão deve considerar objetivo, prazo, liquidez, risco, custos e impostos.

  • Tesouro Direto: como funciona, quanto custa e quais são os riscos

    Tesouro Direto: como funciona, quanto custa e quais são os riscos

    O Tesouro Direto permite comprar títulos públicos pela internet, em frações de 1% de um título, por meio de banco ou corretora habilitada. O investidor pode manter o papel até o vencimento ou pedir o resgate antes; na segunda hipótese, o Tesouro recompra o título pelo preço de mercado do dia, e o resultado pode ser diferente do esperado na compra.

    Por isso, a escolha não deve ser feita apenas pela taxa exibida na tela. É preciso combinar o tipo de título com o prazo do objetivo, considerar Imposto de Renda, taxa de custódia e o risco de precisar vender antes da hora.

    O que é o Tesouro Direto e como ele funciona

    O programa dá acesso, para pessoas físicas, a títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. A compra fica registrada no CPF do investidor e pode ser feita diretamente no portal ou no aplicativo de uma instituição financeira integrada. A aplicação tradicional aceita múltiplos de 0,01 título, o equivalente a 1% do papel.

    Os preços e as taxas são de mercado e podem mudar durante o dia. Em dias úteis, o horário regular de negociação informado pelo programa é das 9h30 às 18h; fora desse período, a ordem pode usar as condições de abertura do próximo dia útil. A liquidação também tem prazos próprios, então “liquidez diária” não significa dinheiro instantâneo em qualquer horário.

    Qual título combina com cada objetivo?

    TítuloComo a rentabilidade é formadaQuando costuma fazer sentidoPrincipal cuidado
    Tesouro SelicAcompanha a taxa Selic, com a condição definida na compraReserva e objetivos de prazo incertoMesmo com liquidez, o resgate tem preço de mercado, custos e impostos
    Tesouro PrefixadoTaxa definida na compra, com pagamento no vencimento ou juros semestraisObjetivo com data conhecida e possibilidade de manter até o fimSe os juros de mercado subirem, o preço pode cair antes do vencimento
    Tesouro IPCA+Variação do IPCA mais uma taxa contratada; pode pagar juros semestraisPreservação do poder de compra em metas longasO preço oscila e o resultado antecipado pode ser negativo ou inferior ao esperado
    Tesouro Educa+ e RendA+IPCA mais uma taxa contratada, com pagamentos mensais na fase previstaEducação ou renda complementar planejadaO fluxo é específico; vender antes pode alterar custos e resultado

    A descrição acima é uma regra de funcionamento, não uma promessa de retorno. Prefixado e IPCA+ podem entregar a rentabilidade acordada quando mantidos até o vencimento, mas a cotação no caminho varia. Para um dinheiro que pode ser usado a qualquer momento, o prazo do objetivo pesa mais do que a taxa nominal.

    Quem está montando uma reserva de emergência deve começar pela necessidade de acesso ao dinheiro e pela tolerância a oscilações, em vez de escolher um título longo só porque a taxa anunciada parece maior.

    Quanto custa investir no Tesouro Direto

    • Taxa de custódia: a B3 informa 0,2% ao ano para Tesouro Selic, Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado, provisionada diariamente a partir da liquidação. No Tesouro Selic, não há cobrança sobre os primeiros R$ 10 mil por CPF; acima disso, a cobrança recai sobre o excedente.
    • Taxa da instituição financeira: banco ou corretora pode cobrar uma tarifa anual ou por operação, definida no contrato. Há instituições que não cobram, mas isso precisa ser confirmado antes da compra.
    • Preço de resgate: na venda antecipada, o valor não é simplesmente o principal acrescido da taxa contratada. O Tesouro recompra o papel pelo preço de mercado, com eventual diferença entre as condições de compra e venda.

    O regulamento e as regras do Tesouro Direto explicam a custódia, os horários, os limites e a forma de cálculo do resgate. Como tarifas podem ser alteradas, consulte a tabela vigente e o contrato da instituição no dia da aplicação.

    Impostos: IOF e Imposto de Renda

    O IOF pode incidir quando o resgate ocorre antes de 30 dias. Depois desse prazo, o IOF fica zerado. O Imposto de Renda incide sobre o rendimento, e não sobre o valor originalmente investido, nas alíquotas regressivas abaixo:

    Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR sobre o rendimento
    Até 180 dias22,5%
    De 181 a 360 dias20%
    De 361 a 720 dias17,5%
    Acima de 721 dias15%

    A contagem para o IR começa na data de liquidação. O imposto é retido no resgate, no vencimento ou no pagamento de cupons, conforme o caso. O fato de a alíquota cair com o tempo não deve levar alguém a manter um investimento inadequado ao objetivo só para pagar menos imposto.

    O que acontece se você vender antes do vencimento

    O saldo mostrado pode oscilar porque os títulos são marcados a mercado. Quando as taxas de juros negociadas sobem, o preço de títulos prefixados e indexados à inflação tende a cair; quando as taxas recuam, o efeito tende a ser o oposto. Essa relação é especialmente relevante em papéis com prazo longo.

    Na prática, vender antes do vencimento transforma uma rentabilidade contratada para o futuro em um preço de saída de hoje. Se o objetivo tem data definida, o risco de precisar resgatar no meio do caminho deve entrar na decisão. Não confunda a possibilidade de resgate diário com garantia de preservar o principal em qualquer data.

    Simulação de custo líquido: exemplo hipotético

    Veja um cálculo simples para entender a ordem de grandeza dos descontos. Ele não usa uma taxa de mercado observada e não representa promessa:

    • Aplicação inicial: R$ 1.000.
    • Valor bruto hipotético após um período entre 361 e 720 dias: R$ 1.100.
    • Ganho bruto: R$ 1.100 − R$ 1.000 = R$ 100.
    • IR: 17,5% × R$ 100 = R$ 17,50.
    • IOF: R$ 0, porque o exemplo supõe mais de 30 dias.
    • Custódia ilustrativa: 0,2% × saldo médio de R$ 1.050 = R$ 2,10.
    • Valor líquido ilustrativo: R$ 1.100 − R$ 17,50 − R$ 2,10 = R$ 1.080,40.

    Essa conta usa a média entre o principal e o valor bruto apenas para tornar a custódia visível. Na operação real, ela é provisionada diariamente, pode ter isenção ou faixa diferente conforme o título e ainda pode existir tarifa da instituição. Por isso, use o extrato e os custos do seu intermediário para conferir o valor efetivo.

    Tesouro Direto tem garantia do FGC?

    Não. O FGC lista títulos públicos e Tesouro Direto entre os produtos que não fazem parte da garantia ordinária. A cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, vale para produtos elegíveis, como CDB, LCI e LCA, e tem limite global de R$ 1 milhão em um período de quatro anos. Isso não torna um produto automaticamente melhor que o outro: são estruturas e riscos diferentes.

    O Tesouro Direto é dívida pública e deve ser analisado pelo emissor, pelo tipo de título, pelo prazo e pela necessidade de liquidez. Já um CDB é dívida de uma instituição financeira e pode estar dentro das regras do FGC; a comparação precisa considerar taxa líquida, prazo, liquidez e concentração por emissor. O artigo sobre como funciona o CDB ajuda a colocar esses critérios lado a lado.

    Como escolher sem confundir taxa com decisão

    • Defina quando o dinheiro poderá ser usado. Prazo incerto pede mais liquidez e menos exposição a oscilações longas.
    • Decida se o objetivo precisa acompanhar a inflação ou se pode trabalhar com uma taxa nominal conhecida.
    • Calcule o retorno líquido depois de IR, custódia e eventual tarifa da instituição.
    • Leia o vencimento e o fluxo de pagamentos antes de comprar; juros semestrais mudam o momento em que o dinheiro chega.
    • Confira o preço de venda e faça um cenário de resgate antecipado antes de comprometer uma quantia que pode fazer falta.

    Perguntas frequentes

    Posso resgatar o Tesouro Direto a qualquer momento?

    Existe liquidez diária nos dias e horários definidos pelo programa, mas o resgate antecipado usa o preço de mercado. O valor recebido pode ser diferente da rentabilidade prevista para o vencimento.

    Qual é o Tesouro Direto mais seguro?

    Não há um título que seja melhor para todos. O Tesouro Selic costuma ser usado para objetivos de prazo incerto, enquanto Prefixado e IPCA+ exigem mais atenção ao prazo e à oscilação de preço antes do vencimento.

    O Tesouro Direto paga imposto?

    Sim. Há IOF para resgates em menos de 30 dias e Imposto de Renda regressivo sobre os rendimentos, de 22,5% a 15%, conforme o prazo da aplicação.

    É possível perder dinheiro no Tesouro Direto?

    Sim, principalmente se você vender um título antes do vencimento em uma condição de mercado desfavorável. Mantê-lo até o vencimento e cumprir as condições do papel é diferente de vender no meio do caminho.

  • CET do empréstimo: como comparar o custo total antes de contratar

    CET do empréstimo: como comparar o custo total antes de contratar

    O CET do empréstimo é o número mais útil para comparar propostas porque reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação em uma taxa anual. A parcela menor pode esconder um prazo maior ou custos descontados antes de o dinheiro chegar à sua conta.

    Calculadora financeira portátil sobre uma superfície, usada para ilustrar a comparação de custos de um empréstimo

    Antes de contratar, peça o CET e o demonstrativo de cálculo. Confira quanto será liberado de fato, o valor de cada parcela, o total pago e todos os itens incluídos. A regra vale para operações de crédito e financiamento nas condições previstas pelo Conselho Monetário Nacional; a Resolução CMN nº 4.881 determina como essa informação deve ser apresentada.

    O que é o CET do empréstimo

    CET significa Custo Efetivo Total. Ele transforma os fluxos de dinheiro da operação em uma taxa percentual anual: de um lado, o valor que você recebe; de outro, os pagamentos previstos ao longo do contrato.

    O cálculo considera o crédito concedido e os valores cobrados do cliente, incluindo amortização, juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas vinculadas. Se um custo for pago antecipadamente e reduzir o valor que chega ao tomador, ele também afeta a comparação, porque o dinheiro recebido será menor.

    O CET não é sinônimo da taxa de juros. A taxa de juros mede o preço do dinheiro; o CET mede o custo da operação inteira. Também não é uma taxa média do mercado nem uma promessa de que todas as parcelas serão iguais: é a fotografia daquela oferta, com aquele valor, prazo e cronograma, na data do cálculo.

    O que deve aparecer antes da contratação

    A instituição deve informar o CET previamente e entregar o demonstrativo de cálculo. Esse documento precisa mostrar o valor em reais de cada componente dos recebimentos e pagamentos, o percentual de cada item em relação ao total devido e a soma das parcelas. Se o contrato for assinado, o demonstrativo deve ser incluído de forma destacada no documento.

    • Valor nominal do crédito: quanto aparece como principal da operação.
    • Valor líquido recebido: quanto efetivamente entra na conta depois de despesas descontadas.
    • Juros: taxa pactuada e forma de incidência.
    • Custos adicionais: tarifas, tributos, seguros e serviços vinculados, quando houver.
    • Parcelas e vencimentos: quantidade, valor e datas de pagamento.
    • Total devido: soma dos pagamentos previstos no contrato.

    Quando um anúncio apresentar uma taxa de juros para uma operação de crédito, o CET correspondente também deve ser informado. Ainda assim, a comparação final deve ser feita com o demonstrativo individual da proposta, porque o valor, o prazo e as condições podem mudar depois da análise do cliente.

    Como comparar dois empréstimos pelo custo total

    Compare propostas com o mesmo valor líquido necessário e, de preferência, o mesmo prazo. Depois, use esta ordem:

    1. Anote quanto você precisa receber, não apenas o principal anunciado.
    2. Veja se existe algum desconto antes da liberação e calcule o valor líquido.
    3. Compare o CET anual, sem misturá-lo com a taxa mensal.
    4. Confira a soma das parcelas e a data de cada pagamento.
    5. Leia quais custos são obrigatórios e quais serviços podem ser recusados ou contratados separadamente, quando a oferta permitir.
    6. Avalie se a parcela cabe no orçamento mesmo em um mês ruim; o menor CET não torna uma dívida segura se ela comprometer o pagamento de despesas essenciais.

    Se prazo, valor recebido ou garantia forem diferentes, não escolha automaticamente o menor CET. Uma proposta pode ter custo percentual menor, mas exigir mais tempo de dívida ou entregar menos dinheiro. Nesse caso, compare também o total em reais e o impacto da parcela no orçamento. Para financiamentos imobiliários, o sistema de amortização muda o comportamento das prestações; veja a comparação entre SAC e Price.

    Simulação: a menor taxa de juros pode não ser o menor custo

    A tabela abaixo é uma simulação didática, não uma oferta de banco. As duas propostas têm principal nominal de R$ 5.000 e 12 parcelas a cada 30 dias. Na proposta B, existe uma despesa hipotética de R$ 250 descontada antes da liberação, então o cliente recebe R$ 4.750.

    ItemProposta AProposta B
    Taxa mensal anunciada2,50%2,20%
    Despesa inicial hipotéticaR$ 0,00R$ 250,00
    Valor líquido recebidoR$ 5.000,00R$ 4.750,00
    Parcela aproximadaR$ 487,44R$ 478,62
    Total aproximado das parcelasR$ 5.849,23R$ 5.743,49
    CET anual aproximado*35,04%44,13%
    *Cálculo hipotético com parcelas a cada 30 dias, base de 365 dias e fluxos não arredondados; os valores exibidos foram arredondados.

    A proposta B tem juros mensais menores e uma parcela ligeiramente menor, mas o cliente recebe R$ 250 a menos. Quando o fluxo é recalculado sobre o valor líquido recebido, o CET fica maior. Essa é a razão prática para não comparar só a taxa mensal, a primeira parcela ou o total nominal financiado.

    O cálculo da tabela usa a fórmula de parcela fixa parcela = principal × i ÷ (1 − (1 + i)−n). O CET foi obtido resolvendo a equação de fluxos da norma, com cada pagamento descontado pelo número de dias entre a liberação e o vencimento. Uma planilha pode reproduzir o resultado, mas o demonstrativo fornecido pela instituição é a referência para a proposta real.

    Vantagens e limites de usar o CET

    Vantagem: o CET coloca custos diferentes na mesma régua e reduz a chance de uma tarifa, seguro ou imposto passar despercebido. Ele é especialmente útil para comparar crédito pessoal, financiamento e propostas de instituições diferentes.

    Limites: o número depende do cronograma e das condições da oferta. Referenciais que mudam durante o contrato, como taxas flutuantes ou índices de preços, não entram no cálculo do CET e devem ser informados separadamente. Em uma operação sujeita a indexador, o valor pago pode mudar mesmo quando o CET apresentado no início não muda.

    Também não confunda CET menor com crédito adequado. Se a dívida for usada para cobrir uma despesa recorrente, o problema pode reaparecer com outra parcela. O empréstimo tende a fazer mais sentido quando resolve uma necessidade pontual e o orçamento comporta o pagamento sem depender de rotativo, cheque especial ou novo empréstimo.

    O que fazer se o CET não aparecer

    Não aceite decidir apenas com uma taxa de juros ou uma parcela promocional. Peça o CET, o demonstrativo completo e o valor líquido da liberação. Guarde a proposta e confira se os números do contrato são os mesmos da simulação.

    Se a instituição não esclarecer os custos, registre a solicitação pelos canais de atendimento e compare outra oferta. Depois da contratação, o contrato e o demonstrativo permitem verificar se a cobrança corresponde ao que foi apresentado. Em caso de divergência, procure primeiro a instituição e, se necessário, os canais oficiais de reclamação.

    Perguntas frequentes

    CET e taxa de juros são a mesma coisa?

    Não. A taxa de juros é um dos componentes do crédito. O CET soma juros e demais custos vinculados à operação e os expressa como taxa anual.

    Posso pedir o demonstrativo do CET antes de assinar?

    Sim. A instituição deve informar o CET e apresentar o demonstrativo antes da contratação. Se você contratar, esse demonstrativo deve aparecer de forma destacada no contrato.

    Um CET menor sempre significa a melhor escolha?

    Não necessariamente. Compare propostas com o mesmo valor líquido, prazo, garantias e indexadores. Depois, verifique o total em reais e se a parcela cabe no orçamento.

    O CET pode mudar durante o contrato?

    O CET representa as condições da oferta na data do cálculo. Se houver taxa flutuante ou índice de preços previsto, esse referencial fica fora do CET e pode alterar os pagamentos, conforme as regras do contrato.

  • Como montar um orçamento mensal e organizar o dinheiro

    Como montar um orçamento mensal e organizar o dinheiro

    Montar um orçamento mensal é transformar a renda que entra e os compromissos que saem em um plano de decisão. O método mais útil não começa por uma porcentagem pronta: começa pelo saldo real. Liste a renda líquida, separe despesas fixas e variáveis, inclua dívidas e gastos que aparecem só de vez em quando e defina quanto será guardado antes de decidir o que fazer com o restante.

    Se a conta fechar no azul, você ganha previsibilidade. Se fechar no vermelho, o orçamento mostra onde agir antes que o problema vire cartão rotativo, cheque especial ou novas parcelas.

    Calculadora financeira Hewlett-Packard HP-12C sobre uma superfície, imagem de apoio para explicar o planejamento do orçamento mensal

    Como montar um orçamento mensal em 6 passos

    1. Use a renda líquida. Considere o valor que efetivamente chega à conta. Para quem tem renda variável, trabalhe com uma média conservadora e deixe uma margem para meses fracos.
    2. Separe as despesas fixas. Aluguel, condomínio, mensalidades, seguros e parcelas que já estão contratadas entram aqui. Registre o valor e a data de vencimento.
    3. Estime as despesas variáveis. Some alimentação, transporte, lazer, farmácia e compras. Use o histórico dos últimos meses quando ele existir; não escolha um número apenas porque parece confortável.
    4. Crie uma linha para gastos irregulares. IPVA, material escolar, manutenção e presentes não deixam de existir porque não são cobrados todo mês. Some a previsão anual de cada item e divida por 12 para formar uma provisão mensal.
    5. Inclua dívidas e reserva. O pagamento mínimo da dívida é obrigação; amortizações extras são uma decisão. O aporte para a reserva também precisa aparecer no plano, mesmo que comece pequeno.
    6. Compare o total com a renda. Renda menos despesas, dívidas e valor guardado é o saldo planejado. Revise a diferença uma vez por semana e ajuste o orçamento antes de gastar o dinheiro livre.

    Exemplo de orçamento com renda de R$ 5.000

    Considere uma renda líquida hipotética de R$ 5.000. O quadro abaixo não é uma regra de distribuição para todas as famílias; ele apenas mostra como fazer a conta e enxergar o espaço de decisão.

    CategoriaValor mensalPercentual da renda
    Despesas fixasR$ 2.10042%
    Despesas variáveisR$ 1.10022%
    Parcelas e dívidasR$ 4008%
    Reserva de emergênciaR$ 50010%
    Saldo ainda não destinadoR$ 90018%

    A fórmula é: R$ 5.000 − R$ 2.100 − R$ 1.100 − R$ 400 − R$ 500 = R$ 900. Esse saldo não deve ser tratado automaticamente como dinheiro para consumo. Ele pode cobrir uma despesa irregular, acelerar a quitação de uma dívida cara, reforçar a reserva ou financiar uma meta. Se já houver um gasto anual de R$ 1.200, por exemplo, a provisão é de R$ 100 por mês — e o saldo de decisão cai para R$ 800.

    O que fazer quando o orçamento não fecha

    Primeiro, confirme se o problema é recorrente ou se veio de uma despesa excepcional. Depois, classifique cada saída em três grupos: essencial, importante e adiável. Corte ou adie o terceiro grupo, renegocie compromissos quando houver opção e preserve o pagamento das contas básicas e das dívidas com maior custo.

    Evite resolver um déficit permanente com crédito emergencial. O cartão rotativo e o cheque especial podem manter a conta em dia por alguns dias, mas acrescentam juros e encargos ao mês seguinte. Se uma dívida já existe, compare o custo total de uma renegociação com o contrato atual e considere o prazo: uma parcela menor pode significar pagar mais ao final.

    Como adaptar o plano a cada tipo de renda

    Salário fixo

    Programe o orçamento no dia do recebimento. Separe primeiro as contas com vencimento próximo, o valor da reserva e as provisões anuais. O que sobrar pode ser dividido entre consumo e metas, desde que não comprometa o mês seguinte.

    Comissão, trabalho autônomo ou renda irregular

    Monte o custo mínimo mensal com base em uma renda conservadora, não no melhor mês. Quando entrar mais do que o piso, direcione uma parte para formar caixa para meses fracos e outra para metas. Mantenha uma conta separada para impostos e despesas do trabalho quando elas existirem; misturar tudo dificulta saber quanto realmente está disponível.

    Planilha, aplicativo ou caderno: qual escolher?

    A melhor ferramenta é a que recebe os lançamentos sem esforço. A planilha facilita somas, categorias e projeções; o aplicativo pode automatizar parte do registro; o caderno funciona para quem prefere anotar, desde que a soma seja transferida para um controle mensal. O Banco Central disponibiliza orientações e uma planilha de orçamento pessoal que podem servir de ponto de partida.

    Consulte o material de orçamento pessoal do Banco Central para ver a organização por categorias. Para aprofundar o próximo passo, veja também o guia do Acerto de Contas sobre quanto guardar e onde deixar a reserva de emergência.

    Perguntas frequentes

    Qual é a melhor forma de registrar os gastos do mês?

    Use o método que você consegue manter: planilha, aplicativo ou anotações. O essencial é registrar receitas e despesas por categoria, separar gastos fixos dos variáveis e revisar o saldo pelo menos uma vez por semana.

    O que fazer quando as despesas ficam maiores que a renda?

    Pare de assumir novas parcelas, liste os gastos que podem ser reduzidos ou adiados e priorize contas essenciais e dívidas caras. Se o déficit persistir, renegocie compromissos e procure aumentar a renda; não cubra o rombo com rotativo ou cheque especial sem comparar o custo.

    A reserva de emergência entra no orçamento mensal?

    Sim. Trate o aporte como uma despesa planejada até formar a reserva. Depois, mantenha o valor em uma aplicação de baixo risco e alta liquidez, conforme seu perfil e a necessidade de acesso ao dinheiro.

  • Tarifaço: EUA aceitam consultas com o Brasil na OMC; veja impactos

    Tarifaço: EUA aceitam consultas com o Brasil na OMC; veja impactos

    Os Estados Unidos aceitaram o pedido do Brasil para abrir consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as sobretaxas que chegam a 37,5% para alguns produtos brasileiros. A resposta, divulgada nesta segunda-feira (10), permite que os dois países negociem o tema dentro do mecanismo da OMC, mas não reduz as tarifas nem suspende sua cobrança.

    Contêineres empilhados no Porto de Salvador, na Bahia, em área de movimentação de cargas

    O Brasil havia apresentado o pedido em 27 de julho, depois que o governo norte-americano aplicou uma tarifa adicional de 25% em uma investigação específica contra o país e outra de 12,5% ligada a produtos associados ao trabalho forçado. Quando as duas medidas atingem a mesma mercadoria, a sobretaxa chega a 37,5%.

    A notícia interessa principalmente a exportadores, importadores, indústrias que usam insumos estrangeiros e empresas que têm contratos em dólar. Para o consumidor brasileiro, o efeito não é automático: ele depende de como cada empresa vai absorver, repassar ou substituir produtos e mercados.

    O que muda com a aceitação dos Estados Unidos

    A mudança é processual e diplomática. As consultas são a primeira etapa de um contencioso na OMC e servem para que os governos tentem chegar a uma solução. Se não houver acordo, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel, que analisa a controvérsia.

    Em reportagem publicada nesta segunda-feira, o governo norte-americano informou que está à disposição para conversar com representantes brasileiros e definir uma data para as consultas. O Brasil sustenta que as medidas são unilaterais e incompatíveis com compromissos do comércio internacional. A nota oficial do Ministério das Relações Exteriores detalha o pedido brasileiro e as duas tarifas questionadas.

    O ponto central é que a aceitação do pedido não equivale a uma revisão da política comercial dos EUA. A cobrança continua seguindo as regras e listas norte-americanas até que haja acordo, decisão ou alteração formal das medidas.

    Quais produtos podem sofrer a sobretaxa de 37,5%

    Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a combinação das duas medidas alcança 16,5% do valor exportado pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024. A lista inclui, entre outros itens:

    • máquinas e equipamentos;
    • vários tipos de madeira;
    • gorduras e óleos;
    • calçados;
    • móveis;
    • confecções.

    O mesmo levantamento estima que esse grupo representava cerca de US$ 6,6 bilhões das exportações brasileiras para os EUA em 2024. O valor é uma referência de exposição comercial, não uma previsão de perda de faturamento: parte das empresas pode redirecionar cargas, renegociar preços ou encontrar compradores em outros países.

    Há também produtos sujeitos apenas à sobretaxa de 25%, como o açúcar, e outros alcançados somente pela tarifa adicional de 12,5%, como determinados pescados, minérios, obras de pedra, gesso e produtos de perfumaria. A classificação depende do código tarifário do produto e das exceções previstas nas medidas norte-americanas; o nome comercial, sozinho, não basta para definir a alíquota.

    O tarifaço já encarece o produto brasileiro?

    Para o comprador nos Estados Unidos, a tarifa é um custo de importação que pode ser repassado total ou parcialmente ao preço. Para a empresa brasileira, o impacto depende do contrato. Em uma venda com preço entregue e tributos assumidos pelo exportador, a margem pode cair. Em uma operação na qual o comprador assume a importação, a pressão tende a aparecer na negociação ou no volume demandado.

    Não é correto transformar a alíquota em um aumento automático de 37,5% no preço final. O cálculo real pode envolver o valor aduaneiro, tarifa-base, frete, seguro, câmbio, impostos locais, margem de distribuição e eventuais isenções ou tarifas setoriais. Além disso, a medida do MDIC mostra que 52,7% das exportações brasileiras aos EUA, com base no comércio de 2024, não estavam sujeitas às sobretaxas específicas das duas investigações da Seção 301. Isso não significa ausência de qualquer tarifa: esses produtos continuam sujeitos às regras ordinárias e, em alguns casos, a medidas setoriais.

    O efeito no Brasil pode aparecer por outros canais:

    • menor demanda norte-americana por produtos mais caros;
    • redução de margem para preservar contratos;
    • desvio de mercadorias para outros mercados, com possível pressão sobre preços;
    • troca de fornecedores e rotas logísticas;
    • adiamento de investimentos ligados à exportação.

    China pede participação nas consultas

    Também nesta segunda-feira, a China protocolou pedido para participar das consultas, alegando ter interesse comercial substancial no caso. A solicitação ocorre porque as medidas norte-americanas relacionadas ao trabalho forçado fazem parte de uma investigação que alcançou 60 economias, e não apenas o Brasil.

    O pedido chinês não significa que o país já seja parte da disputa ou que tenha obtido autorização definitiva para participar. A participação ainda depende do trâmite da OMC. Para o Brasil, a movimentação amplia o peso diplomático do caso, mas não substitui a negociação bilateral nem altera, por si só, a tarifa cobrada na alfândega dos EUA.

    O que exportadores e empresas devem fazer agora

    1. Confirmar a alíquota pelo código do produto

    A empresa deve conferir o código tarifário usado na operação, a lista de exceções e a existência de tarifa setorial. Produtos parecidos podem ter tratamentos diferentes. A análise deve ser feita com o despachante ou consultor de comércio exterior antes de precificar um novo embarque.

    2. Recalcular o custo por contrato

    Monte ao menos três cenários: tarifa absorvida pelo exportador, divisão do custo com o comprador e repasse integral. Inclua frete, seguro, câmbio, prazo de pagamento e custo financeiro. O número útil para a decisão é a margem líquida por operação, não apenas a porcentagem anunciada.

    3. Revisar cláusulas de mudança regulatória

    Contratos em andamento podem ter regras sobre força maior, alteração de impostos, renegociação e cancelamento. A aceitação das consultas não cria uma garantia de redução das tarifas, portanto não é prudente fechar preço contando com uma decisão futura da OMC.

    4. Evitar decisões baseadas só na notícia

    O empresário deve separar o fato confirmado — a abertura da etapa de consultas — da expectativa de acordo. Também deve avaliar se há mercado alternativo, se o produto pode ser adaptado e quanto custa manter estoque parado. Pequenos negócios podem organizar essa revisão junto do controle de obrigações e dívidas; este guia sobre como regularizar dívidas do MEI pode ajudar na parte de caixa e regularização.

    O que observar nos próximos dias

    Os próximos passos são a definição da data das consultas e a posição dos governos sobre uma eventual negociação. Enquanto isso, as tarifas permanecem em vigor. Se o diálogo não resolver o conflito, o Brasil poderá pedir um painel na OMC, mas esse caminho é mais longo e não produz redução imediata do custo de importação.

    Os dados mais recentes do MDIC mostram que o comércio exterior brasileiro movimentou US$ 34,1 bilhões em exportações e US$ 27,1 bilhões em importações em julho de 2026, com saldo positivo de US$ 7,1 bilhões. Esses números descrevem o comércio total do país e não medem, sozinhos, o prejuízo ou o ganho causado pelo tarifaço. Para cada empresa, a decisão depende da mercadoria, do contrato, do mercado de destino e da capacidade de repassar custos.

    Perguntas frequentes

    Os Estados Unidos já retiraram as tarifas contra o Brasil?

    Não. Os EUA aceitaram abrir consultas na OMC, mas as sobretaxas continuam valendo até eventual acordo, decisão ou mudança formal das medidas.

    O que é uma consulta na OMC?

    É a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias, na qual os países tentam resolver o conflito antes de um possível painel.

    Todo produto brasileiro exportado aos EUA paga 37,5%?

    Não. A alíquota depende do código tarifário, das listas de exceção e da incidência conjunta das duas medidas. O MDIC estima que 16,5% do valor exportado em 2024 estava sujeito à combinação de 25% e 12,5%.

    A China já entrou oficialmente na disputa?

    A China pediu participação nas consultas e alegou interesse comercial no caso. A aceitação desse pedido depende do trâmite da OMC.

  • MEI com dívida: como regularizar e aproveitar as condições de 2026

    MEI com dívida: como regularizar e aproveitar as condições de 2026

    O MEI com débitos precisa primeiro descobrir onde a dívida está: no Simples Nacional, na Receita Federal ou já inscrita em dívida ativa da União. O canal de negociação muda conforme essa etapa. Em 10 de agosto de 2026, o Portal do Empreendedor informa uma condição da PGFN com adesão até 30 de setembro de 2026, às 19h, para débitos elegíveis.

    As condições anunciadas para MEI incluem parcelamento em até 133 prestações, parcela mínima de R$ 25 e desconto que pode chegar a 100% sobre juros, multas e encargo legal. O desconto não apaga automaticamente o principal e o benefício efetivo depende da modalidade, da capacidade de pagamento e da dívida disponível no sistema.

    Onde consultar a dívida do MEI

    Débitos ainda no Simples Nacional

    Guias DAS em atraso que ainda não foram inscritas em dívida ativa costumam aparecer no PGMEI ou no portal do Simples Nacional. Nessa fase, o contribuinte pode emitir as guias atualizadas ou solicitar o parcelamento disponível. A atualização inclui os acréscimos previstos.

    Débitos enviados para dívida ativa

    Quando a cobrança já foi inscrita, a consulta e a negociação passam para o portal Regularize, da PGFN. É ali que aparecem propostas de transação, parcelamentos, situação de protesto e documentos de arrecadação da dívida ativa.

    Pendências de declaração

    Nem todo problema é uma guia não paga. A falta da Declaração Anual do MEI pode gerar multa e impedir que os dados fiquem regulares. Mesmo sem faturamento, o MEI deve entregar a DASN-SIMEI informando receita zero.

    Condições especiais disponíveis em 2026

    ItemCondição informada para MEI
    Prazo de adesãoAté 30 de setembro de 2026, às 19h
    Prazo máximoAté 133 prestações mensais, conforme a modalidade
    Parcela mínimaR$ 25
    DescontoAté 100% sobre juros, multas e encargo legal, conforme enquadramento

    A palavra “até” faz diferença. Não existe garantia de 133 parcelas ou desconto máximo para todos. O sistema analisa o débito e apresenta as opções liberadas. Leia o valor consolidado, a entrada, o número de parcelas, o desconto e as causas de rescisão antes de confirmar.

    Uma negociação só ajuda se as parcelas couberem junto com o DAS mensal atual. Deixar de pagar as novas guias enquanto quita o acordo cria outra dívida.

    Passo a passo para regularizar

    1. Entregue as declarações anuais pendentes. Sem isso, a consulta do faturamento e a regularização ficam incompletas.
    2. Consulte o PGMEI e gere o extrato de DAS em atraso.
    3. Verifique no Regularize se existem inscrições em dívida ativa e propostas abertas.
    4. Compare pagamento à vista, parcelamento convencional e transação. Observe o valor total, não só a parcela.
    5. Emita o documento apenas no portal oficial e pague dentro do vencimento.
    6. Guarde recibo, número da negociação e comprovantes. Acompanhe até o sistema reconhecer o pagamento.

    Como escolher entre pagar à vista e parcelar

    Pagar à vista evita manter uma obrigação por anos, mas não deve consumir o dinheiro necessário para aluguel, fornecedores, folha ou despesas familiares básicas. O parcelamento preserva caixa, porém exige disciplina e pode ser cancelado se as regras não forem cumpridas.

    Monte uma projeção simples: DAS do mês atual, parcela da negociação, custos fixos e impostos fora do MEI. Se a soma deixa o caixa negativo, o acordo precisa ser revisto antes da adesão. Não use cartão rotativo para pagar uma parcela fiscal; a troca pode transformar uma dívida negociável em crédito muito caro.

    O que acontece se o acordo for rompido

    A rescisão pode retirar descontos e recolocar o saldo em cobrança, conforme as regras da modalidade. Também pode limitar nova negociação por algum período. Leia os eventos de rescisão, mantenha dados de contato atualizados e programe o pagamento com antecedência.

    Se o débito estiver protestado, o pagamento da dívida e a baixa do protesto podem envolver etapas distintas. Confirme no Regularize a situação da inscrição e as orientações para o cartório. Não pague boletos recebidos por mensagem sem validar no portal.

    Cuidados com golpes contra MEI

    • O Portal do Empreendedor não cobra para abrir, alterar ou dar baixa no MEI.
    • Associações e empresas privadas só podem cobrar por serviços que o empreendedor contratou.
    • Guias devem ser emitidas nos portais oficiais; desconfie de boletos enviados por e-mail ou WhatsApp.
    • Não entregue senha gov.br ou código de acesso a desconhecidos.
    • Pesquise o CNPJ e o canal antes de contratar assessoria.

    Regularizar a dívida não resolve tudo

    O MEI precisa continuar pagando o DAS mensal, emitir nota fiscal nas operações exigidas, preencher o relatório mensal, guardar documentos e entregar a declaração anual. A regularização limpa o passado; as obrigações correntes evitam que o problema retorne.

    Também é preciso acompanhar o faturamento e as condições do enquadramento. Crescimento acima do limite, contratação de mais de um empregado, entrada de sócio, atividade não permitida ou abertura de filial podem exigir migração para microempresa.

    O Portal do Empreendedor mantém a página oficial para consultar as condições e os canais de regularização de débitos do MEI.

    Decisão prática

    Comece pelas declarações e pelo mapa das dívidas. Depois escolha uma negociação que permita pagar o passado e o mês atual ao mesmo tempo. Se houver várias inscrições, protesto, desenquadramento ou faturamento acima do limite, o custo de uma consulta contábil tende a ser menor que o risco de aderir à modalidade errada.

  • Franquia do seguro auto: quando vale acionar e quem paga o conserto

    Franquia do seguro auto: quando vale acionar e quem paga o conserto

    A franquia é a parte do prejuízo que fica com o segurado em determinados sinistros. Se o conserto custa menos que a franquia, normalmente não compensa acionar a cobertura de danos ao próprio carro. Se custa mais, a seguradora paga a parcela coberta acima da franquia, respeitando as condições e os limites da apólice.

    Isso não significa que toda ocorrência exige franquia. Roubo sem recuperação, indenização integral e danos a terceiros podem seguir regras diferentes. A apólice é que define quando a participação do segurado será cobrada.

    Como a franquia funciona

    Imagine uma franquia de R$ 4.000. Se um reparo coberto custa R$ 3.000, o segurado paga o conserto e a seguradora não desembolsa. Se o reparo custa R$ 10.000, o segurado paga R$ 4.000 e a seguradora cobre os R$ 6.000 restantes, desde que não haja exclusão, limite específico ou outra participação prevista.

    Cenário hipotéticoSegurado pagaSeguradora paga
    Conserto de R$ 3.000 e franquia de R$ 4.000R$ 3.000R$ 0
    Conserto de R$ 10.000 e franquia de R$ 4.000R$ 4.000R$ 6.000

    Antes de autorizar o serviço, a seguradora faz a regulação do sinistro e analisa orçamento, dinâmica do evento, cobertura e documentos. Não mande reparar o veículo por conta própria sem entender o procedimento, pois isso pode dificultar a vistoria.

    Franquia normal, reduzida e ampliada

    Os nomes variam entre seguradoras. Em geral, uma franquia reduzida aumenta o preço do seguro e diminui o valor pago em um conserto. Uma franquia ampliada reduz o prêmio, mas transfere mais custo ao motorista quando ocorre um dano parcial.

    TipoPreço do seguroCusto no sinistro parcialPode combinar com
    ReduzidaTende a ser maiorMenorQuem prefere previsibilidade e usa muito o carro
    NormalIntermediárioIntermediárioQuem busca equilíbrio entre prêmio e participação
    AmpliadaTende a ser menorMaiorQuem aceita reter mais risco e tem caixa para a franquia

    Escolher a franquia mais alta apenas para baratear o seguro pode sair caro. O valor precisa caber no orçamento sem empréstimo. Se R$ 6.000 de franquia seriam impossíveis hoje, essa opção deixa uma cobertura difícil de usar.

    Quais coberturas precisam ser comparadas

    • Danos ao próprio veículo por colisão, incêndio e eventos previstos no contrato.
    • Roubo e furto, com critérios para indenização e recuperação do bem.
    • Responsabilidade civil por danos materiais, corporais e, quando contratados, morais a terceiros.
    • Acidentes pessoais de passageiros, com capitais segurados próprios.
    • Vidros, faróis, retrovisores e assistência 24 horas, que podem ter limites e franquias específicas.

    O limite máximo de indenização importa tanto quanto o preço. Uma cobertura de terceiros muito baixa pode não pagar um acidente com vários veículos ou lesões. Compare propostas mantendo os mesmos limites; caso contrário, a opção aparentemente barata pode oferecer muito menos proteção.

    Quando vale acionar o seguro

    Some o orçamento do reparo, a franquia e possíveis impactos comerciais, como perda de bônus na renovação. Se o conserto ultrapassa pouco a franquia, pagar por conta própria pode ser racional. Se a diferença é grande, acionar tende a preservar caixa.

    A decisão muda quando há terceiros envolvidos. Comunique a seguradora e siga as orientações, mesmo que o dano no seu carro seja pequeno. Uma reclamação posterior pode incluir valores que não aparecem no local do acidente.

    O que fazer logo após um acidente

    1. Proteja as pessoas e sinalize o local. Acione emergência quando necessário.
    2. Registre fotos, posição dos veículos, placas, documentos e contatos, sem discutir culpa no local.
    3. Faça o boletim de ocorrência quando exigido ou quando ajudar a documentar o caso.
    4. Avise a seguradora ou corretor pelo canal oficial e anote o protocolo.
    5. Não assine acordo nem autorize reparo antes de entender cobertura, franquia e oficina.

    Situações que podem ficar fora da cobertura

    A apólice contém riscos excluídos e deveres do segurado. Uso diferente do informado, condutor não previsto quando essa informação altera o risco, competição, condução sem habilitação válida e agravamento intencional podem gerar discussão ou negativa. As condições variam; leia o contrato real.

    A cobertura também não transforma manutenção em sinistro. Desgaste, falha mecânica e problema anterior ao contrato normalmente não são tratados como colisão acidental.

    A Susep reúne explicações sobre coberturas, franquias e limites do seguro de automóveis.

    Como comparar propostas sem cair no preço mais baixo

    • Use o mesmo valor do veículo e os mesmos limites para terceiros.
    • Compare franquia de casco e franquias de vidros ou peças.
    • Confira oficinas, carro reserva, guincho e distância de assistência.
    • Leia exclusões, perfil de condutores e uso declarado do veículo.
    • Verifique se seguradora e corretor estão autorizados.

    O seguro adequado é aquele que protege os prejuízos que a pessoa não conseguiria pagar sozinha. Danos pequenos podem ficar dentro da franquia. Perda do carro, acidente grave e indenização a terceiros exigem limites compatíveis com o patrimônio e o uso do veículo.

  • SAC ou Price: qual sistema escolher no financiamento imobiliário?

    SAC ou Price: qual sistema escolher no financiamento imobiliário?

    No SAC, a amortização é constante e as prestações começam maiores, depois diminuem. Na Price, a prestação-base tende a permanecer mais nivelada, mas a amortização começa menor. Mantidas a mesma taxa e o mesmo prazo, o SAC normalmente gera menos juros totais. A Price pode facilitar a aprovação por ter parcela inicial menor.

    A escolha não deve ser feita pelo nome do sistema. Compare o CET, o indexador, a entrada, o prazo, os seguros e a capacidade de pagar a primeira parcela sem esvaziar o orçamento.

    Como cada sistema reduz a dívida

    SAC: amortização constante

    O valor financiado é dividido pelo número de meses. Essa parte fixa reduz o saldo devedor em ritmo constante. Como os juros incidem sobre um saldo cada vez menor, eles caem ao longo do contrato. A prestação também tende a cair, salvo efeitos de indexador, seguros e tarifas.

    Price: prestação-base nivelada

    Na Tabela Price, as primeiras prestações destinam uma parcela maior aos juros e uma parcela menor à amortização. Com o tempo, os juros diminuem e a amortização cresce. A prestação calculada pelo sistema é nivelada quando a taxa é fixa, mas o valor efetivamente cobrado pode variar com seguros, taxas e atualização do saldo.

    CritérioSACPrice
    Parcela inicialMaiorMenor, nas mesmas premissas
    Evolução da amortizaçãoConstanteCrescente
    Evolução dos jurosCai com o saldoCai, mas o saldo recua mais devagar no início
    Juros totaisTendem a ser menoresTendem a ser maiores
    Perfil comumQuem suporta a entrada de caixa inicialQuem precisa reduzir a prestação inicial

    Simulação: R$ 300 mil em 30 anos

    A simulação abaixo usa um financiamento de R$ 300.000, prazo de 360 meses e taxa hipotética de 0,8% ao mês. Ela serve para mostrar a mecânica. Não inclui seguros, tarifas, impostos nem correção por TR, IPCA ou outro indexador.

    Resultado aproximadoSACPrice
    Primeira prestação-baseR$ 3.233,33R$ 2.544,48
    Última prestação-baseR$ 840,00R$ 2.544,48
    Juros no períodoR$ 433.200,00R$ 616.012,77
    Total pagoR$ 733.200,00R$ 916.012,77

    A diferença de R$ 182.812,77 nos juros vem do ritmo de redução do saldo. Na Price, a dívida cai mais devagar no início. Em um contrato real, o resultado muda com a taxa aprovada, o indexador, as datas e os demais custos.

    Por que a parcela anunciada não conta tudo

    A prestação inclui amortização e juros, mas pode trazer seguros obrigatórios e tarifas. O saldo também pode ser atualizado por um indexador. Por isso, peça a planilha da operação e o CET. A taxa nominal isolada não permite comparar propostas com custos diferentes.

    O CET reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas conhecidas na contratação. Já a correção futura por um índice variável depende do comportamento desse índice. Leia os dois pontos separadamente.

    A entrada muda mais do que parece

    Uma entrada maior reduz o valor financiado, os juros e a parcela. Também diminui o risco de financiar um imóvel por valor próximo ao limite do orçamento. Antes de usar todo o dinheiro na entrada, reserve os custos de documentação, mudança, pequenos reparos e alguns meses de despesas.

    Quem ainda não montou essa proteção pode usar o cálculo do artigo sobre quanto guardar em uma reserva de emergência. Comprar o imóvel e ficar sem caixa transforma qualquer conserto ou perda de renda em nova dívida.

    Quando o SAC costuma fazer mais sentido

    • A primeira prestação cabe com folga no orçamento.
    • O comprador quer reduzir o saldo mais rapidamente.
    • Existe chance de vender ou quitar o imóvel antes do fim do contrato.
    • A prioridade é diminuir os juros totais, e não apenas a parcela inicial.

    Quando a Price pode ser considerada

    • A parcela inicial do SAC ultrapassa a capacidade de pagamento ou a regra de comprometimento de renda.
    • A renda é estável e a proposta Price tem CET competitivo.
    • O comprador entende que a amortização será mais lenta no começo.
    • A diferença de custo foi calculada com o mesmo prazo, entrada e indexador.

    Amortizar prazo ou reduzir prestação

    Pagamentos extraordinários podem reduzir o prazo ou o valor das prestações, conforme o contrato. Reduzir prazo costuma economizar mais juros porque elimina meses futuros. Reduzir a prestação melhora o fluxo mensal. A escolha depende da segurança da renda e dos objetivos da família.

    Antes de amortizar, compare o custo do financiamento com o retorno líquido e o risco de qualquer investimento alternativo. Não use a reserva de emergência para antecipar parcelas se isso deixar o orçamento vulnerável.

    A Caixa apresenta a composição das prestações e as diferenças entre SAC e Price em material educativo.

    Checklist antes de assinar

    • Compare propostas com o mesmo valor de entrada e prazo.
    • Anote CET, indexador, primeira parcela, última parcela estimada e total projetado.
    • Leia as condições dos seguros e das tarifas.
    • Faça uma simulação de queda de renda ou aumento de despesas.
    • Confira as regras para amortização, portabilidade e quitação antecipada.

    O sistema mais barato no papel não resolve se a primeira prestação levar o orçamento ao limite. Da mesma forma, uma parcela inicial confortável pode sair muito cara em 30 anos. A escolha equilibrada combina custo total, margem mensal e velocidade de redução da dívida.

  • Cartão de crédito: rotativo ou parcelamento da fatura? Veja o que custa menos

    Cartão de crédito: rotativo ou parcelamento da fatura? Veja o que custa menos

    Se não for possível pagar a fatura inteira, o parcelamento costuma ser menos caro que permanecer no rotativo, mas a resposta correta está no Custo Efetivo Total de cada proposta. Pagar somente o mínimo joga o saldo restante para o rotativo. Esse crédito dura até a fatura seguinte e costuma ter juros altos.

    A regra que limita juros e encargos a 100% da dívida original impede uma multiplicação sem fim, mas não torna o cartão barato. Uma dívida original de R$ 1.000 ainda pode chegar a R$ 2.000. A diferença pesa no orçamento e pode levar meses para ser quitada.

    O que acontece quando a fatura não é paga integralmente

    A fatura oferece um valor total, um pagamento mínimo e, em muitos casos, opções de parcelamento. Ao pagar entre o mínimo e o total, o restante entra no crédito rotativo. Na fatura seguinte, o banco precisa oferecer uma alternativa para financiar o saldo em condições mais vantajosas que o rotativo.

    Se o cliente paga menos que o mínimo sem negociar, pode ficar inadimplente. Além de juros e IOF, podem existir multa e juros de mora conforme o contrato. O bloqueio do cartão não elimina a dívida.

    Rotativo ou parcelamento da fatura: principais diferenças

    CritérioRotativoParcelamento da fatura
    PrazoUso temporário até a fatura seguinteNúmero definido de parcelas
    PrevisibilidadeSaldo muda com encargos e novas comprasParcelas e prazo aparecem na proposta
    CustoGeralmente é a alternativa mais caraTende a ser menor, mas varia por banco
    DecisãoPode ocorrer ao pagar apenas parte da faturaExige aceitar uma proposta de parcelamento

    Não compare só a parcela mensal. Uma prestação menor pode esconder prazo maior e custo total mais alto. Observe taxa mensal, taxa anual, IOF, tarifas, número de parcelas, valor total e CET.

    Como funciona o limite de juros

    Para operações iniciadas a partir de 3 de janeiro de 2024, os juros e custos financeiros do rotativo e do parcelamento da fatura não podem superar 100% do valor original financiado. Se R$ 2.500 ficaram sem pagamento, esses juros e custos financeiros estão limitados a mais R$ 2.500. O total relacionado a essa dívida pode alcançar R$ 5.000.

    O teto é um limite de cobrança, não uma taxa recomendada. Esperar a dívida chegar ao máximo continua sendo uma perda grande de dinheiro.

    A regra acompanha a dívida mesmo quando o saldo migra do rotativo para o parcelamento. Pagamentos realizados devem aparecer no demonstrativo. Compras novas formam outras obrigações e podem aumentar a próxima fatura.

    Como escolher a alternativa menos cara

    1. Pare de usar o cartão até saber quanto cabe no orçamento. Novas compras confundem a negociação.
    2. Anote o saldo original que será financiado.
    3. Peça as propostas de parcelamento com CET, prazo, parcela e total a pagar.
    4. Compare com crédito pessoal, consignado ou portabilidade, se disponíveis. Use o CET, não a taxa anunciada.
    5. Escolha a menor dívida total cuja parcela caiba com folga. Uma proposta impossível de sustentar vira atraso novamente.

    A portabilidade permite levar o saldo devedor do rotativo ou do parcelamento para outra instituição que ofereça condição melhor. A proposta deve consolidar a operação. Antes de aceitar, confira se não há liberação de dinheiro extra, seguro embutido ou prazo excessivo.

    Exemplo de decisão

    Imagine uma fatura de R$ 3.000 e apenas R$ 1.200 disponíveis. Os R$ 1.800 restantes podem ir ao rotativo ou a uma linha parcelada. A comparação precisa considerar quanto será pago no total. Se uma proposta cobra 12 parcelas de R$ 210, o desembolso será R$ 2.520. Outra com 18 parcelas de R$ 155 parece mais leve, mas soma R$ 2.790. A primeira custa menos; a segunda exige menos por mês.

    Se nenhuma parcela couber, a saída não é escolher às cegas. Corte o uso do cartão, liste dívidas prioritárias e negocie uma prestação compatível. Quem ainda não tem uma margem para imprevistos pode começar pelo guia de reserva de emergência depois de estabilizar as contas.

    Erros que aumentam a dívida

    • Pagar o mínimo vários meses sem acompanhar o saldo.
    • Parcelar a fatura e continuar usando todo o limite liberado.
    • Escolher pela menor parcela sem olhar o total.
    • Contratar outro empréstimo sem quitar o cartão antigo.
    • Ignorar o demonstrativo e não conferir se os pagamentos foram abatidos.

    O Banco Central publica a regra do limite e dados sobre os juros acumulados no cartão de crédito.

    Qual opção faz sentido

    Pagar a fatura integral continua sendo a opção sem juros. Quando isso não for possível, um parcelamento com CET menor e prazo curto tende a ser preferível ao rotativo. Crédito pessoal ou portabilidade podem reduzir o custo, desde que o dinheiro quite o cartão e o orçamento não volte a depender do limite.