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	<title>Acerto de Contas &#187; governo</title>
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	<description>Blog independente, de conteúdo noticioso, com foco em Economia, Política e Atualidades &#124; Recife, Pernambuco</description>
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		<title>A suspensão do material anti-homofobia</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2011 21:48:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pierre Lucena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center"><img alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v116/niribsil/Col%20sub%20album%201/AUTO_dalcio.jpg" width="350" height="208" /></p>
<p>Ao que parece, para salvar a cabeça de Palocci, acordos com setores conservadores estão sendo feitos de maneira descarada. Ontem foi a aprovação de uma emenda imoral que faz parte do Novo Código Florestal, que anistia criminosos ambientais.</p>
<p>Hoje teria sido a retirada do kit anti-homofobia por parte do Governo, que se viu chantageado pela “bancada do dízimo”. O atraso &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img alt="" src="http://img.photobucket.com/albums/v116/niribsil/Col%20sub%20album%201/AUTO_dalcio.jpg" width="350" height="208" /></p>
<p>Ao que parece, para salvar a cabeça de Palocci, acordos com setores conservadores estão sendo feitos de maneira descarada. Ontem foi a aprovação de uma emenda imoral que faz parte do Novo Código Florestal, que anistia criminosos ambientais.</p>
<p>Hoje teria sido a retirada do kit anti-homofobia por parte do Governo, que se viu chantageado pela “bancada do dízimo”. O atraso parece estar tomando conta da agenda do Governo.</p>
<p>A retirada de um material que discute a homofobia é lamentável, pois o preconceito existe e deve ser discutido cotidianamente nas escolas, pois faz parte do dia a dia dos estudantes.</p>
<p>Não concordo com a insistência do MEC em produzir materiais físicos (falo apenas da produção gráfica). Meu questionamento é apenas em relação ao custo de oportunidade e eficiência na produção. A eficácia é próxima de zero e o gasto chega aos milhões. Mas isso será assunto de outro post mais tarde.</p>
<p>O momento agora é apenas para lamentar a aceitação da chantagem por parte do Governo. Isso é que dá ter rabo preso e acreditar que pode conviver politicamente com tanta divergência.</p>
<p>  <span id="more-53932"></span>
<p>Abaixo o vídeo dos três materiais. Foram os únicos que achei no You Tube. </p>
<p>O que acharam do material?</p>
<p>
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</div>
<p>
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<div><object width="448" height="252"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fVGSrP-W3OM?hl=en&amp;hd=1"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/fVGSrP-W3OM?hl=en&amp;hd=1" type="application/x-shockwave-flash" width="448" height="252"></embed></object></div>
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		<item>
		<title>É correto uma empresa privada administrar sua vida creditícia?</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/economia/correto-uma-empresa-privada-administrar-sua-vida-creditcia/</link>
		<comments>http://acertodecontas.blog.br/economia/correto-uma-empresa-privada-administrar-sua-vida-creditcia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 May 2011 15:08:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pierre Lucena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_h77BLo4MRuM/SdoQFQMGkcI/AAAAAAAACGw/C7bgNWeOooE/s400/charge_devedor_internet.jpg" alt="" width="350" height="291" /></p>
<p>Esta semana um aluno ficou surpreso quando disse que a Serasa seria uma empresa privada, e me perguntou: como é que uma empresa de informações não é pública?</p>
<p>Atualmente as duas maiores empresas de controle de dados para crédito no Brasil, Serasa e SPC, são entidades privadas que ganham pela prestação de serviços.</p>
<p>Atualmente a Serasa é uma empresa com &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_h77BLo4MRuM/SdoQFQMGkcI/AAAAAAAACGw/C7bgNWeOooE/s400/charge_devedor_internet.jpg" alt="" width="350" height="291" /></p>
<p>Esta semana um aluno ficou surpreso quando disse que a Serasa seria uma empresa privada, e me perguntou: como é que uma empresa de informações não é pública?</p>
<p>Atualmente as duas maiores empresas de controle de dados para crédito no Brasil, Serasa e SPC, são entidades privadas que ganham pela prestação de serviços.</p>
<p>Atualmente a Serasa é uma empresa com capital externo, que vem trabalhando com eficiência, mas a aprovação do projeto do Cadastro Positivo trará uma modificação importante: sua movimentação de crédito de toda sua vida estará ao alcance de todos.</p>
<p>O Cadastro Positivo, que foi editado através de Medida Provisória, vai criar uma espécie de ranking de bons pagadores, onde a cada conta paga em dia, o credor é bonificado, e cada conta em atraso é penalizado. Isso formará um currículo do credor, que poderá facilitar ou dificultar o acesso a crédito. Na prática poderá trazer, caso não tenhamos impedimento legal, taxas de juros diferenciadas para bons pagadores. Isso é positivo e talvez traga o mínimo de eficiência ao sistema de crédito.</p>
<p><span id="more-53799"></span></p>
<p>Mas a questão que quero abordar é sobre uma empresa privada ter acesso a toda minha vida creditícia. Além disso, na prática poderá criminalizar aqueles que pagam suas contas com atraso, já que muitas empresas estão começando a consultar o cadastro do Serasa para finalizar as  contratações.</p>
<p>Até agora a decisão de crédito é um sistema binário, onde ou você está ou não está com o nome no Serasa. Pode ser uma dívida de R$ 100,00 ou  R$ 1 milhão. Além disso, seu nome sai em 5 anos da lista de devedores. Isso fornece poucas informações, mas a partir do momento em que todo o seu currículo entra no sistema, a situação é outra. No mínimo é preciso coibir a utilização destes dados para os departamentos de Recursos Humanos.</p>
<p>Vale salientar que até agora a Serasa tem sido uma empresa extremamente eficiente em sua gestão, e não há absolutamente nada que desabone sua conduta. Pelo contrário, tem conseguido bons resultados, tratando o funcionário com respeito, e sem se meter em um escândalo sequer. E também age com eficiência para retirar o nome das pessoas, sem burocracia.</p>
<p>E meu aluno tem total razão ao questionar o controle de informações privadas. Ninguém quer criar mais uma estatal, muito menos burocratizar o acesso a dados, mas no mínimo o Governo precisa se colocar nesta discussão.</p>
<p>Mas neste capitalismo tronxo em que vivemos é assim. A privatização de uma empresa de leite vira mote bem sucedido de programa eleitoral, mas o acesso à informação pessoal pode ser privado e ninguém questiona.</p>
<p>É o país do futuro.</p>
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		<item>
		<title>Justiça de transição. Acertam-se contas?</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/artigos/justica-de-transicao-acertam-se-contas/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 10:15:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e Análises]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-53055" title="themis-4" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/themis-4.png" alt="" width="358" height="358" /></p>
<p><strong>por Andrei Barros Correia*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>O problema das leis – o maior deles – é o tempo. Elas transformam-se ou mantém-se conforme o ritmo da vida do grupo que disciplinam. Elas têm a pretensão da permanência, mas esse desejo é incompatível com a História, porque vive-se. Mas, a dinâmica histórica é compatível com certos padrões mais &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-53055" title="themis-4" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/themis-4.png" alt="" width="358" height="358" /></p>
<p><strong>por Andrei Barros Correia*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>O problema das leis – o maior deles – é o tempo. Elas transformam-se ou mantém-se conforme o ritmo da vida do grupo que disciplinam. Elas têm a pretensão da permanência, mas esse desejo é incompatível com a História, porque vive-se. Mas, a dinâmica histórica é compatível com certos padrões mais estáticos, com certas balizas mais estáveis.</p>
<p>As leis costumam dizer porque se fizeram: é o dever de motivar uma imposição ampla e supostamente abstrata. Ou seja, elas se destinam a tratar de uma situação e devem explicar porque o fazem daquela maneira.</p>
<p>O sistema de fazer leis obedece à hierarquização. Assim, há leis mais importantes que remetem os detalhes a leis menos importantes, sucessivamente. As mais inferiores e detalhadas devem estar em conformidade às superiores.</p>
<p>A legalidade constitucional é tão frágil quanto uma roseira comprada no mercado, que já chega morta em casa. Ela rompe-se e, depois, põe-se no seu lugar outra legalidade constitucional, pois não falta quem escreva uma constituição.</p>
<p>Quando o rompimento é drástico, os problemas tendem a ser econômicos e políticos, ao depois. Quando é aparentemente suave, ou é disfarçado, ou negociado, os problemas são mais sutis, embora mais duradouros, com é uma ferida que não para de supurar.</p>
<p>O Brasil, em 1964, teve um golpe de Estado. Um golpe que teve resultado positivo, depois de muita insistência, pois ele foi tentado várias vezes, contra os governos de dois presidentes, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.</p>
<p>O terceiro – ou quarto, melhor dizendo-se – sucumbiu. O Presidente João Goulart foi deposto por um golpe de Estado, em 01 de abril de 1964. Instalou-se no poder um grupo que ainda não saiu dele integralmente, mas não é disso que se trata.<span id="more-53054"></span></p>
<p>Vigorava no país, na ocasião do golpe de Estado, a constituição de 1946. Os que se instalaram trataram de modificar essa lei constitucional: primeiramente em 1967 e, depois, em 1969. Instituiu-se uma ordem constitucional mais restritiva de direitos e garantias individuais, a bem da segurança nacional. Abstraindo-se do que se considere segurança nacional, deu-se ao país um novo ordenamento jurídico.</p>
<p>Estabeleceu-se, enfim, uma ditadura, com militares à frente das posições mais destacadas no Estado. Instituiu-se um bipartidarismo farsesco, a possibilidade do presidente da república cassar mandatos políticos livremente e eleições indiretas para a presidência.</p>
<p>Essa ditadura teve vinte e um anos de vida e cinco presidentes não eleitos democraticamente. Ela acabou-se quando julgou conveniente acabar-se; não foi derrubada, cansou-se. Deformou profundamente as mentalidades, instilou as idéias do oportunismo, da superficialidade e da aparência como fundamentos sociais.</p>
<p>Claro que essas três inclinações estão sempre presentes nos agrupamentos humanos, em maior ou menor proporção, por isso mesmo não é necessário estimula-las. As piores coisas vivem por si, não precisam de ajuda.</p>
<p>A ditadura que se queria regime de legalidade plena deixou seus agentes praticarem violências enormes, arbitrárias e ilegais contra os cidadãos. Sequestrou-se, matou-se, torturou-se, violou-se, espancou-se. A mim, parece-me que essa tolerância com a violência institucional era o pagamento aos servos médios. Deixava-se que se saciassem com sangue, enquanto outros saciavam-se com dinheiro. Cada grupo com sua paixão, enfim.</p>
<p>Em 1979, o regime político ditatorial, antevendo o esgotamento, fez passar no Congresso Nacional a lei nº 6.683/79, chamada lei de anistia. Interessa transcrever o artigo 1º e os parágrafos 1º e 2º dessa norma:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares </em><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/Mensagem_Veto/anterior_98/vep267-L6683-79.pdf">(vetado)</a><em>.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>§ 1º – Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>§ 2º – Excetuam-se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, seqüestro e atentado pessoal.</em></p>
<p>O sistema constitucional brasileiro desconhece a inconstitucionalidade de normas produzidas antes da constituição vigente. É uma questão de coerência lógica. Todavia, existe outra maneira de aferição de compatibilidade de uma norma pre-constitucional com a constituição superveniente. Então, as normas anteriores à constituição, ou são recepcionadas pela nova ordem, ou não são.</p>
<p>Para julgar a recepção – conferindo os mesmos efeitos práticos de uma ação declaratória de inconstitucionalidade – existe a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF. Por meio dela, pode-se obter uma declaração do supremo tribunal federal sobre a compatibilidade de uma norma anterior com a constituição superveniente.</p>
<p>A OAB, por meio do excepcional trabalho de Fábio Konder Comparato, propôs uma ADPF para que o stf se pronunciasse sobre a compatibilidade, a recepção, em termos jurídicos,  da lei de anistia com a atual constituição. Compatibilidade muito improvável, pois a Constituição veda a tortura e a considera crime imprescritível.</p>
<p>O supremo tribunal federal julgou a lei compatível com a atual Constituição, em atitude infamante e indigna de juízes que se supõem conhecedores da lei, da filosofia do direito e que, ademais, são os maiores magistrados do país. Foi preciso julgar contra a técnica e com amparo nas inúmeras variantes do discurso que, no fundo, nega a história e estimula a violação das regras. O stf agiu em desconformidade a qualquer coisa que se assemelhe a um poder judicial, porque alinhou-se à noção de que regras são desprezíveis.</p>
<p>A lei controvertida anistia os crimes políticos e aqueles conexos a eles. Aqui, deve-se ir ao ponto central, que é a conexão entre crimes. São conexos os crimes que têm a mesma motivação, que são praticados pelas mesmas pessoas e que são praticados nas mesmas circunstâncias temporais e geográficas, sendo as provas de uns dependentes das de outros.</p>
<p><strong>Os crimes praticados pelos agentes do estado não são conexos àqueles praticados por quem resistiu ao regime ditatorial.</strong> Ora, crime político é aquele cuja motivação é atingir um regime político e não pode ser conexo aos crimes praticados com a motivação de defender esse mesmo regime. A diferença de motivação é de uma obviedade que leva a pensar que os defensores da conexão não agem por estupidez – que seria muita – mas pela histórica leniência conciliativa brasileira.</p>
<p>Os motivos de quem age contra ou a a favor de uma ordem política são tão diferentes quanto vinho e água. Uma interpretação correta leva à conclusão de que inexiste conexão entre tais delitos e que, consequentemente, a lei foi escrita por juristas incapazes que, embora querendo anistiar tudo, fizeram um texto que anistia apenas quem devia ser anistiado. Mas, nestas plagas, a pressa e a insuficiência intelectual são premiadas depois. As mesmas inclinações chancelam as intenções iniciais, a despeito do erro formal e material.</p>
<p>Essa piada levou o Brasil a ser condenado na Corte da Organização dos Estados Americanos, porque não se coaduna com os princípios a que os Estados participantes aderiram.</p>
<p>A justiça de transição não é a formalização de vinganças. É, antes, afirmação de que há direitos invioláveis, afirmação de que afronta-los implica riscos e, sobretudo, afirmação de que a história deve ser clara, de que devem estar presentes os elementos que permitam observa-la.</p>
<p>No Brasil, não apenas a pretensão à impunidade teve sucesso. A operação de lanças névoa sobre o passado também prosperou, tanto por meio da supressão de documentos, quanto pela consagração de uma tola ideia de inutilidade de falar-se da ditadura, como se o não falado inexistisse. É dos maiores triunfos que se conhecem, nessa área de imunizar-se a críticas.</p>
<p>O contrário do que se faz no Brasil está por todas as partes. Para cuidar de exemplos mais evidentes, basta evocar a Espanha, a África do Sul, a Argentina, o Uruguai. O caso espanhol mereceria um artigo próprio, dada a complexidade e a longevidade da ditadura superada e porque, além de tudo, envolveu uma guerra, no seu início.</p>
<p>Em geral, os países que superam ditaduras em que se violaram direitos de cidadãos, sistematicamente, por agentes do Estado, abrem acesso a todas as informações disponíveis. Assim, quem quiser pode debruçar-se sobre o suporte documental e escrever o que quiser, contra ou a favor. Quem disser algo pode ser contrariado por outrem, que viu os mesmos documentos.</p>
<p>Afastar a obscuridade e o sigilo é fundamental, porque eles só aprofundam a ignorância, a superficialidade e a tolerância ingênua de quem não sabe bem o que foi aquilo sobre que propõe tolerância. É um jogo de cegos e surdos, aos gritos e às tapas, um jogo se soma zero, enfim.</p>
<p>A ditadura militar de 21 anos foi grande vencedora, em detrimento do restante do país. Impôs sua forma de saída, impôs o sigilo sobre o que fizeram os agentes do Estado, concedeu-se – em mau português, é claro – um impossível perdão, estabeleceu as regras para a interpretação de si própria.</p>
<p>Deformou a percepção de democracia, de sistema eleitoral, de igualdade legal,  de fronteira entre público e privado. Deixou de herança um partido que ainda hoje é ponto fundamental de sustentação política, um partido que nada mais é que a resultante da oposição consentida, com toda honorabilidade que as oposições permitidas podem ter.</p>
<p>Enfim, o Brasil, depois de 21 anos de ditadura, não teve ainda uma justiça de transição. Teve, antes, uma transição acertada internamente, sem justiça. E a maioria crê que isso não tem consequências.</p>
<p>________________</p>
<p><em><strong>* Andrei Barros Correia é Procurador Federal. </strong><strong>Também é um dos editores do blog <a href="http://www.apocaodepanoramix.com/">A Poção de Panoramix</a>.</strong></em></p>
<p>________________</p>
<p><em>P.S 1–&gt; Em virtude dos 47 anos do golpe e no esteio da campanha <a href="http://twitter.com/#%21/search/%23desarquivandoBR">#DesarquivandoBR</a>, ao longo desta semana publicaremos uma série de posts  sobre o regime militar brasileiro. </em></p>
<p><em>Já foram publicados os seguintes posts:</em></p>
<p><em>1 – <a title="link permanente para: Desordem e Regresso naquele 1º de abril…" rel="bookmark" href="../artigos/artigos/desordem-e-regresso-naquele-1%c2%ba-de-abril/">Desordem e Regresso naquele 1º de abril…</a> (por <a href="http://twitter.com/#%21/andreraboni">André Raboni</a>).</em></p>
<p><em>2 – <a title="link permanente para: Balanço da blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da ditadura militar" rel="bookmark" href="../artigos/artigos/balanco-da-blogagem-coletiva-pela-abertura-dos-arquivos-da-ditadura-militar/">Balanço da blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da ditadura militar</a> (por <a href="http://twitter.com/#%21/NiDeOliveira71">Niara de Oliveira</a>).</em></p>
<p><em>3 &#8211; <a title="link permanente para: Ditadura Militar, 47 anos depois, a Anistia perpétua" rel="bookmark" href="../artigos/ditadura-militar-47-anos-depois-a-anistia-perpetua/">Ditadura Militar, 47 anos depois, a Anistia perpétua</a> (por <a href="http://twitter.com/#!/tsavkko">Raphael Tsavkko Garcia</a>)</em><a title="link permanente para: Ditadura Militar, 47 anos depois, a Anistia perpétua" rel="bookmark" href="../artigos/ditadura-militar-47-anos-depois-a-anistia-perpetua/"><em>.</em><br />
</a></p>
<p><em>P.S 2 –&gt; Os autores dos textos foram convidados e receberam sugestões de temas organizados pelo <strong>Acerto de Contas</strong>.   Eles aceitaram gentilmente o convite  e se disponibilizaram para a   produção dos conteúdos a serem publicados durante esses dias.</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Ditadura Militar, 47 anos depois, a Anistia perpétua</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/artigos/ditadura-militar-47-anos-depois-a-anistia-perpetua/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Apr 2011 09:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
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		<guid isPermaLink="false">http://acertodecontas.blog.br/?p=53037</guid>
		<description><![CDATA[<p><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/ditadura-acerto-de-contas_Bier.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-53038" title="Charge: Bier" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/ditadura-acerto-de-contas_Bier.jpg" alt="" width="400" height="339" /></a><strong><br />
por Raphael Tsavkko*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>A Ditadura Militar no Brasil durou exatos 21 anos, de 1º de Abril de 1964 (o dia da mentira no Brasil, razão pela qual os militares apontam o dia anterior, 31 de março como dia do Golpe) até 15 de janeiro de 1985 e, durante este período de grande repressão política, 380 &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/ditadura-acerto-de-contas_Bier.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-53038" title="Charge: Bier" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/ditadura-acerto-de-contas_Bier.jpg" alt="" width="400" height="339" /></a><strong><br />
por Raphael Tsavkko*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>A Ditadura Militar no Brasil durou exatos 21 anos, de 1º de Abril de 1964 (o dia da mentira no Brasil, razão pela qual os militares apontam o dia anterior, 31 de março como dia do Golpe) até 15 de janeiro de 1985 e, durante este período de grande repressão política, 380 pessoas foram mortas (uma boa parte de guerrilheiros de esquerda anti-Ditadura, mas muitos estudantes ou simplesmente cidadãos que não apoiavam o regime), entre as quais 147 continuam desaparecidos e nada se sabe sobre o destino de seus corpos.</p>
<p>Apesar de ser conhecida como Ditadura &#8220;Militar&#8221;, esta não teria se sustentado sem o amplo apoio de milhares ou milhões de civis que defenderam e apoiaram ativamente o regime e sua repressão. Parte significativa da população brasileira era (e ainda é) formada por conservadores, por indivíduos ligados às igrejas Católica e evangélicas que, na época, temiam que o país pudesse se tornar um regime comunista.</p>
<p>Hoje sabe-se que tanto o golpe quanto o regime consequente foram financiados pelos EUA em uma aliança regional entre ditaduras na América Latina chamada de Plano Condor, ou seja, uma rede gerenciada pelos EUA que mantinha ligação efetiva e constante entre os países da região que estavam (ou logo estariam) sob regimes ditatoriais, promovendo a manutenção do status quo e dando apoio logístico e financeiro à derrubadas de regimes democráticos, como o Chile de Salvador Allende, derrubado por Augusto Pinochet em 11 de setembro de 1973.</p>
<p>Durante os chamados &#8220;Anos de Chumbo&#8221;, milhares de brasileiros e brasileiras foram vítimas de tortura sistemática e prisões arbitrárias, inclusive mulheres grávidas e, em alguns casos, crianças, filhos dos presos políticos, assistiam às sessões de tortura. Não se sabe ao certo o número de crianças traumatizadas durante o período.<span id="more-53037"></span></p>
<p>Além da tortura institucional, existiam grupos de extermínio apoiados extra-oficialmente pela estrutura civil-militar do Estado, como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo cuja finalidade era a de caçar e matar supostos comunistas, especialmente em áreas pobres e favelas.</p>
<p>Pela esquerda, foi organizada às pressas uma resistência armada formada por diversos pequenos grupos compostos majoritariamente por estudantes universitários que praticavam assaltos à bancos (expropriações) para financiar suas ações, dentre elas o sequestro de personalidades e embaixadores estrangeiros. Estes grupos jamais foram grandes u muito fortes e boa parte destes foram desmantelados depois de intensa perseguição, prisões e torturas, além de exílios forçados.</p>
<p>Carlos Marighella e Carlos Lamarca, respectivamente líderes da Aliança Libertadora Nacional (ALN) e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram dois dos grandes líderes guerrilheiros durante os anos 60 caídos em combate contra o exército e a polícia brasileira.</p>
<p>Durante os primeiros anos da década de 70 a Guerrilha do Araguaia, comandada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil), se tornou célebre, ainda que o despreparo e as condições locais tenham impedido qualquer grande sucesso do grupo que foi quase todo preso ou morto pelo Exército brasileiro até 1974. Pelo menos 50 guerrilheiros mortos no Araguaia permanecem desaparecidos até hoje.</p>
<p>Durante o período que se conhece no Brasil como o da abertura, no final dos anos 70 e começo dos 80, em que a guerrilha tanto urbana quanto rural já havia sido quase totalmente dizimada e durante o momento em que as Forças Armadas começavam a sentir que não poderiam mais se manter no poder &#8211; aumento significativo da inflação, aumento significativo da dívida externa brasileira, crise econômica mundial devido à crise do petróleo no mesmo ano, processos de re-democratização em países vizinhos -, foi promulgada a Lei da Anistia.</p>
<p>Em 28 de agosto de 1979, o então ditador, João Figueiredo, promulgou a lei 6.683, conhecida como Lei da Anistia que virtualmente “desculpava” os militares e civis pró-regime que haviam matado e torturado durante o regime de exceção, já prevendo o fim próximo da Ditadura e a possibilidade de processos contra os criminosos.</p>
<p>Militares e civis que haviam torturado e matado centenas de brasileiros em paus de arara, com choques elétricos, afogamento, espancamento dentre outras técnicas passaram automaticamente a serem inimputáveis, ou seja, jamais poderiam ser alcançados pela lei de um regime democrático e julgados por seus crimes.</p>
<p>Crimes como o cometido contra a família de Amélia Telles e Criméia Almeida, presas e torturadas enquanto a segunda encontrava-se grávida. Criméia Almeida ainda teve o marido, André Grabois, e o sogro, Maurício Grabois, assassinados pela Ditadura e criou seu filho sozinha. A filha de Amélia Telles foi presa, aos 5 anos de idade, junto com a mãe e por anos carregou danos psicológicos pela situação a que foi submetida e à sua família.</p>
<p>O Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável pela tortura de Criméia e Amélia, dentre outras centenas, foi o único militar a ser processado e condenado, em 9 de outubro de 2008, passando a ser considerado oficialmente um torturador, ainda que a pena não acarretasse prisão ou pagamento de multa, sendo apenas declaratória.</p>
<p>Porém, até hoje nenhum militar foi punido e os arquivos relativos àquele período permanecem fechados, secretos, impedindo que as famílias dos 147 desaparecidos possam enterrar seus entes queridos e saber da verdade.</p>
<p>Em Abril de 2010 o Supremo tribunal Federal tornou ainda mais difícil a abertura do arquivos e a punição dos torturadores ao julgar a validade da Lei da Anistia e garantir a eterna impunidade daqueles que, em nome do Estado, torturaram e mataram.</p>
<p>Porém, na véspera do natal de 2010, a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) julgou e condenou o Brasil no caso conhecido como &#8220;Guerrilha do Araguaia&#8221;, em que sobreviventes da guerrilha, dentre eles Amélia Telles e Criméia Almeida, processavam o país, tentando obrigá-lo a reparar as vítimas da Ditadura e revogar a Lei da Anistia.</p>
<p>O governo brasileiro, até o momento, não tomou conhecimento da sentença. <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2011/02/abrir-os-arquivos-e-dever-do-estado-se.html">Não importa a pressão</a> que façam os ativistas de Direitos Humanos e mesmo representantes da Corte.</p>
<p>Desde a chamada re-democratização, em 1985, diversos grupos lutam para garantir o direito das vítimas da Ditadura, buscando reparação financeira, condenação aos criminosos, abertura dos arquivos e manter viva a memória histórica nacional. Online, há também uma grande mobilização permanente de blogueiros que buscam dar publicidade a casos de vítimas, pressionam com abaixo-assinados e com <a href="http://is.gd/jCLvKz">blogagens coletivas</a> para manter viva a memória.</p>
<p>Durante a semana em que se comemora o Golpe, centenas de blogueiros e tuiteiros fizeram intensa campanha pela abertura dos arquivos da Ditadura, exigindo justiça e reparação.</p>
<p>Um dos <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2010/05/o-protesto-contra-lei-da-anistia-e-o.html">grupos mais ativos na busca pela verdade</a> e pela abertura dos arquivos, o Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo, vem promovendo exumações no cemitério de Vila Formosa, na Zona Leste da cidade de São Paulo, onde acredita-se estão enterradas as ossadas de diversos militantes de esquerda assassinados pela Ditadura.</p>
<p>A justiça brasileira, mesmo antes da decisão do STF a favor da Anistia, vem dificultando a procura por corpos de desaparecidos, ao mesmo tempo em que o exército demonstra extrema má vontade em buscar pelos corpos de guerrilheiros ainda hoje enterrados em  valas comum na região do Araguaia, no centro do país.</p>
<p>Por outro lado, o governo brasileiro, hoje com uma ex-presa política e ex-guerrilheira como Presidente, Dilma Rousseff, pouco se movimenta no sentido de abrir os arquivos ainda secretos da Ditadura. Durante a discussão no STF sobre a anistia Dilma Rousseff, ainda Ministra de Minas e Energia, declarou acreditar se tratar de &#8220;<a href="http://tsavkko.blogspot.com/2010/05/dilma-rousseff-e-o-revanchismo-anistia.html">revanchismo</a>&#8221; a tentativa dos grupos de direitos humanos de revogar a Lei e deu total apoio à decisão.</p>
<p>O então Presidente Lula, por sua vez, elevou o tempo para que arquivos secretos sejam divulgados para o público, tornando impossível para os sobreviventes terem acesso mesmo a seus processos em tribunais militares enquanto viverem.</p>
<p>O PNDH3, o Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, que abarcava um conjunto de medidas a serem tomadas pelo governo federal na implementação dos Direitos Humanos dos brasileiros &#8211; dentre eles a Comissão da Verdade &#8211; foi sumariamente mutilado e descaracterizado, ao ponto de quase abandono completo.</p>
<p>As últimas ações do governo federal foram todas no sentido de não entrar em confronto com as Forças Armadas e, por outro lado, de confrontar os sobreviventes e vítimas da Ditadura e negar-lhes seu direito e o direito de toda a população brasileira, de conhecer e passar a limpo seu passado.</p>
<p>Passados 26 anos da re-democratização, o passado do país ainda está envolto em uma cortina preta de segredos e mentiras e os ativistas se perguntam: Até quando?</p>
<p>______________</p>
<p><strong>* <em><strong>Raphael Tsavkko </strong>é jornalista e blogueiro,  mestrando em Comunicação (Cásper Líbero) e bacharel em Relações  Internacionais (PUCSP). Também é editor do blog<a href="http://tsavkko.blogspot.com/"> The Angry Brazilian</a></em>.</strong></p>
<p><em><strong>No twitter: </strong><strong><a rel="nofollow" href="http://twitter.com/tsavkko">@tsavkko</a></strong></em></p>
<p>______________</p>
<p><em>P.S 1–&gt; Em virtude dos 47 anos do golpe e no esteio da campanha <a href="http://twitter.com/#%21/search/%23desarquivandoBR">#DesarquivandoBR</a>, ao longo desta semana publicaremos uma série de posts  sobre o regime militar brasileiro. </em></p>
<p><em>Já foram publicados os seguintes posts:</em></p>
<p><em>1 &#8211; <a title="link permanente para: Desordem e Regresso naquele 1º de abril…" rel="bookmark" href="../artigos/desordem-e-regresso-naquele-1%c2%ba-de-abril/">Desordem e Regresso naquele 1º de abril…</a> (por <a href="http://twitter.com/#!/andreraboni">André Raboni</a>).</em></p>
<p><em>2 &#8211; <a title="link permanente para: Balanço da blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da ditadura militar" rel="bookmark" href="../artigos/balanco-da-blogagem-coletiva-pela-abertura-dos-arquivos-da-ditadura-militar/">Balanço da blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da ditadura militar</a> (por <a href="http://twitter.com/#!/NiDeOliveira71">Niara de Oliveira</a>).</em></p>
<p><em>P.S 2 –&gt; Os autores dos textos foram convidados e receberam sugestões de temas organizados pelo <strong>Acerto de Contas</strong>.  Eles aceitaram gentilmente o convite  e se disponibilizaram para a  produção dos conteúdos a serem publicados durante esses dias.</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Balanço da blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da ditadura militar</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/artigos/balanco-da-blogagem-coletiva-pela-abertura-dos-arquivos-da-ditadura-militar/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2011 04:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e Análises]]></category>
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		<description><![CDATA[<p><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/desarquivandobr.jpg"><img class="size-full wp-image-53007 aligncenter" title="desarquivandobr" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/desarquivandobr.jpg" alt="" width="392" height="83" /></a><br />
<strong>por Niara de Oliveira*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>A iniciativa de fazer uma campanha na internet pela abertura dos arquivos da ditadura militar surgiu logo após entrevistar Criméia Almeida e Suzana Lisbôa, da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos &#8211; elas vieram a Pelotas em novembro de 2009 para participar do ato de lançamento do livro <a href="http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pagina.php?id=221" target="_blank">Dossiê Ditadura: </a>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/desarquivandobr.jpg"><img class="size-full wp-image-53007 aligncenter" title="desarquivandobr" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/desarquivandobr.jpg" alt="" width="392" height="83" /></a><br />
<strong>por Niara de Oliveira*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>A iniciativa de fazer uma campanha na internet pela abertura dos arquivos da ditadura militar surgiu logo após entrevistar Criméia Almeida e Suzana Lisbôa, da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos &#8211; elas vieram a Pelotas em novembro de 2009 para participar do ato de lançamento do livro <a href="http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pagina.php?id=221" target="_blank">Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)</a> promovido pelo Instituto Mário Alves &#8211; <a href="http://imapelotas.blogspot.com/" target="_blank">IMA</a>.</p>
<p>Antes da entrevista eu havia lido algumas matérias do jornalista Mário Magalhães na Folha de São Paulo, sobre o &#8220;trâmite&#8221; dos arquivos secretos a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, quando a Lei da Anistia completou vinte anos e os arquivos poderiam ser disponibilizados ao público. Ao invés de abrir os arquivos, FHC criou uma lei que instituía o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1212200625.htm" target="_blank">&#8220;sigilo eterno&#8221; para os arquivos com o carimbo &#8220;ultrassecreto&#8221;</a>.</p>
<p><iframe width="610" height="458" src="http://www.youtube.com/embed/9v8uX-b3RB0?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Essa lei foi mantida por Luis Inácio Lula da Silva e na época da visita de Criméia e Suzana a Pelotas, o governo federal estava veiculando na mídia a campanha <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9v8uX-b3RB0" target="_blank">Memórias Reveladas</a>, onde cinicamente pedia ajuda à população para encontrar informações sobre cidadãos &#8211; relegados ao esquecimento através da prática cruel do desaparecimento político &#8211; que desapareceram sob a tutela do Estado. Fui para a entrevista munida dessa indignação e querendo saber como os familiares dos mortos e desaparecidos se sentiam com esse verdadeiro deboche do Estado brasileiro com sua dor. O resultado pode ser visto na <a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/2010/01/12/verdade-e-justica/" target="_blank">entrevista que gerou a primeira blogagem coletiva em janeiro de 2010</a>.<span id="more-53005"></span></p>
<p>Com medo de publicar a entrevista num blog tão pouco visitado &#8211; nessa época o Pimenta com Limão tinha algo em torno de 50 visitas diárias &#8211; e ser hackeada por uma brigada de direita e defensora do golpe de 64 que atua na internet, escrevi a dezoito blogueiros com quem tinha contato diário via twitter e ofereci a entrevista, que seria assinada por um heterônimo meu &#8211; Pedro Luiz Maia &#8211; e seria publicada simultaneamente por todos no mesmo dia e horário, em 12 de janeiro às 14h. Apenas catorze blogs aderiram à proposta sendo que dois publicaram com atraso. Mais tarde, outros três blogueiros ao ver a campanha na rede também aderiram.</p>
<p>Nessa campanha pedíamos a abertura dos arquivos e a punição dos torturadores &#8211; a <a href="http://www.ajd.org.br/maisinformacoes_port.php" target="_blank">ADPF 153</a> ainda não tinha sido julgada pelo STF &#8211; e muitos desses blogueiros que apoiavam a candidatura de Dilma Rousseff à presidência não quiseram mais se envolver com medo que isso repercutisse mal para a candidata da situação por ter sido ela presa, torturada e &#8220;beneficiada&#8221; pela Lei da Anistia.</p>
<p>Recolhi as armas e esperei o julgamento do STF, mesmo que sempre manifestasse minha opinião nas redes. O <a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/2010/05/02/stf-institucionaliza-a-tortura-no-brasil/" target="_blank">STF estendeu a anistia aos torturadores</a> &#8211; institucionalizando a tortura no país &#8211; e veio a campanha presidencial e a baixaria que todos fomos testemunhas. Depois veio a posse e qualquer movimento que pudesse tumultuar ou questionar a postura de Dilma &#8211; ministra da Casa Civil e, portanto, chefe maior do Arquivo Nacional &#8211; antes da posse era mal visto.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-53008" title="banner-desarquivando-br" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/banner-desarquivando-br.jpg" alt="" width="252" height="299" /></p>
<p>Chegou janeiro de 2011 e a primeira blogagem ia completar um ano e achei que não poderia passar em branco. Rascunhei uma proposta de blogagem coletiva e repassei ao <a href="http://twitter.com/#%21/Tsavkko" target="_blank">Raphael Tsavkko</a> que complementou o texto, procurei e encontrei um chargista para fazer um desenho da presidenta Dilma carimbando os arquivos como públicos e colocamos a segunda blogagem coletiva no ar. A proposta era que cada blogueiro produzisse um texto inédito (estilo artigo) e divulgasse nas redes junto com a hastag durante dez dias no final de janeiro deste ano.</p>
<p>Dessa vez tivemos a adesão de quase vinte blogs, renovando em mais de 90% o grupo que aderiu à primeira. Mudamos a hastag para <a href="http://twitter.com/#%21/search?q=%23desarquivandoBR" target="_blank">#desarquivandoBR</a>, criamos um <a href="http://twibbon.com/join/Desarquivando-o-Brasil" target="_blank">twibbon</a> (assinatura para incluir junto a foto no avatar das redes sociais) e os participantes sugeriram que retomássemos a campanha nos dias do aniversário do golpe.</p>
<p>Então, no dia 28 de março iniciamos <a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/2011/03/27/retomando-a-campanha-pelo-desarquivamento-do-brasil/" target="_blank">a terceira blogagem coletiva pelo desarquivamento do Brasil</a> que se estendeu até ontem, 03 de abril. A proposta agora era entrevistar pessoas que viveram o regime de exceção, familiares de mortos e desaparecidos, ex-torturados, jornalista que tenham trabalhado na época, biógrafos de guerrilheiros e, principalmente, lembrar os desaparecidos para que de alguma forma não deixar esse crime (desaparecimento) impune.</p>
<p>Para minha surpresa, boa parte dos vinte blogs que aderiram na segunda edição da campanha em janeiro sequer se manifestaram nas redes ajudando a divulgar os textos participantes da terceira edição. Tivemos em torno de 25 blogs participantes (dos que divulgaram a adesão) e pelas minhas contas a renovação dos blogs participantes ficou em torno de 70% com relação a segunda. O Raphael Tsavkko colocou o #desarquivandoBR em vários blogs mundo afora através do <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2011/03/31/brasil-pela-abertura-dos-arquivos-da-ditadura/" target="_blank">Global Voices</a>, onde seu texto publicado em português no dia 31 de março foi traduzido para o inglês, grego, russo, chinês e espanhol.</p>
<p>Preciso registrar e agradecer em especial a participação intensa de dois blogueiros que além de produzirem textos inéditos dentro das propostas apresentadas para essa edição, reproduziram textos que saíram na imprensa em seus blogs e nas redes sociais. São eles o <a href="http://twitter.com/#%21/paduafernandes" target="_blank">Pádua Fernandes</a> do blog <a href="http://opalcoeomundo.blogspot.com/" target="_blank">O Palco e o Mundo</a> (cinco posts) e o <a href="http://twitter.com/#%21/mariomarsillac" target="_blank">Mário Lapolli</a> do blog <a href="http://ousarlutar.blogspot.com/" target="_blank">Ousar Lutar, Ousar Vencer!</a> (em torno de seis post com a <em>hashtag</em>) que foram incansáveis durante essa semana e junto comigo e o <a href="http://twitter.com/#%21/t_aaguiar" target="_blank">Tiago Aguiar</a>, floodamos (tweetamos demais sobre o mesmo assunto) nossos twitters.</p>
<p>Buenas, neste balanço geral das três primeiras blogagens coletivas pela abertura dos arquivos da ditadura militar brasileira ficaram algumas lições.</p>
<p style="padding-left: 30px;">1) Mesmo entre ativistas de esquerda o assunto não parece tão importante quanto deveria ser e o fato de sermos o único país do cone sul que viveu ditadura militar patrocinada pelos EUA e ainda não passou sua história a limpo, incomoda, mas não o suficiente para desacomodar e mobilizar;</p>
<p style="padding-left: 30px;">2) Apesar da campanha estar crescendo e o número de blogs participando aumentar a cada edição, os blogs participantes alteram muito de uma edição para outra &#8211; os três únicos blogs participantes das três blogagens foram o Pimenta com Limão, o <a href="http://limarco.blogspot.com/2011/04/retomando-campanha-pelo-desarquivamento.html">Blog do Limarco</a> e o <a href="http://tsavkko.blogspot.com/" target="_blank">Blog do Tsavkko</a>;</p>
<p style="padding-left: 30px;">3) O componente político partidário eleitoral momentâneo influencia demais na participação dos blogs numa campanha que deveria ser princípio e questão de honra para todo ativista de esquerda brasileiro em memória dos que morreram combatendo a ditadura;</p>
<p style="padding-left: 30px;">4) O fato da ditadura brasileira ter desencadeado todas as outras no cone sul e ter ligações comprovadas com os EUA pode explicar o &#8220;desinteresse&#8221; em abrir os arquivos secretos;</p>
<p style="padding-left: 30px;">5) Quanto mais difícil fica essa luta mais me mobilizo para continuá-la.</p>
<p>A partir das lições que ficam dessa experiência, proponho desde já realizarmos a quarta, quinta, sexta&#8230; blogagem coletiva até que os arquivos secretos da ditadura sejam públicos e não exista mais nenhum desaparecido político do período 1964-1985. Além disso estou propondo que desde já organizemos atos públicos (que não precisam exatamente reunir grande números de pessoas, podem ser instalações nos pontos de maior movimento das cidades) no dia 13 de dezembro &#8211; aniversário do AI-5 que originou a ampla maioria das mortes e desaparecimentos da ditadura militar.</p>
<p>Por fim deixo a lista dos blogs que participaram dessa terceira blogagem coletiva: <a href="http://caouivador.wordpress.com/2011/03/28/na-semana-do-47%C2%BA-aniversario-do-golpe-de-1964-e-preciso-lembrar/" target="_blank"></a></p>
<p><a href="http://caouivador.wordpress.com/2011/03/28/na-semana-do-47%C2%BA-aniversario-do-golpe-de-1964-e-preciso-lembrar/" target="_blank"> </a></p>
<p><a href="http://caouivador.wordpress.com/2011/03/28/na-semana-do-47%C2%BA-aniversario-do-golpe-de-1964-e-preciso-lembrar/" target="_blank">Cão Uivador</a>, <a href="http://ruminantia.wordpress.com/2011/04/02/desarquivando-o-brasil/" target="_blank"><br />
Ruminando Ideias</a>,<br />
<a href="http://deiticos.blogspot.com/2011/04/dia-da-mentira-da-revolucao.html" target="_blank">Dêiticos</a>,<br />
<a href="http://ddd.opsblog.org/2011/03/30/necessidade-de-saber/" target="_blank">Dispersões Delírios e Divagações</a>,<br />
<a href="http://sorjulio1.blogspot.com/2011/03/que-exemplo-dara-as-geracoes-proximas-o.html?spref=fb" target="_blank">Blog do Prof. Julio Sosa</a>,<br />
<a href="http://jornalismob.wordpress.com/2011/03/31/a-ditadura-escondida-e-a-ditadura-revelada/" target="_blank">Jornalismo B</a>,<br />
<a href="http://blogdomello.blogspot.com/2011/03/blogagem-coletiva-pela-abertura-dos.html" target="_blank">Blog do Mello</a>,<br />
<a href="http://tiagoaaguiar.blogspot.com/2011/03/o-homem-de-ferro-e-de-flor.html?spref=tw" target="_blank">Cheque Sustado</a>,<br />
<a href="http://narodaviva.wordpress.com/2011/03/31/um-pais-que-ainda-comemora-seu-golpe/" target="_blank">Na Roda Viva</a>,<br />
<a href="http://as-agruras-e-as-delicias.blogspot.com/2011/04/pela-memoria-e-pela-vida-desarquivando.html" target="_blank">As agruras e as delícias de ser</a>,<br />
<a href="http://blogdovelhocomunista.blogspot.com/2011/04/retomando-campanha-pelo-desarquivamento.html" target="_blank">Blog do Velho Comunista</a>,<br />
<a href="http://www.mobilizacaobr.com.br/profiles/blogs/2-blogagem-coletiva-pela" target="_blank">Mobilização BR</a>, <a href="http://blog-sem-juizo.blogspot.com/2011/03/complacencia-com-tortura-estimula.html" target="_blank"><br />
Sem Juízo</a>,<br />
<a href="http://olhodecorvo.redezero.org/31-de-marco-a-hora-da-verdade-no-aniversario-do-golpe-militar/" target="_blank">Olho de Corvo</a>, <a href="http://www.estadoanarquista.org/blog/?p=8485" target="_blank"><br />
Estado Anarquista</a>,<br />
<a href="http://fla-fernandes.blogspot.com/2011/04/o-mundo-da-voltas.html" target="_blank">Um lugar de mato verde&#8230;</a>,<br />
<a href="http://ricardo-domeneck.blogspot.com/2011/04/desarquivando-o-brasil.html" target="_blank">Rocirda Demencock</a>,<br />
<a href="http://carlosmagalhaes.com.br/2011/03/31/desarquivando-o-brasil/" target="_blank">Sociologia do Absurdo</a>,<br />
<a href="http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2011/04/1-de-abril-o-golpe-norte-americano-no.html?spref=tw">Juntos Somos Fortes</a>,<br />
<a href="http://oblogdochico.blogspot.com/2011/03/o-golpe-os-desaparecidos-e-o-direito.html">Blog do Chico</a>,<br />
<a href="http://comunicatudo.blogspot.com/2011/03/o-inatual-e-urgente-produzir-memoria.html">Comunica Tudo</a>, <a href="http://murilocorrea.blogspot.com/2011/03/o-inatual-e-urgente-produzir-memoria.html"><br />
A Navalha de Dali</a>, <a href="http://dandi.blogspot.com/2011/03/o-amargo-de-um-passado-ainda-vivo.html"><br />
O Inferno de Dandi</a>,<br />
<a href="http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2011/04/1-de-abril-o-golpe-norte-americano-no.html?spref=tw">Acerto de Contas</a>,<br />
<a href="http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2011/04/eu-nao-esqueco-brasil-nunca-mais.html" target="_blank">Borboleta nos Olhos</a>.</p>
<p>Além dos já citados Blog do Tsavkko, Ousar Lutar Ousar Vencer!, O Palco e o Mundo e do Pimenta com Limão e do <a href="http://bdbrasil.org/" target="_blank">Bidê Brasil</a>, <a href="http://ninarmonca.blogspot.com/" target="_blank">Coisas da Tamonca</a> e <a href="http://imprensananica.blogspot.com/" target="_blank">Imprensa Nanica</a> que colocaram os banners. O blog <a href="http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2011/04/ditadura-uma-historia-veridica.html" target="_blank">Cinema e Outras Artes</a> escreveu um excelente texto dentro do período mas não colocou banner e nem se referiu à campanha, mas como o Maurício Caleiro participou da primeira blogagem lá em 2010, o estou citando também. (Se esqueci algum blog é só dar um grito que incluímos na lista, ok?)</p>
<p>Nunca seremos uma nação verdadeiramente soberana e democrática enquanto não passarmos nossa história a limpo e os torturadores da ditadura militar permanecerem impunes. Precisamos abrir os arquivos da ditadura com urgência, para que nenhum pai ou mãe morra sem encerrar seu luto, saber em que circunstância o Estado brasileiro assassinou seu filho e sem enterrar seus restos mortais.</p>
<p>Não há dignidade nessa falsa paz que a Lei da Anistia promoveu e onde apenas um lado daquela guerra suja foi punido &#8211; o mais fraco. Para que possamos hoje punir com rigor os crimes de tortura praticados Brasil afora, teremos que limpar esse lodo jogado na nossa história por um bando de militares fascistas, descompensados e fanáticos que se acharam acima do bem e do mal, dispondo sobre a vida de quem queriam e como queriam. Eles continuam soltos por aí, posando de cidadãos de bem e ainda se sentem no direito de comemorar o golpe de 64, ocupando a lacuna deixada pelo governo que não cumpre o seu papel e faz questão de &#8220;esquecer&#8221; as atrocidades cometidas.</p>
<p>É preciso ainda lembrar que o poder de abrir os arquivos da ditadura, de classificar os ditos arquivos secretos como públicos compete única e exclusivamente à presidenta Dilma Rousseff, que além de tornar esses arquivos públicos  deve, enquanto governo, um pedido formal de desculpas ao país e às famílias dos mortos e desaparecidos. Espero sinceramente que Dilma faça o que FHC e Lula não tiveram coragem de fazer.</p>
<p>Esse é o sentido dessa luta.</p>
<p>____________________</p>
<p><em><strong>* Niara de Oliveira é jornalista.</strong></em></p>
<p><a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/" target="_blank">http://twitter.com/nideoliveira71</a><a href="http://pipocacomentada.wordpress.com/" target="_blank"></p>
<p>http://pimentacomlimao.wordpress.com/</p>
<p>http://pipocacomentada.wordpress.com/</a></p>
<p>﻿___________________</p>
<p><em>P.S 1&#8211;&gt; Em virtude dos 47 anos do golpe e no esteio da campanha <a href="http://twitter.com/#!/search/%23desarquivandoBR">#DesarquivandoBR</a>, ao longo desta semana publicaremos uma série de posts  sobre o regime militar brasileiro. </em></p>
<p><em>P.S 2 &#8211;&gt; Os autores dos textos foram convidados e receberam sugestões de temas organizados pelo <strong>Acerto de Contas</strong>. Eles aceitaram gentilmente o convite  e se disponibilizaram para a produção dos conteúdos a serem publicados durante esses dias.<br />
</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
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		<title>Usina nuclear em Pernambuco: estupidez tem limite</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Feb 2011 14:57:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-52639" title="cactus nuclear" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/cactus-nuclear.jpg" alt="" width="301" height="301" /><br />
<strong>por Edilson Silva*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>Estamos há tempos denunciando o processo de ampliação do programa nuclear  brasileiro  para a geração de energia elétrica. Na recente campanha ao governo do  Estado, na condição de candidato, levamos este tema para debates nas TVs  e também para o nosso guia eleitoral, como forma de alertar a população  para os perigos &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-52639" title="cactus nuclear" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/02/cactus-nuclear.jpg" alt="" width="301" height="301" /><br />
<strong>por Edilson Silva*</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>Estamos há tempos denunciando o processo de ampliação do programa nuclear  brasileiro  para a geração de energia elétrica. Na recente campanha ao governo do  Estado, na condição de candidato, levamos este tema para debates nas TVs  e também para o nosso guia eleitoral, como forma de alertar a população  para os perigos que a construção de um complexo nuclear pode trazer,  como mínimo, para o nosso Estado.</p>
<p>Há  pelo menos cinco questões entrelaçadas que envolvem este tema e que  precisam ser debatidas amplamente com a máxima urgência, na perspectiva  de uma ampla mobilização social, diante da notícia de que o município de  Itacuruba, às margens do Velho Chico, já foi escolhido como primeira  opção pela Eletronuclear para a construção destas usinas no nordeste.</p>
<p>As  questões são entrelaçadas porque dialogam entre si e se justificam  mutuamente. A primeira questão diz respeito à natureza da energia  nuclear. Trata-se de uma fonte não-renovável, altamente poluente no  processo de produção do combustível nuclear e cujo lixo (resíduos  radioativos) o homem ainda não sabe bem o que fazer com ele. Mesmo os  resíduos de baixa radioatividade, como botas e macacões dos funcionários  das usinas, precisam ainda ser confinados por séculos. Os resíduos de  média e alta radioatividade tendem a virar um monumento eterno à  estupidez. Detalhe: uma usina nuclear tem uma vida útil pouco maior que  meio século. Até uma criança vê a relação custo-benefício.<span id="more-52638"></span></p>
<p>Ainda  na questão da natureza destas usinas, há sempre o perigo de acidentes.  Se não houvesse, um dos principais critérios para localização geográfica  destas unidades não seria a baixa densidade populacional (uma das  razões de terem escolhido Itacuruba), de forma que os “estragos” num  eventual acidente sejam minimizados. O problema é que estamos falando de  combustível nuclear, cuja irradiação pode alcançar com facilidade  milhares de quilômetros. Pior, às margens de um dos principais rios  brasileiros, o Rio São Francisco. Um acidente poderá, certamente, anular  para sempre o sertão do São Francisco como o conhecemos e levar para as  demais regiões o trauma de Chernobil.</p>
<p>A  segunda questão diz respeito à necessidade da ampliação da oferta de  energia elétrica. Precisamos mesmo desta ampliação? Este debate  extrapola a questão das usinas nucleares e alcança mesmo as  hidrelétricas e termelétricas. É necessário matar o Parque do Xingu para  construir a usina de Belo Monte?</p>
<p>Há  fortes razões para crermos que os níveis de exigência de  responsabilidade sócio-ambiental na Europa estejam carreando para a  “periferia” do planeta a produção “suja”, como os eletrointensivos &#8211;  produção de aço e alumínio -, unidades fabris que consomem energia  elétrica e água equivalentes a grandes cidades e até mesmo estados  inteiros. O nosso crescimento econômico, a nossa “marolinha” diante da  crise econômica mundial, estaria sendo sustentada pela degradação  criminosa da nossa infraestrutura natural.</p>
<p>Esta  segunda questão nos leva imediatamente à terceira. Porque não há um  debate democrático sobre isto? Temas desta relevância não podem ficar  confinados em salas e corredores dos gabinetes do poder. A sociedade  precisa conhecer minimamente as opções que tem. Por que razão o Brasil  debateu o desarmamento, dizendo sim ou não, e com relação a um tema que  diz respeito a questões de mais longo alcance não há participação  popular?</p>
<p>A  quarta questão diz respeito ao fato de estarmos falando do Brasil. Aqui  não é a França, o Japão, países cuja infra-estrutura natural não lhes  foi generosa, e que se utilizam desta fonte energética. Aqui no Brasil  temos sol praticamente o ano inteiro, mar e ventos abundantes. Porque  razão não exploramos melhor a hipótese de geração de energia elétrica a  partir destas fontes renováveis? É porque elas são abundantes e não  geram lucro para um pequeno grupo, como outras fontes?</p>
<p>Por  fim, a quinta questão. Estamos falando de Pernambuco. Para quem ainda  não conhece, sugiro a leitura da nossa Constituição Estadual, em seu  Capítulo IV, Do Meio Ambiente, que abriga os artigos 204 a 216. Solicito  especial atenção ao artigo 216: <strong><em>“</em></strong><strong><em>Fica  proibida a instalação de usinas nucleares no território do Estado de  Pernambuco enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia  hidrelétrica e oriunda de outras fontes”</em></strong>.</p>
<p>Por que  razão o legislador definiu de forma tão expressa o uso de energia  nuclear somente em último caso? É porque esta fonte é para ser usada  somente em último caso mesmo, dadas as suas péssimas características.  Não pode ser utilizada com o argumento de que gera emprego e renda, que  gera divisas para o município e para o Estado. Estes argumentos são de  uma futilidade inenarráveis.</p>
<p>Neste momento, o governador Eduardo Campos, e mais ainda o seu futuro secretário de <span style="text-decoration: underline;">Meio Ambiente e Sustentabilidade</span>,  Sergio Xavier, do PV, precisam demonstrar seu compromisso com o  presente e com o futuro. A sociedade, precavida, deve estar pronta para  dizer não a esta afronta ao futuro, ao presente, à lei e à razão.</p>
<p><strong><em>* Edilson SIlva é Presidente do PSOL-PE</em>.</strong></p>
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		<title>Internautas brasileiros entrevistam Assange</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 14:01:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/Assange.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-52300" title="Assange" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/Assange.jpg" alt="" width="400" height="231" /></a></p>
<p>O fundador do Wikileaks, Julian Assange, concedeu uma entrevista exclusiva a internautas brasileiros, que enviaram perguntas através do blog organizado por Natalia Viana, o <a href="https://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/01/26/exclusivo-brasileiros-entrevistam-julian-assange/">CartaCapitalWikiLeaks</a>. Foram selecionadas 12 perguntas, de um total de 350 enviadas ao blog. A entrevista tem passagens intrigantes; já outras, são boas bobagens.</p>
<p>Embora Assange tenha vencido expressivamente a votação da revista <em>Time</em> como personalidade &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/Assange.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-52300" title="Assange" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2011/01/Assange.jpg" alt="" width="400" height="231" /></a></p>
<p>O fundador do Wikileaks, Julian Assange, concedeu uma entrevista exclusiva a internautas brasileiros, que enviaram perguntas através do blog organizado por Natalia Viana, o <a href="https://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/01/26/exclusivo-brasileiros-entrevistam-julian-assange/">CartaCapitalWikiLeaks</a>. Foram selecionadas 12 perguntas, de um total de 350 enviadas ao blog. A entrevista tem passagens intrigantes; já outras, são boas bobagens.</p>
<p>Embora Assange tenha vencido expressivamente a votação da revista <em>Time</em> como personalidade do ano, a revista norte-americana estampou a foto do criador do Facebook, Mark Zuckerberg, como <em>o cara do ano</em>. Sobre isso, Assange diz: &#8220;<em>A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser</em>. <em>Mas para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da Time.</em> <em>Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia multinacionais</em>.&#8221;</p>
<p>Zombeteiro, Assange ainda citou o que foi dito no programa Saturday Night Live: “<em>Eu te dou informações privadas  sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá <em>as suas</em></em> <em>informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o ‘Homem do Ano’</em>.”</p>
<p>A entrevista foi respondida por escrito. Vale a pena conferir.</p>
<p><em><strong>Vários internautas </strong></em><strong>- O WikiLeaks tem  trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo,  vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas  além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem  interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o  objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e  mídias alternativas?</strong></p>
<p>Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de  avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso,  trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos  humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui  veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns  jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de  ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem.</p>
<p>Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a  prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo  de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita  para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a  equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo  governista e um de oposição.<span id="more-52297"></span></p>
<p><em><strong>Marcelo Salles</strong></em><strong> – Na sua opinião, o que é  mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por  governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?</strong></p>
<p>A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque  quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é  forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria  mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de  prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e  de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais  claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada ela grande mídia  dos Estados Unidos.</p>
<p><em><strong>Eduardo dos Anjos</strong></em><strong><em> </em>– Tenho acompanhado os  vazamentos publicados pela sua ONG e até agora não encontrei nada que  fosse relevante, me parece que é muito barulho por nada. Por que tanta  gente ao mesmo tempo resolveu confiar em você? E por que devemos confiar  em você?</strong></p>
<p>O WikiLeaks tem uma história de quatro anos publicando documentos.  Nesse período, até onde sabemos, nunca atestamos ser verdadeiro um  documento falso. Além disso, nenhuma organização jamais nos acusou  disso. Temos um histórico ilibado na distinção entre documentos  verdadeiros e falsos, mas nós somos, é claro, apenas humanos e podemos  um dia cometer um erro. No entanto até o momento temos o melhor  histórico do mercado e queremos trabalhar duro para manter essa boa  reputação.</p>
<p>Diferente de outras organizações de mídia que não têm padrões claros  sobre o que vão aceitar e o que vão rejeitar, o WikiLeaks tem uma  definição clara que permite às nossas fontes saber com segurança se  vamos ou não publicar o seu material.</p>
<p>Aceitamos vazamentos de relevância diplomática, ética ou histórica,  que sejam documentos oficiais classificados ou documentos suprimidos por  alguma ordem judicial.</p>
<p><em><strong>Vários internautas</strong></em><strong> – Que tipo de mudança  concreta pode acontecer como consequência do fenômeno Wikileaks nas  práticas governamentais e empresariais? Pode haver uma mudança na  relação de poder entre essas esferas e o público? </strong></p>
<p>James Madison, que elaborou a Constituição americana, dizia que o  conhecimento sempre irá governar sobre a ignorância. Então as pessoas  que pretendem ser mestras de si mesmas têm de ter o poder que o  conhecimento traz. Essa filosofia de Madison, que combina a esfera do  conhecimento com a esfera da distribuição do poder, mostra as mudanças  que acontecem quando o conhecimento é democratizado.</p>
<p>Os Estados e as megacorporações mantêm seu poder sobre o pensamento  individual ao negar informação aos indivíduos. É esse vácuo de  conhecimento que delineia quem são os mais poderosos dentro de um  governo e quem são os mais poderosos dentro de uma corporação.</p>
<p>Assim, o livre fluxo de conhecimento de grupos poderosos para grupos  ou indivíduos menos poderosos é também um fluxo de poder, e portanto uma  força equalizadora e democratizante na sociedade.</p>
<p><em><strong>Marcelo Träsel</strong><strong> </strong></em><strong>- Após o  Cablegate, o Wikileaks ganhou muito poder. Declarações suas sobre  futuros vazamentos já influenciaram a bolsa de valores e provavelmente  influenciam a política dos países citados nesses alertas. Ao se tornar  ele mesmo um poder, o Wikileaks não deveria criar mecanismos de  auto-vigilância e auto-responsabilização frente à opinião pública  mundial?</strong></p>
<p>O WikiLeaks é uma das organizações globais mais responsáveis que existem.</p>
<p>Prestamos muito mais contas ao público do que governos nacionais,  porque todo fruto do nosso trabalho é público. Somos uma organização  essencialmente pública; não fazemos nada que não contribua para levar  informação às pessoas.</p>
<p>O WikiLeaks é financiado pelo público, semana a semana, e assim eles “votam” com as suas carteiras.</p>
<p>Além disso, as fontes entregam documentos porque acreditam que nós  vamos protegê-las e também vamos conseguir o maior impacto possível. Se  em algum momento acharem que isso não é verdade, ou que estamos agindo  de maneira antiética, as colaborações vão cessar.<br />
O WikiLeaks é apoiado e defendido por milhares de pessoas generosas que  oferecem voluntariamente o seu tempo, suas habilidades e seus recursos  em nossa defesa. Dessa maneira elas também “votam” por nós todos os  dias.</p>
<p><em><strong>Daniel Ikenaga</strong></em><strong> – Como você define o que deve ser um dado sigiloso?</strong></p>
<p>Nós sempre ouvimos essa pergunta. Mas é melhor reformular da seguinte  maneira: “quem deve ser obrigado por um Estado a esconder certo tipo de  informação do resto da população?”</p>
<p>A resposta é clara: nem todo mundo no mundo e nem todas as pessoas em  uma determinada posição. Assim, o seu médico deve ser responsável por  manter a confidencialidade sobre seus dados na maioria das  circunstâncias – mas não em todas.</p>
<p><em><strong>Vários internautas</strong></em><strong><em> </em>– </strong><strong>Em  declarações ao Estado de São Paulo, você disse que pretendia usar o  Brasil como uma das bases de atuação do WikiLeaks. Quais os planos  futuros</strong><strong>?  Se o governo brasileiro te oferecesse asilo político, você aceitaria?</strong></p>
<p>Eu ficaria, é claro, lisonjeado se o Brasil oferecesse ao meu pessoal  e a mim asilo político. Nós temos grande apoio do público brasileiro.  Com base nisso e na característica independente do Brasil em relação a  outros países, decidimos expandir nossa presença no país. Infelizmente  eu, no momento, estou sob prisão domiciliar no inverno frio de Norfolk,  na Inglaterra, e não posso me mudar para o belo e quente Brasil.</p>
<p><em><strong>Vários internautas</strong></em><strong> – </strong><strong>Você teme pela sua vida</strong><strong>? Há algum mecanismo de proteção especial para você? Caso venha a ser assassinado, o que vai acontecer com o WikiLeaks?</strong></p>
<p>Nós estamos determinados a continuar a despeito das muitas ameaças  que sofremos. Acreditamos profundamente na nossa missão e não nos  intimidamos nem vamos nos intimidar pelas forças que estão contra nós.</p>
<p>Minha maior proteção é a ineficácia das ações contra mim. Por  exemplo, quando eu estava recentemente na prisão por cerca de dez dias,  as publicações de documentos continuaram.</p>
<p>Além disso, nós também distribuímos cópias do material que ainda não  foi publicado por todo o mundo, então não é possível impedir as futuras  publicações do WikiLeaks atacando o nosso pessoal.</p>
<p><em><strong>Helena Vieira</strong></em><strong> </strong><strong>- Na sua  opinião, qual a principal revelação do Cablegate? A sua visão de mundo,  suas opiniões sobre nossa atual realidade mudou com as informações a que  você teve acesso?</strong></p>
<p>O Cablegate cobre quase todos os maiores acontecimentos, públicos e  privados, de todos os países do mundo – então há muitas revelações  importantíssimas, dependendo de onde você vive. A maioria dessas  revelações ainda está por vir.</p>
<p>Mas, se eu tiver que escolher um só telegrama, entre os poucos que eu  li até agora – tendo em mente que são 250 mil – seria aquele que pede  aos diplomatas americanos obter senhas, DNAs, números de cartões de  crédito e números dos vôos de funcionários de diversas organizações –  entre elas a ONU.</p>
<p>Esse telegrama mostra uma ordem da CIA e da Agência de Segurança  Nacional aos diplomatas americanos, revelando uma zona sombria no vasto  aparato secreto de obtenção de inteligência pelos EUA.</p>
<p><em><strong>Tarcísio Mender</strong></em><strong><em> e Maiko Rafael Spiess</em> </strong><strong>- </strong><strong>Apesar  de o WikiLeaks ter abalado as relações internacionais, o que acha da  Time ter eleito Mark Zuckerberg o homem do ano? Não seria um paradoxo,  você ser o “criminoso do ano”, enquanto Mark Zuckerberg é aplaudido e  laureado?</strong></p>
<p>A revista Time pode, claro, dar esse título a quem ela quiser. Mas  para mim foi mais importante o fato de que o público votou em mim numa  proporção vinte vezes maior do que no candidato escolhido pelo editor da  Time. Eu ganhei o voto das pessoas, e não o voto das empresas de mídia  multinacionais. Isso me parece correto.</p>
<p>Também gostei do que disse (o programa humorístico da TV americana)  Saturday Night Live sobre a situação: “Eu te dou informações privadas  sobre corporações de graça e sou um vilão. Mark Zuckerberg dá <em>as suas</em> informações privadas para corporações por dinheiro – e ele é o ‘Homem do Ano’.”</p>
<p>Nos bastidores, claro, as coisas foram mais interessantes, com a  facção pró-Assange dentro da revista Time sendo apaziguada por uma capa  bastante impressionante na edição de 13 de dezembro, o que abriu o  caminho para a escolha conservadora de Zuckerberg algumas semanas  depois.</p>
<p><em><strong>Vinícius Juberte</strong></em><strong> – Você se considera um homem de esquerda? </strong></p>
<p>Eu vejo que há pessoas boas nos dois lados da política e  definitivamente há pessoas más nos dois lados. Eu costumo procurar as  pessoas boas e trabalhar por uma causa comum.</p>
<p>Agora, independente da tendência política, vejo que os políticos que  deveriam controlar as agências de segurança e serviços secretos acabam,  depois de eleitos, sendo gradualmente capturados e se tornando  obedientes a eles.</p>
<p>Enquanto houver desequilíbrio de poder entre as pessoas e os governantes, nós estaremos do lado das pessoas.</p>
<p>Isso é geralmente associado com a retórica da esquerda, o que dá  margem à visão de que somos uma organização exclusivamente de esquerda.  Não é correto. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e  justiça – e isso se encontra em muitos lugares e tendências.</p>
<p><em><strong>Ariely Barata</strong></em><strong><em> </em>– Hollywood divulgou que fará um filme sobre sua trajetória. Qual sua opinião sobre isso?</strong></p>
<p>Hollywood pode produzir muitos filmes sobre o WikiLeaks, já que quase  uma dúzia de livros está para ser publicada. Eu não estou envolvido em  nenhuma produção de filme no momento.</p>
<p>Mas se nós vendermos os direitos de produção, eu vou exigir que meu  papel seja feito pelo Will Smith. O nosso porta-voz, Kristinn Hrafnsson,  seria interpretado por Samuel L Jackson, e a minha bela assistente por  Halle Berry. E o filme poderia se chamar “WikiLeaks Filme Noire”.</p>
<p>____________________________</p>
<p><em>Leia também, aqui no blog:</em></p>
<p><a title="link permanente para: WikiLeaks confirma: o golpe em Honduras sempre foi apenas isso: um golpe ilegal" rel="bookmark" href="../internacional/wikileaks-confirma-o-golpe-em-honduras-sempre-foi-apenas-isso-um-golpe-ilegal/">Honduras revisited &#8211; WikiLeaks confirma: o golpe em Honduras sempre foi apenas isso: um golpe ilegal</a></p>
<p><a title="link permanente para: Interpol pede prisão do fundador do WikiLeaks, que escancarou diplomacia dos EUA. No Brasil, ministro Jobim colaborou com espionagens" rel="bookmark" href="../internacional/interpol-pede-prisao-do-fundador-do-wikileaks-que-escancarau-diplomacia-dos-eua-no-brasil-ministro-jobim-colaborou-com-espionagens/">Cablegate &#8211; Interpol  pede prisão do fundador do WikiLeaks, que escancarou diplomacia dos  EUA. No Brasil, ministro Jobim colaborou com espionagens</a></p>
<p><a title="link permanente para: Apple remove aplicativo do Wikileaks da App Store" rel="bookmark" href="../internacional/apple-remove-aplicativo-do-wikileaks-da-app-store/">Mais um no clube? &#8211; Apple remove aplicativo do Wikileaks da App Store</a></p>
<p><a title="link permanente para: WikiLeaks desnuda o súdito" rel="bookmark" href="../politica/wikileaks-desnuda-o-sudito/">&#8220;Yes, we have Petróleo!&#8221; &#8211; WikiLeaks desnuda o súdito (José Serra)</a></p>
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		</item>
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		<title>A prisão de Assange e a reação global</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 17:11:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/julian-assange-biatch0.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-51588" title="julian-assange-biatch0" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/julian-assange-biatch0.jpg" alt="" width="413" height="266" /></a></p>
<p>O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso, ontem, após alguns dias de perseguição internacional &#8211; desde que a Interpol comprou esquisitamente as acusações ridículas de uma província chamada Suécia. O crime foi taxado como &#8220;estupro&#8221; pela mídia, mas na verdade Assange foi preso porque transou com uma mulher que o acusou de fazê-lo sem usar camisinha, e por ter &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/julian-assange-biatch0.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-51588" title="julian-assange-biatch0" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/julian-assange-biatch0.jpg" alt="" width="413" height="266" /></a></p>
<p>O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso, ontem, após alguns dias de perseguição internacional &#8211; desde que a Interpol comprou esquisitamente as acusações ridículas de uma província chamada Suécia. O crime foi taxado como &#8220;estupro&#8221; pela mídia, mas na verdade Assange foi preso porque transou com uma mulher que o acusou de fazê-lo sem usar camisinha, e por ter transado com duas mulheres numa mesma semana (na Suécia, por mais bizarro e medieval que pareça, essa é uma prática ilegal). Uma das mulheres que o acusam, inclusive, é <a href="http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9574:a-mulher-que-acusa-julian-assange-de-violacao-esta-vinculada-a-cia&amp;catid=242:repressom-e-direitos-humanos&amp;Itemid=156">suspeita de ter vínculos com a CIA</a>. Mas, na verdade verdadeira (sic), Assange foi preso porque desafiou a ordem diplomática global com a publicação de documentos sigilosos, e, por isso, tem enfrentado uma perseguição sistemática &#8211; com direito ao rótulo de &#8220;terrorista&#8221;. Ou seja, Assange é um preso político &#8211; <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/12/wikileaks_o_1_preso_politico_global_da_internet_e_a_intifada_eletronica.php">o primeiro preso político global da internet</a> -, e isso deve ficar claro.</p>
<p>Cidadãos de todo o planeta tem apoiado a causa do WikiLeaks, e isso está bastante visível na internet, em geral, e no Twitter, mais especificamente. Mas engana-se quem acha que o Twitter está livre da pressão internacional. Ontem, duas das<em> hashtags</em> mais comentadas no microblog eram <a href="https://twitter.com/#!/search?q=%23WIKILEAKS">#wikileaks</a> e <a href="https://twitter.com/#!/search?q=%23WIKILEAKSBR">#wikileaksbr</a> (também sendo utilizadas as <em>tags</em> <a href="https://twitter.com/#!/search?q=%23cablegates">#cablegates</a>, <a href="https://twitter.com/#!/search?q=%23FreeAssange">#freeassange</a>, <a href="https://twitter.com/#!/search?q=%23Cyberwar">#cyberwar</a> e algumas outras). De uma hora pra outra, elas sumiram, e todas as tags relativas ao WikiLeaks foram bloqueadas nos Trends Topics. No lugar de #wikileaks e #wikileaksbr surgiram, ontem, tags como #tititi, #pittynocirco, além de outras tolices que estão encobrindo a pressão em favor de Assange e do WikiLeaks.</p>
<p>Vários hackers ativistas estão atuando em todo o mundo, numa cyber guerra declarada (para entender melhor do que se trata, recomendo a leitura do texto &#8220;<em><a href="http://tsavkko.blogspot.com/2010/12/operacao-vingar-assange-hackers-em.html">Operação Vingar Assange! Hackers em defesa do WikiLeaks</a></em>&#8220;, postado hoje pelo blogueiro <a href="https://twitter.com/#!/Tsavkko">Raphael Tsavkko</a>, que tem feito uma excelente cobertura via Twitter e blog). Já foram derrubados, por exemplo, sites da MasterCard, da PostFinance, do PayPal, da empresa de advogados que acusa Assange e também da promotoria sueca. A MasterCard virou alvo de ataques porque <a href="http://www.publico.pt/Mundo/visa-e-mastercard-suspendem-pagamentos-a-wikileaks_1469936">bloqueou os pagamentos de doações feitas ao WikiLeaks</a>, ainda que mantenha ativos os pagamentos à <a href="http://www.kkk.bz/hello.htm">Ku Klux Klan</a>!</p>
<p>Não perceberemos assistindo na tevê ou lendo nos jornais, mas a coisa está feia por aí. Quem quiser acompanhar o que anda acontecendo, recomendo fazê-lo através do site <a href="http://operamundi.uol.com.br/index.php"><em>Opera Mundi</em></a> &#8211; que tem publicado bons textos sobre o caso. Recomendo também o blog montado em parceria entre a jornalista Natalia Viana (do <em>Opera Mundi</em>) e a <em>CartaCapital</em> (<a href="http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/">aqui</a>). E ainda, o site <em><a href="http://www.diarioliberdade.org/index.php">Diario Liberdade</a></em>, que, inclusive, postou, ontem, um texto assinado pelo próprio Julian Assange. No texto, intitulado <a href="http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=9575:a-verdade-ganhara-sempre&amp;amp;catid=100:outras-vozes&amp;amp;Itemid=21&amp;sms_ss=twitter&amp;at_xt=4cfe9eece287f068,0"><em>A verdade ganhará sempre</em></a>, o fundador do WikiLeaks diz:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;<em>Houve quem dissesse que sou anti-guerra: para que conste, não sou. Às  vezes as nações têm de ir à guerra, e há guerras justas. Mas não há nada  mais errado do que um governo mentir ao seu povo sobre essas guerras e  depois pedir a esses mesmos cidadãos e cidadãs que arrisquem as suas  vidas e os seus impostos com essas mentiras. Se uma guerra for  justificada, então digam a verdade e as pessoas decidirão se a apoiam</em>.&#8221;</p>
<p>O<em> Opera Mundi</em> publicou, também ontem, um recomendável artigo de Raphael Tsavkko. Reproduzo mais abaixo.<span id="more-51585"></span></p>
<p><strong>&#8220;Wikileaks, Direitos Fundamentais e Terrorismo&#8221;</strong></p>
<p><strong>por Raphael Tsavkko Garcia*<br />
</strong><a href="http://operamundi.uol.com.br/colunas_ver.php?idConteudo=1314"><em>Colhido no Opera Mundi</em></a></p>
<p>Ao ler o<a href="http://hiperficie.wordpress.com/2010/12/03/wikileaks-e-a-protecao-internacional-de-direitos-fundamentais/"> excelente artigo</a> do @Prenass sobre a defesa dos direitos fundamentais frente à  perseguição que vem sofrendo o site (e o líder) do WikiLeaks, notei a  incrível semelhança que o tema tem com o tratamento dado por diversos  Estados à questão do Terrorismo.</p>
<p>Primeiro o curto e direto artigo do @Prenass:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Em meio a toda a polêmica sobre o recente vazamento de documentos oficiais da diplomacia dos EUA, chamou-me a atenção a <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/franca-quer-proibir-hospedagem-do-wikileaks/">manifestação</a> do Ministro da Indústria Francês, Eric Besson:</p>
<p><em>“Essa situação não é aceitável. A França não pode hospedar um site na internet que viola o sigilo das relações diplomáticas e coloca as pessoas em risco.”<br />
</em><br />
Sempre me incomodou que a comunidade internacional ainda não se tenha mobilizado para garantir os direitos fundamentais ligados ao uso da Internet que têm sido sistematicamente violados por países como China, Irã e Coréia do Norte. Em diversas situações, as pessoas não tem acesso à cultura, não podem se  expressar livremente e de início não são tratadas como inocentes. E nenhum país toma a iniciativa de condenar isso publicamente, nenhum Estado se coloca no cenário mundial contra essas atrocidades.</p>
<p>Mas basta um interesse governamental ser posto em cheque, outro Estado vem ao auxílio. Essa “cavalaria” francesa segue a linha dos absurdos com que a legislação daquele país tem abordado os desafios que a cultura digital traz. A proposta de transparência pública do <a href="http://213.251.145.96/">Wikileaks</a> não combina com o obscurantismo e o discurso do medo que embasam iniciativas como a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/HADOPI_law">Hadopi</a>.  Mais do que a fala de Besson, a postura de diversos países, condenando a  iniciativa de exposição de documentos, não é exatamente uma surpresa nesse momento.</p>
<p>Mas até quando teremos que ouvir esse ensurdecedor silêncio dos bons?&#8221;</p>
<p>O ministro francês, claramente, se preocupa não com a segurança de  pessoas possivelmente envolvidas ou que possam ser atingidas pelos  vazamentos, na verdade se importa apenas com a mensagem e o alcance  potencialmente destrutivo dos vazamentos, que mostram a verdade por  detrás da diplomacia praticada pelas potências.</p>
<p>Mentiras, hipocrisia, ameaças, abusos, são apenas alguns termos que podem iniciar a discussão.</p>
<p>Se o WikiLeaks fosse especializado em vazar comunicações dos  países do Eixo do Mal &lt;sic&gt;, alguém duvida que os EUA e seu aliado  fariam do líder de tal organização um homem da maior importância e  dariam total proteção à ele? Não há dúvida alguma.</p>
<p>O problema do WikiLeaks é que ele desnuda o Império, ele coloca em panos limpos todas as falcatruas yankees e de seus aliados.</p>
<p>É o mesmo que acontece com o <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/o-conceito-de-terrorismo-breve-analise.html">uso político das classificações</a> de Estado ou grupo terrorista. Por &#8220;uso político&#8221;, o que pode parecer  uma obviedade, eu quero dizer o uso por conveniência, com fins e  objetivos políticos bem definidos que vão &#8211; muito &#8211; além da  classificação com bases sociológicas. É puro interesse.</p>
<p>O vazamento, assim como a definição de terrorista só se aplica  porque é do interesse de alguns Estados em taxar seus inimigos desta  forma. Pouco importam <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2010/11/terrorismo-definicoes-coluna-semanal-no.html">definições clássicas ou mesmo interpretações ao pé da letra, ou mesmo subjetivas</a>.  A questão é puramente manipular opinião pública, em conivência com a  mídia, sempre pronta a agradar aos donos do poder e impor sua visão da  realidade.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-51587" title="FireShot capture #071 - 'Twitter _ John Perry Barlow_ The first serious infowar ___' - twitter_com_JPBarlow_status_10627544017534976" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/FireShot-capture-071-Twitter-_-John-Perry-Barlow_-The-first-serious-infowar-___-twitter_com_JPBarlow_status_10627544017534976.png" alt="" width="320" height="146" /></p>
<p>Mas o WikiLeaks traz ainda outra questão, a da liberdade na rede, a da  liberdade de se disseminar conteúdo livremente. A perseguição que vem  enfrentando o grupo, perseguido tanto com o pedido de extradição  fabricado contra seu líder, Assange, quanto pela negativa de diversos  servidores em manter seu conteúdo online.</p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/mundo/840887-analise-inocua-ciberperseguicao-so-revela-ignorancia-tecnologica.shtml">Concordo</a> com Alec Duarte, editor da Folha Poder:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;A ciberperseguição a Julian Assange e seu WikiLeaks chega a ser tão perturbadora quanto reveladora ao escancarar que os governos realmente não compreenderam a internet e a completa inutilidade de tentar controlá-la.&#8221;</p>
<p>É quase o mesmo efeito dos próprios papéis diplomáticos que o site se propôs a vazar, que apenas confirmam o que já se imaginava sobre o funcionamento da diplomacia internacional.<br />
A disputa de gato e rato entre Assange e aqueles que querem o seu pescoço só traz à tona o que já desconfiávamos havia bastante tempo.</p>
<p>Quando o sociólogo espanhol Manuel Castells, provavelmente o maior pensador contemporâneo da vida em rede, afirmou que os governos têm medo  da internet porque não possuem controle sobre ela, acrescentou que a tentativa de fiscalização sempre estará entre as prioridades do poder político.Trata-se do mais puro medo de Estados criminosos em ver seus segredos revelados.</p>
<p>De quebra, estes Estados ainda buscam punir os que os denunciam, e <a href="http://www.guardian.co.uk/media/2010/dec/05/julian-assange-lawyers-being-watched">vigiam os que tentam defendê-lo</a>.  Isto mostra apenas que não só estes Estados Criminosos não aprendem com  seus erros e crimes &#8211; na verdade apenas querem abafá-los para continuar  a cometer mais alguns &#8211; como também parecem não compreender que, de  vigilantes, passaram também a ser vigiados. suas ações repercutem em  escala global, são acompanhadas por um mundo conectado e o repúdio vem  de modo rápido e pesado.</p>
<p>Os Estados claramente terroristas, buscando<a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-ameaca-a-quem-divulgar-a-wikileaks"> privar o público de conhecer  a verdade</a> sobre seus atos e decisões podres, busca, ao invés de simplesmente esclarecer e admitir culpa, censurar, perseguir e condenar àqueles que conhecem a verdade.</p>
<p>O crime aqui está em ter acesso aos segredos mais profundos do  Estado, assim como acontece com o Terrorismo, em que grupos se rebelam  contra o padrão imposto por estes mesmos Estados e mostram que nem tudo é  tão belo e colorido.</p>
<p>________________________</p>
<p><em><strong>* Raphael Tsavkko Garcia</strong> é mestrando em Comunicação e blogueiro. Escreve o <a href="http://tsavkko.blogspot.com/">Blog do Tsavkko</a> e é autor e tradutor do website <a href="http://globalvoicesonline.org/">Global Voices Online</a></em>.</p>
<p>_______________________</p>
<p><em>Leia também, aqui no blog:</em></p>
<p><em><a title="link permanente para: Interpol pede prisão do fundador do WikiLeaks, que escancarou diplomacia dos EUA. No Brasil, ministro Jobim colaborou com espionagens" rel="bookmark" href="../internacional/interpol-pede-prisao-do-fundador-do-wikileaks-que-escancarau-diplomacia-dos-eua-no-brasil-ministro-jobim-colaborou-com-espionagens/">Interpol  pede prisão do fundador do WikiLeaks, que escancarou diplomacia dos  EUA. No Brasil, ministro Jobim colaborou com espionagens</a></em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Com 77,6% de desaprovação, prefeita de Natal tenta sobreviver no poder</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/artigos/com-776-de-desaprovacao-prefeita-de-natal-tenta-sobreviver-no-poder/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 17:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-51514" href="http://acertodecontas.blog.br/artigos/com-776-de-desaprovacao-prefeita-de-natal-tenta-sobreviver-no-poder/attachment/micarla/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-51514" title="Micarla" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/Micarla-350x233.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a></p>
<p><em>por</em> <strong>Tiago Negreiros</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas </em></p>
<p>Neste mês a prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV) fará (mais) uma nova reforma do seu secretariado. Em janeiro sua gestão completará dois anos e, ao longo desse tempo, 25 secretários já foram substituídos. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra (PV), está otimista com as mudanças e promete uma “guinada &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-51514" href="http://acertodecontas.blog.br/artigos/com-776-de-desaprovacao-prefeita-de-natal-tenta-sobreviver-no-poder/attachment/micarla/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-51514" title="Micarla" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/Micarla-350x233.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a></p>
<p><em>por</em> <strong>Tiago Negreiros</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas </em></p>
<p>Neste mês a prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV) fará (mais) uma nova reforma do seu secretariado. Em janeiro sua gestão completará dois anos e, ao longo desse tempo, 25 secretários já foram substituídos. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra (PV), está otimista com as mudanças e promete uma “guinada na gestão”. Até o perfil ideológico da administração vai entrar na cota. Antes de direita, sob a estreita aliança com o DEM do senador José Agripino, Micarla procurará agora se aproximar das legendas ditas de esquerda. Partidos como PCdoB já foram sondados e, com uma espécie de carta convite nas mãos, o secretário dita: “quem vier, será bem vindo”. Mas quem quer?</p>
<p>A administração de Micarla de Sousa é desaprovada por 77,6% da população de Natal. Os dados divulgados recentemente pelo instituto Consult traduz em números o sentimento da população potiguar. Enquanto muitas gestões iniciam nesta época do ano apoios que no futuro possam dar suporte a uma reeleição, na administração de Micarla a preocupação é em conseguir concluir o governo. Na pesquisa de intenções de voto para a Prefeitura de Natal, Micarla aparece empatada com o sétimo colocado. Nem a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius (PSDB), com tantas denúncias de corrupção no currículo, aparecia tão mal nas sondagens eleitorais. Um vexame para quem tem o poder nas mãos.<span id="more-51513"></span></p>
<p>Micarla de Sousa inventou de entrar para a política em 2004, quando a então governadora Wilma de Faria (PSB) lhe convidou para compor como vice-prefeita a chapa pela reeleição do prefeito Carlos Eduardo Alves. A estratégia de Wilma era meramente midiática; Micarla apresentava na emissora de sua família, a TV Ponta Negra (filiada do SBT), um programa jornalístico de bastante audiência na cidade, o “Jornal do Dia”. Assim, neutralizava a força política do candidato e também apresentador de tevê Luiz Almir. Venceram de forma apertada a eleição e, dois anos depois, Micarla seguia carreira solo ao tentar uma vaga na Assembléia Legislativa. O blá blá blá na TV Ponta Negra lhe possibilitou pleno êxito nas urnas, sendo uma das mais bem votadas na época. Seu apoio a Carlos Eduardo ruíra, visto que a deputada estadual já mirava os olhos para a Prefeitura. Em 2008 lá estava ela, apresentando o programa “60 Minutos”, prometendo mundos e fundos para a Cidade, bajulando aliados e destilando ferrenhas críticas a Carlos Eduardo e sua candidata à sucessão, Fátima Bezerra (PT). Era um despudorado uso de uma concessão pública a serviço próprio. A maioria da população acreditou e consagrou Micarla de Sousa Prefeita de Natal no primeiro turno com 50,8% dos votos.</p>
<p>A vitória foi um marco para o Partido Verde. Falava-se que houvera um “divisor de águas”, visto que Natal era a única capital em que o PV conquistara uma Prefeitura. Meses depois, em entrevista ao Estadão, o presidente do partido José Luiz Penna dissera que Micarla era uma das cotadas para concorrer a Presidência. A prefeita de Natal seria um plano B caso Marina Silva recusasse a proposta dos verdes.</p>
<p>Com metade da gestão cumprida, o saldo para Natal é devastador e justifica o altíssimo descrédito da população com Micarla de Sousa. A saúde, por exemplo, já está em seu terceiro secretário. Uma média de mudança praticamente a cada seis meses. Há 17 anos servindo ao município, a enfermeira Jussara de Paiva Nunes revela que a atual situação da saúde é “grave” e que nos postos de saúde da capital do Rio Grande do Norte faltam até produtos de limpeza. “Há uma total desvalorização na saúde. Nós nunca tivemos atenção, mas nessa última gestão a situação é mais grave. As condições de trabalho são péssimas, faltam de tudo, desde produtos de limpeza, a medicamentos e profissionais”.</p>
<p>A administração do dinheiro público também é ineficiente. Em setembro e novembro a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) – responsável pelos cadastramentos do Bolsa Família &#8211; teve a luz cortada por falta de pagamento. Pelo mesmo motivo postos de saúde ficaram sem telefone e internet, prejudicando a marcação de consultas. Os pacientes, quando tinham dinheiro e desejavam marcar os atendimentos médicos, se encaminhavam para uma lan house mais próxima do posto. Sem dinheiro, muitos voltavam para casa sem a consulta marcada. Prédios de diversas secretarias estão com pagamentos de alugueis atrasados, entre eles, o da Secretaria de Saúde e Educação.  Com dívidas de mais de R$ 20 milhões com as empresas de coleta, o lixo se acumula em diversos locais, atraindo moscas, baratas e muito mau cheiro numa Cidade que é destino turístico para milhares de brasileiros e estrangeiros.</p>
<p>Nas eleições deste ano Micarla foi ignorada pelos aliados. O senador re-eleito José Agripino (DEM) e a governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM) fizeram muitas caminhadas e carreatas em Natal, mas, em nenhuma delas, a prefeita da cidade foi convidada. A então presidenciável e colega de partido Marina Silva (PV), quando esteve em Natal, não se furtou em convidar Micarla para realizar uma caminhada no centro da Cidade. Ao estender as mãos para cumprimentar os eleitores, muitos se recusaram a atender a gentileza da ex-ministra do Meio Ambiente. Ainda em campanha pela Cidade, Marina concedeu palestra em um auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e foi obrigada a passar pelo constrangimento de ouvir Micarla de Sousa ser vaiada pelas centenas de pessoas presentes. No segundo turno Micarla apoiou Dilma Roussef, o que causou o rompimento da aliança com José Agripino. Abandonando o navio antes do naufrágio, a verdade é que o democrata esperava qualquer motivo para encerrar o apoio com a prefeita. Já se encontra entre seus planos o lançamento da candidatura do seu filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM), para a Prefeitura de Natal.</p>
<p>Para tornar a situação de Micarla de Sousa ainda mais delicada, corre na internet um abaixo assinado que pede o seu impeachment. A lista já conta com mais de 1,7 mil nomes, entre os assinantes, vários comentários ácidos e em tons de desabafo: “Nossa cidade está um caos”; “É necessário mudar urgente antes que não reste nada na Prefeitura. A insatisfação é geral”; “Micarla, você é o câncer de Natal”; “Desde que Micarla assumiu a passagem de ônibus não para de subir. Eu não aguento mais”; “Micarla está sucateando a saúde. A população chega para ser atendida nos postos de saúde e não tem atendimento”; “Sou funcionária de contrato temporário da Prefeitura via Semtas e nossos salários atrasam muito. No mês passado atrasou 20 dias. O lanche dos grupos dos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) está faltando. Então, diante de tanto descaso, acredito que a prefeita deva ser exonerada de seu cargo”.</p>
<p>Na Câmara dos Vereadores de Natal Micarla de Sousa tem a maioria. Dos 21 vereadores da Cidade, 13 vão apoiar a prefeita em 2011. Este número já foi bem maior. No início do mandato, 17 vereadores faziam parte da bancada de Micarla. Com uma oposição ainda minoria, o vereador George Câmara (PCdoB) não acredita no impeachment da prefeita. Além do mais, para ele, os motivos para abrir um processo de impedimento ainda são “subjetivos”. “A gestão é uma catástrofe e o desgaste que Micarla sofre, mesmo em tão pouco tempo de governo, é grande. Mas os motivos para a abertura do processo são subjetivos. Para tal seria necessário, por exemplo, uma denúncia de corrupção”, esclarece.</p>
<p>Enquanto isso a Prefeitura de Natal vai tentando sobreviver. O secretário-chefe do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra, em entrevista ao Diário de Natal, culpou o Governo Lula (PT) e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) pela má avaliação da Prefeitura. “Faltou o apoio que Natal tanto precisou do Governo do Estado, no ano de 2009 e 2010. Tanto do Governo do Estado quanto do Governo Federal. Isso evidentemente trouxe uma dificuldade cada vez maior para a gestão.” Com o apoio a Dilma Roussef, o secretário está otimista com a vinda de recursos para Natal: “Com relação ao Governo Federal, a prefeita Micarla já começou a ser tratada como aliada. Ela aprovou R$ 180 milhões em recursos federais, que virão para várias obras e investimentos. Temos a perspectiva de muito mais recursos para o início de 2011.”</p>
<p>A principal liderança do PT no Rio Grande do Norte, a deputada federal Fátima Bezerra, rebateu as críticas de Kalazans: “O acesso de Natal ou qualquer outra cidade ao Governo Federal vai depender da capacidade de gestão e bons projetos. O Governo Federal está fazendo sua parte. Esperamos que a Prefeitura faça a dela.”</p>
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		<title>Interpol pede prisão do fundador do WikiLeaks, que escancarou diplomacia dos EUA. No Brasil, ministro Jobim colaborou com espionagens</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 20:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-51403" title="Wikileaks top secret" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/Wikileaks-top-secret.jpg" alt="" width="424" height="318" /></p>
<p>Há alguns meses, o site <a href="http://wikileaks.org/">WikiLeaks.org</a> vem revelando documentos confidenciais interceptados do Pentágono, quebrando o sigilo das relações diplomáticas e militares de guerra. Em abril deste ano, WikiLeaks revelou uma filmagem em que aparecem  soldados norte-americanos fuzilando um grupo de homens, incluindo dois jornalistas da agência Reuters, do alto de um helicóptero no subúrbio de Bagdá, <a href="http://acertodecontas.blog.br/internacional/estadunidenses-assassinando-civis-no-iraque/">no Iraque.</a> Nesta semana, &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-51403" title="Wikileaks top secret" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/Wikileaks-top-secret.jpg" alt="" width="424" height="318" /></p>
<p>Há alguns meses, o site <a href="http://wikileaks.org/">WikiLeaks.org</a> vem revelando documentos confidenciais interceptados do Pentágono, quebrando o sigilo das relações diplomáticas e militares de guerra. Em abril deste ano, WikiLeaks revelou uma filmagem em que aparecem  soldados norte-americanos fuzilando um grupo de homens, incluindo dois jornalistas da agência Reuters, do alto de um helicóptero no subúrbio de Bagdá, <a href="http://acertodecontas.blog.br/internacional/estadunidenses-assassinando-civis-no-iraque/">no Iraque.</a> Nesta semana, o WikiLeaks revelou mais uma série de documentos (“cables”) e anunciou a existência de mais milhares deles – 250 mil. <a href="http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/01/interpol-emite-mandado-de-prisao-para-fundador-do-wikileaks/"></a></p>
<p><a href="http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/01/interpol-emite-mandado-de-prisao-para-fundador-do-wikileaks/">A Interpol expediu</a>, hoje, um mandado de prisão contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que escancarou as espionagens da diplomacia norte-americana &#8211; mostrando, inclusive, que o nosso ministro da Defesa, Nelson Jobim, passava informações ao ex-embaixador dos EUA no Brasil.</p>
<p>Entre os milhares de documentos vazados, um deles escancarou o tratamento vergonhoso que a grande imprensa brasileira concedeu ao presidente golpista das Honduras, Roberto Micheletti, tratando-o como &#8220;presidente interino&#8221; no jogo obtuso de legitimação do golpe de Estado que derrubou Manuel Zelaya (<a href="http://acertodecontas.blog.br/internacional/wikileaks-confirma-o-golpe-em-honduras-sempre-foi-apenas-isso-um-golpe-ilegal/">aqui</a>).</p>
<p>No telegrama divulgado, o embaixador norte-americano no país, Hugo Llorens, diz que “<em>os militares, a Corte suprema e o Congresso Nacional </em><em>conspiraram no dia 28 de junho no que constituiu um golpe ilegal e  inconstitucional contra</em>” [Manuel Zelaya]. Ficou ridículo não apenas para a grande imprensa (que está ocupada com a transmissão da guerra no Rio&#8230;), mas para todos os seus pares ideológicos que repetiram acriticamente seu pensamento monolítico em favor do golpista Goriletti (que, entre outras peripécias, <a href="../internacional/romeu-velasquez-de-integrante-da-quadrilha-dos-13-a-chefe-das-forcas-armadas-de-honduras/">já havia manobrado, em 1985, para alterar ilegalmente a Constituição de Honduras</a>).</p>
<p>O vazamento gigantesco de comunicações oficiais está sendo chamado de “<a href="http://multimedia.telesurtv.net/29/11/2010/21483/prensa-eeuu-llama-11-de-septiembre-diplomatico-al-golpe-de-wikileaks/">11 de setembro diplomático</a>” por alguns meios impressos dos EUA. Mas se engana quem pensa que “a imprensa mais livre do mundo” está dando destaque aos conteúdos desses documentos. Para além do silêncio absoluto da TV norte-americana, os impressos dão maior destaque à forma de atuação do WikiLeaks, e mandam às favas o conteúdo. Para tristeza de alguns entusiastas da democracia dos EUA, o episódio mostra que o limite da “liberdade de imprensa” por lá vai muito bem&#8230;, só que parece terminar onde começam os grandes interesses do <em>establishment</em> do império.</p>
<p>Inclusive o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, recebeu, anteontem, uma proposta de proteção por parte do governo equatoriano. Assange disse ontem que o site do WikiLeaks está sendo alvo de <a href="http://www1.folha.uol.com.br/mundo/838433-apos-vazar-documentos-diplomaticos-wikileaks-diz-estar-sob-poderoso-ciberataque.shtml">ataques cibernéticos</a> que têm impedido que usuários dos EUA e da Europa acessem os documentos. O presidente Rafael Correa, através do vice-ministro do Exterior, Kintto Lucas, ofereceu residência ao fundador do WikiLeaks. Assange nasceu na Austrália e tem pulado de país em país, já que se tornou um estorvo para a diplomacia internacional &#8211; sobretudo a norte-americana. Matéria da Reuters afirma que, segundo o jornal <a href="http://www.jornada.unam.mx/ultimas/2010/12/01/assange-esta-en-inglaterra-con-conocimiento-de-la-policia-the-independent">The Independent, ele está na Inglaterra</a>, com conhecimento da polícia. Na Suécia, onde buscava residência, está agora sendo acusado de &#8220;delitos sexuais&#8221;.</p>
<p>Querem prender o homem de todo jeito. A <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/amazon+expulsa+wikileaks+de+seus+servidores/n1237845969969.html">Amazon.com expulsou o WikiLeaks</a> dos seus servidores (<a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/12/01/principal-servidor-do-wikileaks-derruba-site-diz-governo-dos-eua.jhtm">e concordou em derrubar o site</a>), após pressões do senado dos EUA. A <a href="http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/01/interpol-emite-mandado-de-prisao-para-fundador-do-wikileaks/">Interpol expediu</a> um mandado de prisão. Os EUA anunciaram hoje a criação de uma<a href="http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=7954&amp;utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter"> comissão para investigar o vazamento das informações</a>, e nada sobre os conteúdos. <a href="http://www.larepublica.pe/28-11-2010/senadores-estadounidenses-piden-que-wikileaks-sea-considerado-un-grupo-terrorista">Senadores norte-americanos o classificam como terrorista</a>. E até <a href="http://www.huffingtonpost.com/2010/11/29/sarah-palin-obama-wikileaks_n_789438.html">Sarah Palin</a> já colocou o dedinho eleitoral no pudim de Obama: postou em <a href="http://www.facebook.com/note.php?note_id=465212788434">seu Facebook</a> uma mensagem incitando a caça ao fundador do WikiLeaks com “a mesma urgência que perseguimos a Al Qaeda e os líderes do Taleban”. Só pra variar, o foco não é sobre os conteúdos dos documentos, mas no fundador do WikiLeaks – o novo “Bin Laden” do terrorismo global.</p>
<p>A circulação pública desses cabos tem deixado os EUA diplomaticamente  embaraçados com metade do planeta. Por mais que um ou outro apresentador de noticiário brasileiro tente  comparar o WikiLeaks com revistas de fofocas, os cabos trazidos à luz  não são apenas informações embaraçosas. Entre outras coisas, mostram um  país que continua mantendo o mesmo modelo de Estado que mantinha na era  Bush, com uma rede internacional de espionagem diplomática constituída dentro das suas embaixadas.</p>
<p>Para a Sra. Hillary Clinton, os conteúdos revelados são realmente embaraçosos. Um dos telegramas mostra em detalhes os planos elaborados pelo Departamento de Estado comandado pela Sra. Clinton para espionar o cartão de crédito do <a href="http://www.elpais.com/articulo/internacional/Diplomaticos/EE/UU/reciben/ordenes/espiar/ONU/elpepuint/20101128elpepuint_23/Tes">Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon</a>.<span id="more-51395"></span></p>
<p>Para quem sempre usou o termo “teoria da conspiração” pra ridicularizar os que falam em espionagem diplomática dos EUA, o episódio mostra que nem tudo é “delírio de comunista”.</p>
<p>Mas a Sra. Clinton já colocou em andamento sua campanha para tornar o <em>cablegate</em> um não-assunto. Decretou silêncio interno sobre os conteúdos divulgados, inclusive não tocando do assunto na sua coletiva de imprensa do início da semana, contando com a doce leniência da própria imprensa norte-americana, que <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/wikileaks_o_maior_vazamento_da_historia_o_embaraco_de_hillary_com_o_cablegate_e_a_cumplicidade_da_im.php">não fez uma perguntinha sequer</a> sobre os conteúdos dos cabos divulgados pelo WikiLeaks.</p>
<p>Os cabos divulgados deixam claro que as embaixadas norte-americanas ao redor do mundo são usadas como postos de espionagem. Isso sempre se soube, na verdade, assim como sempre se soube da posse de armas nucleares pelo estado israelense. Mas Netanyahu está rindo à toa, porque é interessante para si, ver o governo, digamos, menos simpático, de Obama, numa crise diplomática dessas (como se não bastasse a financeira).</p>
<p>Até aqui, Israel ainda está numa situação confortável, mesmo que os cabos também mostrem o lobby do governo israelense para que os EUA bombardeassem o Irã – a Arábia Saudita também fez lobby pela mesma causa. Com o silêncio decretado pela Sra. Clinton, fica evidente que insistirão na hipocrisia, no embuste, a lidar com os outros países, inclusive os grandes, como seus súditos.</p>
<p>Num dos telegramas revelados, mostra-se bastante curiosa a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po3011201004.htm">opinião do ministro das Relações Exteriores alemão</a>, Guido Westerwelle, com relação ao Brasil. Ele diz que os países devem &#8220;prestar atenção ao Brasil como formador de opinião do Terceiro Mundo&#8221;.</p>
<p>Nos últimos anos o Brasil assumiu uma postura diplomática diferente do governo anterior, numa inversão que colocou o País num lugar de protagonista do jogo internacional, e não mais como um mero súdito. Mas ainda existem aqueles saudosos do ministro que ficou <a href="http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:vk279D_tB48J:www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u37688.shtml+celso+lafer+sapatos&amp;cd=2&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br&amp;client=firefox-a">famoso por representar nossa diplomacia dos sapatos</a>. Parecem não suportar ver o Brasil de cabeça erguida frente às grandes potências.</p>
<p><strong>Nelson Jobim e o Twitter da Defesa</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2009/05/nelson-jobim.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-30785" title="nelson-jobim" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2009/05/nelson-jobim.jpg" alt="" width="255" height="324" /></a></p>
<p>O ministro da Defesa, Nelson Jobim, também ficou numa saia justa depois das revelações do WikiLeaks. Jobim prestou-se ao obtuso papel de <span style="text-decoration: line-through;">informante</span> <a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/11/30/o-ministro-x-9/">&#8220;x-9&#8243; da espionagem</a> norte-americana no Brasil e na América do Sul.</p>
<p>Quem acompanha o <a href="http://twitter.com/DefesaGovBr">Twitter do Ministério da Defesa</a>, deve ter percebido a tensão das mensagens postadas na manhã de ontem, terça-feira. Os <em>tweets</em> remetem às declarações relatadas, num telegrama de   2008, pelo ex-embaixador norte-americano, Clifford Sobel. Sobel diz no  documento que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o ministro   chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da   República, Samuel Pinheiro Guimarães, trabalha para &#8220;criar problemas&#8221;   entre as duas nações, e que ele &#8220;odeia os Estados Unidos&#8221;.</p>
<div id="attachment_51396" class="wp-caption aligncenter" style="width: 456px"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Tweet-defesa-gov-_-Jobim.jpg"><img class="size-full wp-image-51396" title="Tweet defesa gov _ Jobim" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Tweet-defesa-gov-_-Jobim.jpg" alt="" width="446" height="210" /></a>
<p class="wp-caption-text">#Tenso</p>
</div>
<p>Depois que o WikiLeaks publicou os telegramas, Jobim divulgou uma <a href="https://www.defesa.gov.br/index.php/noticias-do-md/2454014-30112010-defesa-jobim-nega-criticas-a-samuel-pinheiro-guimaraes.html">nota para  desmentir</a> que teria dito as palavras que constam do documento.</p>
<p>Pois bem &#8212;&gt;</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Tweet-defesa-gov-_-Jobim-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-51397" title="Tweet defesa gov _ Jobim 2" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Tweet-defesa-gov-_-Jobim-2.jpg" alt="" width="441" height="207" /></a></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter size-full wp-image-51398" title="Tweet defesa gov _ Jobim 3" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Tweet-defesa-gov-_-Jobim-3.jpg" alt="" width="405" height="155" /></p>
<p style="text-align: left;">Seria ridículo se fossem apenas &#8220;críticas&#8221;. Só mesmo um Ministro bisonho como Jobim pra se prestar ao papel de ir fazer &#8220;críticas&#8221; sobre um outro membro do governo ao embaixador dos EUA. Mas seu gesto é muito pior que o simples ridículo. Mostra que ele trabalhou (trabalha?) ativamente contra o ministério das relações exteriores do Brasil, agindo como um obtuso colaborador da espionagem norte-americana.</p>
<p style="text-align: left;">É absurdo (pra não dizer outra coisa) um ministro de Estado manter esse tipo de atitude colaborativa com um país que está tentando enfiar uma lei anti-terrorismo goela abaixo dos brasileiros. Uma lei que só interessa aos EUA, diga-se de passagem. Aliás, seria absurdo um ministro agir dessa forma com qualquer outro país,  independentemente de serem os Estados Unidos e sua rede internacional de  espionagem diplomática.</p>
<p style="text-align: left;">O absurdo é compreensível, uma vez que o ministro Jobim entende do assunto de enfiar leis onde não se deve. Jobim <a href="http://www.cic.unb.br/~pedro/trabs/fraudeac.html">fraudou a Constituição de 1988</a>, inserindo no texto da Carta um artigo que não passou pelas vistas dos demais parlamentares.</p>
<p style="text-align: left;">Por mais que o governo brasileiro esteja minimizando os documentos do WikiLeaks, o fato é que o comportamento do ministro foi, no mínimo, reprovável. E sua atuação reprovável não se resume à fraude ao texto constitucional, nem à sua colaboração obtusa com a embaixadda norte-americana. Para quem não se lembra, ele foi um dos protagonistas da grande farsa que derrubou o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda. Jobim foi o (ir)responsável que apresentou ao presidente Lula, provas falsas de  que existiam equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda  para grampear uma conversa entre Gilmar Mendes e o senador Demostenes Torres (DEM).</p>
<p style="text-align: left;">O áudio do tal &#8220;grampo&#8221;, por sinal, até hoje ninguém sabe, ninguém ouviu.</p>
<p style="text-align: left;">A cereja do bolo é que, segundo um outro documento do Wikileaks, Nelson Jobim se esforçou para ser um bom informante da embaixada norte-americana sobre o estado de <a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/11/30/o-ministro-x-9/">saúde do presidente da Bolívia, Evo Morales</a>. Foi através do diligente Nelson Jobim que o ex-embaixador Clifford Sobel foi informado a respeito de um tumor que Morales teria na cabeça.</p>
<p style="text-align: left;">No dia 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião na Bolívia, em que acompanhou o presidente Lula, Jobim ficou sabendo da &#8220;novidade&#8221; e danou-se a fofocar ao ex-embaixador Sobel &#8211; que telegrafou a &#8220;notícia exclusiva&#8221; ao Departamento de Estado em Washington, 15 dias depois.</p>
<p style="text-align: left;">Os documentos do WikiLeaks não mostra apenas um Jobim ridiculamente fofoqueiro. Vai além, e transparece que nosso ministro passou informações detalhadas sobre a oferta de exames e tratamento do presidente Lula ao presidente boliviano, num hospital de São Paulo.</p>
<p style="text-align: left;">Jobim atuou (atua?) como um verdadeiro x-9 nos esquemas norte-americanos de espionagem no Brasil e na América do Sul. Há quem peça sua permanência no governo, como a <span style="text-decoration: line-through;">tucana</span> jornalista Eliane Cantanhêde. Por que ela pede a permanência de alguém no governo Lula? Quem sabe porque recebia &#8220;informações exclusivas&#8221; sobre os rafales franceses&#8230; Além de outras &#8220;notícias&#8221; mais.</p>
<p><strong>Os documentos do WikiLeaks e a formação de uma Wiki Tradução<br />
</strong></p>
<p>A íntegra dos seis documentos relacionados com o Brasil foi publicada esta semana pela <a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/837579-leia-integra-dos-arquivos-do-wikileaks-obtidos-pela-folha.shtml">Folha.com</a>.  O WikiLeaks vazou os documentos para alguns impressos internacionais,  como o <em>Le Monde</em>, <em>El País</em>, <em>Der Spiegel</em>, <em>The Guardian</em> e <em>New York Times</em> (que tem sido bastante ordeiro com o <em>establishment</em> norte-americano dos bancos, do complexo militar industrial e outros poderosos).</p>
<p>Até agora , pelo que soube, existem 199 no total sobre o Brasil, sendo 12 sobre o Recife. Eles estão todos em inglês (<em>* sobre os números, ver nota ao fim do post)</em>.</p>
<p>Para dar conta da tradução deles, o blogueiro do <a href="http://www.idelberavelar.com/">Biscoito Fino e a Massa</a>, e professor residente em Nova Orlean&#8217;s, Idelber Avelar, em seu habitual <em>twitcam</em> nas terças-feiras, instou, ontem, um grupo de pessoas a fazer uma  página de Wiki Tradução desses documentos.</p>
<p>A ideia é universalizar ainda  mais a leitura dos cabos revelados pelo WikiLeaks, além de traduzir  notícias de várias línguas para o português. A ideia é ótima, e quando  eu tiver mais notícias sobre a composição dessa página Wiki, posto aqui  no <strong>Acerto de Contas</strong>.</p>
<p>______________________</p>
<p><em><strong>* Atualização, 22h42 &#8211; </strong></em><em>Corrigindo o número que falei logo acima: não são apenas 199 documentos sobre o Brasil. Segundo Natália Viana, do Opera Mundi &#8220;São  2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado  em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo&#8221;. </em></p>
<p><em>Natália Viana, que faz um trabalho excepcional no Opera Mundi, disse ainda que foi convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que dizem respeito ao nosso País. <a href="http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1307">Ver aqui</a></em>.</p>
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		<title>Blogueiros entrevistam o Presidente Lula</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/economia/blogueiros-entrevistam-lula/</link>
		<comments>http://acertodecontas.blog.br/economia/blogueiros-entrevistam-lula/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 10:03:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
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<p>Assista aqui a entrevista a partir das 08:00 horas, no Recife (09:00 horas no horário de Brasília). Editor do <strong>blog Acerto de Contas</strong>, Pierre Lucena é um dos 10 blogueiros que participam da entrevista.</p>
<p>Pra nós do blog é uma grande honra poder estar presente.&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object id="twitcamPlayer" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="wmode" value="window" /><param name="src" value="http://entrevista.blog.planalto.gov.br/index.php?embed=true" /><param name="name" value="twitcamPlayer" /><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="twitcamPlayer" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://entrevista.blog.planalto.gov.br/index.php?embed=true" bgcolor="#ffffff" name="twitcamPlayer" wmode="window" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>Assista aqui a entrevista a partir das 08:00 horas, no Recife (09:00 horas no horário de Brasília). Editor do <strong>blog Acerto de Contas</strong>, Pierre Lucena é um dos 10 blogueiros que participam da entrevista.</p>
<p>Pra nós do blog é uma grande honra poder estar presente.</p>
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		<title>O voto da utopia e a pouca eficácia da Onda</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 04:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pierre Lucena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/MarinaSilva4.jpg"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Marina-Silva4" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/MarinaSilva4_thumb.jpg" border="0" alt="Marina-Silva4" width="404" height="254" /></a></p>
<p>Nos últimos dias a grande sensação da campanha presidencial foi o crescimento significativo de Marina Silva. Para quem estava com 7% dias atrás, ir a 14% foi um salto surpreendente.</p>
<p>Mais do que isso, é impossível não verificar nos últimos dias entre a classe média não apenas o crescimento, mas uma massificação impressionante da candidata. Basta chegar em uma mesa &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/MarinaSilva4.jpg"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Marina-Silva4" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/MarinaSilva4_thumb.jpg" border="0" alt="Marina-Silva4" width="404" height="254" /></a></p>
<p>Nos últimos dias a grande sensação da campanha presidencial foi o crescimento significativo de Marina Silva. Para quem estava com 7% dias atrás, ir a 14% foi um salto surpreendente.</p>
<p>Mais do que isso, é impossível não verificar nos últimos dias entre a classe média não apenas o crescimento, mas uma massificação impressionante da candidata. Basta chegar em uma mesa de bar, ou mesmo entre as pessoas mais jovens que não tem partido, e perguntar para quem será o voto, que a probabilidade de ser Marina é muito grande. Os indecisos nessa faixa de votos estão migrando em grande parte para a candidata do PV.</p>
<p>Mas se essa forte onda verde existe, por que Marina ainda tem metade das intenções de voto de Serra?</p>
<p>Por um simples motivo, nosso estrato populacional é muito restrito. Serra e Dilma controlam a classe média do sudeste, e a faixa C, D e E, respectivamente.</p>
<p>A onda verde neste caso tem pouca eficácia, porque mesmo Marina estourando entre a classe mais escolarizada, ela apenas dobra sua votação, final, que era pequena. Além disso, essa sensação de crescimento exponencial entre nossos pares, que realmente está acontecendo, nos remete ao fato de que nosso grupo de relacionamento é restrito.</p>
<p><span id="more-50295"></span></p>
<p>Várias são as razões para Marina encantar a classe média e os mais escolarizados, principalmente porque é algo diferente do que todos estão acostumados. Conheci a Senadora no evento que o <strong>Acerto de Contas </strong>promoveu em março deste ano, e posso afirmar que é uma pessoa especial.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/MarinaSilvaSENADORA.jpg"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="Marina Silva - SENADORA" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/MarinaSilvaSENADORA_thumb.jpg" border="0" alt="Marina Silva - SENADORA" width="294" height="354" /></a></p>
<p>As dificuldades eleitorais de Marina são muito grandes. Com menos de um minuto de guia eleitoral, sem um palanque competitivo sequer nos Estados, sua campanha acaba ficando restrita às regiões metropolitanas. Ter 14%, metade do que tem Serra com uma imensa estrutura, é uma vitória extraordinária. Vai ganhar de Serra em várias capitais, mesmo sem palanque algum.</p>
<p>Se ela fosse a candidata de Lula, com a ampla aliança de Dilma, ela não teria os 48%/49% de Dilma, teria mais do que 60%. Não há dúvidas de que politicamente ela é muito mais qualificada, pela bela história de vida e capacidade de superação.</p>
<p>Os petistas a acusam de servir à candidatura de Serra porque acreditam que nada serve fora do partido. Não aceitam uma candidatura avulsa, vindo da sociedade ou de outras forças políticas. Mas isso é outra história.</p>
<p>Apesar da grande admiração que tenho por Lula, meu voto será em Marina por tudo o que ela representa neste momento. Inclusive, se for para ela não estar no segundo turno, o que é bem provável, prefiro que a eleição acabe logo.</p>
<p>Marina sairá dessa eleição com uma força impressionante. Dificilmente conseguirá ter futuro promissor como candidata a Presidente da República, porque este era o momento dela, a não ser que uma catástrofe ocorra no futuro Governo, mas a Senadora do PV será respeitada como nunca.</p>
<p>Independente de qualquer coisa, a importância de Marina está no resgate do eleitor esclarecido, que gosta de participar, mas não quer viver o dia a dia da política.</p>
<p>O voto em Marina é um pouco daquele voto que Lula já teve e soube manter.</p>
<p>É o voto que se dá com orgulho.</p>
<p>É o voto da utopia, mesmo sabendo que ele é apenas isso, uma utopia.</p>
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		<title>Estadão dá o bom exemplo e anuncia apoio a José Serra em editorial</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/economia/estado-d-o-bom-exemplo-e-anuncia-apoio-a-serra/</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2010 16:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pierre Lucena</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[eleição]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/09/newspapers.jpg"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="newspapers" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/09/newspapers_thumb.jpg" border="0" alt="newspapers" width="354" height="267" /></a></p>
<p>Antes tarde do que nunca. Apesar de faltar apenas uma semana para a eleição no Brasil, o Estado de São Paulo publicou hoje um editorial que deveríamos ter lido há tempo no Brasil: um veículo de comunicação impresso apoiar um candidato.</p>
<p>A Carta Capital tinha feito isso há algum tempo, declarando apoio a Dilma Rousseff, mas acredito que o Estado &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/09/newspapers.jpg"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="newspapers" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/09/newspapers_thumb.jpg" border="0" alt="newspapers" width="354" height="267" /></a></p>
<p>Antes tarde do que nunca. Apesar de faltar apenas uma semana para a eleição no Brasil, o Estado de São Paulo publicou hoje um editorial que deveríamos ter lido há tempo no Brasil: um veículo de comunicação impresso apoiar um candidato.</p>
<p>A Carta Capital tinha feito isso há algum tempo, declarando apoio a Dilma Rousseff, mas acredito que o Estado de São Paulo seja o primeiro jornal diário a declarar seu apoio.</p>
<p>Isso é extremamente benéfico para a democracia brasileira, e também para o jornalismo. É bobagem acreditar que existe isenção, quando por trás dos textos e da edição existe uma pessoa, com valores e ideologias.</p>
<p>Para o leitor do Estado de São Paulo, fica a missão de tentar compreender o que o jornal quer dizer, sabendo agora que este apoia José Serra para a Presidência. Garanto que ele vai dar muito mais credibilidade ao jornal que apoia José Serra do que aos pseudoisentos, como a Veja, Folha, etc.</p>
<p>O grande desafio é apoiar um candidato sem perder o senso crítico e o bom-senso. Os leitores e os veículos precisam entender que apoiar um candidato não significa atuar como torcidas uniformizadas e militantes ignóbeis, que são maioria nas campanhas, muito menos como partidos políticos.</p>
<p>Espero que sirva de exemplo para os demais.</p>
<p>Segue o editorial.</p>
<p><span id="more-50151"></span></p>
<p><strong>Editorial: o mal a evitar</strong></p>
<p>A acusação do presidente da República de que a Imprensa &#8220;se comporta como um partido político&#8221; é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o <strong>Estado</strong>, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre &#8220;se comportar como um partido político&#8221; e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.</p>
<p>Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o<strong>Estado </strong>apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.</p>
<p>Efetivamente, não bastasse o embuste do &#8220;nunca antes&#8221;, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.</p>
<p>Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa &#8211; iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique &#8211; de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.</p>
<p>Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia &#8211; a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o &#8220;cara&#8221;. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: &#8220;Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?&#8221; Este é o mal a evitar.</p>
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		<title>Campanha de Serra parte para o terrorismo e perde o restinho de sua dignidade</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Sep 2010 00:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e Análises]]></category>
		<category><![CDATA[eleição]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[<div id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:96689753-57d7-41f4-874b-cadb19394665" class="wlWriterEditableSmartContent" style="margin: 0px; display: inline; float: none; padding: 0px;">
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<p>Por <strong>Robson Fernando</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>Incapaz de vencer pela honestidade, pelos próprios méritos, pelas propostas de governo, pelas qualidades (que creio existirem, embora sejam muito questionadas ao largo da blogosfera) de José Serra &#8211; enfim, <em>por bem -</em>, o demotucanato recebeu a ajuda do famoso <em>Partido da Imprensa Golpista</em>, que centrou pesado bombardeio em Dilma &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:96689753-57d7-41f4-874b-cadb19394665" class="wlWriterEditableSmartContent" style="margin: 0px; display: inline; float: none; padding: 0px;">
<div><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="355" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FJ7kFXeII44&amp;hl=en" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="355" src="http://www.youtube.com/v/FJ7kFXeII44&amp;hl=en"></embed></object></div>
</div>
<p>Por <strong>Robson Fernando</strong><br />
<em>para o Acerto de Contas</em></p>
<p>Incapaz de vencer pela honestidade, pelos próprios méritos, pelas propostas de governo, pelas qualidades (que creio existirem, embora sejam muito questionadas ao largo da blogosfera) de José Serra &#8211; enfim, <em>por bem -</em>, o demotucanato recebeu a ajuda do famoso <em>Partido da Imprensa Golpista</em>, que centrou pesado bombardeio em Dilma e no governo Lula por semanas &#8211; e continua fazendo-o, embora neste momento tenha abrandado os disparos, talvez por escassez de munição -, explorando-lhes defeitos de que, segundo a ideia que a imprensa e a militância de direita tentam passar à população, a direita seria totalmente livre e isenta.</p>
<p>Mas o PIG está fracassando. Visto isso, restando dez dias para as eleições, para o cumprimento da vontade do povo, o estado da direita federal é de desespero e falta de opções benignas para recuperar os números que Serra ostentava antes das pré-candidaturas(!). Restou um único recurso, a cujo uso só a rejeição à democracia plena, o desapreço pela vontade do povo, pode induzir: vencer as eleições <em>por mal</em>.</p>
<p>Daí surgiu o vídeo acima. Puro terrorismo eleitoreiro que visa tirar quase à força os votos de Dilma, acusando o partido dela, o PT, de ser tudo de ruim, um autêntico partido do inferno, que abriria as portas do Brasil a um verdadeiro apocalipse político.</p>
<p>É tudo o que resta para o demotucanato: atacar com a arma do terror, do plantio do medo, da manipulação das massas. Plantar na população o medo de um PT perversamente caricaturado, descrito como uma besta raivosa que, livre do encoleiramento de Lula, mostraria seu instinto demoníaco a aterrorizar o Brasil com um regime caótico.</p>
<p><span id="more-50085"></span> O PSDB/DEM, mesmo não se mostrando na propaganda terrorista, mostra-se como o &#8220;civilizador&#8221; que quer vencer a &#8220;barbárie&#8221; da esquerda. Como o arauto do mais honesto dos governos, o purificador de Brasília, uma coligação completamente incapaz de fazer aquilo que acusa tanto o PT de promover &#8211; o apadrinhamento, a cabide de empregos, a corrupção etc.</p>
<p>Mas o que vemos no vídeo é o espelho não do PT, partido que tentam difamar. Mas o próprio retrato dos demotucanos.</p>
<p>Não que uma vitória deles vá certamente representar o terror para o Brasil &#8211; muito embora eu pessoalmente creia que um governo demotucano vá desenterrar a política muito hostil às classes mais humildes que vigorou no governo FHC. Não que eu esteja mostrando que o demotucanato seja de fato aliado de regimes opressores (ou é, considerando sua omissão à política externa estadunidense e aos regimes chinês, saudita etc. durante o governo FHC?), mancomunado com &#8220;grupos radicais&#8221; (ou é, vide a Opus Dei de Geraldo Alckmin e os <a href="http://consciencia.blog.br/2010/09/por-nao-simpatizo-existencia-de-forcas-armadas.html"><strong>militares</strong></a> que Serra visitou recentemente a portas fechadas?), envolvido em corrupção (ou é, vide Azeredo, Arruda e outros nomes?) e outras desqualidades.</p>
<p>Mas o que se vê no vídeo acima é a revelação <em>ultimate</em> da face de quem abandonou a campanha eleitoral propositiva e passou a querer vencer por mal, derrotando a democracia civilizada, descendo o nível ao fundo do poço e &#8220;conquistando&#8221; a população pelo medo, pelo terrorismo psicológico, pela filosofia do inimigo comum.</p>
<p>Essa face terrorista do serrismo diz nas entrelinhas: <em>vote em Serra, senão o Brasil entrará em um estado de caos. Senão Brasília será tomada pelo que há de mais vil em corrupção e dominação. Senão o que virá é o terror socialista dos grupos radicais </em>(sic).</p>
<p>Aliás, é falando em grupos &#8220;radicais&#8221; que observamos o que essa direita pensa dos movimentos sociais: como grupos extremistas que semeiam o caos e o terror; como hordas parapolíticas, quase paramilitares, que ameaçam a democracia, a liberdade e os direitos individuais no Brasil. O vídeo não afronta só Dilma e o PT. Afronta a todos os brasileiros humildes que lutam por um país mais justo, por uma distribuição de riquezas (renda e terra principalmente) mais decente, pois foram todos, que querem apenas um pouco de dignidade e igualdade, chamados de baderneiros e radicaloides.</p>
<p>Essa investida decreta de uma vez por todas: José Serra, que permitiu tal rebaixamento do nível de sua campanha, e seus marqueteiros perderam o que lhes restava de dignidade democrática. Perderam o que lhes restava de merecimento de voto. Os méritos de Serra, ainda que questionáveis, como ministro, senador, prefeito da maior cidade do Brasil e governador do estado mais populoso foram esmagados por sua ânsia de querer o poder a todo custo, de almejar o Palácio do Planalto <em>por bem ou por mal</em>.</p>
<p>Eu vi esse filme antes, no começo da adolescência, ainda que numa versão mais <em>light</em>. Roberto Magalhães, bufão da velha classe política arenista-pefelista pernambucana, concorreu à reeleição como prefeito do Recife em 2000, e usou táticas semelhantes de semeadura do medo depois de ir para o segundo turno: seu guia eleitoral afirmava que João Paulo, seu adversário, do PT assim como Dilma, traria para o Recife a &#8220;baderna&#8221; de movimentos como o MST e o MTST (sem-teto) &#8211; inclusive parte do jingle de campanha do segundo turno dizia &#8220;Mudança sim, baderna não&#8221;.</p>
<p>Perdeu aquelas eleições, numa inédita <em>onda vermelha</em>. Muito merecido. Recife mostrou que jogar a dignidade democrática pessoal no lixo custa caro: custa a derrota nas urnas.</p>
<p>Serra deverá passar pelo mesmo revés em breve, dentro de dez dias. Ter aprovado o vídeo em questão, extirpando de si a dignidade e o senso de democracia, vai lhe custar caro nas urnas. Perderá o respeito de quem ainda o via sobriamente como alternativa de poder.</p>
<p>Os simpatizantes leais de Serra que ainda restam, comportando-se como uma torcida organizada fanática, pedem que as (contra)propagandas reunidas no vídeo vão para a televisão, ora no guia eleitoral ora em inserções nos intervalos comerciais.</p>
<p>Eu dou todo o apoio. Também quero que elas sejam postas no ar. Assim a população saberá a verdadeira cara e as verdadeiras intenções do&#8230; PSDB/DEM.</p>
<p>E faço tanta questão que o vídeo acima seja divulgado para o máximo possível de pessoas que eu trouxe este texto ao <strong><a href="http://consciencia.blog.br/">Arauto da Consciência</a></strong> e ao <strong>Acerto de Contas</strong> para divulgá-lo. Assim eu ajudo a divulgar a baixaria em que estão tentando transformar não só essa campanha eleitoral na reta final como também a própria democracia brasileira.</p>
<p>P.S: juntando o vídeo acima, as investidas do PIG, <a href="http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/09/22/leia-integra-do-manifesto-em-defesa-da-democracia-lancado-em-sao-paulo-921049531.asp"><strong>o manifesto &#8220;democrático&#8221;</strong></a> de quem vê o PT como uma &#8220;ameaça à democracia&#8221; e <a href="http://consciencia.blog.br/2010/09/off-politico-desonestidade-hoax-eleitoreiro-diz-dilma-menosprezou-jesus-cristo.html"><strong>o jogo sujo dos soldados voluntários do serrismo</strong></a>, percebo que está havendo uma guerra de ataque do serrismo contra a campanha de Dilma. O clima está sendo de guerra total. Em vez da paz eleitoral que marca os países de democracia consolidada e madura, vejo gritaria e tensão no meio político-eleitoral. Temo sinceramente que a derrotada no final seja nem Dilma ou o PT, mas <em>a democracia</em>. Começo a vejo como não tão remotas assim as chances de a atual agitação da direita desestabilizar a ordem eleitoral ou mesmo reanimar a velha sanha fascista dos <a href="http://consciencia.blog.br/2010/09/por-nao-simpatizo-existencia-de-forcas-armadas.html"><strong>militares</strong></a>.</p>
<p>____________________________<br />
<em><strong>Robson Fernando é editor do blog </strong><a href="http://consciencia.blog.br/">Arauto da Consciência</a></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobre o factoide do &#8220;dossiê&#8221; &#8211; que é um livro</title>
		<link>http://acertodecontas.blog.br/politica/sobre-o-factoide-do-dossie-que-e-um-livro/</link>
		<comments>http://acertodecontas.blog.br/politica/sobre-o-factoide-do-dossie-que-e-um-livro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 15:14:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[OAB]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/Serra.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-48126" title="José Serra. (Foto: Monica Alves/ AE)" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/Serra.jpg" alt="" width="298" height="248" /></a></p>
<p>Ainda sobre o factoide do dossiê anti-Serra (ler aqui no blog post sobre a <a href="http://acertodecontas.blog.br/politica/pt-protocola-acao-judicial-contra-jose-serra/">interpelação judicial que o PT protocolou contra José Serra</a>), a <em>CartaCapital</em> publicou texto interessante de Leandro Fortes, com outras informações sobre a trama trêmula da oposição.</p>
<p>Segue abaixo a matéria.</p>
<p><strong>&#8220;Na pista do factoide&#8221;</strong></p>
<p><em>por Leandro Fortes<br />
<a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&#38;a2=8&#38;i=7020">na CartaCapital</a></em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>De um segundo encontro em uma </em>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/Serra.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-48126" title="José Serra. (Foto: Monica Alves/ AE)" src="http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/Serra.jpg" alt="" width="298" height="248" /></a></p>
<p>Ainda sobre o factoide do dossiê anti-Serra (ler aqui no blog post sobre a <a href="http://acertodecontas.blog.br/politica/pt-protocola-acao-judicial-contra-jose-serra/">interpelação judicial que o PT protocolou contra José Serra</a>), a <em>CartaCapital</em> publicou texto interessante de Leandro Fortes, com outras informações sobre a trama trêmula da oposição.</p>
<p>Segue abaixo a matéria.</p>
<p><strong>&#8220;Na pista do factoide&#8221;</strong></p>
<p><em>por Leandro Fortes<br />
<a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&amp;a2=8&amp;i=7020">na CartaCapital</a></em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>De um segundo encontro em uma confeitaria de Brasília ao roubo de arquivos, novos detalhes da mal-ajambrada trama do dossiê anti-Serra que ninguém viu<br />
</em></p>
<p>Nas últimas semanas, os eleitores brasileiros acompanharam o desenrolar de uma série de informações desconexas sobre um escândalo inexistente baseado em um dossiê fantasma a ser montado por uma equipe de arapongas jamais formada. Ainda assim, a história está longe de acabar. O tal dossiê, na verdade um livro sobre os bastidores do processo de privatização durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, voltará a ser notícia depois da Copa do Mundo, provavelmente no fim de julho.</p>
<p>É o período mais provável para o autor do texto, o repórter Amaury Ribeiro Júnior, com passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do País e colecionador de prêmios jornalísticos, entregar ao Ministério Público Federal as informações e documentos coletados por ele ao longo de dois anos de investigação. Em seguida, vai publicar a obra, 14 capítulos que o autor acredita serem capazes de abalar os alicerces do PSDB às vésperas das eleições de outubro.<span id="more-48122"></span></p>
<p>Antes, porém, é preciso esclarecer as circunstâncias que, em 5 de abril, levaram a uma mesa do restaurante Fritz, na Asa Sul de Brasília, os cinco personagens de uma trama rocambolesca, cujo início ainda tem pontos obscuros. A partir desse encontro, CartaCapital buscou reconstituir os bastidores dos acontecimentos que resultaram na crise inaugurada a partir de uma reportagem publicada pela revista Veja em 29 de maio, mas costurada antes no submundo político brasiliense, graças, em parte, ao grau de amadorismo dos envolvidos na confusão e em grande medida à guerra eleitoral que se aproxima.</p>
<p>Na batalha de versões estabelecidas entre as partes envolvidas no escândalo do dossiê que ninguém viu, o primeiro a falar foi, justamente, o primeiro a cair, o empresário Luiz Lanzetta, dono da agência Lanza, responsável na campanha da pré-candidata Dilma Rousseff pela contratação de profissionais da área de comunicação, 14 ao todo. No fim de março, Lanzetta diz ter percebido a existência de vazamentos de informações de dentro do comitê do PT, instalado em uma casa no Lago Sul de Brasília. Nessa altura, havia se instalado uma clara divisão na área de comunicação. De um lado, Lanzetta, levado à campanha pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, amigo de Dilma Rousseff. De outro, o grupo do paulista Rui Falcão, igualmente próximo à ex-ministra.</p>
<p>Atribui-se o vazamento a essa luta interna pelo controle da área de comunicação na campanha. Tanto Pimentel quanto Falcão se dizem amigos fraternais e negam qualquer divergência ou briga por mais espaço e poder.</p>
<p>Preocupado com os vazamentos, Lanzetta procurou apoio de um velho conhecido de fora da campanha, Ribeiro Jr.. A ideia era contratá-lo para a equipe de Dilma Rousseff de forma a conseguir também, a partir do perfil profissional do repórter, informações sobre os movimentos do adversário. Até aí, nada de novo no front eleitoral brasileiro, onde investigações mútuas entre candidatos são tão comuns quanto a impressão de “santinhos” de campanha.</p>
<p>Ao saber das preocupações de Lanzetta, Ribeiro Jr. decidiu convocar uma fonte antiga, o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-agente da Secretaria de Inteligência da Aeronáutica (Secint). O araponga disse ao jornalista conhecer o nome certo para o serviço na casa do Lago Sul, Onézimo Sousa, ex-delegado da Polícia Federal e investigador com 30 anos de experiência. Decidiu-se marcar o citado almoço no restaurante Fritz. O quinto participante do encontro seria Benedito Oliveira Neto, empresário do setor gráfico e de eventos de Brasília, possuidor de contratos com o governo federal. Oliveira Neto teria sido convidado à reunião por Lanzetta para atuar como “testemunha”. Os dois também se conhecem de longa data.</p>
<p>Na versão de Lanzetta, sustentada por Oliveira Neto e Ribeiro Jr., Onézimo Sousa foi consultado somente sobre a montagem de um esquema de segurança interna do comitê da campanha petista para detectar de onde saíam os vazamentos e arranjar um jeito de evitá-los. Suspeitava-se, ainda, da existência de escutas telefônica e ambientais na casa. Segundo Lanzetta, Sousa os alertou de que era “antipetista”, mas engatou uma conversa sobre uma centena de dossiês que, segundo ele, estariam sendo produzidos por uma equipe encabeçada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) contra aliados da base do presidente Lula, principalmente do PT e do PMDB. “Ele disse que tinha sido do lado de lá, que conhecia esses caras todos”, afirma Lanzetta. O “antídoto” para os vazamentos apontados por Sousa, segundo o empresário de comunicação, seria um sistema de contraespionagem ao custo de 180 mil reais por mês. “Aí eu encerrei o assunto, me levantei e fui embora.”</p>
<p>A CartaCapital Sousa afirmou nunca ter oferecido serviço algum a Lanzetta ou a ninguém do PT. “Da minha parte, tenho como provar tudo que eu disse. Nunca citei o Itagiba. Fui ao restaurante, ouvi uma proposta indecente e saí”, contou o ex-delegado, em entrevista por telefone, na terça-feira 8, de um quarto de hotel localizado fora de Brasília, em local não revelado por ele. A proposta indecente seria a de investigar o candidato José Serra, interpretada por ele como ordem implícita de fazer grampos telefônicos nas linhas do tucano e de seus aliados políticos. Antes de sair do restaurante, o araponga deixou com Lanzetta um cartão de apresentação em que se lia apenas “Onézimo Sousa – Advogado – OAB-DF 13600”, seguido do endereço do escritório e dos telefones de contato.</p>
<p>“Estou com a consciência tranquila, porque foram eles que me chamaram. Até estranhei, porque não sou petista”, diz Sousa. Uma semana depois, o ex-delegado iria encontrar o mesmo cartão nas mãos do jornalista Policarpo Júnior, chefe da sucursal da Veja em Brasília. Como ele pode garantir ser o mesmo cartão? “Fiz uma marca de identificação nele.” Passados alguns dias da reunião no Fritz, uma equipe de repórteres da Editora Abril já estava no encalço dos participantes do almoço. Ou seja, de algu-ma forma, e com bastante rapidez, a informação havia sido vazada para a imprensa. O delegado passou a achar que o vazamento partira de alguém que esteve no encontro no restaurante.</p>
<p>Sousa, a quem Policarpo Jr. conhece há quase duas décadas, foi um dos primeiros a ser contatados. Quando viu o cartão de visita nas mãos do repórter, perguntou como ele havia conseguido o papel. “Ele me disse que tinha vindo da casa”, conta o ex-delegado. “Eu entendi que a Veja tem alguém lá dentro”, afirma. Por isso mesmo, concluiu que havia caído em uma armadilha, principalmente quando soube, logo depois, que também Ribeiro Jr. tinha sido entrevistado.</p>
<p>Por sete semanas, o staff da campanha petista ficou na expectativa sobre o que poderia ser publicado sobre o almoço do restaurante Fritz. Portanto, ao menos os mais bem informados integrantes do comitê sabiam da preparação da reportagem. Nesse intervalo, além de Sousa e Ribeiro Jr., o deputado Rui Falcão foi procurado pela revista. “Eu sabia que o assunto estava no ar. Mas eles não registraram nenhuma declaração minha”, diz Falcão.</p>
<p>Em 29 de maio, uma matéria truncada foi publicada em Veja com foto e declaração do ex-delegado Sousa, mas sem nenhuma linha sobre o livro de Ribeiro Jr., o que, obviamente desmontaria a tese do dossiê tão alegremente sustentada pela mídia nos últimos dias, ainda que, a exemplo do suposto grampo contra o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes (outra contribuição da revista da Editora Abril ao jornalismo “investigativo” à brasileira), faltem alicerces para manter a versão de pé.</p>
<p>Na iminência da publicação, Sousa decidiu enviar uma carta à revista, reproduzida na internet, onde se dizia “obrigado a manter o devido sigilo” sobre conversas com clientes e informou ter sido apenas sondado pelos petistas, apesar de não ter aceitado o serviço por “divergir cabalmente quanto à metodologia e ao direcionamento dos trabalhos a serem ali executados”. Na mesma semana, ele voltaria a falar com Policarpo Júnior, mas desta vez para fazer estardalhaço.</p>
<p>Em 5 de junho, Veja publicou uma entrevista com o ex-delegado, na qual ele soltou o verbo contra Lanzetta e Ribeiro Jr. Acusou o grupo petista de querer grampear Serra e lançou-se numa estratégia de virtual suicídio profissional, ao abrir as intenções de um cliente, mesmo não contratado. No mesmo dia, Lanzetta foi obrigado a se demitir da campanha de Dilma Rousseff. O ex-delegado agiu com o fígado, sobretudo, porque passou a ser acusado de ter sido cooptado pelos tucanos e, no passado, ter participado do núcleo de inteligência de Serra no Ministério da Saúde.</p>
<p>Não é verdade. Sousa jamais trabalhou com o deputado Itagiba ou no Ministério da Saúde, ou mesmo em ambientes comuns na Polícia Federal, onde ambos foram delegados. Quando na PF, Sousa fez fama como investigador profissional e corajoso, sobretudo no combate a traficantes de drogas e de armas no Rio de Janeiro, numa época em que coleta de provas e infiltração entre bandidos valiam mais que escutas telefônicas. Aposentado em 1995, fez carreira de investigador particular na Control Risks, uma renomada agência de investigação inglesa, com filial em São Paulo. De volta a Brasília, montou um escritório de advocacia no Setor Comercial Sul, embora ainda continuasse, eventualmente, a fazer serviços de investigação para uns poucos clientes. O que o levou a corroborar a tal história de arapongagem é uma pergunta que, talvez, só o tempo seja capaz de esclarecer.</p>
<p>Ribeiro Jr. também diz ter como provar “diálogo por diálogo” da conversa ocorrida no restaurante Fritz. Supõe-se, portanto, que tanto ele como Sousa tenham gravado tudo sem que um notasse o que o outro fazia. É certo que um dos dois está blefando, mas Ribeiro Jr. tem a seu favor o depoimento dos outros presentes à mesa, inclusive o sargento Idalberto, embora este não esteja nem um pouco disposto a aparecer em público. Em 2008, Dadá foi acusado de participar ilegalmente da Operação Satiagraha, ao lado do delegado Protógenes Queiroz, mas negou ter feito parte da ação.</p>
<p>Ribeiro Jr. alega ainda ter tido outro encontro com Sousa, 15 dias depois do almoço no Fritz, em uma confeitaria de Brasília, na presença do sargento Dadá. Na ocasião, conta o jornalista, o ex-delegado estava furioso por causa do vazamento da conversa com Lanzetta e o acusou de ter levado o assunto para a imprensa. “Ele achou que nós havíamos passado o cartão dele para a Veja”, explica Ribeiro Jr. “Mas é certo que o cartão dele foi roubado dentro da campanha. Também roubaram um arquivo do meu livro, colocado num computador da casa, daí o pânico (dos tucanos) em relação ao ‘dossiê’.” Sousa nega ter participado desse segundo encontro.</p>
<p>Além disso, Ribeiro Jr. acredita que algum hacker conseguiu entrar em seu notebook enquanto ele esteve hospedado em um hotel de Brasília e retirado um arquivo que só ele tinha: uma reportagem encomendada pelo jornal O Estado de Minas, mas jamais publicada, sobre as investigações que resultariam no livro intitulado Os Porões da Privataria e que conta com alguns trechos publicados na internet. A reportagem não publicada seria o tal “dossiê”. Diz o repórter: “Também roubaram relatórios dos custos- da casa onde fica o comitê de campanha de Dilma. Quando Veja ligou para o Lanzetta, já tinha tudo na mão”.</p>
<p>Enquanto o staff de Serra aproveitou o episódio para tentar consubstanciar uma aura de vítima ao redor do candidato tucano, a história provocou algumas mudanças no comitê petista. Aparentemente, o ex-ministro Antonio Palocci e o grupo paulista reforçaram sua posição na estrutura. Já Pimentel, obrigado a ceder a vaga de candidato ao governo de Minas Gerais ao peemedebista Hélio Costa, tende a se afastar um pouco de Brasília, até para cuidar de sua candidatura ao Senado.</p>
<p>A oposição está disposta a manter o tema aceso no noticiário, embora até o momento os resultados práticos da cruzada sejam quase nulos. Uma comissão mista no Congresso aprovou na quarta-feira 9 o convite a Sousa e a Dadá para deporem. No dia anterior, em viagem a São José dos Campos (SP), Dilma Rousseff negou que Pimentel tenha perdido espaço na campanha e voltou a chamar de “leviandade” a acusação de que alguém de sua equipe de campanha tenha preparado um dossiê anti-Serra. A candidata estava acompanhada de Palocci.</p>
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