Trabalho e Renda

Empregos formais em 2026: onde estão as 921,6 mil vagas e qual salário de entrada

O Novo Caged registrou 921.645 empregos formais no primeiro semestre de 2026. Veja os setores, estados, perfil das vagas e salário médio de admissão.

O mercado formal brasileiro abriu 921.645 vagas no primeiro semestre de 2026, segundo o Novo Caged. O resultado cresceu 1,96% no período e levou o estoque de vínculos formais a 48.032.308. Para quem procura emprego, o dado mostra onde a demanda apareceu; para empresas e profissionais, ajuda a identificar os setores que mais contrataram.

O número não significa que todo trabalhador contratado recebeu o mesmo salário ou que a criação de vagas ocorreu de forma uniforme. Serviços concentrou a maior parte do saldo, enquanto o Comércio acumulou resultado negativo no ano. Em junho, o salário médio real de admissão ficou em R$ 2.404,34, mas a diferença entre tipos de vínculo e ocupações é relevante.

Trabalhador em atividade durante uma obra no Brasil

Onde foram criadas as vagas do primeiro semestre

O setor de Serviços liderou com 571.926 postos, o equivalente a 62,05% do saldo semestral. Dentro dele, administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais responderam por 208.737 vagas. O resultado indica uma concentração importante em atividades que dependem de atendimento, operação contínua e serviços prestados a pessoas e empresas.

SetorSaldo no semestreParticipação no saldo
Serviços571.92662,05%
Construção168.96218,33%
Indústria143.44215,56%
Agropecuária40.8534,43%
Comércio-3.514-0,38%

A Construção foi o segundo destaque, com crescimento de 5,73% e 168.962 postos. Obras de infraestrutura abriram 64.793 vagas, enquanto a construção de edifícios respondeu por 60.552. A Indústria somou 143.442 empregos e a Agropecuária, 40.853. O Comércio foi o único dos cinco grandes grupos com saldo negativo no acumulado, com redução de 3.514 postos.

São Paulo, Minas Gerais e Paraná lideram entre os estados

Em números absolutos, São Paulo teve o maior saldo entre janeiro e junho, com 252.558 empregos formais. Minas Gerais veio em seguida, com 108.977, e o Paraná registrou 69.638. A comparação absoluta favorece os estados mais populosos; por isso, ela não deve ser lida como ranking de facilidade para conseguir emprego.

Quando a medida é proporcional ao estoque local, o MTE apontou Amapá (+4,25%), Acre (+3,38%) e Mato Grosso (+3,36%) como as maiores variações positivas. Isso ajuda a separar duas perguntas diferentes: onde surgiram mais vagas em quantidade e onde o mercado cresceu mais em relação ao tamanho que já tinha.

Quem ocupou as novas vagas

Os trabalhadores de até 24 anos responderam por 125.430 postos em junho, ou 86,4% do saldo mensal. O ensino médio completo apareceu com saldo de 109.255 vagas, enquanto o ensino médio incompleto somou 15.185. Esses números descrevem a composição das novas vagas no mês; não significam que idade ou escolaridade, isoladamente, garantam contratação.

O saldo mensal foi praticamente dividido entre homens e mulheres: 72.569 postos para homens e 72.592 para mulheres. O MTE também registrou saldos positivos para trabalhadores pardos, brancos, pretos e indígenas. Como são estatísticas agregadas, elas ajudam a enxergar o mercado, mas não substituem a análise de uma vaga específica, da região ou da ocupação.

O que o salário médio de admissão mostra

Em junho, o salário médio real de admissão foi de R$ 2.404,34, contra R$ 2.387,44 em maio. A diferença foi de R$ 16,90, ou 0,7%. Na comparação com junho de 2025, o aumento real informado pelo MTE foi de 1,2%. “Real” significa que o indicador já considera a correção usada na divulgação para comparar o poder de compra no período.

O tipo de vínculo também alterou o resultado: trabalhadores típicos tiveram média de R$ 2.446,27, cerca de 1,74% acima da média geral. Nos vínculos não típicos, a média foi de R$ 2.101,51, aproximadamente 12,60% abaixo da média geral. A classificação inclui, entre outros, trabalhadores temporários e pessoas físicas inscritas no CAEPF, portanto não é uma divisão simples entre “bom” e “ruim”.

Como usar o dado na busca por emprego

  • Escolha o setor para pesquisar: Serviços e Construção concentraram a maior parte do saldo do semestre, mas a vaga concreta depende da sua cidade e ocupação.
  • Compare salário com custo de vida: a média nacional de admissão não é piso salarial nem proposta automática. Verifique jornada, benefícios, deslocamento e possibilidade de variável.
  • Olhe a qualidade do vínculo: contrato temporário, jornada, prazo e benefícios mudam o valor efetivamente recebido.
  • Não confunda criação de vagas com queda do desemprego: o Novo Caged mede o mercado formal; a taxa de desocupação é acompanhada por outra pesquisa, com metodologia diferente.

Para quem contrata, o saldo do Caged pode sinalizar setores aquecidos, mas não substitui a conta do custo total de um empregado. Antes de abrir uma vaga, confira salário, encargos, benefícios e obrigações; o guia sobre quanto custa contratar um empregado pelo MEI ajuda nessa etapa.

Os dados completos podem ser consultados na divulgação do Ministério do Trabalho e Emprego. A publicação reúne os números do Novo Caged até junho de 2026; os dados não permitem prever o salário ou a permanência de uma pessoa em uma vaga específica.

Perguntas frequentes

O que são os 921.645 empregos formais registrados no primeiro semestre?

Esse é o saldo acumulado pelo Novo Caged entre janeiro e junho de 2026. O número representa a expansão líquida dos vínculos formais informada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e não o total de pessoas contratadas no período.

Qual setor criou mais empregos formais em 2026?

O setor de Serviços liderou, com 571.926 novas vagas entre janeiro e junho. O resultado equivale a cerca de 62% do saldo de 921.645 postos do semestre.

O salário médio de admissão é o salário que todo trabalhador recebe?

Não. R$ 2.404,34 é uma média real dos salários de admissão registrados em junho. A remuneração muda conforme setor, ocupação, jornada, região, escolaridade e tipo de vínculo.

Sobre o autor

Lacerda Araujo

Um apreciador da economia e noticias do dia a dia.