Blog

  • ETF: como funciona, custos, riscos e quando faz sentido investir

    ETF: como funciona, custos, riscos e quando faz sentido investir

    ETF é um fundo de investimento negociado na bolsa como uma ação. Em vez de escolher cada ativo da carteira, o investidor compra uma cota que busca acompanhar um índice, como um índice de ações, renda fixa ou moedas. Isso pode facilitar a diversificação, mas não elimina perdas, custos ou a necessidade de escolher um produto compatível com o objetivo.

    Na prática, o ETF costuma fazer sentido para quem quer exposição a uma carteira de ativos com uma única ordem. A decisão depende do índice seguido, da liquidez, da taxa de administração, do spread entre compra e venda, da tributação e do prazo em que o dinheiro ficará investido.

    Interior da Bolsa de Valores de Frankfurt com painel eletrônico e área de negociação

    O que é ETF e como ele funciona

    ETF é a sigla em inglês para Exchange Traded Fund, ou fundo negociado em bolsa. O fundo reúne recursos de vários investidores e aplica a carteira para tentar refletir o desempenho de um índice de referência. O índice não é uma promessa de retorno: ele é uma regra de composição e cálculo que serve como parâmetro para o fundo.

    As cotas são compradas e vendidas no mercado secundário durante o pregão, por meio de uma corretora, com preço formado pelas ordens disponíveis. Por isso, a cotação pode ficar acima ou abaixo do valor patrimonial da carteira. A diferença tende a ser observada por meio do spread e da relação entre o preço da cota e o valor dos ativos do fundo.

    O investidor não precisa comprar individualmente todos os ativos do índice. Porém, a diversificação é limitada ao que existe na carteira e à metodologia do índice. Um ETF concentrado em poucas empresas, em um setor ou em um país não tem o mesmo risco de uma carteira ampla.

    Quais custos entram na conta

    O custo de um ETF não é apenas a taxa de administração exibida na lâmina. Antes de comparar dois fundos, separe os gastos recorrentes dos custos da negociação:

    CustoComo apareceO que observar
    Taxa de administraçãoPercentual anual descontado do patrimônio do fundoCompare produtos que acompanham índices e estratégias semelhantes
    Corretagem e emolumentosCobrados conforme a política da instituição e da bolsaConfira a tabela vigente da corretora e o custo mínimo por ordem
    SpreadDiferença entre a melhor oferta de compra e a de vendaMercados menos líquidos podem encarecer a entrada e a saída
    TributosIncidem conforme o tipo de ETF e a operaçãoVerifique a regra aplicável antes de vender ou declarar

    A taxa de administração é descontada dentro do próprio fundo e, portanto, reduz o valor da cota ao longo do tempo. Já o spread não aparece como uma tarifa separada: ele está embutido na diferença entre o preço que alguém aceita pagar e o preço pelo qual alguém aceita vender. Uma ordem a mercado pode ser executada em níveis diferentes, especialmente quando há pouca liquidez.

    ETF tem risco? Veja os principais

    • Risco de mercado: a cota pode cair quando os ativos do índice se desvalorizam.
    • Risco de concentração: um ETF setorial, temático ou de poucos ativos pode oscilar mais do que um índice amplo.
    • Risco cambial: produtos ligados a ativos ou moedas estrangeiras podem variar com o câmbio, além do preço dos ativos.
    • Risco de liquidez: poucas ofertas podem aumentar o spread e dificultar uma saída pelo preço desejado.
    • Erro de aderência: a rentabilidade do ETF pode não ser idêntica à do índice por causa de taxas, custos, tributos, rebalanceamentos e diferenças de composição.

    O risco também depende do prazo. Um investidor que pode precisar do dinheiro em pouco tempo fica mais exposto à possibilidade de vender durante uma queda. Por isso, ETF de ações ou de moedas não deve ser tratado como substituto automático da reserva de emergência. Para esse objetivo, veja também como organizar uma reserva de emergência.

    ETF, ação ou fundo tradicional: qual é a diferença?

    OpçãoO que o investidor escolheComo negociaPrincipal atenção
    ETFUm índice e as regras do fundoCotas na bolsa, durante o pregãoComposição, liquidez, taxa e aderência ao índice
    AçãoUma empresa específicaAções na bolsaRisco concentrado e análise da companhia
    Fundo tradicionalEstratégia e gestor do fundoAplicação e resgate conforme o regulamentoTaxas, prazo de resgate e política de investimento

    O ETF pode reduzir o trabalho de montar uma carteira, mas não substitui a leitura do regulamento. O fundo pode seguir um índice amplo ou uma estratégia bastante específica. Já quem prefere previsibilidade de regras e possibilidade de levar o título até o vencimento pode estar avaliando outra classe de produto, como os títulos públicos explicados no guia sobre Tesouro Direto, custos e riscos.

    Como escolher um ETF sem olhar só para a rentabilidade

    1. Defina a função na carteira: exposição a ações brasileiras, empresas estrangeiras, um setor, renda fixa ou moedas são objetivos diferentes.
    2. Leia o índice: confira quais ativos entram, os limites de concentração, a frequência de rebalanceamento e a moeda de referência.
    3. Compare o custo total: inclua taxa de administração, spread, corretagem, emolumentos e tributos aplicáveis.
    4. Observe a liquidez: volume negociado e ofertas disponíveis ajudam a avaliar a facilidade de comprar e vender.
    5. Confira o regulamento e os documentos: veja política de investimento, riscos, taxas, prazos e regras de criação ou resgate de cotas.

    A B3 explica o funcionamento dos ETFs e a negociação das cotas em sua página de educação sobre o produto. A fonte é útil para entender a mecânica da bolsa, mas a decisão deve considerar os documentos do ETF específico, que podem ter regras diferentes.

    Na prática, não basta escolher o fundo com a maior alta recente. Esse dado é observado no passado e não garante resultado futuro. Compare o desempenho com o índice de referência no mesmo período e investigue se a diferença veio de taxas, composição, câmbio ou eventos pontuais.

    Como funciona o imposto de renda

    A Receita Federal classifica as cotas de ETFs de ações negociadas em bolsa como investimentos de renda variável. Isso não significa que todos os ETFs tenham exatamente a mesma tributação. A regra depende do tipo de fundo, da operação, do mercado em que ocorreu a negociação e da situação do investidor.

    Antes de vender, consulte a orientação vigente da Receita Federal, guarde notas de corretagem e confira se há imposto a apurar, compensação de prejuízos ou obrigação de informar a posição na declaração. A taxa de administração do fundo também não deve ser confundida com imposto: ela é um custo do produto e reduz o patrimônio da carteira.

    Quando o ETF pode fazer sentido

    O produto pode ser uma alternativa para quem busca diversificação com uma única ordem, aceita oscilações e consegue manter o investimento pelo prazo compatível com o índice. Também pode ajudar quem quer uma exposição definida sem selecionar cada ação ou ativo individualmente.

    Ele tende a ser inadequado quando o dinheiro tem data próxima para ser usado, quando o investidor não tolera variações no saldo ou quando a pessoa compra sem entender a carteira. Nesses casos, o problema não está no ETF em si, mas no desencontro entre o risco do produto e a finalidade do dinheiro.

    Perguntas frequentes

    ETF é a mesma coisa que ação?

    Não. A ação representa uma empresa; o ETF é uma cota de fundo que busca acompanhar um índice e pode reunir vários ativos. Ambos podem ser negociados na bolsa, mas têm riscos e formas de análise diferentes.

    ETF garante acompanhar exatamente o índice?

    Não. Taxas, custos de negociação, tributos, rebalanceamentos e diferenças de composição podem fazer a rentabilidade do ETF ficar diferente da variação do índice.

    Posso perder dinheiro investindo em ETF?

    Sim. A cota pode se desvalorizar com a queda dos ativos do índice, com o câmbio ou com a falta de liquidez. O risco varia conforme a carteira e não há garantia de retorno.

    ETF serve para a reserva de emergência?

    Em geral, não é a escolha automática para uma reserva de emergência, porque ETFs podem oscilar e exigir venda em um momento ruim. A reserva precisa priorizar disponibilidade e estabilidade compatíveis com o uso inesperado do dinheiro.

  • Portabilidade salarial: como mudar o banco que recebe seu salário em 2026

    Portabilidade salarial: como mudar o banco que recebe seu salário em 2026

    Resposta curta: a portabilidade salarial permite receber o salário em uma conta de outro banco sem pedir ao empregador que altere o depósito mensal. O pedido é feito pelo trabalhador, normalmente no banco de destino, e a transferência ocorre depois que a instituição da conta-salário processa a solicitação. Em 2026, as instituições também devem oferecer a adesão pelos canais digitais.

    Pessoa usando um celular para acessar um aplicativo de banco, em uma imagem que representa a escolha da conta para receber o salário

    O que muda quando você faz a portabilidade

    O salário continua sendo depositado pela empresa, órgão público ou pagador na conta-salário originalmente contratada. A portabilidade cria um caminho automático para que o dinheiro líquido seja enviado a outra conta de sua titularidade. Você não precisa fazer um Pix manual todo mês.

    Isso é diferente de pedir ao empregador uma troca de banco. Também não significa fechar a conta antiga, cancelar um empréstimo ou transferir cartões e investimentos. A conta que recebe o crédito original pode continuar existindo para operações autorizadas ou descontos previstos no contrato.

    A Lei nº 15.252/2025 assegura a portabilidade salarial automática para salários, aposentadorias, pensões e pagamentos semelhantes. O texto determina oferta nos canais digitais e autorização expressa para compartilhar somente as informações necessárias. A lei está em vigor desde 5 de novembro de 2025.

    Como pedir a portabilidade salarial

    • Escolha a conta de destino: confirme se ela está em seu nome e aceita receber portabilidade salarial.
    • Separe os dados: tenha seus dados, o banco da conta-salário e as informações da conta que receberá o dinheiro.
    • Faça o pedido: use o aplicativo, internet banking, agência ou canal indicado pela instituição de destino.
    • Autorize o compartilhamento: leia o pedido e permita somente as informações necessárias.
    • Guarde o protocolo: salve a tela, o número do atendimento e a data.

    Segundo o FAQ do Banco Central consultado, a instituição que mantém a conta-salário deve processar a solicitação em até 10 dias úteis depois de recebê-la. Não deixe o pedido para a véspera do pagamento: erro de cadastro ou dado divergente pode atrasar a primeira transferência.

    Quanto custa e onde está a economia

    A portabilidade em si não deve ser confundida com a contratação de uma conta paga. O custo mais comum aparece na conta de destino: mensalidade de pacote, tarifa por serviço excedente, saque, transferência fora da franquia ou produto adicional. Confira a tabela de tarifas e o contrato antes de concluir.

    Exemplo: se a conta de destino custa R$ 29,90 por mês, a mensalidade chega a R$ 358,80 em 12 meses. A conta pode compensar se entregar serviços que você realmente usa, mas não faz sentido trocar de banco por um benefício que exige gasto maior. Para comparar os tipos de conta, veja também o guia sobre conta corrente ou conta de pagamento.

    Para quem só precisa receber, fazer Pix, pagar contas e usar cartão, uma conta de pagamento pode ser suficiente. Quem depende de cheque, serviços bancários específicos ou uma relação de crédito mais ampla pode preferir uma conta corrente. A escolha deve partir da rotina e do custo total, não do nome do aplicativo.

    Portabilidade salarial vale a pena em quais casos?

    ObjetivoQuando pode fazer sentidoO que conferir
    Reduzir tarifasO novo banco não cobra mensalidade pelos serviços que você usa.Tarifas por saque, cartão, transferência e excedentes.
    Concentrar pagamentosA conta organiza débitos e pagamentos em um só aplicativo.Saldo na data dos débitos e como cancelar autorizações.
    Buscar créditoExiste uma condição concreta que você vai comparar.CET, prazo, parcela, seguros, tarifas e custo total.
    Receber benefíciosO benefício reduz um custo que você já teria.Elegibilidade, prazo, limite e regra após a promoção.

    A mudança tende a ser ruim quando serve apenas para desbloquear uma oferta de crédito ou cashback que exige consumo. Salário recebido no banco não garante aprovação. Benefícios podem mudar; juros, parcelas e contratos permanecem.

    Cuidados com empréstimos, descontos e segurança

    Antes de confirmar, liste os débitos automáticos ligados à conta antiga e veja se algum contrato usa o crédito do salário como fonte de pagamento. A portabilidade não apaga parcelas nem impede descontos autorizados. Se a conta de origem tiver cheque especial, empréstimo ou tarifa em aberto, entenda como o banco tratará esses valores.

    Não compartilhe senha, código de autenticação ou acesso remoto para concluir a portabilidade. Faça o pedido em canal oficial. Revise banco, agência, conta e titular antes de autorizar; uma conta de destino errada pode exigir contestação e atrasar o recebimento.

    Se o banco recusar o pedido, peça a justificativa por escrito. A Lei nº 15.252/2025 admite recusa apenas com motivo claro e objetivo, comunicado em até 2 dias úteis. Esse prazo não é o mesmo que os 10 dias úteis informados pelo FAQ do Banco Central para o processamento.

    Perguntas frequentes

    A portabilidade salarial muda a conta-salário?

    Não. O empregador continua depositando na conta-salário contratada. O valor é transferido para outra conta de sua titularidade, escolhida por você, conforme o pedido.

    Quanto custa fazer portabilidade salarial?

    A transferência do salário pelo mecanismo de portabilidade não deve gerar tarifa de adesão. A conta de destino, porém, pode ter mensalidade, serviços excedentes ou outros custos previstos no contrato.

    Quanto tempo demora para o salário chegar ao novo banco?

    O FAQ do Banco Central informa que a instituição que mantém a conta-salário deve processar o pedido em até 10 dias úteis após recebê-lo. Depois disso, a transferência segue o fluxo do pagamento do empregador.

    O banco pode negar a portabilidade salarial?

    A Lei nº 15.252/2025 assegura o direito, mas admite recusa com justificativa clara e objetiva. A instituição deve comunicar essa justificativa em até 2 dias úteis; isso é diferente do prazo de processamento do pedido.

  • Como organizar gastos anuais no orçamento e evitar aperto no mês do vencimento

    Como organizar gastos anuais no orçamento e evitar aperto no mês do vencimento

    O BTG Pactual registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,142 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 22,6% em relação ao mesmo período de 2025. A receita total chegou a R$ 10,371 bilhões, enquanto a carteira de crédito somou R$ 366,6 bilhões. O resultado foi divulgado em 11 de agosto e cobre os três meses encerrados em 30 de junho.

    Para o leitor, o balanço mostra duas coisas ao mesmo tempo: o banco continuou crescendo em crédito, gestão de recursos e receitas recorrentes, mas algumas áreas ligadas ao mercado de capitais tiveram desempenho mais fraco. O número do lucro, sozinho, não diz se a ação ficou barata ou cara nem muda automaticamente as condições oferecidas a cada cliente.

    Fachada de uma agência bancária do Banco do Brasil em Coronel Fabriciano, Minas Gerais

    Quais foram os principais números do BTG no 2º trimestre

    IndicadorResultado no 2º trimestre de 2026Variação anual
    Lucro líquido ajustadoR$ 5,142 bilhões+22,6%
    Lucro líquido contábilR$ 4,901 bilhões+22,2%
    Receita total ajustadaR$ 10,371 bilhões+15,9%
    Carteira de créditoR$ 366,6 bilhões+24,0%
    ROAE ajustado26,7%27,2% no 2º tri de 2025
    Índice de Basileia16,0%16,2% no 2º tri de 2025

    O lucro ajustado exclui itens que o banco considera não recorrentes. Por isso, ele não deve ser confundido com o lucro líquido contábil, que foi de R$ 4,901 bilhões. A diferença entre os dois números é uma das primeiras informações a observar ao comparar o balanço com outros trimestres ou com outros bancos.

    O que puxou o resultado

    A carteira de crédito cresceu 24% em 12 meses, para R$ 366,6 bilhões. Desse total, R$ 288,5 bilhões estavam no crédito corporativo e R$ 78,2 bilhões em Consumer Finance & Banking. O banco atribuiu o avanço à expansão do portfólio, a spreads melhores e à originação de consignado privado na operação de consumo.

    O segmento de crédito corporativo teve receita de R$ 2,5 bilhões, alta de 18,7% na comparação anual. Já a área de Consumer Finance & Banking gerou R$ 1,546 bilhão, crescimento de 37,4% sobre o primeiro trimestre. O crescimento do crédito aumenta a receita potencial, mas também deixa a instituição mais exposta a inadimplência, custo de captação e qualidade das novas operações.

    Na gestão de recursos, o BTG informou R$ 2,675 trilhões em ativos sob gestão e administração no fim de junho, alta de 24,6% em um ano. A captação líquida foi de R$ 59 bilhões no trimestre. Esse tipo de receita tende a ser mais recorrente do que ganhos pontuais de negociação, embora dependa do comportamento dos clientes e da valorização dos ativos administrados.

    Onde o balanço veio mais fraco

    O banco de investimento teve receita de R$ 421,4 milhões, queda de 46,1% em 12 meses e de 32,9% ante o trimestre anterior. A principal explicação apresentada foi a menor atividade em emissões de dívida. Sales & Trading também recuou 2,9% na comparação anual, para R$ 1,858 bilhão.

    Esses dados ajudam a evitar uma leitura simplista do resultado. O lucro cresceu mesmo com a menor contribuição de algumas áreas ligadas ao mercado de capitais, apoiado pelo crédito, pela gestão de recursos e pela diversificação do modelo de negócios. Por outro lado, a dependência maior de crédito exige acompanhar provisões, atrasos e margens nos próximos balanços.

    O que muda para quem investe

    Para acionistas e interessados em BPAC11, o ponto positivo é a combinação de lucro recorde, crescimento de receita e retorno ajustado sobre o patrimônio de 26,7%. O índice de eficiência ajustado melhorou para 37,1%, sinal de que as despesas cresceram menos do que as receitas no trimestre.

    O ponto de atenção está no preço do ativo e nos riscos futuros. Um balanço forte não garante alta da ação: o mercado também considera expectativas já embutidas na cotação, juros, competição, inadimplência, provisões e capacidade de manter o ritmo. Quem analisa o papel deve comparar o resultado com o preço atual, o histórico do banco e alternativas do setor, sem tratar o lucro trimestral como promessa de retorno.

    O relatório completo e os documentos de relações com investidores estão disponíveis na central de resultados do BTG Pactual.

    E para clientes de crédito e investimentos?

    O balanço não determina a taxa que uma pessoa ou empresa receberá. As condições dependem do perfil de risco, prazo, garantia, relacionamento, modalidade e custo de captação. Para comparar empréstimos, o critério deve ser o custo efetivo total, e não apenas a taxa anunciada — veja como analisar o custo do cheque especial e as alternativas.

    Na renda fixa, o crescimento do banco também não transforma automaticamente um CDB ou outro produto em boa escolha. O investidor precisa verificar taxa, prazo, liquidez, tributação, cobertura do FGC quando aplicável e concentração por instituição. A comparação entre LCI e CDB deve ser feita pelo retorno líquido e pelas condições de resgate.

    O que acompanhar no próximo trimestre

    • evolução da inadimplência e das provisões, principalmente na carteira de consumo e no crédito corporativo;
    • crescimento da carteira sem queda relevante na qualidade dos ativos;
    • manutenção das receitas de gestão de recursos e da captação líquida;
    • retomada ou não das emissões de dívida e de outras operações do banco de investimento;
    • nível de capital e liquidez, incluindo o índice de Basileia.

    Perguntas frequentes

    O lucro do BTG Pactual no 2º trimestre foi recorde?

    Sim. O lucro líquido ajustado de R$ 5,142 bilhões foi o maior da série apresentada pelo banco para um trimestre, enquanto o lucro líquido contábil chegou a R$ 4,901 bilhões.

    Qual é a diferença entre lucro ajustado e lucro contábil?

    O lucro ajustado exclui itens que o banco classifica como não recorrentes. O lucro contábil segue o resultado reconhecido nas demonstrações financeiras. No 2º trimestre, foram R$ 5,142 bilhões ajustados e R$ 4,901 bilhões contábeis.

    O resultado do BTG muda automaticamente as taxas para clientes?

    Não. Taxas de empréstimos, investimentos e serviços dependem do produto e das condições de cada cliente, além de prazo, risco, garantias, liquidez e mercado.

    O balanço é uma recomendação para comprar BPAC11?

    Não. O resultado é uma informação para análise. A decisão de investimento exige avaliar preço, riscos, objetivos, prazo e diversificação, de preferência com orientação adequada ao perfil do investidor.

  • Cartão virtual: como funciona e se é seguro

    Cartão virtual: como funciona e se é seguro

    O cartão virtual é uma versão digital do cartão de crédito ou débito criada no aplicativo da instituição. Ele costuma ter número, validade e código de segurança próprios, diferentes dos dados impressos no cartão físico. Por isso, é uma opção mais prudente para compras em sites, aplicativos e serviços por telefone: se esses dados forem vazados, o cartão físico não fica automaticamente exposto.

    Essa proteção não é absoluta. O cartão virtual continua ligado à conta ou à fatura, pode ter limite compartilhado com o cartão físico e não impede golpes em sites falsos. A escolha depende do tipo de compra, do limite disponível e das ferramentas oferecidas pelo emissor.

    Dois cartoes de pagamento sobre uma superficie clara

    Como funciona o cartão virtual

    Depois de abrir o aplicativo do banco ou da instituição emissora, o cliente normalmente acessa a área de cartões e gera uma versão virtual. O app mostra os dados necessários para preencher a compra, e alguns emissores permitem definir limite, validade ou uso único.

    Há três formatos comuns:

    • Temporário: válido por pouco tempo ou para uma transação. É útil quando a compra é pontual.
    • Recorrente: indicado para assinaturas e serviços que fazem cobranças periódicas. Excluir ou trocar o cartão pode interromper a cobrança.
    • Permanente: fica disponível até que o cliente o bloqueie ou exclua. Ainda é diferente do cartão físico, mas exige acompanhamento contínuo.

    Os nomes mudam de uma instituição para outra. Antes de usar, confira no aplicativo se o cartão é aceito para compras recorrentes, se o limite é separado e como fazer o bloqueio.

    Cartão virtual é seguro?

    Em geral, ele reduz a exposição dos dados do cartão físico. O CERT.br recomenda o uso de cartões virtuais em pagamentos não presenciais porque os dados podem ser alterados com frequência. O material também orienta ajustar o limite, ativar alertas e acompanhar as transações.

    O ganho de segurança é maior quando o cliente combina o cartão virtual com outros cuidados:

    • acessar a loja digitando o endereço no navegador, em vez de abrir links recebidos por mensagem;
    • conferir o nome do estabelecimento e o valor total antes de confirmar;
    • evitar compras em rede Wi-Fi pública ou em computador compartilhado;
    • manter o aplicativo e o sistema do celular atualizados;
    • ativar notificações de compra e revisar a fatura com frequência;
    • usar um limite virtual compatível com a compra, quando o emissor permitir.

    O cartão virtual não protege contra o pagamento de uma compra falsa autorizada pelo próprio cliente, nem contra o roubo da senha do aplicativo. Também não substitui a conferência do endereço da loja e das condições de entrega.

    Quanto custa usar um cartão virtual

    Não existe um preço único para o cartão virtual. Em muitos produtos, a geração da versão digital não tem cobrança separada, mas isso não significa que o cartão seja gratuito em todos os sentidos.

    O custo pode estar na anuidade do cartão, em tarifas previstas para o produto ou em encargos da própria compra. Um cartão de crédito também pode cobrar serviços específicos, como segunda via ou saque, conforme as regras e a tabela do emissor. O cliente deve consultar a área de tarifas e a fatura, sem presumir que a versão virtual elimina cobranças do cartão principal.

    O maior custo aparece quando a compra não é paga integralmente. O uso do cartão virtual não muda a regra da fatura: se houver saldo no rotativo ou parcelamento, incidem os encargos informados pelo emissor. Veja como comparar essas alternativas no guia sobre rotativo e parcelamento da fatura.

    Quando vale usar o cartão virtual

    SituaçãoOpção mais adequadaPor quê
    Compra única em loja conhecidaTemporário ou de uso únicoReduz o tempo de exposição dos dados
    Assinatura de streaming ou softwareRecorrentePermite cobranças periódicas, se o emissor aceitar
    Compra de valor altoVirtual com limite controladoAjuda a limitar o prejuízo potencial
    Compra presencialCartão físico ou carteira digitalO virtual pode não funcionar na maquininha

    Para quem compra raramente pela internet, o cartão temporário costuma resolver sem deixar dados permanentes salvos em lojas. Para assinaturas, o cartão recorrente é mais prático, mas deve ser removido quando o serviço for cancelado. Quem precisa de maior controle pode preferir um limite virtual baixo e elevá-lo apenas no momento da compra.

    O que fazer se os dados vazarem ou aparecer uma compra desconhecida

    1. Bloqueie ou exclua o cartão virtual pelo aplicativo, se a função estiver disponível.
    2. Avise a instituição pelos canais oficiais e peça orientação para substituir o cartão ou contestar a transação.
    3. Confira a fatura e as notificações para identificar outras compras não reconhecidas.
    4. Troque a senha do aplicativo se houver suspeita de acesso à conta, sem reutilizá-la em outros serviços.
    5. Guarde protocolos e comprovantes até a conclusão da contestação.

    Se o problema começou após um link ou anúncio, não use o telefone ou endereço recebido na mesma mensagem. Procure o canal oficial digitando o endereço da instituição. A Cartilha do CERT.br sobre banco via internet reúne orientações para limitar prejuízos, acompanhar transações e usar cartões virtuais.

    Cartão virtual ou cartão físico: qual escolher?

    Para compras online, o virtual tende a ser a escolha mais cuidadosa porque evita expor os dados do cartão físico. Para pagamentos presenciais, viagens ou situações em que a loja exige o cartão original, o físico continua necessário. Carteiras digitais também podem ser uma alternativa, desde que tenham autenticação ativada e o usuário confira os dados antes de pagar.

    Não é preciso escolher um único formato para tudo. Uma estratégia simples é manter o físico bloqueado para compras online quando o aplicativo permitir, usar o virtual em sites e reservar o cartão físico para operações presenciais. O funcionamento exato dos bloqueios e dos limites varia entre emissores.

    O que conferir antes de gerar

    • se o cartão é de crédito ou débito;
    • se funciona para compras internacionais e assinaturas;
    • se o limite é compartilhado com o cartão físico;
    • se há prazo de validade, uso único ou renovação automática;
    • como bloquear, excluir e gerar outro cartão;
    • quais tarifas e encargos aparecem na tabela do produto.

    Para entender outras cobranças que podem aparecer na relação com o banco, consulte o guia sobre tarifas bancárias e serviços gratuitos.

    Perguntas frequentes

    O cartão virtual tem limite separado do cartão físico?

    Depende do emissor. Em muitos casos, o limite é compartilhado; em outros, o aplicativo permite definir um limite específico para a versão virtual. Confira essa informação antes da compra.

    Posso usar cartão virtual em uma assinatura?

    Sim, desde que o cartão seja do tipo recorrente e o serviço aceite esse meio de pagamento. Um cartão temporário ou excluído pode fazer a cobrança seguinte ser recusada.

    O cartão virtual impede compras fraudulentas?

    Não. Ele reduz a exposição dos dados físicos, mas não substitui senha forte, alertas, conferência da loja e acompanhamento da fatura.

    Há cobrança para criar cartão virtual?

    Não há uma regra única. A criação pode ser gratuita, mas anuidade, tarifas do produto e encargos da fatura continuam sujeitos às condições da instituição emissora.

  • Produção industrial recua 1,8% em junho e cai em 12 de 15 locais; o que muda

    Produção industrial recua 1,8% em junho e cai em 12 de 15 locais; o que muda

    Resumo: a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho de 2026 ante maio, na série com ajuste sazonal, e caiu em 12 dos 15 locais analisados pelo IBGE. O resultado foi divulgado às 9h desta terça-feira (11). No Amazonas, a queda chegou a 11,3%; em São Paulo, maior parque industrial do país, foi de 3,2%.

    O dado mostra uma perda disseminada de ritmo no fim do segundo trimestre, mas não significa que a indústria esteja menor em todas as comparações. Na relação com junho de 2025, a produção nacional cresceu 1,7% e acumulou alta de 1,5% no primeiro semestre. A leitura mais correta é de desaceleração na margem, com crescimento ainda positivo em bases mais longas.

    O que o IBGE divulgou nesta terça-feira

    O release do IBGE sobre a pesquisa regional informa que a produção industrial caiu 1,8% de maio para junho, sem os efeitos sazonais, e que 12 dos 15 locais pesquisados tiveram resultado negativo. O Amazonas registrou a maior retração, de 11,3%, enquanto São Paulo recuou 3,2%.

    A comparação mensal é a que melhor mostra o movimento imediato da atividade. Ela não deve ser confundida com a comparação anual: o resultado de junho contra junho do ano anterior considera uma base diferente e ajuda a medir se o nível atual está acima ou abaixo do observado 12 meses antes.

    IndicadorResultadoComo ler
    Maio para junho de 2026-1,8%queda mensal, com ajuste sazonal
    Junho de 2026 contra junho de 2025+1,7%crescimento interanual, sem ajuste sazonal
    Primeiro semestre de 2026+1,5%acumulado ante o mesmo período de 2025
    Últimos 12 meses até junho+0,7%ritmo anualizado da produção

    A queda foi concentrada ou espalhada?

    Espalhada. O recuo atingiu quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 25 ramos pesquisados na medição nacional. Entre as atividades que mais pressionaram o índice de maio para junho estão coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 5,9%; produtos químicos, -4,3%; alimentos, -1,9%; e produtos farmoquímicos e farmacêuticos, -11,0%.

    Também houve recuos relevantes em vestuário, equipamentos de informática, outros equipamentos de transporte e produtos de borracha e plástico. Na direção oposta, celulose, papel e produtos de papel avançaram 5,4%, enquanto impressão e reprodução de gravações subiram 20,2% e metalurgia, 1,4%.

    Nas categorias ligadas ao consumo, bens semi e não duráveis caíram 4,1% e bens duráveis, 3,2%. Isso ajuda a explicar por que o número agregado pode afetar empresas de segmentos diferentes: a retração não ficou restrita a um único tipo de produto.

    Por que o resultado merece atenção

    A indústria responde por encomendas de fornecedores, transporte, energia, arrecadação e emprego em várias regiões. Quando a produção cai por mais de um mês, empresas podem adiar compras de máquinas, reduzir horas de operação ou reavaliar estoques. Esses efeitos não acontecem de forma automática nem com a mesma intensidade em todos os setores, mas são os canais que ligam o indicador à economia real.

    O IBGE registrou a segunda queda mensal consecutiva: depois do recuo de 0,9% em maio, a perda acumulada em maio e junho foi de aproximadamente 2,7%. Esse percentual resulta da composição das duas taxas — (1 – 0,009) × (1 – 0,018) – 1 — e não de uma soma simples.

    Ao mesmo tempo, o acumulado do primeiro semestre ainda ficou 1,5% acima do primeiro semestre de 2025. Portanto, o dado não autoriza concluir sozinho que o país entrou em recessão. Ele indica que a indústria perdeu força no curto prazo, enquanto a comparação anual continua positiva.

    O que muda para empresas, trabalhadores e consumidores

    Empresas industriais e fornecedores

    A informação aumenta a pressão para separar um problema temporário de uma queda persistente da demanda. Uma fábrica que vende bens duráveis, por exemplo, deve observar pedidos, estoques e utilização da capacidade, não apenas o índice nacional. Para fornecedores, a queda em um estado pode importar mais do que a média brasileira.

    Trabalhadores

    O indicador não mede vagas, salários nem demissões. Ainda assim, uma sequência de meses fracos pode influenciar horas extras, turnos, contratações e investimentos das empresas. Qualquer conclusão sobre o mercado de trabalho precisa ser confirmada por pesquisas específicas de emprego.

    Consumidores

    A queda da produção não significa que os preços vão cair imediatamente. Preços dependem também de custos de insumos, câmbio, impostos, estoques, concorrência e demanda. Para acompanhar o que já chegou ao orçamento doméstico, a leitura da produção deve ser combinada com indicadores de inflação — veja a análise do IPCA de julho.

    O que ainda não dá para afirmar

    • que a queda mensal continuará em julho ou nos meses seguintes;
    • que haverá demissões, aumento ou redução de preços por causa deste dado isoladamente;
    • que todas as regiões e setores enfrentam o mesmo problema;
    • que o resultado já representa uma recessão ou uma mudança definitiva no ciclo econômico.

    A PIM-PF mede o volume físico produzido, não o faturamento ou o lucro das empresas. Além disso, as séries podem ser revisadas quando o IBGE incorpora novos dados dos informantes; os resultados ajustados sazonalmente também podem mudar desde o início da série.

    Perguntas frequentes

    A produção industrial caiu ou cresceu em junho?

    Caiu 1,8% na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. Em relação a junho de 2025, porém, cresceu 1,7%.

    Qual estado teve a maior queda?

    Entre os 15 locais pesquisados na comparação mensal, o Amazonas teve o maior recuo, de 11,3%.

    O resultado significa que o Brasil entrou em recessão?

    Não. O dado mostra perda de ritmo no curto prazo, mas a produção ainda acumulava alta de 1,5% no primeiro semestre ante o mesmo período de 2025.

    A queda da indústria reduz os preços nas lojas?

    Não necessariamente. A produção é apenas um dos fatores que influenciam preços; custos, câmbio, impostos, estoques e demanda também pesam.

  • Conta corrente ou conta de pagamento: qual escolher e quanto custa?

    Conta corrente ou conta de pagamento: qual escolher e quanto custa?

    Resposta curta: para receber, pagar contas, fazer Pix e usar cartão, a conta de pagamento costuma ser suficiente e pode ter menos custos. A conta corrente faz mais sentido quando você precisa de serviços bancários específicos, como cheque, atendimento de banco ou uma linha de crédito contratada. Nenhuma das duas é automaticamente mais barata: o que decide é a tarifa da conta e o seu uso mensal.

    Celular sendo usado para pagamento por aproximação em uma maquininha

    O que muda entre conta corrente e conta de pagamento

    A conta corrente é uma conta de depósitos à vista mantida em instituição financeira, normalmente um banco. Ela pode ser usada para receber dinheiro, pagar contas, fazer transferências e sacar, além de dar acesso a serviços que dependem do banco, como cheque e crédito, quando houver contratação separada.

    A conta de pagamento é uma conta de registro usada para executar transações de pagamento. Ela pode ser oferecida por um banco ou por uma instituição de pagamento. O Banco Central explica a diferença entre os dois tipos de conta e as regras que se aplicam a cada um.

    Há duas modalidades de conta de pagamento. Na pré-paga, o cliente coloca o dinheiro antes de realizar a transação. Na pós-paga, a operação não depende de saldo previamente depositado, como ocorre, por exemplo, com um cartão de crédito. O nome da conta, portanto, não diz sozinho quais serviços estarão disponíveis: é preciso ler a oferta e o contrato.

    Comparação direta: qual oferece cada recurso?

    CritérioConta correnteConta de pagamento
    Onde pode ser mantidaInstituição financeira, como bancoBanco ou instituição de pagamento
    Uso principalMovimentação, recebimentos, pagamentos e serviços bancáriosPagamentos, transferências e uso de instrumentos de pagamento
    ChequePode existir, se o banco oferecer e o cliente cumprir as condiçõesNão é um recurso próprio da conta de pagamento
    CartãoDébito e crédito dependem da oferta e de contratosDébito ou crédito dependem do produto; não são automáticos
    CréditoCheque especial, empréstimo ou financiamento exigem contratação e análiseA instituição de pagamento não pode conceder empréstimos e financiamentos como atividade privativa de instituição financeira
    TarifasServiços essenciais têm franquia gratuita; pacote e excedentes podem ser cobradosPreços dependem do contrato e dos serviços usados
    FGCDepósitos e produtos elegíveis de instituições associadas podem ter cobertura, dentro das regras do fundoO saldo não aparece na lista de créditos com garantia ordinária do FGC

    A proteção jurídica do saldo de uma conta de pagamento não deve ser confundida com FGC. A Lei nº 12.865/2013 determina que os recursos mantidos nesse tipo de conta formem patrimônio separado da instituição de pagamento e não componham seu ativo em caso de falência ou liquidação. Isso é uma regra de segregação; não transforma a conta em depósito bancário coberto pelo fundo.

    Quanto custa: compare o ano inteiro, não só a mensalidade

    O preço relevante é o custo total de uso. Some a mensalidade, as tarifas de saque e transferência, a emissão de cartão ou segunda via, os serviços fora da franquia e qualquer cobrança por atendimento ou extrato. Se houver cheque especial ou cartão de crédito, os juros e encargos devem ser analisados separadamente: eles não são uma simples tarifa de manutenção.

    Na conta corrente, a regulamentação prevê um conjunto de serviços essenciais gratuitos. Isso não significa que toda movimentação seja ilimitada ou que qualquer pacote seja gratuito. Se o seu uso cabe na franquia, compare o custo do pacote com a opção de ficar apenas com os serviços essenciais. O guia sobre tarifas bancárias do Acerto de Contas mostra como fazer essa troca.

    Simulação de custo anual

    Veja um exemplo hipotético, sem relação com uma instituição específica:

    • Conta corrente: mensalidade de R$ 29,90 e um saque fora da franquia por mês a R$ 6,00. Cálculo: 12 × R$ 29,90 + 12 × R$ 6,00 = R$ 430,80 por ano.
    • Conta de pagamento: sem mensalidade, mas um saque por mês a R$ 8,00. Cálculo: 12 × R$ 0 + 12 × R$ 8,00 = R$ 96,00 por ano.

    Nessa hipótese, a segunda opção economiza R$ 334,80 no ano. Mas o resultado muda se você precisar sacar mais, pagar por transferências, contratar cartão ou perder uma condição promocional. Troque os valores do exemplo pelos preços da tabela de tarifas do seu contrato antes de decidir.

    Qual conta faz sentido em cada situação?

    • Escolha uma conta de pagamento se a rotina é digital, com Pix, boletos, cartão e transferências, e o contrato mostra custo menor para o seu volume de uso. Ela também pode ser prática para separar o dinheiro de despesas do dia a dia.
    • Considere uma conta corrente se você usa cheque, precisa de serviços que só o banco oferece, recebe atendimento presencial ou quer concentrar uma relação bancária com crédito contratado. Ainda assim, compare o CET de qualquer crédito; ter conta corrente não torna o empréstimo barato. Veja também a comparação sobre cheque especial e empréstimo.
    • Não escolha só pelo aplicativo “gratuito”. Confira saque, transferência, segunda via, limites, bloqueio, contestação de transações e canais de atendimento. Uma conta sem mensalidade pode ficar cara se a sua rotina exigir serviços cobrados à parte.

    Checklist antes de abrir ou trocar de conta

    1. Liste por 30 dias quantos Pix, transferências, saques, pagamentos e atendimentos você realmente faz.
    2. Peça a tabela de tarifas e identifique o preço de cada evento, não apenas a mensalidade anunciada.
    3. Confirme se o cartão é débito, crédito ou os dois e se existe anuidade, tarifa de emissão ou cobrança por segunda via.
    4. Leia as regras de limite, bloqueio, encerramento e contestação de transações. Guarde os canais oficiais de atendimento.
    5. Se pretende deixar uma quantia parada, separe conta de movimentação de investimento e verifique a proteção aplicável ao produto, sem presumir cobertura do FGC.

    Perguntas frequentes

    Conta de pagamento é a mesma coisa que conta corrente?

    Não. A conta corrente é uma conta de depósitos à vista mantida em instituição financeira. A conta de pagamento é uma conta de registro usada para executar transações de pagamento e pode ser oferecida por banco ou instituição de pagamento.

    Conta de pagamento tem cobertura do FGC?

    O saldo de uma conta de pagamento não aparece entre os créditos listados pelo FGC como cobertura ordinária. A Lei nº 12.865/2013 determina que esses recursos formem patrimônio separado da instituição de pagamento, mas isso não é o mesmo que garantia do FGC.

    Conta corrente sempre cobra tarifa mensal?

    Não. O cliente de conta corrente tem direito aos serviços essenciais gratuitos previstos na regulamentação, desde que use apenas a franquia correspondente. A cobrança pode ocorrer quando ele escolhe um pacote ou ultrapassa os serviços incluídos.

    Qual conta é melhor para receber salário?

    Depende do empregador e do produto oferecido. Para apenas receber e movimentar o dinheiro por Pix, cartão e pagamentos, uma conta de pagamento pode bastar. Se você precisa de cheque, serviços bancários específicos ou crédito contratado, a conta corrente pode ser mais adequada.

  • Quanto custa contratar um empregado pelo MEI em 2026?

    Quanto custa contratar um empregado pelo MEI em 2026?

    Para contratar um empregado pelo MEI recebendo o salário mínimo de 2026, o negócio precisa reservar R$ 1.799,31 por mês no cálculo mais básico: R$ 1.621,00 de salário e R$ 178,31 de encargos de 11%. Esse valor ainda não contempla 13º salário, férias, benefícios, horas extras nem uma eventual rescisão.

    O MEI pode ter um empregado ganhando até o salário mínimo ou o piso da categoria profissional. Se o sindicato ou a lei estabelecer um piso maior, a conta deve ser refeita sobre esse salário. A regra e os procedimentos de admissão aparecem nas orientações do governo, incluindo a FAQ oficial sobre o custo de contratação.

    Interior de um pequeno comércio de bairro, com prateleiras e balcão de atendimento.

    Quanto custa um empregado do MEI em 2026

    A conta mensal começa com três itens:

    ItemComo calcularValor no salário mínimo
    Salário brutoValor pago ao empregadoR$ 1.621,00
    INSS do empregador3% de R$ 1.621,00R$ 48,63
    FGTS8% de R$ 1.621,00R$ 129,68
    Encargos sobre o salário3% + 8% = 11%R$ 178,31
    Desembolso mensal básicoR$ 1.621,00 + R$ 178,31R$ 1.799,31

    O salário mínimo nacional de 2026 é R$ 1.621,00 desde 1º de janeiro, conforme o Decreto nº 12.797/2025. O cálculo do encargo é simples: salário bruto × 0,11. Para um salário de R$ 2.000, por exemplo, os 11% seriam R$ 220,00 e o desembolso mensal básico, R$ 2.220,00.

    O FGTS não é um desconto do trabalhador: é um depósito feito pelo empregador em uma conta vinculada. Já a contribuição previdenciária do empregado, quando houver, é retida do salário e recolhida pelo responsável; ela não deve ser somada novamente como custo da empresa.

    Quanto reservar para 13º e férias

    Olhar apenas para o pagamento de cada mês deixa a empresa exposta a despesas previsíveis. No salário mínimo de 2026, o 13º equivale a mais R$ 1.621,00 no ano. O adicional constitucional de um terço das férias corresponde a R$ 540,33.

    Uma simulação anual, feita para planejamento e não como promessa de valor definitivo da folha, fica assim:

    ParcelaFórmulaValor
    12 salários12 × R$ 1.621,00R$ 19.452,00
    13º salário1 × R$ 1.621,00R$ 1.621,00
    1/3 de fériasR$ 1.621,00 ÷ 3R$ 540,33
    Remuneração anual simulada19.452 + 1.621 + 540,33R$ 21.613,33
    11% sobre a base simulada21.613,33 × 0,11R$ 2.377,47
    Total anual de planejamento21.613,33 + 2.377,47R$ 23.990,80

    Dividido por 12 meses, esse total equivale a R$ 1.999,23 por mês como reserva média. A simulação aplica os 11% a todas as parcelas remuneratórias consideradas. A incidência exata, o momento do recolhimento e verbas adicionais devem ser confirmados na folha, porque férias proporcionais, afastamentos, admissão no meio do ano e convenção coletiva alteram o resultado.

    Quem o MEI pode contratar

    A contratação está limitada a um empregado. A remuneração pode ser o salário mínimo ou o piso definido para a ocupação. Não basta olhar o valor pago: a empresa precisa verificar se há convenção coletiva aplicável, jornada, função, adicionais e benefícios obrigatórios para a categoria.

    O empregado deve ser registrado como trabalhador formal, com as informações de admissão e folha enviadas pelos canais oficiais. O eSocial reúne dados cadastrais, trabalhistas e previdenciários; um contador pode executar a rotina, mas o MEI continua responsável por acompanhar pagamentos e prazos.

    O que entra na conta além dos 11%

    • vale-transporte, quando devido e solicitado, além de benefícios previstos em lei ou norma coletiva;
    • horas extras, adicional noturno, insalubridade ou periculosidade, conforme a atividade e a jornada;
    • exames ocupacionais e obrigações de saúde e segurança do trabalho;
    • serviço de contabilidade ou sistema de folha;
    • custo de substituição durante férias, afastamentos e faltas;
    • verbas de rescisão, aviso-prévio, multa do FGTS e possíveis custos de desligamento.

    Esses itens não têm um valor único para todo MEI. Por isso, R$ 1.799,31 é o desembolso mensal básico do exemplo, não um orçamento completo para qualquer contratação.

    Quando contratar faz sentido

    A contratação começa a fazer sentido quando o trabalho adicional gera margem suficiente para pagar o custo médio, e não apenas o salário. No exemplo, usar R$ 1.999,23 como referência mensal de planejamento é mais prudente do que comparar a receita nova só com R$ 1.621,00.

    Antes de assinar, compare três números: faturamento adicional provável, margem depois de mercadorias e taxas, e custo total do posto. Se a margem mensal esperada for R$ 2.300,00 e o custo de pessoal ficar perto de R$ 1.999,23, sobrariam cerca de R$ 300,77 antes dos demais custos do negócio. Uma queda pequena nas vendas, um benefício ou uma hora extra pode eliminar essa folga.

    Se a empresa precisa de mais de uma pessoa, de salário acima do limite permitido ou de uma estrutura de folha mais ampla, o caminho pode ser avaliar o desenquadramento do MEI e a migração para outro regime empresarial. A alternativa de contratar prestação de serviço só é adequada quando a relação realmente é autônoma; trocar o nome do contrato não elimina os riscos de uma relação de emprego.

    Perguntas frequentes

    O MEI paga 11% além do salário?

    Sim, no cálculo-base apresentado: 3% de contribuição do empregador e 8% de FGTS. Com salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026, os encargos somam R$ 178,31. O salário líquido do empregado pode ser diferente por causa dos descontos legais.

    O valor de R$ 1.799,31 já inclui férias e 13º?

    Não. Ele representa um mês comum com salário mínimo e os 11% do cálculo-base. Para planejar o ano, a simulação deste artigo chega a uma média de R$ 1.999,23, sem incluir benefícios, horas extras ou custos de desligamento.

    O empregado pode receber mais que o salário mínimo?

    O salário pode seguir o piso da categoria e, quando esse piso for maior, a conta deve usar a remuneração efetivamente devida. O MEI também precisa respeitar o limite de um empregado.

    O MEI pode contratar sem registrar?

    Não se deve usar trabalho informal para reduzir a conta. Se houver relação de emprego, o registro, os recolhimentos e os direitos trabalhistas precisam ser tratados corretamente, com apoio do eSocial e, se necessário, de um profissional de contabilidade.

    Para complementar o planejamento, veja também o guia sobre regularização de dívida do MEI.

  • Seguro-desemprego 2026: quem tem direito, valor, parcelas e como solicitar

    Seguro-desemprego 2026: quem tem direito, valor, parcelas e como solicitar

    Carência conforme o número do pedido

    • Primeira solicitação: pelo menos 12 meses de salário nos 18 meses imediatamente anteriores à dispensa.
    • Segunda solicitação: pelo menos 9 meses de salário nos 12 meses imediatamente anteriores à dispensa.
    • Terceira solicitação em diante: salário em cada um dos 6 meses imediatamente anteriores à dispensa.

    A contagem considera os vínculos e os salários informados nos registros trabalhistas. Se houver divergência entre a rescisão, a Carteira de Trabalho Digital e os dados enviados pela empresa, a liberação pode ficar pendente de análise.

    Qual é o valor do seguro-desemprego em 2026

    O cálculo parte da média dos três últimos salários do vínculo que terminou. Se o trabalhador recebeu apenas dois ou um salário nesse vínculo, a apuração usa o número de salários efetivamente recebidos, conforme as regras do programa. A parcela não pode ser menor que o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621,00, nem superar R$ 2.518,65.

    Salário médio usado no cálculoFórmula da parcela
    Até R$ 2.222,1780% do salário médio
    De R$ 2.222,18 a R$ 3.703,99R$ 1.777,74 + 50% do que exceder R$ 2.222,17
    Acima de R$ 3.703,99R$ 2.518,65, valor máximo

    Mesmo quando a fórmula resultar em menos de R$ 1.621,00, aplica-se o piso do salário mínimo. O teto é por parcela: receber cinco parcelas no teto, por exemplo, não significa receber R$ 2.518,65 multiplicados automaticamente sem que a pessoa cumpra os critérios de quantidade.

    Exemplos de cálculo

    • Média de R$ 2.000,00: 80% resulta em R$ 1.600,00, mas a parcela sobe para o piso de R$ 1.621,00.
    • Média de R$ 2.500,00: R$ 1.777,74 + 50% de R$ 277,83 = R$ 1.916,66, após arredondamento para centavos.
    • Média de R$ 4.000,00: a fórmula fica limitada ao teto de R$ 2.518,65.

    Esses exemplos são simulações da fórmula vigente, não promessa de concessão. O sistema oficial pode considerar dados salariais diferentes dos contracheques usados numa conta pessoal.

    Quantas parcelas o trabalhador recebe

    A quantidade depende do número de meses trabalhados nos 36 meses anteriores à dispensa e do histórico de solicitações. Para o trabalhador formal, a regra geral é:

    SolicitaçãoMeses trabalhados nos últimos 36 mesesParcelas
    Primeira12 a 234
    Primeira24 ou mais5
    Segunda9 a 113
    Segunda12 a 234
    Segunda24 ou mais5
    Terceira em diante6 a 113
    Terceira em diante12 a 234
    Terceira em diante24 ou mais5

    As parcelas são liberadas a cada 30 dias quando os critérios estão atendidos. O total recebido é, portanto, o valor de cada parcela multiplicado pela quantidade autorizada — sujeito a suspensão se o trabalhador for admitido novamente ou deixar de cumprir as condições.

    Como solicitar: passo a passo

    • Peça ao empregador o Requerimento do Seguro-Desemprego no momento da dispensa e confira se o nome, CPF e número do requerimento estão corretos.
    • Entre no Portal de Serviços do governo ou abra o aplicativo Carteira de Trabalho Digital. O serviço oficial para solicitar o seguro-desemprego informa os canais disponíveis e permite acompanhar o pedido.
    • Informe o número do requerimento e o CPF, revise os dados do vínculo e envie a solicitação dentro do prazo.
    • Acompanhe no aplicativo ou no portal o valor, a quantidade de parcelas, a data de liberação e eventuais exigências.
    • Se houver erro, pendência ou indeferimento, use o canal de revisão indicado no próprio atendimento ou procure o telefone 158 com os documentos da rescisão.

    O serviço é gratuito. O governo informa que a prestação completa pode levar de 31 a 60 dias corridos, embora o pedido digital e o acompanhamento apareçam imediatamente no sistema. O pagamento prioriza a conta bancária indicada pelo trabalhador; se não houver conta válida, existem alternativas de recebimento pela Caixa, conforme as condições do benefício.

    Documentos e cuidados para evitar pendência

    • Requerimento do Seguro-Desemprego entregue pela empresa.
    • CPF e documento de identificação.
    • Carteira de Trabalho Digital ou física, se houver registros que precisem ser conferidos.
    • Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho e comprovantes dos últimos salários, para esclarecer divergências.
    • Dados de uma conta bancária de titularidade do trabalhador, se optar por receber por depósito.

    Não informe conta-salário ou conta conjunta quando o sistema exigir uma conta própria para depósito. Guarde o protocolo e os documentos da rescisão até o encerramento do processo. Uma nova contratação suspende o benefício; receber sem cumprir as regras pode gerar cobrança de valores pagos indevidamente.

    O seguro-desemprego é uma renda temporária, não substitui um planejamento para o período sem trabalho. Enquanto o pedido é analisado, pode ajudar revisar despesas e prazos no guia do fundo de emergência. Para quem também tem dúvida sobre outro pagamento ligado ao trabalho, o abono salarial de 2026 segue critérios próprios e não deve ser confundido com o seguro-desemprego.

    Dúvidas rápidas

    Posso pedir o seguro-desemprego no mesmo dia da demissão?

    Não. Na modalidade formal, o pedido pode ser feito a partir do sétimo dia contado depois da dispensa e dentro do prazo máximo de 120 dias corridos.

    O benefício é pago por quanto tempo?

    A quantidade varia de três a cinco parcelas, conforme o número de meses trabalhados nos 36 meses anteriores e a quantidade de vezes que o trabalhador já solicitou o seguro-desemprego.

    Quem começa outro trabalho perde o seguro-desemprego?

    Sim. A admissão em novo emprego suspende o pagamento do benefício. Também há impedimento para quem passa a ter renda própria suficiente ou recebe benefício previdenciário continuado fora das exceções legais.

    É preciso pagar para solicitar o seguro-desemprego?

    Não. O serviço oficial é gratuito. O pedido pode ser feito pela Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal de Serviços, com o requerimento entregue pelo empregador e o CPF.

  • IPCA de julho desacelera para 0,07%; veja o impacto no bolso

    IPCA de julho desacelera para 0,07%; veja o impacto no bolso

    O IPCA de julho ficou em 0,07%, informou o IBGE nesta terça-feira (11). A inflação oficial desacelerou em relação aos 0,16% de junho, mas isso não significa que os preços tenham caído em geral: a média da cesta pesquisada ainda subiu. A conta de luz foi o principal foco de pressão, enquanto alimentos ajudaram a conter o índice.

    No acumulado de 2026, o IPCA chegou a 3,44%. Em 12 meses, ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho. O relatório completo do IBGE mostra como cada grupo contribuiu para o resultado.

    Gráfico do IPCA de julho de 2026 com a inflação oficial mês a mês

    O que o IPCA de julho mostrou

    Habitação teve a maior alta entre os grupos pesquisados, enquanto Alimentação e bebidas registrou deflação. A tabela resume os principais movimentos do mês:

    GrupoVariação em julhoImpacto no IPCA
    Habitação0,99%+0,15 p.p.
    Alimentação e bebidas-0,67%-0,14 p.p.
    Saúde e cuidados pessoais0,40%+0,06 p.p.
    Transportes0,05%+0,01 p.p.
    Vestuário-0,66%-0,03 p.p.

    No conjunto, as variações dos grupos foram de -0,66% em Vestuário a 0,99% em Habitação. É por isso que um consumidor pode sentir uma inflação diferente da taxa nacional: o peso de aluguel, energia, alimentação, transporte e serviços muda de uma família para outra.

    Por que a conta de luz pesou tanto

    A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, ante 1,53% em junho. Sozinha, respondeu por 0,13 ponto percentual do IPCA do mês. O grupo Habitação acelerou de 0,63% para 0,99%.

    O IBGE incorporou reajustes de concessionárias em diferentes cidades e registrou a permanência da bandeira tarifária amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Esse valor é uma cobrança adicional da bandeira, não uma estimativa do aumento total da conta de cada residência. A fatura também depende do consumo, da distribuidora, de tributos e de outras tarifas.

    Alimentos ficaram mais baratos, mas comer fora encareceu

    O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67%, puxado pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14%. Tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%) foram os principais destaques de queda. Na direção oposta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas, 1,20%.

    A queda no supermercado não apareceu da mesma forma para quem faz refeições fora. A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho; o lanche passou de 0,13% para 0,76%, e a refeição, de 0,15% para 0,42%.

    O que muda para o orçamento e para os contratos

    Para o orçamento doméstico, o dado mais útil não é aplicar 0,07% sobre todas as despesas. O IPCA é uma média nacional e serve como termômetro; ele não prevê o reajuste da sua conta de luz, do aluguel ou do supermercado. Uma forma mais realista de acompanhar o impacto é separar as despesas por grupo e observar os itens que têm maior peso na sua casa.

    Quem já acompanha projeções pode usar o resultado como complemento, não como substituto, do cenário econômico. O Boletim Focus reúne expectativas de mercado para inflação, atividade e juros, enquanto um orçamento mensal transforma os índices em decisões concretas de consumo.

    Nos contratos, o reajuste depende da cláusula prevista e da data de aniversário. Um contrato que usa o IPCA pode aplicar o acumulado do período definido, não necessariamente o índice mensal de julho. A divulgação também não obriga empresas a reduzir preços quando um grupo do índice cai.

    A inflação ficou dentro da meta?

    Em 12 meses, o IPCA de 4,44% ficou abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância da meta. Ainda assim, está acima do centro da meta, de 3%. A leitura é melhor do que a de meses anteriores, mas um único resultado não confirma uma tendência: energia, alimentos, combustíveis, câmbio, serviços e decisões de política econômica podem mudar o comportamento do índice nos próximos meses.

    Como usar o índice sem confundir média com realidade

    O IPCA acompanha famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos nas áreas pesquisadas pelo IBGE. Ele é um indicador amplo, não um orçamento personalizado. Uma família que gasta mais com energia pode sentir a alta de Habitação com maior intensidade; outra, com maior consumo de alimentos, pode perceber algum alívio no supermercado, mas ainda enfrentar aumento em restaurantes ou no plano de saúde.

    Também é preciso separar inflação de nível de preços. Quando um grupo cai 0,67%, isso reduz a média daquele mês, mas não devolve automaticamente os preços ao patamar de meses anteriores. Se o tomate ficou mais barato em julho, por exemplo, o consumidor ainda pode pagar mais do que pagava no início do ano. Para decidir, compare seus recibos e faturas com o orçamento dos meses anteriores, em vez de aplicar o IPCA indistintamente.

    Perguntas frequentes

    IPCA de julho significa que os preços caíram?

    Não. O IPCA mede a variação média de uma cesta de bens e serviços. Em julho, a média subiu 0,07%. Alguns grupos, como Alimentação e bebidas e Vestuário, tiveram queda, mas outros aumentaram.

    A conta de luz vai subir 3,09% para todo mundo?

    Não necessariamente. Os 3,09% são a variação média do subitem energia elétrica residencial no IPCA. O valor da sua conta depende da distribuidora, da tarifa vigente, dos tributos, da bandeira e do consumo.

    A inflação acumulada de 4,44% está dentro da meta?

    Ela ficou abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância, mas ainda acima do centro da meta, que é de 3,00%. O resultado de um mês não garante que a inflação continuará nessa trajetória.

    O IPCA de julho reajusta automaticamente aluguel e contratos?

    Não. O reajuste depende do índice e da data previstos no contrato. O IPCA pode ser usado como referência ou cláusula de correção, mas não substitui a leitura do contrato nem altera automaticamente todos os preços.