O Banco Central informou nesta segunda-feira (10) que estuda conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. A proposta poderia permitir remessas e compras internacionais com liquidação em poucos segundos, mas ainda não há data de lançamento, países definidos, tarifa anunciada ou serviço disponível para o público.
A agenda foi apresentada no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo BC nesta segunda-feira. A notícia da Agência Brasil sobre o documento foi publicada às 16h47, no horário de Brasília.

O que o BC anunciou nesta segunda-feira
O relatório diz que o BC acompanha modelos de transações transfronteiriças já implementados por empresas brasileiras e estrangeiras. Ao mesmo tempo, avalia duas formas de conexão: acordos bilaterais entre sistemas de países específicos e a participação em hubs multilaterais de pagamentos instantâneos.
Na prática, a ideia é que uma pessoa possa iniciar um pagamento a partir do Pix e que o recebedor obtenha o dinheiro em sua moeda local. O documento menciona remessas internacionais e compras no exterior com disponibilização dos recursos em poucos segundos. O funcionamento dependeria da integração entre instituições, regras de câmbio, prevenção à fraude e definição de responsabilidades em cada país.
O BC aponta que a interoperabilidade tem potencial para reduzir tarifas, acelerar transferências, ampliar o acesso e melhorar a transparência das operações transfronteiriças. “Potencial” é a palavra-chave: o relatório não informa quanto uma remessa custaria, nem garante que a economia seria repassada ao usuário.
Como isso pode afetar consumidores e empresas
Quem viaja ou compra no exterior
Se a integração avançar, o usuário poderá ter uma alternativa às estruturas atuais de cartão internacional, transferência bancária e plataformas de remessas. Uma compra poderia ser iniciada no Brasil e liquidada em moeda local no país do estabelecimento, sem que o consumidor precise entender todos os passos da operação entre as instituições.
Isso não significa que o câmbio deixaria de existir. A conversão entre o real e a moeda estrangeira continuaria sendo necessária, assim como a divulgação do valor convertido, do spread, de eventuais tarifas e dos tributos aplicáveis. A comparação correta será pelo custo total, não apenas pela velocidade do pagamento.
Empresas que recebem do exterior
Para empresas brasileiras, uma conexão desse tipo poderia reduzir o tempo de recebimento e facilitar vendas a clientes estrangeiros. Pequenos negócios que hoje dependem de intermediários teriam, em tese, mais uma rota de cobrança. Já o ganho efetivo dependeria da adesão dos bancos e instituições de pagamento, do país de destino e das regras de cada operação.
O tamanho do mercado ajuda a explicar por que o tema entrou na agenda do BC. Segundo o relatório, o Pix superou 35 trilhões de reais movimentados em 2025, com quase 80 bilhões de transações no ano. O volume financeiro cresceu 33,8% e a quantidade de operações, 25,7% em relação a 2024. Ao fim de 2025, havia 926 instituições participantes e 12,8 milhões de usuários pessoa jurídica.
O que ainda não está valendo
O anúncio não criou um “Pix internacional” de uso geral. Até a data-base desta publicação, o BC não apresentou cronograma, lista de países conectados, tabela de tarifas ou regra que permita a qualquer usuário fazer remessas internacionais diretamente pelo aplicativo do banco.
Também não existe autorização para tratar recebimentos futuros de Pix como garantia automática de empréstimo. O relatório registra que o BC estuda integrar o Pix ao mercado de crédito para usar “fluxos futuros de Pix” como garantias, especialmente em empresas que recebem muitos pagamentos pelo sistema. A iniciativa ainda depende de ajustes e não substitui a análise de risco nem o Custo Efetivo Total (CET) de uma operação.
Para o consumidor, a regra prática é simples: não há motivo para contratar serviço que prometa Pix internacional imediato com base nesse anúncio. A proposta está em estudo e pode mudar antes de virar produto ou norma.
Outras mudanças previstas para o Pix
O relatório também cita transações por aproximação offline, sem conexão com a internet, e o uso do Pix Automático em substituição ao débito em conta. O Pix Automático já é uma funcionalidade existente para pagamentos recorrentes; a diferença é que o BC avalia sua ampliação para novos fluxos e casos de uso. Veja como funciona e como cancelar cobranças no guia do Pix Automático.
Na segurança, a agenda prevê critérios objetivos mínimos para identificar transações suspeitas e um indicador de probabilidade de fraude calculado em tempo real pelo BC, com base em modelo de aprendizado de máquina. O material também menciona padronização de alertas e aperfeiçoamento do intercâmbio de informações para bloqueios cautelares. São medidas previstas, não mudanças que o usuário precise aplicar hoje.
Perguntas frequentes
O Pix internacional já está disponível?
Não. O Banco Central apenas avalia conectar o Pix a sistemas de outros países e não divulgou data, países participantes ou tarifas para um serviço de uso geral.
Será possível pagar no exterior diretamente pelo Pix?
Essa é uma possibilidade estudada, mas depende de acordos entre sistemas de pagamento, instituições participantes, regras de câmbio e controles contra fraude. O relatório não promete que a função será lançada nem define como ela funcionará.
O Pix offline já pode ser usado sem internet?
Não como recurso geral anunciado nesta publicação. A operação por aproximação sem internet aparece na agenda de inovação do BC e ainda depende de desenvolvimento e regulamentação.
O BC vai usar o Pix futuro como garantia de empréstimo?
O BC estuda essa integração para melhorar garantias e reduzir o custo do crédito de empresas com forte uso do Pix, mas a medida não está disponível automaticamente e não elimina a análise do credor nem os custos do contrato.








