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  • Cartão virtual: como funciona e se é seguro

    Cartão virtual: como funciona e se é seguro

    O cartão virtual é uma versão digital do cartão de crédito ou débito criada no aplicativo da instituição. Ele costuma ter número, validade e código de segurança próprios, diferentes dos dados impressos no cartão físico. Por isso, é uma opção mais prudente para compras em sites, aplicativos e serviços por telefone: se esses dados forem vazados, o cartão físico não fica automaticamente exposto.

    Essa proteção não é absoluta. O cartão virtual continua ligado à conta ou à fatura, pode ter limite compartilhado com o cartão físico e não impede golpes em sites falsos. A escolha depende do tipo de compra, do limite disponível e das ferramentas oferecidas pelo emissor.

    Dois cartoes de pagamento sobre uma superficie clara

    Como funciona o cartão virtual

    Depois de abrir o aplicativo do banco ou da instituição emissora, o cliente normalmente acessa a área de cartões e gera uma versão virtual. O app mostra os dados necessários para preencher a compra, e alguns emissores permitem definir limite, validade ou uso único.

    Há três formatos comuns:

    • Temporário: válido por pouco tempo ou para uma transação. É útil quando a compra é pontual.
    • Recorrente: indicado para assinaturas e serviços que fazem cobranças periódicas. Excluir ou trocar o cartão pode interromper a cobrança.
    • Permanente: fica disponível até que o cliente o bloqueie ou exclua. Ainda é diferente do cartão físico, mas exige acompanhamento contínuo.

    Os nomes mudam de uma instituição para outra. Antes de usar, confira no aplicativo se o cartão é aceito para compras recorrentes, se o limite é separado e como fazer o bloqueio.

    Cartão virtual é seguro?

    Em geral, ele reduz a exposição dos dados do cartão físico. O CERT.br recomenda o uso de cartões virtuais em pagamentos não presenciais porque os dados podem ser alterados com frequência. O material também orienta ajustar o limite, ativar alertas e acompanhar as transações.

    O ganho de segurança é maior quando o cliente combina o cartão virtual com outros cuidados:

    • acessar a loja digitando o endereço no navegador, em vez de abrir links recebidos por mensagem;
    • conferir o nome do estabelecimento e o valor total antes de confirmar;
    • evitar compras em rede Wi-Fi pública ou em computador compartilhado;
    • manter o aplicativo e o sistema do celular atualizados;
    • ativar notificações de compra e revisar a fatura com frequência;
    • usar um limite virtual compatível com a compra, quando o emissor permitir.

    O cartão virtual não protege contra o pagamento de uma compra falsa autorizada pelo próprio cliente, nem contra o roubo da senha do aplicativo. Também não substitui a conferência do endereço da loja e das condições de entrega.

    Quanto custa usar um cartão virtual

    Não existe um preço único para o cartão virtual. Em muitos produtos, a geração da versão digital não tem cobrança separada, mas isso não significa que o cartão seja gratuito em todos os sentidos.

    O custo pode estar na anuidade do cartão, em tarifas previstas para o produto ou em encargos da própria compra. Um cartão de crédito também pode cobrar serviços específicos, como segunda via ou saque, conforme as regras e a tabela do emissor. O cliente deve consultar a área de tarifas e a fatura, sem presumir que a versão virtual elimina cobranças do cartão principal.

    O maior custo aparece quando a compra não é paga integralmente. O uso do cartão virtual não muda a regra da fatura: se houver saldo no rotativo ou parcelamento, incidem os encargos informados pelo emissor. Veja como comparar essas alternativas no guia sobre rotativo e parcelamento da fatura.

    Quando vale usar o cartão virtual

    SituaçãoOpção mais adequadaPor quê
    Compra única em loja conhecidaTemporário ou de uso únicoReduz o tempo de exposição dos dados
    Assinatura de streaming ou softwareRecorrentePermite cobranças periódicas, se o emissor aceitar
    Compra de valor altoVirtual com limite controladoAjuda a limitar o prejuízo potencial
    Compra presencialCartão físico ou carteira digitalO virtual pode não funcionar na maquininha

    Para quem compra raramente pela internet, o cartão temporário costuma resolver sem deixar dados permanentes salvos em lojas. Para assinaturas, o cartão recorrente é mais prático, mas deve ser removido quando o serviço for cancelado. Quem precisa de maior controle pode preferir um limite virtual baixo e elevá-lo apenas no momento da compra.

    O que fazer se os dados vazarem ou aparecer uma compra desconhecida

    1. Bloqueie ou exclua o cartão virtual pelo aplicativo, se a função estiver disponível.
    2. Avise a instituição pelos canais oficiais e peça orientação para substituir o cartão ou contestar a transação.
    3. Confira a fatura e as notificações para identificar outras compras não reconhecidas.
    4. Troque a senha do aplicativo se houver suspeita de acesso à conta, sem reutilizá-la em outros serviços.
    5. Guarde protocolos e comprovantes até a conclusão da contestação.

    Se o problema começou após um link ou anúncio, não use o telefone ou endereço recebido na mesma mensagem. Procure o canal oficial digitando o endereço da instituição. A Cartilha do CERT.br sobre banco via internet reúne orientações para limitar prejuízos, acompanhar transações e usar cartões virtuais.

    Cartão virtual ou cartão físico: qual escolher?

    Para compras online, o virtual tende a ser a escolha mais cuidadosa porque evita expor os dados do cartão físico. Para pagamentos presenciais, viagens ou situações em que a loja exige o cartão original, o físico continua necessário. Carteiras digitais também podem ser uma alternativa, desde que tenham autenticação ativada e o usuário confira os dados antes de pagar.

    Não é preciso escolher um único formato para tudo. Uma estratégia simples é manter o físico bloqueado para compras online quando o aplicativo permitir, usar o virtual em sites e reservar o cartão físico para operações presenciais. O funcionamento exato dos bloqueios e dos limites varia entre emissores.

    O que conferir antes de gerar

    • se o cartão é de crédito ou débito;
    • se funciona para compras internacionais e assinaturas;
    • se o limite é compartilhado com o cartão físico;
    • se há prazo de validade, uso único ou renovação automática;
    • como bloquear, excluir e gerar outro cartão;
    • quais tarifas e encargos aparecem na tabela do produto.

    Para entender outras cobranças que podem aparecer na relação com o banco, consulte o guia sobre tarifas bancárias e serviços gratuitos.

    Perguntas frequentes

    O cartão virtual tem limite separado do cartão físico?

    Depende do emissor. Em muitos casos, o limite é compartilhado; em outros, o aplicativo permite definir um limite específico para a versão virtual. Confira essa informação antes da compra.

    Posso usar cartão virtual em uma assinatura?

    Sim, desde que o cartão seja do tipo recorrente e o serviço aceite esse meio de pagamento. Um cartão temporário ou excluído pode fazer a cobrança seguinte ser recusada.

    O cartão virtual impede compras fraudulentas?

    Não. Ele reduz a exposição dos dados físicos, mas não substitui senha forte, alertas, conferência da loja e acompanhamento da fatura.

    Há cobrança para criar cartão virtual?

    Não há uma regra única. A criação pode ser gratuita, mas anuidade, tarifas do produto e encargos da fatura continuam sujeitos às condições da instituição emissora.

  • Produção industrial recua 1,8% em junho e cai em 12 de 15 locais; o que muda

    Produção industrial recua 1,8% em junho e cai em 12 de 15 locais; o que muda

    Resumo: a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho de 2026 ante maio, na série com ajuste sazonal, e caiu em 12 dos 15 locais analisados pelo IBGE. O resultado foi divulgado às 9h desta terça-feira (11). No Amazonas, a queda chegou a 11,3%; em São Paulo, maior parque industrial do país, foi de 3,2%.

    O dado mostra uma perda disseminada de ritmo no fim do segundo trimestre, mas não significa que a indústria esteja menor em todas as comparações. Na relação com junho de 2025, a produção nacional cresceu 1,7% e acumulou alta de 1,5% no primeiro semestre. A leitura mais correta é de desaceleração na margem, com crescimento ainda positivo em bases mais longas.

    O que o IBGE divulgou nesta terça-feira

    O release do IBGE sobre a pesquisa regional informa que a produção industrial caiu 1,8% de maio para junho, sem os efeitos sazonais, e que 12 dos 15 locais pesquisados tiveram resultado negativo. O Amazonas registrou a maior retração, de 11,3%, enquanto São Paulo recuou 3,2%.

    A comparação mensal é a que melhor mostra o movimento imediato da atividade. Ela não deve ser confundida com a comparação anual: o resultado de junho contra junho do ano anterior considera uma base diferente e ajuda a medir se o nível atual está acima ou abaixo do observado 12 meses antes.

    IndicadorResultadoComo ler
    Maio para junho de 2026-1,8%queda mensal, com ajuste sazonal
    Junho de 2026 contra junho de 2025+1,7%crescimento interanual, sem ajuste sazonal
    Primeiro semestre de 2026+1,5%acumulado ante o mesmo período de 2025
    Últimos 12 meses até junho+0,7%ritmo anualizado da produção

    A queda foi concentrada ou espalhada?

    Espalhada. O recuo atingiu quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 25 ramos pesquisados na medição nacional. Entre as atividades que mais pressionaram o índice de maio para junho estão coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com queda de 5,9%; produtos químicos, -4,3%; alimentos, -1,9%; e produtos farmoquímicos e farmacêuticos, -11,0%.

    Também houve recuos relevantes em vestuário, equipamentos de informática, outros equipamentos de transporte e produtos de borracha e plástico. Na direção oposta, celulose, papel e produtos de papel avançaram 5,4%, enquanto impressão e reprodução de gravações subiram 20,2% e metalurgia, 1,4%.

    Nas categorias ligadas ao consumo, bens semi e não duráveis caíram 4,1% e bens duráveis, 3,2%. Isso ajuda a explicar por que o número agregado pode afetar empresas de segmentos diferentes: a retração não ficou restrita a um único tipo de produto.

    Por que o resultado merece atenção

    A indústria responde por encomendas de fornecedores, transporte, energia, arrecadação e emprego em várias regiões. Quando a produção cai por mais de um mês, empresas podem adiar compras de máquinas, reduzir horas de operação ou reavaliar estoques. Esses efeitos não acontecem de forma automática nem com a mesma intensidade em todos os setores, mas são os canais que ligam o indicador à economia real.

    O IBGE registrou a segunda queda mensal consecutiva: depois do recuo de 0,9% em maio, a perda acumulada em maio e junho foi de aproximadamente 2,7%. Esse percentual resulta da composição das duas taxas — (1 – 0,009) × (1 – 0,018) – 1 — e não de uma soma simples.

    Ao mesmo tempo, o acumulado do primeiro semestre ainda ficou 1,5% acima do primeiro semestre de 2025. Portanto, o dado não autoriza concluir sozinho que o país entrou em recessão. Ele indica que a indústria perdeu força no curto prazo, enquanto a comparação anual continua positiva.

    O que muda para empresas, trabalhadores e consumidores

    Empresas industriais e fornecedores

    A informação aumenta a pressão para separar um problema temporário de uma queda persistente da demanda. Uma fábrica que vende bens duráveis, por exemplo, deve observar pedidos, estoques e utilização da capacidade, não apenas o índice nacional. Para fornecedores, a queda em um estado pode importar mais do que a média brasileira.

    Trabalhadores

    O indicador não mede vagas, salários nem demissões. Ainda assim, uma sequência de meses fracos pode influenciar horas extras, turnos, contratações e investimentos das empresas. Qualquer conclusão sobre o mercado de trabalho precisa ser confirmada por pesquisas específicas de emprego.

    Consumidores

    A queda da produção não significa que os preços vão cair imediatamente. Preços dependem também de custos de insumos, câmbio, impostos, estoques, concorrência e demanda. Para acompanhar o que já chegou ao orçamento doméstico, a leitura da produção deve ser combinada com indicadores de inflação — veja a análise do IPCA de julho.

    O que ainda não dá para afirmar

    • que a queda mensal continuará em julho ou nos meses seguintes;
    • que haverá demissões, aumento ou redução de preços por causa deste dado isoladamente;
    • que todas as regiões e setores enfrentam o mesmo problema;
    • que o resultado já representa uma recessão ou uma mudança definitiva no ciclo econômico.

    A PIM-PF mede o volume físico produzido, não o faturamento ou o lucro das empresas. Além disso, as séries podem ser revisadas quando o IBGE incorpora novos dados dos informantes; os resultados ajustados sazonalmente também podem mudar desde o início da série.

    Perguntas frequentes

    A produção industrial caiu ou cresceu em junho?

    Caiu 1,8% na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. Em relação a junho de 2025, porém, cresceu 1,7%.

    Qual estado teve a maior queda?

    Entre os 15 locais pesquisados na comparação mensal, o Amazonas teve o maior recuo, de 11,3%.

    O resultado significa que o Brasil entrou em recessão?

    Não. O dado mostra perda de ritmo no curto prazo, mas a produção ainda acumulava alta de 1,5% no primeiro semestre ante o mesmo período de 2025.

    A queda da indústria reduz os preços nas lojas?

    Não necessariamente. A produção é apenas um dos fatores que influenciam preços; custos, câmbio, impostos, estoques e demanda também pesam.

  • Conta corrente ou conta de pagamento: qual escolher e quanto custa?

    Conta corrente ou conta de pagamento: qual escolher e quanto custa?

    Resposta curta: para receber, pagar contas, fazer Pix e usar cartão, a conta de pagamento costuma ser suficiente e pode ter menos custos. A conta corrente faz mais sentido quando você precisa de serviços bancários específicos, como cheque, atendimento de banco ou uma linha de crédito contratada. Nenhuma das duas é automaticamente mais barata: o que decide é a tarifa da conta e o seu uso mensal.

    Celular sendo usado para pagamento por aproximação em uma maquininha

    O que muda entre conta corrente e conta de pagamento

    A conta corrente é uma conta de depósitos à vista mantida em instituição financeira, normalmente um banco. Ela pode ser usada para receber dinheiro, pagar contas, fazer transferências e sacar, além de dar acesso a serviços que dependem do banco, como cheque e crédito, quando houver contratação separada.

    A conta de pagamento é uma conta de registro usada para executar transações de pagamento. Ela pode ser oferecida por um banco ou por uma instituição de pagamento. O Banco Central explica a diferença entre os dois tipos de conta e as regras que se aplicam a cada um.

    Há duas modalidades de conta de pagamento. Na pré-paga, o cliente coloca o dinheiro antes de realizar a transação. Na pós-paga, a operação não depende de saldo previamente depositado, como ocorre, por exemplo, com um cartão de crédito. O nome da conta, portanto, não diz sozinho quais serviços estarão disponíveis: é preciso ler a oferta e o contrato.

    Comparação direta: qual oferece cada recurso?

    CritérioConta correnteConta de pagamento
    Onde pode ser mantidaInstituição financeira, como bancoBanco ou instituição de pagamento
    Uso principalMovimentação, recebimentos, pagamentos e serviços bancáriosPagamentos, transferências e uso de instrumentos de pagamento
    ChequePode existir, se o banco oferecer e o cliente cumprir as condiçõesNão é um recurso próprio da conta de pagamento
    CartãoDébito e crédito dependem da oferta e de contratosDébito ou crédito dependem do produto; não são automáticos
    CréditoCheque especial, empréstimo ou financiamento exigem contratação e análiseA instituição de pagamento não pode conceder empréstimos e financiamentos como atividade privativa de instituição financeira
    TarifasServiços essenciais têm franquia gratuita; pacote e excedentes podem ser cobradosPreços dependem do contrato e dos serviços usados
    FGCDepósitos e produtos elegíveis de instituições associadas podem ter cobertura, dentro das regras do fundoO saldo não aparece na lista de créditos com garantia ordinária do FGC

    A proteção jurídica do saldo de uma conta de pagamento não deve ser confundida com FGC. A Lei nº 12.865/2013 determina que os recursos mantidos nesse tipo de conta formem patrimônio separado da instituição de pagamento e não componham seu ativo em caso de falência ou liquidação. Isso é uma regra de segregação; não transforma a conta em depósito bancário coberto pelo fundo.

    Quanto custa: compare o ano inteiro, não só a mensalidade

    O preço relevante é o custo total de uso. Some a mensalidade, as tarifas de saque e transferência, a emissão de cartão ou segunda via, os serviços fora da franquia e qualquer cobrança por atendimento ou extrato. Se houver cheque especial ou cartão de crédito, os juros e encargos devem ser analisados separadamente: eles não são uma simples tarifa de manutenção.

    Na conta corrente, a regulamentação prevê um conjunto de serviços essenciais gratuitos. Isso não significa que toda movimentação seja ilimitada ou que qualquer pacote seja gratuito. Se o seu uso cabe na franquia, compare o custo do pacote com a opção de ficar apenas com os serviços essenciais. O guia sobre tarifas bancárias do Acerto de Contas mostra como fazer essa troca.

    Simulação de custo anual

    Veja um exemplo hipotético, sem relação com uma instituição específica:

    • Conta corrente: mensalidade de R$ 29,90 e um saque fora da franquia por mês a R$ 6,00. Cálculo: 12 × R$ 29,90 + 12 × R$ 6,00 = R$ 430,80 por ano.
    • Conta de pagamento: sem mensalidade, mas um saque por mês a R$ 8,00. Cálculo: 12 × R$ 0 + 12 × R$ 8,00 = R$ 96,00 por ano.

    Nessa hipótese, a segunda opção economiza R$ 334,80 no ano. Mas o resultado muda se você precisar sacar mais, pagar por transferências, contratar cartão ou perder uma condição promocional. Troque os valores do exemplo pelos preços da tabela de tarifas do seu contrato antes de decidir.

    Qual conta faz sentido em cada situação?

    • Escolha uma conta de pagamento se a rotina é digital, com Pix, boletos, cartão e transferências, e o contrato mostra custo menor para o seu volume de uso. Ela também pode ser prática para separar o dinheiro de despesas do dia a dia.
    • Considere uma conta corrente se você usa cheque, precisa de serviços que só o banco oferece, recebe atendimento presencial ou quer concentrar uma relação bancária com crédito contratado. Ainda assim, compare o CET de qualquer crédito; ter conta corrente não torna o empréstimo barato. Veja também a comparação sobre cheque especial e empréstimo.
    • Não escolha só pelo aplicativo “gratuito”. Confira saque, transferência, segunda via, limites, bloqueio, contestação de transações e canais de atendimento. Uma conta sem mensalidade pode ficar cara se a sua rotina exigir serviços cobrados à parte.

    Checklist antes de abrir ou trocar de conta

    1. Liste por 30 dias quantos Pix, transferências, saques, pagamentos e atendimentos você realmente faz.
    2. Peça a tabela de tarifas e identifique o preço de cada evento, não apenas a mensalidade anunciada.
    3. Confirme se o cartão é débito, crédito ou os dois e se existe anuidade, tarifa de emissão ou cobrança por segunda via.
    4. Leia as regras de limite, bloqueio, encerramento e contestação de transações. Guarde os canais oficiais de atendimento.
    5. Se pretende deixar uma quantia parada, separe conta de movimentação de investimento e verifique a proteção aplicável ao produto, sem presumir cobertura do FGC.

    Perguntas frequentes

    Conta de pagamento é a mesma coisa que conta corrente?

    Não. A conta corrente é uma conta de depósitos à vista mantida em instituição financeira. A conta de pagamento é uma conta de registro usada para executar transações de pagamento e pode ser oferecida por banco ou instituição de pagamento.

    Conta de pagamento tem cobertura do FGC?

    O saldo de uma conta de pagamento não aparece entre os créditos listados pelo FGC como cobertura ordinária. A Lei nº 12.865/2013 determina que esses recursos formem patrimônio separado da instituição de pagamento, mas isso não é o mesmo que garantia do FGC.

    Conta corrente sempre cobra tarifa mensal?

    Não. O cliente de conta corrente tem direito aos serviços essenciais gratuitos previstos na regulamentação, desde que use apenas a franquia correspondente. A cobrança pode ocorrer quando ele escolhe um pacote ou ultrapassa os serviços incluídos.

    Qual conta é melhor para receber salário?

    Depende do empregador e do produto oferecido. Para apenas receber e movimentar o dinheiro por Pix, cartão e pagamentos, uma conta de pagamento pode bastar. Se você precisa de cheque, serviços bancários específicos ou crédito contratado, a conta corrente pode ser mais adequada.

  • Quanto custa contratar um empregado pelo MEI em 2026?

    Quanto custa contratar um empregado pelo MEI em 2026?

    Para contratar um empregado pelo MEI recebendo o salário mínimo de 2026, o negócio precisa reservar R$ 1.799,31 por mês no cálculo mais básico: R$ 1.621,00 de salário e R$ 178,31 de encargos de 11%. Esse valor ainda não contempla 13º salário, férias, benefícios, horas extras nem uma eventual rescisão.

    O MEI pode ter um empregado ganhando até o salário mínimo ou o piso da categoria profissional. Se o sindicato ou a lei estabelecer um piso maior, a conta deve ser refeita sobre esse salário. A regra e os procedimentos de admissão aparecem nas orientações do governo, incluindo a FAQ oficial sobre o custo de contratação.

    Interior de um pequeno comércio de bairro, com prateleiras e balcão de atendimento.

    Quanto custa um empregado do MEI em 2026

    A conta mensal começa com três itens:

    ItemComo calcularValor no salário mínimo
    Salário brutoValor pago ao empregadoR$ 1.621,00
    INSS do empregador3% de R$ 1.621,00R$ 48,63
    FGTS8% de R$ 1.621,00R$ 129,68
    Encargos sobre o salário3% + 8% = 11%R$ 178,31
    Desembolso mensal básicoR$ 1.621,00 + R$ 178,31R$ 1.799,31

    O salário mínimo nacional de 2026 é R$ 1.621,00 desde 1º de janeiro, conforme o Decreto nº 12.797/2025. O cálculo do encargo é simples: salário bruto × 0,11. Para um salário de R$ 2.000, por exemplo, os 11% seriam R$ 220,00 e o desembolso mensal básico, R$ 2.220,00.

    O FGTS não é um desconto do trabalhador: é um depósito feito pelo empregador em uma conta vinculada. Já a contribuição previdenciária do empregado, quando houver, é retida do salário e recolhida pelo responsável; ela não deve ser somada novamente como custo da empresa.

    Quanto reservar para 13º e férias

    Olhar apenas para o pagamento de cada mês deixa a empresa exposta a despesas previsíveis. No salário mínimo de 2026, o 13º equivale a mais R$ 1.621,00 no ano. O adicional constitucional de um terço das férias corresponde a R$ 540,33.

    Uma simulação anual, feita para planejamento e não como promessa de valor definitivo da folha, fica assim:

    ParcelaFórmulaValor
    12 salários12 × R$ 1.621,00R$ 19.452,00
    13º salário1 × R$ 1.621,00R$ 1.621,00
    1/3 de fériasR$ 1.621,00 ÷ 3R$ 540,33
    Remuneração anual simulada19.452 + 1.621 + 540,33R$ 21.613,33
    11% sobre a base simulada21.613,33 × 0,11R$ 2.377,47
    Total anual de planejamento21.613,33 + 2.377,47R$ 23.990,80

    Dividido por 12 meses, esse total equivale a R$ 1.999,23 por mês como reserva média. A simulação aplica os 11% a todas as parcelas remuneratórias consideradas. A incidência exata, o momento do recolhimento e verbas adicionais devem ser confirmados na folha, porque férias proporcionais, afastamentos, admissão no meio do ano e convenção coletiva alteram o resultado.

    Quem o MEI pode contratar

    A contratação está limitada a um empregado. A remuneração pode ser o salário mínimo ou o piso definido para a ocupação. Não basta olhar o valor pago: a empresa precisa verificar se há convenção coletiva aplicável, jornada, função, adicionais e benefícios obrigatórios para a categoria.

    O empregado deve ser registrado como trabalhador formal, com as informações de admissão e folha enviadas pelos canais oficiais. O eSocial reúne dados cadastrais, trabalhistas e previdenciários; um contador pode executar a rotina, mas o MEI continua responsável por acompanhar pagamentos e prazos.

    O que entra na conta além dos 11%

    • vale-transporte, quando devido e solicitado, além de benefícios previstos em lei ou norma coletiva;
    • horas extras, adicional noturno, insalubridade ou periculosidade, conforme a atividade e a jornada;
    • exames ocupacionais e obrigações de saúde e segurança do trabalho;
    • serviço de contabilidade ou sistema de folha;
    • custo de substituição durante férias, afastamentos e faltas;
    • verbas de rescisão, aviso-prévio, multa do FGTS e possíveis custos de desligamento.

    Esses itens não têm um valor único para todo MEI. Por isso, R$ 1.799,31 é o desembolso mensal básico do exemplo, não um orçamento completo para qualquer contratação.

    Quando contratar faz sentido

    A contratação começa a fazer sentido quando o trabalho adicional gera margem suficiente para pagar o custo médio, e não apenas o salário. No exemplo, usar R$ 1.999,23 como referência mensal de planejamento é mais prudente do que comparar a receita nova só com R$ 1.621,00.

    Antes de assinar, compare três números: faturamento adicional provável, margem depois de mercadorias e taxas, e custo total do posto. Se a margem mensal esperada for R$ 2.300,00 e o custo de pessoal ficar perto de R$ 1.999,23, sobrariam cerca de R$ 300,77 antes dos demais custos do negócio. Uma queda pequena nas vendas, um benefício ou uma hora extra pode eliminar essa folga.

    Se a empresa precisa de mais de uma pessoa, de salário acima do limite permitido ou de uma estrutura de folha mais ampla, o caminho pode ser avaliar o desenquadramento do MEI e a migração para outro regime empresarial. A alternativa de contratar prestação de serviço só é adequada quando a relação realmente é autônoma; trocar o nome do contrato não elimina os riscos de uma relação de emprego.

    Perguntas frequentes

    O MEI paga 11% além do salário?

    Sim, no cálculo-base apresentado: 3% de contribuição do empregador e 8% de FGTS. Com salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026, os encargos somam R$ 178,31. O salário líquido do empregado pode ser diferente por causa dos descontos legais.

    O valor de R$ 1.799,31 já inclui férias e 13º?

    Não. Ele representa um mês comum com salário mínimo e os 11% do cálculo-base. Para planejar o ano, a simulação deste artigo chega a uma média de R$ 1.999,23, sem incluir benefícios, horas extras ou custos de desligamento.

    O empregado pode receber mais que o salário mínimo?

    O salário pode seguir o piso da categoria e, quando esse piso for maior, a conta deve usar a remuneração efetivamente devida. O MEI também precisa respeitar o limite de um empregado.

    O MEI pode contratar sem registrar?

    Não se deve usar trabalho informal para reduzir a conta. Se houver relação de emprego, o registro, os recolhimentos e os direitos trabalhistas precisam ser tratados corretamente, com apoio do eSocial e, se necessário, de um profissional de contabilidade.

    Para complementar o planejamento, veja também o guia sobre regularização de dívida do MEI.

  • Seguro-desemprego 2026: quem tem direito, valor, parcelas e como solicitar

    Seguro-desemprego 2026: quem tem direito, valor, parcelas e como solicitar

    Carência conforme o número do pedido

    • Primeira solicitação: pelo menos 12 meses de salário nos 18 meses imediatamente anteriores à dispensa.
    • Segunda solicitação: pelo menos 9 meses de salário nos 12 meses imediatamente anteriores à dispensa.
    • Terceira solicitação em diante: salário em cada um dos 6 meses imediatamente anteriores à dispensa.

    A contagem considera os vínculos e os salários informados nos registros trabalhistas. Se houver divergência entre a rescisão, a Carteira de Trabalho Digital e os dados enviados pela empresa, a liberação pode ficar pendente de análise.

    Qual é o valor do seguro-desemprego em 2026

    O cálculo parte da média dos três últimos salários do vínculo que terminou. Se o trabalhador recebeu apenas dois ou um salário nesse vínculo, a apuração usa o número de salários efetivamente recebidos, conforme as regras do programa. A parcela não pode ser menor que o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621,00, nem superar R$ 2.518,65.

    Salário médio usado no cálculoFórmula da parcela
    Até R$ 2.222,1780% do salário médio
    De R$ 2.222,18 a R$ 3.703,99R$ 1.777,74 + 50% do que exceder R$ 2.222,17
    Acima de R$ 3.703,99R$ 2.518,65, valor máximo

    Mesmo quando a fórmula resultar em menos de R$ 1.621,00, aplica-se o piso do salário mínimo. O teto é por parcela: receber cinco parcelas no teto, por exemplo, não significa receber R$ 2.518,65 multiplicados automaticamente sem que a pessoa cumpra os critérios de quantidade.

    Exemplos de cálculo

    • Média de R$ 2.000,00: 80% resulta em R$ 1.600,00, mas a parcela sobe para o piso de R$ 1.621,00.
    • Média de R$ 2.500,00: R$ 1.777,74 + 50% de R$ 277,83 = R$ 1.916,66, após arredondamento para centavos.
    • Média de R$ 4.000,00: a fórmula fica limitada ao teto de R$ 2.518,65.

    Esses exemplos são simulações da fórmula vigente, não promessa de concessão. O sistema oficial pode considerar dados salariais diferentes dos contracheques usados numa conta pessoal.

    Quantas parcelas o trabalhador recebe

    A quantidade depende do número de meses trabalhados nos 36 meses anteriores à dispensa e do histórico de solicitações. Para o trabalhador formal, a regra geral é:

    SolicitaçãoMeses trabalhados nos últimos 36 mesesParcelas
    Primeira12 a 234
    Primeira24 ou mais5
    Segunda9 a 113
    Segunda12 a 234
    Segunda24 ou mais5
    Terceira em diante6 a 113
    Terceira em diante12 a 234
    Terceira em diante24 ou mais5

    As parcelas são liberadas a cada 30 dias quando os critérios estão atendidos. O total recebido é, portanto, o valor de cada parcela multiplicado pela quantidade autorizada — sujeito a suspensão se o trabalhador for admitido novamente ou deixar de cumprir as condições.

    Como solicitar: passo a passo

    • Peça ao empregador o Requerimento do Seguro-Desemprego no momento da dispensa e confira se o nome, CPF e número do requerimento estão corretos.
    • Entre no Portal de Serviços do governo ou abra o aplicativo Carteira de Trabalho Digital. O serviço oficial para solicitar o seguro-desemprego informa os canais disponíveis e permite acompanhar o pedido.
    • Informe o número do requerimento e o CPF, revise os dados do vínculo e envie a solicitação dentro do prazo.
    • Acompanhe no aplicativo ou no portal o valor, a quantidade de parcelas, a data de liberação e eventuais exigências.
    • Se houver erro, pendência ou indeferimento, use o canal de revisão indicado no próprio atendimento ou procure o telefone 158 com os documentos da rescisão.

    O serviço é gratuito. O governo informa que a prestação completa pode levar de 31 a 60 dias corridos, embora o pedido digital e o acompanhamento apareçam imediatamente no sistema. O pagamento prioriza a conta bancária indicada pelo trabalhador; se não houver conta válida, existem alternativas de recebimento pela Caixa, conforme as condições do benefício.

    Documentos e cuidados para evitar pendência

    • Requerimento do Seguro-Desemprego entregue pela empresa.
    • CPF e documento de identificação.
    • Carteira de Trabalho Digital ou física, se houver registros que precisem ser conferidos.
    • Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho e comprovantes dos últimos salários, para esclarecer divergências.
    • Dados de uma conta bancária de titularidade do trabalhador, se optar por receber por depósito.

    Não informe conta-salário ou conta conjunta quando o sistema exigir uma conta própria para depósito. Guarde o protocolo e os documentos da rescisão até o encerramento do processo. Uma nova contratação suspende o benefício; receber sem cumprir as regras pode gerar cobrança de valores pagos indevidamente.

    O seguro-desemprego é uma renda temporária, não substitui um planejamento para o período sem trabalho. Enquanto o pedido é analisado, pode ajudar revisar despesas e prazos no guia do fundo de emergência. Para quem também tem dúvida sobre outro pagamento ligado ao trabalho, o abono salarial de 2026 segue critérios próprios e não deve ser confundido com o seguro-desemprego.

    Dúvidas rápidas

    Posso pedir o seguro-desemprego no mesmo dia da demissão?

    Não. Na modalidade formal, o pedido pode ser feito a partir do sétimo dia contado depois da dispensa e dentro do prazo máximo de 120 dias corridos.

    O benefício é pago por quanto tempo?

    A quantidade varia de três a cinco parcelas, conforme o número de meses trabalhados nos 36 meses anteriores e a quantidade de vezes que o trabalhador já solicitou o seguro-desemprego.

    Quem começa outro trabalho perde o seguro-desemprego?

    Sim. A admissão em novo emprego suspende o pagamento do benefício. Também há impedimento para quem passa a ter renda própria suficiente ou recebe benefício previdenciário continuado fora das exceções legais.

    É preciso pagar para solicitar o seguro-desemprego?

    Não. O serviço oficial é gratuito. O pedido pode ser feito pela Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal de Serviços, com o requerimento entregue pelo empregador e o CPF.

  • IPCA de julho desacelera para 0,07%; veja o impacto no bolso

    IPCA de julho desacelera para 0,07%; veja o impacto no bolso

    O IPCA de julho ficou em 0,07%, informou o IBGE nesta terça-feira (11). A inflação oficial desacelerou em relação aos 0,16% de junho, mas isso não significa que os preços tenham caído em geral: a média da cesta pesquisada ainda subiu. A conta de luz foi o principal foco de pressão, enquanto alimentos ajudaram a conter o índice.

    No acumulado de 2026, o IPCA chegou a 3,44%. Em 12 meses, ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho. O relatório completo do IBGE mostra como cada grupo contribuiu para o resultado.

    Gráfico do IPCA de julho de 2026 com a inflação oficial mês a mês

    O que o IPCA de julho mostrou

    Habitação teve a maior alta entre os grupos pesquisados, enquanto Alimentação e bebidas registrou deflação. A tabela resume os principais movimentos do mês:

    GrupoVariação em julhoImpacto no IPCA
    Habitação0,99%+0,15 p.p.
    Alimentação e bebidas-0,67%-0,14 p.p.
    Saúde e cuidados pessoais0,40%+0,06 p.p.
    Transportes0,05%+0,01 p.p.
    Vestuário-0,66%-0,03 p.p.

    No conjunto, as variações dos grupos foram de -0,66% em Vestuário a 0,99% em Habitação. É por isso que um consumidor pode sentir uma inflação diferente da taxa nacional: o peso de aluguel, energia, alimentação, transporte e serviços muda de uma família para outra.

    Por que a conta de luz pesou tanto

    A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, ante 1,53% em junho. Sozinha, respondeu por 0,13 ponto percentual do IPCA do mês. O grupo Habitação acelerou de 0,63% para 0,99%.

    O IBGE incorporou reajustes de concessionárias em diferentes cidades e registrou a permanência da bandeira tarifária amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Esse valor é uma cobrança adicional da bandeira, não uma estimativa do aumento total da conta de cada residência. A fatura também depende do consumo, da distribuidora, de tributos e de outras tarifas.

    Alimentos ficaram mais baratos, mas comer fora encareceu

    O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67%, puxado pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14%. Tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%) foram os principais destaques de queda. Na direção oposta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas, 1,20%.

    A queda no supermercado não apareceu da mesma forma para quem faz refeições fora. A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho; o lanche passou de 0,13% para 0,76%, e a refeição, de 0,15% para 0,42%.

    O que muda para o orçamento e para os contratos

    Para o orçamento doméstico, o dado mais útil não é aplicar 0,07% sobre todas as despesas. O IPCA é uma média nacional e serve como termômetro; ele não prevê o reajuste da sua conta de luz, do aluguel ou do supermercado. Uma forma mais realista de acompanhar o impacto é separar as despesas por grupo e observar os itens que têm maior peso na sua casa.

    Quem já acompanha projeções pode usar o resultado como complemento, não como substituto, do cenário econômico. O Boletim Focus reúne expectativas de mercado para inflação, atividade e juros, enquanto um orçamento mensal transforma os índices em decisões concretas de consumo.

    Nos contratos, o reajuste depende da cláusula prevista e da data de aniversário. Um contrato que usa o IPCA pode aplicar o acumulado do período definido, não necessariamente o índice mensal de julho. A divulgação também não obriga empresas a reduzir preços quando um grupo do índice cai.

    A inflação ficou dentro da meta?

    Em 12 meses, o IPCA de 4,44% ficou abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância da meta. Ainda assim, está acima do centro da meta, de 3%. A leitura é melhor do que a de meses anteriores, mas um único resultado não confirma uma tendência: energia, alimentos, combustíveis, câmbio, serviços e decisões de política econômica podem mudar o comportamento do índice nos próximos meses.

    Como usar o índice sem confundir média com realidade

    O IPCA acompanha famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos nas áreas pesquisadas pelo IBGE. Ele é um indicador amplo, não um orçamento personalizado. Uma família que gasta mais com energia pode sentir a alta de Habitação com maior intensidade; outra, com maior consumo de alimentos, pode perceber algum alívio no supermercado, mas ainda enfrentar aumento em restaurantes ou no plano de saúde.

    Também é preciso separar inflação de nível de preços. Quando um grupo cai 0,67%, isso reduz a média daquele mês, mas não devolve automaticamente os preços ao patamar de meses anteriores. Se o tomate ficou mais barato em julho, por exemplo, o consumidor ainda pode pagar mais do que pagava no início do ano. Para decidir, compare seus recibos e faturas com o orçamento dos meses anteriores, em vez de aplicar o IPCA indistintamente.

    Perguntas frequentes

    IPCA de julho significa que os preços caíram?

    Não. O IPCA mede a variação média de uma cesta de bens e serviços. Em julho, a média subiu 0,07%. Alguns grupos, como Alimentação e bebidas e Vestuário, tiveram queda, mas outros aumentaram.

    A conta de luz vai subir 3,09% para todo mundo?

    Não necessariamente. Os 3,09% são a variação média do subitem energia elétrica residencial no IPCA. O valor da sua conta depende da distribuidora, da tarifa vigente, dos tributos, da bandeira e do consumo.

    A inflação acumulada de 4,44% está dentro da meta?

    Ela ficou abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância, mas ainda acima do centro da meta, que é de 3,00%. O resultado de um mês não garante que a inflação continuará nessa trajetória.

    O IPCA de julho reajusta automaticamente aluguel e contratos?

    Não. O reajuste depende do índice e da data previstos no contrato. O IPCA pode ser usado como referência ou cláusula de correção, mas não substitui a leitura do contrato nem altera automaticamente todos os preços.

  • Marcação a mercado no Tesouro Direto: entenda por que o preço oscila

    Marcação a mercado no Tesouro Direto: entenda por que o preço oscila

    Pessoa calcula uma dívida no celular ao lado de dinheiro e caderno sobre uma mesa

    O cheque especial é uma saída de emergência, não uma extensão do salário. Para pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs), os juros remuneratórios têm teto de 8% ao mês, mas isso ainda pode transformar uma dívida pequena em um problema caro. Se a conta ficará negativa por mais de poucos dias, compare o custo de uma linha com prazo fixo antes de deixar o saldo crescer.

    Neste guia, você verá como a cobrança funciona, o que mudou nas regras, como fazer uma conta simples e quando um empréstimo pode ser uma alternativa. Para entender o indicador que deve ser usado nessa troca, veja também o guia do CET do empréstimo.

    Como funciona o cheque especial

    O cheque especial é um limite de crédito rotativo ligado à conta corrente. Quando o saldo próprio acaba e um pagamento é aprovado, a diferença passa a ser financiada pelo banco. Os juros incidem sobre o valor efetivamente usado e pelo período em que a conta fica no negativo — não sobre todo o limite simplesmente disponível.

    A taxa precisa aparecer no contrato e no extrato. A regra do Conselho Monetário Nacional limita a taxa efetiva de juros remuneratórios a 8% ao mês para pessoas físicas e MEIs. Esse teto não significa que toda instituição cobrará 8%; a oferta pode ser menor e deve ser comparada antes da contratação.

    Na série estatística do Banco Central para novas operações de cheque especial de pessoas físicas, a taxa média mensal foi de 7,56% em junho de 2026, último dado mensal disponível na consulta feita em 11 de agosto. É uma média de mercado, não uma cotação para qualquer cliente nem um limite para o seu contrato.

    Quanto custa deixar R$ 1.000 no cheque especial

    A conta abaixo é uma simulação, não uma promessa de cobrança. Ela usa o teto de 8% ao mês, sem considerar impostos, tarifas, encargos de atraso ou diferenças de contagem de dias. A fórmula é: saldo após n meses = principal × (1 + taxa)ⁿ.

    Tempo com R$ 1.000 usadosSaldo com 8% ao mêsJuros acumulados
    1 mêsR$ 1.080,00R$ 80,00
    2 mesesR$ 1.166,40R$ 166,40
    3 mesesR$ 1.259,71R$ 259,71

    A taxa equivalente anual desse teto é de aproximadamente 151,82% quando há capitalização mensal. O número ajuda a mostrar por que o limite deve ser usado por poucos dias: a dívida não cresce apenas pelo valor sacado, mas também pelos juros acumulados.

    Cheque especial ou empréstimo pessoal: qual comparar?

    O cheque especial ganha em rapidez e flexibilidade: o dinheiro já está disponível e não exige uma nova contratação a cada uso. Em compensação, o prazo é aberto, a taxa costuma ser alta e o saldo negativo pode consumir qualquer depósito que entre na conta.

    O empréstimo pessoal costuma ter parcela e prazo definidos. Isso facilita o planejamento, mas cria uma obrigação mensal e pode incluir IOF, juros e outros custos. A comparação correta é pelo Custo Efetivo Total (CET), que reúne os encargos da operação, e não apenas pela taxa anunciada. Use a portabilidade de crédito se já existir uma dívida e outra instituição oferecer condições comprovadamente melhores.

    OpçãoVantagemRisco ou limiteFaz mais sentido quando
    Cheque especialAcesso imediatoJuros altos e prazo indefinidoHá uma falta de caixa muito curta e uma entrada certa está próxima
    Empréstimo pessoalParcela e prazo previsíveisCria compromisso mensal e pode ter IOFO CET é menor e a parcela cabe no orçamento
    Negociação ou portabilidadePode reduzir custo ou reorganizar a dívidaDepende de aprovação e de uma proposta realmente mais barataO saldo já virou uma dívida recorrente

    Exemplo apenas para comparar ordens de grandeza: se R$ 1.000 fossem substituídos por um empréstimo de três parcelas a 3% ao mês, sem outros custos, a prestação aproximada seria R$ 353,53 e o total pago, R$ 1.060,59. No cheque especial a 8% ao mês, sem amortização, o saldo chegaria a R$ 1.259,71 após três meses. Na vida real, o CET do empréstimo e a forma de amortização podem mudar o resultado; substitua as taxas pelos valores da proposta recebida.

    A tarifa antiga de 0,25% ainda é cobrada?

    A Resolução CMN nº 4.765 previa uma tarifa de até 0,25% sobre a parcela do limite que excedesse R$ 500, mas esse artigo foi revogado a partir de 1º de novembro de 2021. Por isso, não aplique esse percentual automaticamente ao seu limite atual. Confira o contrato, o extrato e a tabela de tarifas da instituição para identificar qualquer cobrança vigente e sua base de cálculo.

    A página de perguntas e respostas do Banco Central explica o teto de juros e as condições gerais do produto. A taxa média citada acima é estatística e não substitui a informação que o banco deve apresentar na sua contratação.

    Como sair da conta negativa

    • Some o saldo usado, os juros já lançados e os demais encargos que aparecem no extrato.
    • Peça ao banco uma proposta com prazo fixo e CET; faça a mesma consulta em outras instituições antes de aceitar.
    • Compare a parcela com o orçamento dos próximos meses. Uma prestação que exige novo uso do limite apenas troca o problema de lugar.
    • Reorganize as despesas no seu orçamento mensal e deixe uma margem para imprevistos.
    • Depois de quitar ou transferir a dívida, reduza ou cancele o limite se ele costuma ser usado como complemento da renda.

    Se a diferença for coberta em poucos dias, o cheque especial pode resolver uma emergência pontual. Se o uso se repete, a conta permanece negativa até o próximo salário ou a dívida já ultrapassou um mês, trate-o como crédito caro: compare o CET, negocie e escolha uma parcela que caiba sem depender de novo limite.

    Perguntas frequentes

    O cheque especial pode cobrar mais de 8% ao mês?

    Para pessoas físicas e MEIs, a taxa efetiva de juros remuneratórios do cheque especial está limitada a 8% ao mês. O banco ainda deve informar no contrato as condições da operação e podem existir encargos previstos para atraso, por isso a comparação deve considerar o custo total.

    A tarifa de 0,25% sobre o limite ainda vale?

    Não use essa regra antiga para estimar sua cobrança. O artigo que previa a tarifa de até 0,25% sobre a parcela do limite acima de R$ 500 foi revogado a partir de 1º de novembro de 2021. Confira o contrato e a tabela de tarifas vigente do seu banco.

    Quando o empréstimo pessoal costuma ser melhor?

    O empréstimo pessoal tende a fazer mais sentido quando a conta ficará negativa por mais de poucos dias e a instituição oferecer taxa e CET menores que o cheque especial. A troca só é vantajosa se a parcela couber no orçamento e o custo total ficar claramente menor.

    Como sair do cheque especial?

    Pare de usar o limite, some o saldo devedor e os encargos, peça propostas de crédito com prazo fixo e compare o CET. Depois de contratar uma alternativa mais barata, reduza ou cancele o limite para não acumular a nova parcela com outra dívida.

  • Tarifa bancária: como parar de pagar pacote de serviços e quais serviços são gratuitos

    Tarifa bancária: como parar de pagar pacote de serviços e quais serviços são gratuitos

    Se você paga uma tarifa mensal para manter a conta, pode ter uma alternativa mais barata: pedir a troca do pacote por serviços essenciais ou passar a pagar apenas o que usar. Para contas de pessoa física, o Banco Central proíbe a cobrança pelos serviços essenciais dentro de limites definidos. A mudança não transforma toda operação em gratuita, mas pode eliminar uma cobrança recorrente que não faz sentido para o seu uso.

    Cartão bancário sobre uma carteira, usado para ilustrar a cobrança de serviços da conta

    O que é tarifa bancária e por que ela aparece na conta

    Tarifa bancária é a cobrança por um serviço prestado pela instituição. Ela pode aparecer como “pacote de serviços”, “cesta”, “cesta mensal” ou nome parecido. O pacote reúne operações como saques, extratos, transferências e folhas de cheque por uma mensalidade.

    A cobrança precisa estar prevista no contrato ou ter sido autorizada ou solicitada pelo cliente. O pacote também deve ser contratado por meio de contrato específico. Isso não significa que qualquer lançamento desconhecido seja automaticamente ilegal: o primeiro passo é conferir o contrato, a tabela de tarifas e o histórico da conta.

    O valor pode parecer pequeno, mas se repete todos os meses. Num exemplo hipotético de pacote de R$ 20 por mês, o custo anual chega a R$ 240. Essa conta considera 12 mensalidades de R$ 20 e não inclui tarifas cobradas por serviços que ultrapassem os limites gratuitos.

    Quais serviços essenciais são gratuitos

    Na conta corrente de pessoa física, a lista de serviços essenciais inclui, dentro das regras e limites do Banco Central:

    • um cartão com função débito e a segunda via, salvo situações como perda, roubo, furto ou dano atribuível ao cliente;
    • até quatro saques por mês;
    • até duas transferências por mês entre contas da mesma instituição;
    • até dois extratos por mês com a movimentação dos últimos 30 dias;
    • consultas pela internet e o extrato anual previsto na regulamentação;
    • compensação de cheques e até dez folhas de cheque por mês, desde que o cliente cumpra as condições para usar cheques;
    • serviços por meios eletrônicos quando o contrato da conta prevê uso exclusivamente eletrônico.

    Na poupança, os limites são diferentes: em geral, a regra prevê até dois saques, até duas transferências para conta de mesma titularidade e até dois extratos por mês, além de cartão de movimentação e consultas pela internet. O contrato e o tipo de conta precisam ser conferidos antes da troca.

    Esses limites não são uma franquia que o banco pode reduzir por vontade própria. Se você ultrapassar a quantidade gratuita, optar por um canal que tenha cobrança prevista ou solicitar um serviço fora da lista, a instituição pode cobrar o valor correspondente, desde que a tarifa seja informada e aplicável.

    Como parar de pagar o pacote de serviços

    1. Identifique a cobrança. Procure no extrato o nome do pacote e anote o valor mensal. Faça isso em pelo menos três meses para separar a tarifa de cobranças eventuais.
    2. Compare com o seu uso. Conte saques, transferências internas, extratos impressos e outros serviços. Quem movimenta a conta quase sempre por Pix e aplicativo pode não usar os itens que justificam uma cesta mensal.
    3. Peça a migração para os serviços essenciais. Use o aplicativo, o atendimento ou a agência e formule o pedido de maneira clara. Solicite o número de protocolo e a data em que a mudança terá efeito.
    4. Se não quiser migrar, peça o cancelamento do pacote. A regra permite ao cliente pagar serviços individualizados. Pergunte quais operações continuarão disponíveis e quanto custará cada uma.
    5. Confira o primeiro extrato depois da mudança. Veja se a tarifa deixou de aparecer e se não houve alteração em débito automático, recebimento de salário, cartão ou outras funções que você realmente usa.

    Se o banco negar a solicitação, peça a justificativa por escrito. Guarde contrato, extratos e protocolo. A sequência mais segura é reclamar primeiro na instituição, depois na ouvidoria e, se necessário, nos canais oficiais de defesa do consumidor ou do Banco Central.

    Quando manter o pacote pode fazer sentido

    Trocar para a modalidade essencial não é sempre a opção mais barata. Um pacote pode compensar se a mensalidade for inferior à soma das tarifas individuais que você pagaria por exceder os limites ou por usar serviços frequentes. A própria regulamentação determina que o pacote padronizado não pode custar mais do que a soma das tarifas individuais que o compõem, considerando o canal de menor valor.

    Faça a comparação com números reais. Por exemplo: se você faz seis saques no mês, usa quatro extratos impressos e precisa de transferências cobradas, a modalidade sem pacote pode gerar lançamentos avulsos. Nesse caso, peça ao banco a tabela atual e compare o custo de três meses, em vez de decidir apenas pelo valor da mensalidade.

    Também confira se a conta tem serviços que não fazem parte do pacote, como cartão de crédito, câmbio, aluguel de cofre ou produtos de investimento. Cancelar a cesta não cancela automaticamente esses contratos e tampouco elimina tarifas próprias deles.

    Cuidados antes de mudar de modalidade

    • Conta salário: ela segue regras específicas e não deve ser confundida com uma conta corrente comum aberta pelo cliente.
    • Conta conjunta ou conta com cheque: confirme se todos os titulares e requisitos continuam atendidos.
    • Atendimento presencial: a regulamentação admite cobrança em algumas situações quando o cliente escolhe o canal presencial mesmo havendo meio eletrônico disponível; pergunte antes de realizar a operação.
    • Conta digital: o nome comercial não garante tarifa zero. Leia o contrato, a tabela de tarifas e as condições para saques, atendimento e segunda via.
    • Orçamento: registre a economia efetiva no seu controle mensal. O guia de orçamento mensal ajuda a acompanhar cobranças recorrentes e decidir onde o corte realmente cabe.

    O que fazer se houver cobrança sem autorização

    Primeiro, peça ao banco a origem da cobrança e uma cópia do contrato ou da autorização. Se o pacote nunca foi contratado, ou se a tarifa não estiver prevista para o serviço realizado, solicite estorno e registre a contestação. Não aceite apenas uma explicação por telefone: o protocolo e o extrato formam a documentação do caso.

    O Banco Central mantém uma consulta de tarifas e a regulamentação completa. Consulte a Resolução 3.919 do Banco Central para conferir a lista de serviços essenciais e as condições gerais. Os valores praticados por cada banco podem mudar, por isso a tabela vigente da própria instituição é a referência para calcular o custo final.

  • Renner reduz projeção de receita para 2026: o que mudou e o que isso sinaliza

    Renner reduz projeção de receita para 2026: o que mudou e o que isso sinaliza

    A Lojas Renner reduziu de 9% a 13% para 4% a 8% a projeção de crescimento da receita líquida de varejo em 2026. A revisão veio depois de um segundo trimestre em que as vendas avançaram pouco, apesar de a empresa ter preservado margens e registrado lucro líquido maior.

    Para quem acompanha a empresa ou investe em ações de varejo, a leitura é dupla: o resultado passado não foi de deterioração generalizada, mas a administração passou a esperar um ritmo de vendas bem menor neste ano. Para o consumidor, o comunicado ainda não indica mudança automática em preços, promoções ou fechamento de lojas.

    O que a Renner revisou para 2026

    A companhia manteve a projeção de crescimento de receita entre 9% e 13% para os anos de 2027 a 2030, mas reduziu o intervalo previsto para 2026 para 4% a 8%. A justificativa apresentada foi o desempenho de vendas abaixo do esperado no segundo trimestre e um ambiente macroeconômico e competitivo mais difícil.

    Projeção de receita líquida de varejoAntesAgora
    20269% a 13%4% a 8%
    2027 a 20309% a 13%9% a 13%

    Usando apenas o ponto médio dos intervalos, a expectativa para 2026 passou de 11% para 6% — uma diferença de 5 pontos percentuais, ou 45,45% na comparação entre os pontos médios. Esse cálculo ajuda a dimensionar a revisão, mas não substitui o intervalo oficial nem significa que a empresa projetou exatamente 6%.

    O resultado do 2º trimestre foi ruim?

    O trimestre teve sinais mistos. A receita líquida de varejo cresceu 1,1% na comparação anual, enquanto as vendas nas mesmas lojas avançaram 0,5%. No segmento de vestuário, a receita subiu 2,5%, com vendas nas mesmas lojas de 1,5%.

    • O GMV digital cresceu 13,1% e chegou a 16,9% das vendas totais.
    • A margem bruta de varejo atingiu 57,5%, alta de 0,4 ponto percentual.
    • O EBITDA de varejo foi de R$ 791,2 milhões, crescimento de 2,3%, com margem de 21,4%.
    • O lucro líquido chegou a R$ 405 milhões, alta de 3,5%.

    Esses números mostram por que a revisão não pode ser resumida a “a empresa deu prejuízo”. A Renner aumentou o lucro e protegeu a rentabilidade, mas não conseguiu vender no ritmo necessário para manter a estimativa anterior de crescimento. O efeito da Copa do Mundo no fluxo das lojas físicas e no padrão de compras foi apontado pela administração como mais forte do que o previsto.

    Duas mulheres analisam roupas em uma loja de moda

    O que isso sinaliza para quem investe

    A revisão do guidance muda a régua para os próximos balanços. O mercado agora tende a observar se a aceleração prometida para o segundo semestre aparece nas vendas, se as margens continuam protegidas e se o crescimento digital compensa a menor circulação nas lojas físicas.

    A empresa diz que espera recuperar ritmo com expansão da área de vendas, reinauguração de unidades, iniciativas comerciais e uma base de comparação mais favorável. Isso é uma projeção, não um resultado contratado. Juros, renda das famílias, concorrência, câmbio, estoques e calendário de eventos podem alterar o desempenho.

    Também faz sentido separar o caso específico do ambiente econômico. O cenário de inflação e atividade já foi explicado em análise anterior sobre as projeções do Focus. A revisão da Renner não prova, sozinha, uma tendência para todo o varejo, mas é um dado concreto sobre uma das maiores empresas do setor.

    O material de resultados e a íntegra da comunicação da companhia podem ser consultados na Central de Resultados da Renner. A cotação da LREN3, por sua vez, pode reagir de forma diferente do resultado contábil, porque incorpora expectativas futuras e não apenas os números já publicados.

    E para o consumidor?

    O comunicado não anuncia reajuste, liquidação ou encerramento de lojas. A consequência mais direta para o consumidor é acompanhar a estratégia comercial no segundo semestre: uma varejista com meta de vendas menor pode reforçar campanhas, mix de produtos e ações digitais para recuperar tráfego, mas isso depende da execução e da demanda.

    Quem pretende comprar roupa não deve tomar a revisão da projeção como sinal de que os preços necessariamente cairão. Compare o preço final, a política de troca e as condições de pagamento. Para o investidor, a decisão exige outro conjunto de dados: preço da ação, valuation, dividendos, risco do setor e capacidade de entregar a projeção — pontos que não são resolvidos por um único trimestre.

    Perguntas frequentes

    A Renner teve lucro maior no segundo trimestre de 2026?

    Sim. A companhia informou lucro líquido de R$ 405 milhões no 2º trimestre, alta de 3,5% na comparação anual. A receita líquida de varejo, porém, cresceu 1,1%, e as vendas nas mesmas lojas avançaram 0,5%.

    O que mudou na projeção da Renner para 2026?

    A projeção de crescimento da receita líquida de varejo caiu de um intervalo de 9% a 13% para 4% a 8%. A empresa disse que manteve as demais métricas projetadas para o ciclo de 2026 a 2030.

    A revisão da projeção significa que a ação da Renner vai cair?

    Não. A cotação depende do que já estava previsto nos preços, dos próximos resultados, dos juros e das expectativas para o varejo. A revisão aumenta a necessidade de acompanhar os próximos trimestres, mas não determina sozinha o movimento da ação.

    O que o consumidor pode esperar das lojas Renner?

    A empresa espera acelerar o crescimento no segundo semestre, apoiada por expansão de área, reinauguração de unidades e iniciativas comerciais. Isso é uma projeção da companhia, não uma garantia de preços menores ou de mais promoções.