Categoria: Crédito

  • CET do empréstimo: como comparar o custo total antes de contratar

    CET do empréstimo: como comparar o custo total antes de contratar

    O CET do empréstimo é o número mais útil para comparar propostas porque reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação em uma taxa anual. A parcela menor pode esconder um prazo maior ou custos descontados antes de o dinheiro chegar à sua conta.

    Calculadora financeira portátil sobre uma superfície, usada para ilustrar a comparação de custos de um empréstimo

    Antes de contratar, peça o CET e o demonstrativo de cálculo. Confira quanto será liberado de fato, o valor de cada parcela, o total pago e todos os itens incluídos. A regra vale para operações de crédito e financiamento nas condições previstas pelo Conselho Monetário Nacional; a Resolução CMN nº 4.881 determina como essa informação deve ser apresentada.

    O que é o CET do empréstimo

    CET significa Custo Efetivo Total. Ele transforma os fluxos de dinheiro da operação em uma taxa percentual anual: de um lado, o valor que você recebe; de outro, os pagamentos previstos ao longo do contrato.

    O cálculo considera o crédito concedido e os valores cobrados do cliente, incluindo amortização, juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas vinculadas. Se um custo for pago antecipadamente e reduzir o valor que chega ao tomador, ele também afeta a comparação, porque o dinheiro recebido será menor.

    O CET não é sinônimo da taxa de juros. A taxa de juros mede o preço do dinheiro; o CET mede o custo da operação inteira. Também não é uma taxa média do mercado nem uma promessa de que todas as parcelas serão iguais: é a fotografia daquela oferta, com aquele valor, prazo e cronograma, na data do cálculo.

    O que deve aparecer antes da contratação

    A instituição deve informar o CET previamente e entregar o demonstrativo de cálculo. Esse documento precisa mostrar o valor em reais de cada componente dos recebimentos e pagamentos, o percentual de cada item em relação ao total devido e a soma das parcelas. Se o contrato for assinado, o demonstrativo deve ser incluído de forma destacada no documento.

    • Valor nominal do crédito: quanto aparece como principal da operação.
    • Valor líquido recebido: quanto efetivamente entra na conta depois de despesas descontadas.
    • Juros: taxa pactuada e forma de incidência.
    • Custos adicionais: tarifas, tributos, seguros e serviços vinculados, quando houver.
    • Parcelas e vencimentos: quantidade, valor e datas de pagamento.
    • Total devido: soma dos pagamentos previstos no contrato.

    Quando um anúncio apresentar uma taxa de juros para uma operação de crédito, o CET correspondente também deve ser informado. Ainda assim, a comparação final deve ser feita com o demonstrativo individual da proposta, porque o valor, o prazo e as condições podem mudar depois da análise do cliente.

    Como comparar dois empréstimos pelo custo total

    Compare propostas com o mesmo valor líquido necessário e, de preferência, o mesmo prazo. Depois, use esta ordem:

    1. Anote quanto você precisa receber, não apenas o principal anunciado.
    2. Veja se existe algum desconto antes da liberação e calcule o valor líquido.
    3. Compare o CET anual, sem misturá-lo com a taxa mensal.
    4. Confira a soma das parcelas e a data de cada pagamento.
    5. Leia quais custos são obrigatórios e quais serviços podem ser recusados ou contratados separadamente, quando a oferta permitir.
    6. Avalie se a parcela cabe no orçamento mesmo em um mês ruim; o menor CET não torna uma dívida segura se ela comprometer o pagamento de despesas essenciais.

    Se prazo, valor recebido ou garantia forem diferentes, não escolha automaticamente o menor CET. Uma proposta pode ter custo percentual menor, mas exigir mais tempo de dívida ou entregar menos dinheiro. Nesse caso, compare também o total em reais e o impacto da parcela no orçamento. Para financiamentos imobiliários, o sistema de amortização muda o comportamento das prestações; veja a comparação entre SAC e Price.

    Simulação: a menor taxa de juros pode não ser o menor custo

    A tabela abaixo é uma simulação didática, não uma oferta de banco. As duas propostas têm principal nominal de R$ 5.000 e 12 parcelas a cada 30 dias. Na proposta B, existe uma despesa hipotética de R$ 250 descontada antes da liberação, então o cliente recebe R$ 4.750.

    ItemProposta AProposta B
    Taxa mensal anunciada2,50%2,20%
    Despesa inicial hipotéticaR$ 0,00R$ 250,00
    Valor líquido recebidoR$ 5.000,00R$ 4.750,00
    Parcela aproximadaR$ 487,44R$ 478,62
    Total aproximado das parcelasR$ 5.849,23R$ 5.743,49
    CET anual aproximado*35,04%44,13%
    *Cálculo hipotético com parcelas a cada 30 dias, base de 365 dias e fluxos não arredondados; os valores exibidos foram arredondados.

    A proposta B tem juros mensais menores e uma parcela ligeiramente menor, mas o cliente recebe R$ 250 a menos. Quando o fluxo é recalculado sobre o valor líquido recebido, o CET fica maior. Essa é a razão prática para não comparar só a taxa mensal, a primeira parcela ou o total nominal financiado.

    O cálculo da tabela usa a fórmula de parcela fixa parcela = principal × i ÷ (1 − (1 + i)−n). O CET foi obtido resolvendo a equação de fluxos da norma, com cada pagamento descontado pelo número de dias entre a liberação e o vencimento. Uma planilha pode reproduzir o resultado, mas o demonstrativo fornecido pela instituição é a referência para a proposta real.

    Vantagens e limites de usar o CET

    Vantagem: o CET coloca custos diferentes na mesma régua e reduz a chance de uma tarifa, seguro ou imposto passar despercebido. Ele é especialmente útil para comparar crédito pessoal, financiamento e propostas de instituições diferentes.

    Limites: o número depende do cronograma e das condições da oferta. Referenciais que mudam durante o contrato, como taxas flutuantes ou índices de preços, não entram no cálculo do CET e devem ser informados separadamente. Em uma operação sujeita a indexador, o valor pago pode mudar mesmo quando o CET apresentado no início não muda.

    Também não confunda CET menor com crédito adequado. Se a dívida for usada para cobrir uma despesa recorrente, o problema pode reaparecer com outra parcela. O empréstimo tende a fazer mais sentido quando resolve uma necessidade pontual e o orçamento comporta o pagamento sem depender de rotativo, cheque especial ou novo empréstimo.

    O que fazer se o CET não aparecer

    Não aceite decidir apenas com uma taxa de juros ou uma parcela promocional. Peça o CET, o demonstrativo completo e o valor líquido da liberação. Guarde a proposta e confira se os números do contrato são os mesmos da simulação.

    Se a instituição não esclarecer os custos, registre a solicitação pelos canais de atendimento e compare outra oferta. Depois da contratação, o contrato e o demonstrativo permitem verificar se a cobrança corresponde ao que foi apresentado. Em caso de divergência, procure primeiro a instituição e, se necessário, os canais oficiais de reclamação.

    Perguntas frequentes

    CET e taxa de juros são a mesma coisa?

    Não. A taxa de juros é um dos componentes do crédito. O CET soma juros e demais custos vinculados à operação e os expressa como taxa anual.

    Posso pedir o demonstrativo do CET antes de assinar?

    Sim. A instituição deve informar o CET e apresentar o demonstrativo antes da contratação. Se você contratar, esse demonstrativo deve aparecer de forma destacada no contrato.

    Um CET menor sempre significa a melhor escolha?

    Não necessariamente. Compare propostas com o mesmo valor líquido, prazo, garantias e indexadores. Depois, verifique o total em reais e se a parcela cabe no orçamento.

    O CET pode mudar durante o contrato?

    O CET representa as condições da oferta na data do cálculo. Se houver taxa flutuante ou índice de preços previsto, esse referencial fica fora do CET e pode alterar os pagamentos, conforme as regras do contrato.

  • Cartão de crédito: rotativo ou parcelamento da fatura? Veja o que custa menos

    Cartão de crédito: rotativo ou parcelamento da fatura? Veja o que custa menos

    Se não for possível pagar a fatura inteira, o parcelamento costuma ser menos caro que permanecer no rotativo, mas a resposta correta está no Custo Efetivo Total de cada proposta. Pagar somente o mínimo joga o saldo restante para o rotativo. Esse crédito dura até a fatura seguinte e costuma ter juros altos.

    A regra que limita juros e encargos a 100% da dívida original impede uma multiplicação sem fim, mas não torna o cartão barato. Uma dívida original de R$ 1.000 ainda pode chegar a R$ 2.000. A diferença pesa no orçamento e pode levar meses para ser quitada.

    O que acontece quando a fatura não é paga integralmente

    A fatura oferece um valor total, um pagamento mínimo e, em muitos casos, opções de parcelamento. Ao pagar entre o mínimo e o total, o restante entra no crédito rotativo. Na fatura seguinte, o banco precisa oferecer uma alternativa para financiar o saldo em condições mais vantajosas que o rotativo.

    Se o cliente paga menos que o mínimo sem negociar, pode ficar inadimplente. Além de juros e IOF, podem existir multa e juros de mora conforme o contrato. O bloqueio do cartão não elimina a dívida.

    Rotativo ou parcelamento da fatura: principais diferenças

    CritérioRotativoParcelamento da fatura
    PrazoUso temporário até a fatura seguinteNúmero definido de parcelas
    PrevisibilidadeSaldo muda com encargos e novas comprasParcelas e prazo aparecem na proposta
    CustoGeralmente é a alternativa mais caraTende a ser menor, mas varia por banco
    DecisãoPode ocorrer ao pagar apenas parte da faturaExige aceitar uma proposta de parcelamento

    Não compare só a parcela mensal. Uma prestação menor pode esconder prazo maior e custo total mais alto. Observe taxa mensal, taxa anual, IOF, tarifas, número de parcelas, valor total e CET.

    Como funciona o limite de juros

    Para operações iniciadas a partir de 3 de janeiro de 2024, os juros e custos financeiros do rotativo e do parcelamento da fatura não podem superar 100% do valor original financiado. Se R$ 2.500 ficaram sem pagamento, esses juros e custos financeiros estão limitados a mais R$ 2.500. O total relacionado a essa dívida pode alcançar R$ 5.000.

    O teto é um limite de cobrança, não uma taxa recomendada. Esperar a dívida chegar ao máximo continua sendo uma perda grande de dinheiro.

    A regra acompanha a dívida mesmo quando o saldo migra do rotativo para o parcelamento. Pagamentos realizados devem aparecer no demonstrativo. Compras novas formam outras obrigações e podem aumentar a próxima fatura.

    Como escolher a alternativa menos cara

    1. Pare de usar o cartão até saber quanto cabe no orçamento. Novas compras confundem a negociação.
    2. Anote o saldo original que será financiado.
    3. Peça as propostas de parcelamento com CET, prazo, parcela e total a pagar.
    4. Compare com crédito pessoal, consignado ou portabilidade, se disponíveis. Use o CET, não a taxa anunciada.
    5. Escolha a menor dívida total cuja parcela caiba com folga. Uma proposta impossível de sustentar vira atraso novamente.

    A portabilidade permite levar o saldo devedor do rotativo ou do parcelamento para outra instituição que ofereça condição melhor. A proposta deve consolidar a operação. Antes de aceitar, confira se não há liberação de dinheiro extra, seguro embutido ou prazo excessivo.

    Exemplo de decisão

    Imagine uma fatura de R$ 3.000 e apenas R$ 1.200 disponíveis. Os R$ 1.800 restantes podem ir ao rotativo ou a uma linha parcelada. A comparação precisa considerar quanto será pago no total. Se uma proposta cobra 12 parcelas de R$ 210, o desembolso será R$ 2.520. Outra com 18 parcelas de R$ 155 parece mais leve, mas soma R$ 2.790. A primeira custa menos; a segunda exige menos por mês.

    Se nenhuma parcela couber, a saída não é escolher às cegas. Corte o uso do cartão, liste dívidas prioritárias e negocie uma prestação compatível. Quem ainda não tem uma margem para imprevistos pode começar pelo guia de reserva de emergência depois de estabilizar as contas.

    Erros que aumentam a dívida

    • Pagar o mínimo vários meses sem acompanhar o saldo.
    • Parcelar a fatura e continuar usando todo o limite liberado.
    • Escolher pela menor parcela sem olhar o total.
    • Contratar outro empréstimo sem quitar o cartão antigo.
    • Ignorar o demonstrativo e não conferir se os pagamentos foram abatidos.

    O Banco Central publica a regra do limite e dados sobre os juros acumulados no cartão de crédito.

    Qual opção faz sentido

    Pagar a fatura integral continua sendo a opção sem juros. Quando isso não for possível, um parcelamento com CET menor e prazo curto tende a ser preferível ao rotativo. Crédito pessoal ou portabilidade podem reduzir o custo, desde que o dinheiro quite o cartão e o orçamento não volte a depender do limite.