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Setor de serviços emprega 15,9 milhões em 2024: onde estão os empregos e a receita

A PAS do IBGE mostra o peso do setor de serviços em 2024: empregos, empresas, remunerações, receita e concentração regional.

O setor de serviços empregou 15,9 milhões de pessoas em 2024, distribuídas por 1,9 milhão de empresas ativas. A Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (27), também mostra uma receita operacional líquida de cerca de R$ 3,5 trilhões e R$ 644,2 bilhões pagos em salários, retiradas e outras remunerações.

O número ajuda a dimensionar o peso dos serviços, mas não deve ser lido como um retrato de 2026 nem como crescimento real em relação ao ano anterior. A pesquisa é anual e estrutural, houve quebra de série a partir de 2024 e as medidas de receita têm conceitos diferentes. Para entender o que a notícia muda para empresas, trabalhadores e consumidores, o primeiro passo é separar cada dado.

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O que a PAS de 2024 mediu

A PAS acompanha a estrutura dos serviços não financeiros no país. Ela reúne informações sobre empresas, pessoal ocupado, remunerações, receitas, custos e despesas. Por isso, sua função é diferente da Pesquisa Mensal de Serviços, que acompanha o volume de atividade ao longo do tempo. O resultado mensal de junho de 2026, por exemplo, responde se o setor avançou ou recuou; a PAS responde como o setor estava organizado em 2024.

O recorte também não inclui todas as atividades que o leitor associa à palavra “serviços”. O IBGE informa que a pesquisa trata de serviços não financeiros e tem cobertura própria, com mudanças metodológicas na edição de 2024. A quebra de série reduz a segurança de uma comparação direta com os anos anteriores, sobretudo entre empresas pequenas. Não é correto transformar os números em uma taxa de crescimento sem ajustar esse efeito.

O release do IBGE sobre a PAS informa ainda que o valor adicionado pelo setor chegou a cerca de R$ 2,1 trilhões. Esse valor não é o mesmo que faturamento: representa a contribuição das atividades depois de descontado o consumo intermediário, enquanto a receita mostra o dinheiro obtido pelas empresas com suas operações, conforme o conceito usado em cada tabela.

Onde estão os empregos e o dinheiro

Os dados oficiais do SIDRA registram 15.864.213 pessoas ocupadas e 1.919.365 empresas. A receita bruta de serviços somou R$ 3.811.278.359 mil, enquanto os salários, retiradas e outras remunerações chegaram a R$ 644.229.556 mil. A diferença entre a receita bruta da tabela e a receita operacional líquida arredondada no release é uma questão de conceito e deduções; os valores não devem ser somados.

IndicadorResultado de 2024Como ler
Empresas ativas1.919.365Quantidade de empresas abrangidas pelo recorte da PAS
Pessoal ocupado15.864.213Pessoas ocupadas em 31 de dezembro
RemuneraçõesR$ 644,2 bilhõesSalários, retiradas e outras remunerações
Receita bruta de serviçosR$ 3,811 trilhõesValor da tabela SIDRA, em milhares de reais
Receita operacional líquidaCerca de R$ 3,5 trilhõesNúmero arredondado informado no release

Entre os grupos de atividade, serviços profissionais, administrativos e complementares lideraram a participação na receita, com 29,4%, segundo o IBGE. O dado inclui atividades muito diferentes entre si — de serviços técnicos a apoio administrativo e locação de mão de obra — e não significa que todas tenham a mesma margem ou o mesmo salário.

Sudeste concentra mais de 60% da receita

A distribuição regional é ainda mais concentrada do que a quantidade de empresas. O Sudeste reunia 56,1% das empresas e 55,6% das pessoas ocupadas, mas respondia por 63,7% da receita bruta de serviços e 63,2% das remunerações. Isso sugere uma combinação de empresas maiores, atividades de maior faturamento ou maior presença de segmentos com remuneração mais alta — mas a tabela regional, sozinha, não permite atribuir uma causa única.

RegiãoEmpresasPessoal ocupadoReceita bruta
Norte2,7%3,8%3,3%
Nordeste11,9%15,4%10,1%
Sudeste56,1%55,6%63,7%
Sul21,6%16,8%15,6%
Centro-Oeste8,5%8,4%7,4%

O que os números mudam na prática

Para quem tem empresa

O retrato reforça que faturamento não basta para avaliar um negócio de serviços. Uma empresa pode estar em um segmento de grande receita e ainda ter margem apertada por causa de folha, aluguel, impostos, tecnologia e terceirização. A decisão útil é comparar a própria operação com três medidas separadas: receita, custo total e geração de caixa.

Também é preciso evitar uma conclusão automática sobre localização. O Sudeste concentra receita, mas isso não prova que abrir uma empresa na região seja melhor. Aluguel, concorrência, disponibilidade de mão de obra, logística e demanda local podem mudar completamente o resultado. Os dados nacionais servem como contexto, não como estudo de viabilidade.

Para trabalhadores e candidatos

Os 15,9 milhões de ocupados mostram o tamanho do mercado de trabalho, mas não indicam o salário de cada profissão. O setor reúne empregos formais e outras formas de ocupação, funções técnicas, atendimento, transporte, tecnologia e atividades administrativas. Para escolher uma qualificação, o leitor precisa olhar a atividade específica, a região e a experiência exigida — não apenas o total do setor.

Para consumidores

A pesquisa não prevê se um serviço vai ficar mais caro ou barato. Preços dependem de demanda, salários, aluguel, impostos, crédito e produtividade. O dado ajuda a entender por que mudanças no consumo podem afetar muitas empresas e empregos, mas não substitui a comparação de preços nem revela a margem de um prestador específico.

Para acompanhar o setor no curto prazo, a referência é a pesquisa mensal — e não a PAS. A análise do resultado de junho de 2026 publicada pelo Acerto de Contas explica essa diferença entre volume mensal e estrutura anual. Para decisões de negócio, o melhor uso é combinar os dois: a PAS mostra onde está a estrutura; a pesquisa mensal mostra a direção mais recente.

Perguntas frequentes

Os dados da PAS já mostram o desempenho de 2026?

Não. O ano de referência é 2024. A divulgação ocorreu em 27 de agosto de 2026, mas a pesquisa mede a estrutura do setor no período pesquisado.

Qual é a diferença entre receita bruta e receita operacional líquida?

A receita bruta é apresentada antes de deduções. A receita operacional líquida considera as deduções previstas no conceito da pesquisa. Por isso, os dois valores não são intercambiáveis.

A PAS permite comparar 2024 diretamente com 2023?

Com cautela. O IBGE informa que houve quebra de série a partir de 2024, com maior impacto nas empresas com menos de cinco pessoas ocupadas. Uma comparação simples pode misturar mudança metodológica com mudança econômica.

Resumo: os serviços formam um dos maiores blocos de emprego e renda empresarial do país, mas o número de R$ 3,5 trilhões não é uma previsão nem mede sozinho o lucro das empresas. Para tomar uma decisão, use o recorte correto: estrutura anual para entender o setor, indicador mensal para acompanhar a direção e dados locais para avaliar um negócio específico.

Sobre o autor

Lacerda Araujo

Um apreciador da economia e noticias do dia a dia.