O custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais brasileiras em julho de 2026, mas isso não significa que os alimentos ficaram baratos. Em São Paulo, a cesta custou R$ 915,01, o maior valor do levantamento; em Aracaju, ficou em R$ 594,07, o menor entre as capitais pesquisadas.
Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo DIEESE em parceria com a Conab. Na média das 27 capitais, a cesta consumiu 49,34% do salário mínimo líquido em julho. O levantamento foi divulgado em 10 de agosto de 2026 e é a referência mais recente localizada para a comparação nacional.

Onde a cesta básica ficou mais cara
São Paulo liderou o ranking em julho, seguida por Cuiabá, Florianópolis e Rio de Janeiro. A diferença entre a cesta mais cara e a mais barata foi de R$ 320,94. A comparação deve ser lida com cuidado: no Norte e no Nordeste, a pesquisa usa uma composição diferente, com menos carne, farinha de mandioca no lugar da farinha de trigo e sem batata.
| Capital | Valor da cesta | Variação no mês | Parte do salário mínimo líquido |
|---|---|---|---|
| São Paulo | R$ 915,01 | -5,23% | 61,02% |
| Cuiabá | R$ 881,27 | -6,04% | 58,77% |
| Florianópolis | R$ 860,73 | -6,28% | 57,40% |
| Rio de Janeiro | R$ 855,37 | -7,12% | 57,05% |
| Aracaju | R$ 594,07 | -5,76% | 39,62% |
Mesmo com a queda mensal, todas as 27 capitais acumularam alta no ano até julho. O avanço variou de 4,28% em Campo Grande a 15,68% em Porto Velho. Na comparação com julho de 2025, houve aumento em 22 capitais e redução em cinco.
Quais alimentos ajudaram a reduzir o preço
A queda de julho foi disseminada. O café em pó, por exemplo, ficou mais barato em 23 capitais, com as maiores reduções em Campo Grande (-5,19%) e Aracaju (-3,74%). O comportamento de cada item, porém, variou entre as cidades; por isso, a baixa do total não representa uma redução igual para todas as famílias.
O resultado também não deve ser confundido com inflação negativa no país inteiro. A cesta do DIEESE é um conjunto específico de alimentos e serve para acompanhar o custo da alimentação básica. Ela não substitui o IPCA, que mede uma cesta mais ampla de bens e serviços. Para entender essa diferença, veja a explicação sobre o IPCA-15 de agosto.
Quanto do salário é comprometido
Em julho, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar, em média, 100 horas e 24 minutos para comprar os produtos da cesta nas 27 capitais. Em junho, eram 105 horas e 51 minutos; em julho de 2025, 103 horas e 40 minutos.
O DIEESE calcula também um salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas, considerando alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência. Em julho de 2026, a estimativa foi de R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo de R$ 1.621,00. Esse valor é uma referência estatística, não um benefício ou uma renda garantida.
Como usar o levantamento no orçamento
- Compare o valor da sua cidade com o mês anterior, mas observe também a alta acumulada no ano.
- Separe a variação da cesta do aumento ou da queda de itens específicos que fazem parte da sua rotina.
- Use o percentual do salário mínimo como indicador de pressão sobre a renda, não como estimativa do gasto de toda família.
- Reavalie o orçamento quando uma alta persistir por vários meses; uma queda pontual pode não se manter.
O que é a cesta básica de alimentos
O levantamento mensal do DIEESE acompanha preços de alimentos básicos em 27 capitais. Já a cesta básica de alimentos definida pelo governo para políticas de segurança alimentar tem diretrizes próprias: prioriza alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários e veda ultraprocessados. As duas referências não são sinônimas e não devem ser misturadas.
Fontes
Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos — DIEESE/Conab, julho de 2026.
Cesta Básica de Alimentos — Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
