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Anuidade do cartão: quando a cobrança é permitida

Entenda quando a anuidade do cartão pode ser cobrada, quais avisos o banco deve dar e como contestar uma tarifa indevida.

Sim, a anuidade do cartão de crédito pode ser cobrada quando estiver prevista no contrato e na tabela de tarifas do emissor. A cobrança não é automaticamente ilegal, mas o banco não pode criar uma “taxa de processamento” para substituir a anuidade nem cobrar um valor diferente do que foi informado sem seguir as regras de transparência.

Para pessoas físicas, a regulamentação distingue o cartão básico, voltado às compras, do cartão diferenciado, que oferece benefícios ou recompensas. A anuidade pode ser cobrada uma vez a cada 12 meses e parcelada, desde que a condição esteja clara. O cartão básico deve ter anuidade menor que a do cartão diferenciado oferecido pela mesma instituição.

Cartão de crédito com chip e aproximação
O custo do cartão deve ser conferido na tabela de tarifas e no contrato do emissor. Foto: iToms/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 DE; recorte e compressão próprias.

Quando a anuidade do cartão é permitida

A Resolução CMN nº 3.919 permite a cobrança da tarifa de anuidade em cartões básicos e diferenciados. Na tabela de tarifas, ela aparece separada conforme o produto, como “Anuidade – cartão básico nacional”, “Anuidade – cartão básico internacional” ou “Anuidade – cartão diferenciado”. O emissor deve divulgar o preço e o fato que gera a cobrança.

A regra não significa que qualquer valor lançado na fatura esteja correto. O contrato, a proposta aceita e a oferta feita ao consumidor formam o conjunto que deve ser conferido. Se o anúncio prometia anuidade gratuita, procure a duração da isenção, o gasto mínimo exigido, a necessidade de manter algum produto e o que acontece depois do período promocional.

SituaçãoO que conferir
Cartão básicoSe a anuidade está na tabela do emissor e é inferior à do básico internacional, quando houver os dois produtos.
Cartão com pontos, milhas ou cashbackSe a anuidade diferenciada e as condições dos benefícios estão descritas no contrato.
Oferta de anuidade grátisPrazo da isenção e requisitos para mantê-la, sem presumir que a gratuidade seja permanente.
Tarifa que não reconheceOrigem do lançamento, contrato, tabela de tarifas e protocolo de contestação.

Quantas vezes por ano o banco pode cobrar?

A anuidade é uma tarifa periódica: a tabela da Resolução nº 3.919 prevê cobrança no máximo uma vez a cada 12 meses, com possibilidade de parcelamento. Portanto, 12 lançamentos mensais podem representar uma única anuidade parcelada; eles não autorizam uma nova tarifa anual no mesmo ciclo.

O valor pode aparecer integralmente ou dividido na fatura, conforme o contrato. Por exemplo, se uma anuidade fictícia de R$ 360 for parcelada em 12 vezes, cada parcela será de R$ 30. Essa é apenas uma simulação para entender o lançamento; o preço real depende do cartão e da tabela do emissor.

O Banco Central mantém uma consulta de tarifas que permite comparar os valores informados pelas instituições. Como preços e produtos mudam, consulte a tabela atual do banco e confira a data da última atualização antes de decidir manter ou trocar o cartão.

O banco pode aumentar a anuidade?

A instituição pode alterar tarifas dentro das regras aplicáveis, mas a mudança não deve aparecer de surpresa. A Resolução CMN nº 3.919 determina divulgação com pelo menos 45 dias de antecedência para a instituição ou majoração de tarifas relacionadas a cartão de crédito. O emissor também deve informar as condições do serviço e manter a identificação clara no contrato, na tabela e na fatura.

Se a isenção promocional acabou, a pergunta principal é outra: o contrato ou a oferta explicava quando a cobrança começaria e em quais condições? Guarde a publicidade, o e-mail, a tela do aplicativo e a proposta que mencionavam a gratuidade. Uma oferta pode ser usada para conferir se o lançamento respeitou o que foi anunciado.

Como contestar uma anuidade indevida

1. Separe a fatura e a oferta

Identifique o nome da tarifa, o valor, a data e se o lançamento é a primeira parcela ou uma cobrança recorrente. Depois, compare com o contrato, a tabela de tarifas e a publicidade da instituição. Não confunda anuidade com juros do rotativo, tarifa de saque, cartão adicional ou tarifa da conta.

2. Fale com o emissor e peça o protocolo

Use o SAC ou o canal oficial do banco para contestar o valor. Peça a indicação da cláusula contratual e da tabela que autorizariam a cobrança, além do estorno ou crédito quando o lançamento não estiver de acordo com o que foi contratado. Anote protocolo, data, canal e prazo de resposta.

3. Escale se não houver solução

Se o atendimento não resolver, registre a reclamação na ouvidoria e guarde a resposta. Também é possível procurar o Procon ou o Consumidor.gov.br, quando a instituição estiver cadastrada. A reclamação ao Banco Central ajuda na supervisão, mas o próprio órgão informa que não decide a relação contratual nem determina, por si só, a devolução do dinheiro.

Se você pagou uma cobrança que era indevida, o Código de Defesa do Consumidor prevê repetição do indébito em dobro, com correção e juros, salvo hipótese de engano justificável. A aplicação depende das circunstâncias do caso; por isso, reúna documentos e procure o Procon ou orientação jurídica quando o banco negar a correção ou o valor for relevante.

Vale a pena cancelar o cartão para não pagar anuidade?

O cancelamento pode fazer sentido se o custo não for compensado pelo uso e pelos benefícios, mas compare antes o saldo parcelado, assinaturas, cartões adicionais e compras ainda não lançadas. Cancelar o cartão não apaga uma dívida já contratada. Se o problema for apenas o pacote de serviços da conta, veja também como cancelar a tarifa bancária e usar serviços gratuitos.

Para decidir, compare o custo anual total, não só a promessa de pontos ou cashback. O cartão com recompensas precisa devolver valor suficiente para superar a anuidade sem estimular gastos fora do orçamento. O cálculo e os limites desse benefício estão explicados no guia sobre quando o cashback compensa a anuidade. Se a dificuldade for pagar a fatura, priorize entender o custo do rotativo e do parcelamento antes de buscar recompensas; veja as diferenças entre rotativo e parcelamento da fatura.

Aviso: este texto é informativo e não substitui a leitura do contrato nem a orientação do Procon ou de profissional habilitado em uma disputa específica.

Fontes consultadas

Atualizado em 29 de outubro de 2026.

Sobre o autor

Lacerda Araujo

Um apreciador da economia e noticias do dia a dia.