SAC ou Price: qual sistema escolher no financiamento imobiliário?

Chaves de casa ao lado de uma calculadora e documentos, representando a escolha do sistema de amortização no financiamento imobiliário.

No SAC, a amortização é constante e as prestações começam maiores, depois diminuem. Na Price, a prestação-base tende a permanecer mais nivelada, mas a amortização começa menor. Mantidas a mesma taxa e o mesmo prazo, o SAC normalmente gera menos juros totais. A Price pode facilitar a aprovação por ter parcela inicial menor.

A escolha não deve ser feita pelo nome do sistema. Compare o CET, o indexador, a entrada, o prazo, os seguros e a capacidade de pagar a primeira parcela sem esvaziar o orçamento.

Como cada sistema reduz a dívida

SAC: amortização constante

O valor financiado é dividido pelo número de meses. Essa parte fixa reduz o saldo devedor em ritmo constante. Como os juros incidem sobre um saldo cada vez menor, eles caem ao longo do contrato. A prestação também tende a cair, salvo efeitos de indexador, seguros e tarifas.

Price: prestação-base nivelada

Na Tabela Price, as primeiras prestações destinam uma parcela maior aos juros e uma parcela menor à amortização. Com o tempo, os juros diminuem e a amortização cresce. A prestação calculada pelo sistema é nivelada quando a taxa é fixa, mas o valor efetivamente cobrado pode variar com seguros, taxas e atualização do saldo.

CritérioSACPrice
Parcela inicialMaiorMenor, nas mesmas premissas
Evolução da amortizaçãoConstanteCrescente
Evolução dos jurosCai com o saldoCai, mas o saldo recua mais devagar no início
Juros totaisTendem a ser menoresTendem a ser maiores
Perfil comumQuem suporta a entrada de caixa inicialQuem precisa reduzir a prestação inicial

Simulação: R$ 300 mil em 30 anos

A simulação abaixo usa um financiamento de R$ 300.000, prazo de 360 meses e taxa hipotética de 0,8% ao mês. Ela serve para mostrar a mecânica. Não inclui seguros, tarifas, impostos nem correção por TR, IPCA ou outro indexador.

Resultado aproximadoSACPrice
Primeira prestação-baseR$ 3.233,33R$ 2.544,48
Última prestação-baseR$ 840,00R$ 2.544,48
Juros no períodoR$ 433.200,00R$ 616.012,77
Total pagoR$ 733.200,00R$ 916.012,77

A diferença de R$ 182.812,77 nos juros vem do ritmo de redução do saldo. Na Price, a dívida cai mais devagar no início. Em um contrato real, o resultado muda com a taxa aprovada, o indexador, as datas e os demais custos.

Por que a parcela anunciada não conta tudo

A prestação inclui amortização e juros, mas pode trazer seguros obrigatórios e tarifas. O saldo também pode ser atualizado por um indexador. Por isso, peça a planilha da operação e o CET. A taxa nominal isolada não permite comparar propostas com custos diferentes.

O CET reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas conhecidas na contratação. Já a correção futura por um índice variável depende do comportamento desse índice. Leia os dois pontos separadamente.

A entrada muda mais do que parece

Uma entrada maior reduz o valor financiado, os juros e a parcela. Também diminui o risco de financiar um imóvel por valor próximo ao limite do orçamento. Antes de usar todo o dinheiro na entrada, reserve os custos de documentação, mudança, pequenos reparos e alguns meses de despesas.

Quem ainda não montou essa proteção pode usar o cálculo do artigo sobre quanto guardar em uma reserva de emergência. Comprar o imóvel e ficar sem caixa transforma qualquer conserto ou perda de renda em nova dívida.

Quando o SAC costuma fazer mais sentido

  • A primeira prestação cabe com folga no orçamento.
  • O comprador quer reduzir o saldo mais rapidamente.
  • Existe chance de vender ou quitar o imóvel antes do fim do contrato.
  • A prioridade é diminuir os juros totais, e não apenas a parcela inicial.

Quando a Price pode ser considerada

  • A parcela inicial do SAC ultrapassa a capacidade de pagamento ou a regra de comprometimento de renda.
  • A renda é estável e a proposta Price tem CET competitivo.
  • O comprador entende que a amortização será mais lenta no começo.
  • A diferença de custo foi calculada com o mesmo prazo, entrada e indexador.

Amortizar prazo ou reduzir prestação

Pagamentos extraordinários podem reduzir o prazo ou o valor das prestações, conforme o contrato. Reduzir prazo costuma economizar mais juros porque elimina meses futuros. Reduzir a prestação melhora o fluxo mensal. A escolha depende da segurança da renda e dos objetivos da família.

Antes de amortizar, compare o custo do financiamento com o retorno líquido e o risco de qualquer investimento alternativo. Não use a reserva de emergência para antecipar parcelas se isso deixar o orçamento vulnerável.

A Caixa apresenta a composição das prestações e as diferenças entre SAC e Price em material educativo.

Checklist antes de assinar

  • Compare propostas com o mesmo valor de entrada e prazo.
  • Anote CET, indexador, primeira parcela, última parcela estimada e total projetado.
  • Leia as condições dos seguros e das tarifas.
  • Faça uma simulação de queda de renda ou aumento de despesas.
  • Confira as regras para amortização, portabilidade e quitação antecipada.

O sistema mais barato no papel não resolve se a primeira prestação levar o orçamento ao limite. Da mesma forma, uma parcela inicial confortável pode sair muito cara em 30 anos. A escolha equilibrada combina custo total, margem mensal e velocidade de redução da dívida.

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