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Inadimplência empresarial bate recorde: 9,1 milhões de CNPJs têm dívidas em atraso

Mais de 9,1 milhões de empresas estavam inadimplentes em junho, com R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas; veja o impacto para os pequenos negócios.

O número de empresas inadimplentes no Brasil passou de 9,1 milhões em junho de 2026, o maior patamar da série histórica do indicador da Serasa Experian. Esses CNPJs acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas, em um retrato de crédito caro, receita mais fraca e dificuldade para reorganizar o caixa.

O dado foi divulgado em 17 de agosto e se refere ao último dia de junho. Em média, cada empresa negativada tinha 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 e ticket médio de R$ 3.515,77. O levantamento completo pode ser consultado no release da Serasa Experian.

O que os números da inadimplência empresarial mostram

IndicadorResultado em junho de 2026
Empresas inadimplentesMais de 9,1 milhões de CNPJs
Dívidas negativadasR$ 232,9 bilhões
Média de contas em atraso por empresa7,3
Dívida média por CNPJR$ 25.508,96
Ticket médio de cada dívidaR$ 3.515,77

O valor médio por empresa não deve ser confundido com o ticket médio. A primeira cifra divide o total das dívidas pelo número de CNPJs negativados; a segunda considera cada conta vencida. Como uma mesma empresa pode acumular vários débitos, os dois números respondem a perguntas diferentes.

Micro e pequenas empresas concentram o problema

As micro e pequenas empresas respondiam por 8,6 milhões dos CNPJs negativados. Isso equivale a aproximadamente 94,5% do total, considerando os números arredondados divulgados no levantamento. Juntas, elas acumulavam 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões — cerca de 86,5% do valor total.

Para esse grupo, a média era de 6,9 contas em atraso por empresa, dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47. A concentração não significa que todo pequeno negócio esteja em crise, mas mostra por que uma alta de juros ou uma queda nas vendas pode chegar rapidamente ao capital de giro de empresas com pouca reserva.

Serviços e comércio são os setores mais atingidos

Entre as empresas negativadas, 55,7% pertenciam a serviços, 32,2% ao comércio, 8,0% à indústria e 0,9% ao setor primário. A composição das empresas afetadas é diferente da origem das dívidas: serviços respondiam por 31,6% dos débitos, bancos e cartões por 19,5%, cooperativas por 8,4%, utilities por 6,9% e telefonia por 6,0%.

Essa distinção ajuda a ler a notícia. Uma empresa de serviços pode estar negativada por uma dívida bancária, por exemplo. Portanto, o percentual do setor econômico não diz sozinho qual credor está pressionando o caixa.

Onde está a maior concentração regional

São Paulo liderava em quantidade de empresas inadimplentes, com 3.126.658 CNPJs, seguido por Minas Gerais, com 907.558, e Rio de Janeiro, com 874.385. Paraná, com 601.986, e Rio Grande do Sul, com 527.555, apareciam na sequência. A concentração acompanha o tamanho da economia e a densidade empresarial desses estados; ela não representa, por si só, a taxa de inadimplência de cada região.

Por que a inadimplência continua subindo

Na avaliação da economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, as condições financeiras ainda são restritivas mesmo depois do início do ciclo de cortes da Selic. O crédito continua caro e seletivo, enquanto a desaceleração da atividade reduz o ritmo de geração de receita. Para empresas que dependem de capital de giro, isso dificulta trocar dívidas antigas por condições melhores e recompor o caixa.

O indicador, porém, não significa que 9,1 milhões de empresas estejam falindo ou que tenham encerrado as atividades. Pela metodologia da Serasa, basta existir ao menos um compromisso financeiro vencido cujo não pagamento tenha sido formalmente comunicado pelo credor. O mesmo CNPJ pode aparecer com várias dívidas, e o dado não mede diretamente recuperação judicial, insolvência ou fechamento.

O que o dono de uma empresa pode fazer agora

  • Mapeie o passivo completo: separe cada dívida por credor, valor atualizado, juros, garantia, prazo e consequência do não pagamento. Olhar apenas o total esconde quais compromissos ameaçam a operação.
  • Proteja o caixa essencial: folha, tributos correntes, fornecedores críticos e despesas que mantêm a venda devem entrar no fluxo de caixa antes de uma renegociação ampla. A prioridade depende do risco de interrupção e do custo do atraso.
  • Compare o custo total da proposta: uma parcela menor pode esconder prazo muito maior, novas tarifas ou garantia. Coloque lado a lado o valor à vista, o total parcelado e o impacto mensal antes de aceitar.
  • Evite financiar o prejuízo sem diagnóstico: novo crédito pode ganhar tempo, mas não resolve uma operação que continua gerando caixa negativo. Antes de contratar, teste se a parcela cabe no cenário conservador de receita.
  • Regularize pendências tributárias separadamente: o empresário que é MEI pode consultar um passo a passo sobre como regularizar dívida do MEI. Débito fiscal, bancário e com fornecedor têm regras e efeitos diferentes.

Perguntas frequentes

O que significa uma empresa estar inadimplente?

Significa que há pelo menos um compromisso financeiro vencido e formalmente comunicado pelo credor. O registro não prova, sozinho, falência, encerramento ou recuperação judicial.

Quantas micro e pequenas empresas estavam inadimplentes?

Em junho de 2026, eram 8,6 milhões de CNPJs, com 59,7 milhões de dívidas que somavam R$ 201,4 bilhões, segundo o indicador da Serasa Experian.

O recorde de inadimplência significa que as empresas vão quebrar?

Não. O recorde mostra o volume de CNPJs com ao menos uma dívida formalmente registrada como atrasada. A capacidade de cada empresa depende de receita, margem, caixa, garantias, prazo e possibilidade de renegociação.

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carlosacertodecontas