O Brasil chegou a 62.891.209 vínculos formais ativos em junho de 2026, alta de 4,1% sobre dezembro de 2025, segundo a RAIS Mensal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O estoque cresceu em 2.461.781 vínculos no semestre e estava distribuído por 4,24 milhões de estabelecimentos.
O avanço foi puxado principalmente pela administração pública, que adicionou 1,55 milhão de vínculos, e pelas mulheres, cujo estoque cresceu 5,7%, contra 2,7% entre os homens. A remuneração média dos vínculos ficou em R$ 4.389,49, mas esse número não é piso salarial nem representa o valor líquido recebido por todos os trabalhadores.

O que a RAIS Mensal mede
A RAIS Mensal acompanha o estoque de vínculos ativos em empresas privadas e órgãos públicos. Um trabalhador pode ter mais de um vínculo, portanto o total não deve ser lido como o número exato de pessoas empregadas. O indicador também não equivale à taxa de desemprego, que usa outra pesquisa e outra metodologia.
Essa diferença ajuda a interpretar o número corretamente: os 62,89 milhões mostram quantos vínculos estavam ativos no recorte, enquanto o Novo Caged registra o saldo entre admissões e desligamentos em determinado período. O artigo sobre as 921,6 mil vagas do Novo Caged trata desse fluxo. Os dois dados se complementam, mas não podem ser somados.
Administração pública liderou o crescimento
As entidades empresariais concentravam 41.628.441 vínculos em junho, ou 66,2% do total, e cresceram 1,7% desde dezembro. Já a administração pública chegou a 15.193.908 vínculos, com alta de 11,4% e acréscimo de 1.554.382 postos. Foi o principal motor da expansão no semestre.
Dentro dos serviços, a administração pública, a defesa e a seguridade social avançaram 11,8%, ou 1,33 milhão de vínculos. A educação cresceu 7,4%, com 283,8 mil novos vínculos. O setor de serviços reunia 38,26 milhões de postos, equivalente a 60,1% do estoque nacional. Construção civil, indústria e agropecuária também cresceram; o comércio recuou 0,2%.
Onde o emprego formal mais cresceu
O Sudeste continuou com o maior estoque, somando 29,54 milhões de vínculos, ou 47% do país. Nordeste tinha 12,47 milhões, Sul 10,41 milhões, Centro-Oeste 6,23 milhões e Norte 4,20 milhões.
| Região | Vínculos em junho de 2026 | Variação desde dezembro de 2025 |
|---|---|---|
| Sudeste | 29,54 milhões | +2,9% |
| Nordeste | 12,47 milhões | +6,3% |
| Sul | 10,41 milhões | +3,1% |
| Centro-Oeste | 6,23 milhões | +4,6% |
| Norte | 4,20 milhões | +7,4% |
Há duas leituras possíveis. O Sudeste concentra mais vagas em quantidade, em parte por seu tamanho econômico. Norte e Nordeste cresceram mais rapidamente em termos relativos, o que pode sinalizar expansão local, mas não significa que tenham mais oportunidades totais do que São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro.
Salário médio foi de R$ 4.389,49
A remuneração média registrada em junho foi calculada sobre 54.727.970 vínculos. O Sumário Executivo da RAIS Mensal do MTE traz as tabelas completas. O Centro-Oeste teve a maior média regional, de R$ 5.018,00, 14,32% acima da média nacional. No outro extremo, o Nordeste registrou R$ 3.645,59, 16,95% abaixo do valor do país.
O dado não deve ser usado como promessa para quem está procurando emprego. A média mistura ocupações, jornadas, setores, níveis de escolaridade, tipos de vínculo e regiões. Também é uma remuneração média do vínculo, não o salário líquido depois de descontos. Para comparar propostas, ainda é preciso olhar jornada, benefícios, deslocamento e estabilidade.
Mulheres e jovens puxaram a expansão
As mulheres ocupavam 29.182.235 vínculos, o equivalente a 46,4% do total. O estoque feminino aumentou 1.562.668 vínculos, ou 5,7%, enquanto o masculino avançou 899.113, ou 2,7%. A diferença de ritmo foi de 3 pontos percentuais no período, mas os homens ainda concentravam 53,6% dos vínculos.
Na faixa etária, trabalhadores de 18 a 24 anos tiveram o maior aumento absoluto, com 777 mil vínculos a mais e alta de 10,7%. Já o grupo com 65 anos ou mais recuou 2%. O resultado descreve o que mudou no estoque formal; não significa que idade, gênero ou região, isoladamente, garantam contratação.
Como usar os dados na prática
- Quem procura emprego: use o mapa de setores e regiões para escolher onde pesquisar, mas confirme a vaga concreta, o salário e os requisitos.
- Quem compara propostas: não use a média nacional como referência isolada; compare remuneração líquida, jornada, benefícios e custo de transporte.
- Quem pretende mudar de cidade: crescimento percentual e volume total respondem a perguntas diferentes. Uma região pode crescer rápido e ainda ter poucas vagas.
- Quem contrata: o estoque da RAIS ajuda a dimensionar o mercado, mas não substitui a conta de salário, encargos e custo total do vínculo.
A conclusão mais segura é que o emprego formal cresceu no primeiro semestre, mas de forma desigual. Administração pública e serviços explicam boa parte da alta; Norte e Nordeste avançaram mais em ritmo; e a média salarial esconde diferenças grandes entre regiões e ocupações.
Perguntas frequentes
RAIS Mensal e Novo Caged são a mesma coisa?
Não. A RAIS Mensal acompanha o estoque de vínculos ativos; o Novo Caged calcula o saldo entre admissões e desligamentos. Os indicadores têm escopos e metodologias diferentes.
O salário médio de R$ 4.389,49 é o valor recebido pelo trabalhador?
Não. É uma média dos vínculos considerados na RAIS Mensal e não corresponde necessariamente ao salário líquido, ao salário de entrada ou à remuneração de uma vaga específica.
Qual região teve o maior crescimento relativo?
O Norte teve a maior alta relativa entre dezembro de 2025 e junho de 2026, com crescimento de 7,4%. Em volume total, porém, o Sudeste continuou liderando, com 29,54 milhões de vínculos.
