Investimentos

Juros compostos: como calcular e usar no dia a dia

Aprenda a calcular juros compostos em aplicações e dívidas, com fórmula, exemplos e cuidados com taxas, aportes e custos.

Juros compostos são os chamados “juros sobre juros”: a cada período, a taxa incide sobre o saldo acumulado, e não só sobre o valor inicial. Para calcular, use M = C × (1 + i)n, em que M é o montante final, C é o capital, i é a taxa em decimal e n é o número de períodos.

Na prática, o mesmo mecanismo pode aumentar o patrimônio em uma aplicação ou acelerar uma dívida. O resultado só é comparável quando a taxa e o tempo estão na mesma unidade: uma taxa mensal deve ser usada com o número de meses, por exemplo.

Mão depositando uma moeda em um cofrinho

Atualizado em 14 de outubro de 2026.

O que são juros compostos

Nos juros simples, a taxa continua sendo aplicada ao capital original. Nos compostos, o juro de um período é incorporado ao saldo e passa a participar do cálculo seguinte. Por isso, o crescimento deixa de ser linear e ganha efeito de acumulação.

O Banco Central informa que a Calculadora do Cidadão usa a metodologia de juros compostos em operações de crédito, remuneração de aplicações e correção monetária em geral. A própria instituição registra uma exceção: a correção pela Taxa Legal usa juros simples para a acumulação mensal, conforme a Resolução CMN nº 5.171/2024.

Como calcular passo a passo

  1. Separe o capital: é o valor aplicado, emprestado ou devido no início.
  2. Converta a taxa: 1% vira 0,01; 5% vira 0,05.
  3. Conte os períodos: seis meses exigem uma taxa mensal, enquanto dois anos exigem uma taxa anual.
  4. Aplique a fórmula: multiplique o capital por 1 mais a taxa, elevado ao número de períodos.
  5. Encontre apenas os juros: subtraia o capital inicial do montante final.

Exemplo: R$ 1.000 aplicados a 1% ao mês por 12 meses resultam em R$ 1.126,83. Os juros acumulados são R$ 126,83. A conta é 1.000 × (1 + 0,01)12 e representa uma simulação matemática, sem impostos, tarifas, aportes ou alteração de taxa.

Exemplo: o tempo muda o resultado

Mantendo o mesmo capital e a mesma taxa, o prazo altera bastante o montante:

PrazoCapitalTaxaMontanteJuros
6 mesesR$ 1.0001% ao mêsR$ 1.061,52R$ 61,52
12 mesesR$ 1.0001% ao mêsR$ 1.126,83R$ 126,83
24 mesesR$ 1.0001% ao mêsR$ 1.269,73R$ 269,73

Os valores são exemplos nominais, calculados com a taxa constante e sem tributos. Eles não prometem rentabilidade e não substituem as condições de um contrato ou investimento.

Como calcular com aportes mensais

Quando há depósitos iguais todos os meses, o capital não é apenas o primeiro aporte. Cada depósito permanece investido por um prazo diferente. Para depósitos feitos ao fim de cada mês, a fórmula é M = P × [((1 + i)n − 1) ÷ i], em que P é o aporte periódico.

Com depósitos de R$ 200 no fim de cada mês, taxa constante de 1% ao mês e prazo de 24 meses, o total aportado seria R$ 4.800 e o montante matemático chegaria a R$ 5.394,69. A diferença de R$ 594,69 seria o efeito dos juros nessa hipótese. Se o depósito ocorrer no início do mês, o resultado muda, porque cada aporte fica um período a mais aplicado.

Para objetivos de curto prazo, a prioridade deve ser compatibilidade entre risco, liquidez e data de uso do dinheiro. A reserva de emergência e a escolha de onde deixá-la exigem mais do que procurar a maior taxa.

Juros compostos em dívidas

O efeito também funciona contra quem toma crédito. Numa simulação de R$ 1.000 a 5% ao mês por seis meses, o saldo chegaria a R$ 1.340,10, com R$ 340,10 de juros. Se fosse uma conta de juros simples com as mesmas premissas, o montante seria R$ 1.300. A diferença do exemplo é R$ 40,10.

Esse cálculo isolado não informa quanto uma pessoa realmente pagará em um empréstimo. Parcelas, datas de vencimento, tarifas, impostos, seguros e amortizações alteram o fluxo. Antes de contratar, compare o Custo Efetivo Total do empréstimo, que reúne os encargos da operação.

Taxa mensal não é simplesmente taxa anual dividida por 12

Uma taxa de 1% ao mês, mantida por 12 meses, equivale a 12,6825% ao ano no regime composto, porque a conversão é (1 + 0,01)12 − 1. Já dividir 12% ao ano por 12 é outra hipótese e pode representar uma taxa nominal, não a equivalente efetiva. O contrato ou a simulação deve deixar claro qual taxa está sendo usada.

Para avaliar uma aplicação, também confira impostos, taxas, liquidez, risco e proteção aplicável. Uma conta matemática de juros compostos mostra o efeito da capitalização, mas não garante que o produto entregue aquela taxa líquida. Para comparar uma alternativa de renda fixa com outra, veja a análise sobre poupança e Tesouro Selic.

Como conferir a conta

  1. Verifique se a taxa e o prazo usam a mesma unidade.
  2. Confirme se os depósitos entram no começo ou no fim do período.
  3. Separe o resultado bruto do valor depois de impostos e tarifas.
  4. Use uma calculadora financeira ou planilha para evitar arredondamentos a cada etapa.
  5. Compare o resultado com o contrato, a memória de cálculo ou a Calculadora do Cidadão.

Juros compostos são uma ferramenta de cálculo, não uma recomendação individual de investimento ou crédito. Em uma decisão real, considere sua renda, prazo, necessidade de liquidez e tolerância a perdas.

Fontes consultadas

Sobre o autor

Lacerda Araujo

Um apreciador da economia e noticias do dia a dia.