Trabalho e Renda

Trabalho por aplicativo chega a 2 milhões de pessoas: o que os dados do IBGE mostram

O IBGE estimou 2 milhões de pessoas trabalhando por aplicativos em 2025. Veja os dados por tipo de serviço e por que faturamento não é lucro.

O trabalho por meio de plataformas digitais já alcançava 2 milhões de pessoas no Brasil em 2025, segundo o IBGE. O transporte de passageiros reunia 1,2 milhão desses trabalhadores, ou 58,9% do total; entrega de comida e produtos aparecia em seguida, com 585 mil pessoas.

Os números ajudam a dimensionar uma fonte de renda que costuma ser discutida apenas por exemplos individuais. Eles mostram o tamanho desse mercado, mas não dizem que o valor informado é lucro: a pesquisa mede pessoas e características do trabalho, sem descontar automaticamente combustível, manutenção, aluguel do veículo, taxas da plataforma e outros custos.

Gráfico com o total de trabalhadores por aplicativos e os principais tipos de serviço em 2025
O transporte de passageiros concentra a maior parte do trabalho por aplicativos medido pelo IBGE.

Quantas pessoas trabalham por aplicativo

O levantamento do IBGE considera pessoas que realizaram trabalho por meio de aplicativos de serviços, no trabalho principal ou secundário. A estatística faz parte de um módulo experimental da PNAD Contínua e não deve ser lida como uma contagem de todos os trabalhadores informais ou como uma classificação jurídica de vínculo.

Tipo de aplicativoPessoas em 2025Participação informada pelo IBGE
Transporte de passageiros1,2 milhão58,9%
Entrega de comida e produtos585 mil29,9%
Serviços gerais ou profissionais313 mil16,0%

As categorias podem se sobrepor, porque uma mesma pessoa pode usar mais de um tipo de aplicativo. Por isso, a soma das linhas não deve ser comparada com o total como se cada trabalhador pertencesse a uma única categoria.

O que mudou em relação aos dados anteriores

Na divulgação anterior sobre 2024, o IBGE havia estimado 1,7 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais de serviços. Em 2025, a nova divulgação passou a registrar 2 milhões. A comparação precisa ser feita com cautela: além de períodos diferentes, a pesquisa é experimental e pode ser revisada conforme a metodologia evolui.

No recorte de 2025, 1,2 milhão de pessoas atuavam no transporte de passageiros. Desse grupo, 232 mil usavam aplicativos voltados a taxistas e 1,1 milhão trabalhava com outros aplicativos de transporte de passageiros. No caso das entregas, o IBGE identificou 376 mil entregadores entre as 585 mil pessoas que usavam aplicativos dessa categoria.

Gráfico com os principais tipos de trabalho por aplicativo no Brasil em 2025

O que os números dizem sobre a renda

O dado de 2 milhões mede o contingente de pessoas, não a renda líquida de cada ocupação. Para saber quanto uma atividade realmente deixa no bolso, o trabalhador precisa separar o faturamento bruto das despesas: combustível ou recarga, manutenção, depreciação, seguro, aluguel ou financiamento do veículo, internet e taxas cobradas pela plataforma.

Essa distinção é especialmente relevante no transporte e na entrega. Duas pessoas podem receber valores brutos semelhantes e terminar o mês com resultados muito diferentes, dependendo da jornada, da cidade, do veículo, dos horários de maior demanda e dos custos de operação. A pesquisa do IBGE serve para mostrar o tamanho e o perfil do fenômeno; ela não substitui um controle individual de receitas e despesas.

O trabalho por aplicativo é emprego formal?

O levantamento estatístico não responde sozinho à existência de vínculo empregatício. A condição jurídica depende da relação concreta de trabalho e das regras aplicáveis ao caso. Portanto, não é correto concluir, apenas a partir do número de trabalhadores plataformizados, que todos são autônomos, empregados ou microempreendedores individuais.

Quem usa a atividade como fonte de renda deve avaliar também contribuição previdenciária, emissão de notas quando exigida, tributos, seguros e proteção em caso de acidente. A escolha depende da situação do trabalhador e não pode ser decidida apenas pelo faturamento de um dia ou de uma semana.

Como usar o dado na decisão financeira

O número do IBGE é útil para entender que o trabalho por aplicativos tem escala nacional e alcança ocupações diferentes. Para transformar essa informação em decisão pessoal, o passo seguinte é calcular o resultado líquido por hora: some os recebimentos, desconte os custos diretamente ligados à atividade e divida pelo total de horas trabalhadas, incluindo o tempo de espera quando ele fizer parte da rotina.

O cálculo deve ser repetido em semanas de movimento normal e em períodos de baixa. Assim, o trabalhador compara a atividade com outras alternativas de renda sem tratar um pico de demanda como se fosse uma remuneração garantida.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas trabalhavam por aplicativo em 2025?

O IBGE estimou 2 milhões de pessoas que realizaram trabalho por meio de plataformas digitais de serviços em 2025, no trabalho principal ou secundário.

Qual era o principal tipo de trabalho por aplicativo?

O transporte de passageiros, com 1,2 milhão de pessoas e 58,9% do total informado na divulgação do IBGE.

Os números mostram quanto o trabalhador ganha?

Não. Eles mostram o contingente de pessoas e o tipo de plataforma utilizado. Para estimar o ganho real, é preciso descontar os custos da atividade e considerar a jornada.

Fontes: IBGE — Trabalhadores de transporte de passageiros por aplicativo chegam a 1,2 milhão de pessoas no país; IBGE — PNAD Contínua.

Sobre o autor

Lacerda Araujo

Um apreciador da economia e noticias do dia a dia.